O Vittorio Veneto foi um couraçado operado pela Marinha Real e depois pela Marinha Militar Italiana e a segunda embarcação da Classe Littorio, depois do e seguido pelo e . Sua construção começou no final de outubro de 1934 no Cantieri Riuniti dell'Adriatico em Trieste e foi lançado ao mar no final de julho de 1937, sendo comissionado na frota italiana no final de abril de 1940, pouco depois do início da Segunda Guerra Mundial. Era armado com uma bateria principal composta por nove canhões de 381 milímetros montados em três torres de artilharia triplas, possuía deslocamento carregado de 45 mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de trinta nós.
O Vittorio Veneto teve uma carreira ativa na guerra. Ele foi atacado por aeronaves britânicas no início de novembro de 1940 na Batalha de Tarento, porém não foi danificado. No final do mesmo mês ele esteve presente na Batalha do Cabo Spartivento, quando atacou diversos cruzadores britânicos, sendo suficiente para forçar seus recuos. Depois disso foi alvo de diversos ataques aéreos em diferentes cidades, escapando de todos ileso. Em março de 1941 foi enviado para interceptar um comboio Aliados perto da Grécia o que resultou na Batalha do Cabo Matapão, quando atacou novamente cruzadores britânicos, porém foi torpedeado por um bombardeiro Bristol Blenheim e forçado a recuar.
Outras tentativas de interceptar comboios britânicos ocorreram entre o final 1941 e início de 1942, com o Vittorio Veneto estando muitas vezes na companhia de seu irmão Littorio. O navio acabou torpedeado pelo submarino em uma dessas ações, porém os danos não foram muitos sérios. Ele pouco fez pelo restante de 1942 e primeira metade de 1943 devido a uma grande escassez de combustível na Marinha Real. A frota italiana se rendeu aos Aliados em setembro depois da queda do governo de Benito Mussolini e o Vittorio Veneto passou os três anos seguintes internado no Egito sob controle britânico. Foi entregue ao Reino Unido como prêmio de guerra depois do fim do conflito e desmontado.
Características
260px|thumb|esquerda|Desenho da Classe Littorio O Vittorio Veneto tinha 237,76 metros de comprimento de fora a fora, boca de 32,82 metros e calado de 9,6 metros. Possuía um deslocamento projetado de toneladas, uma violação da restrição de 36 mil toneladas imposta pelo Tratado Naval de Washington de 1922; esse valor podia chegar a toneladas quando carregado com suprimentos de combate. Seu sistema de propulsão era composto por oito caldeiras Yarrow alimentadas por óleo combustível que impulsionavam quatro conjuntos de turbinas a vapor Belluzo, que chegavam a produzir um total de 128 mil cavalos-vapor (94,1 mil quilowatts) de potência. O Vittorio Veneto alcançava uma velocidade máxima de trinta nós (56 quilômetros por hora) e tinha uma autonomia de 3,92 mil milhas náuticas (7,26 mil quilômetros) a uma velocidade de vinte nós (37 quilômetros por hora). Sua tripulação era composta por oitenta oficiais e 1 750 marinheiros. A embarcação também era equipada com uma catapulta de aeronaves na popa e três hidroaviões para ações de reconhecimento.
A bateria principal do Vittorio Veneto consistia em nove canhões Ansaldo Modello 1934 de 381 milímetros. Estes eram montados em três torres de artilharia triplas, duas na proa e uma na popa, com aquelas na proa arranjadas de forma que a segunda torre ficasse sobreposta à primeira. Seus armamentos secundários tinham doze canhões Ansaldo Modello 1934/35 de 152 milímetros em quatro torres triplas localizadas à meia-nau, suplementadas por quatro canhões Ansaldo Modello 1891/92 de 120 milímetros em torres simples; estas eram armas antigas usadas principalmente para disparar projéteis iluminadores. A bateria antiaérea era formada por doze canhões Ansaldo Modello 1938 de 90 milímetros, vinte canhões Breda de 37 milímetros e 24 canhões Breda Modello 35 de 20 milímetros. O cinturão de blindagem tinha 280 milímetros de espessura e era complementado por uma segunda camada de aço de setenta milímetros. O convés era protegido por uma blindagem de 162 milímetros na área central, reduzindo-se para 45 milímetros sobre partes menos vitais. As torres de artilharia principais tinham blindagem que ia desde 150 até 380 milímetros de espessura, enquanto as barbetas eram blindadas com 350 milímetros. A torres de artilharia secundárias eram protegidas por 280 milímetros e, por fim, a torre de comando possuía proteção de 255 milímetros de espessura.
História Construção thumb|280px|O Vittorio Veneto antes de seu lançamento O Vittorio Veneto foi encomendado como parte do programa de construção naval de 1934 e foi construído pelo Cantieri Riuniti dell'Adriatico em Trieste. Seu batimento de quilha ocorreu no dia 28 de outubro de 1934, no mesmo dia que seu irmão . Foi nomeado em homenagem à Batalha de Vittorio Veneto, um confronto travado e vencido pela Itália contra a Áustria-Hungria em 1918 durante os últimos meses da Primeira Guerra Mundial. Seu lançamento foi em 25 de julho de 1937 e os trabalhos de equipagem foram finalizados em outubro de 1939. Este processo foi adiado repetidas vezes por causa de mudanças de projeto e escassez de placas de blindagem. O Vittorio Veneto foi para Veneza em 4 de outubro para que o fundo de seu casco fosse limpo das incrustações que tinham se acumulado durante o longo período de equipagem, pois o Arsenal de Veneza tinha a única doca seca longa o bastante na Itália para acomodar um navio do tamanho dos couraçados da Classe Littorio.
Os trabalhos de limpeza foram finalizados alguns dias depois e a doca seca foi inundada em 17 de outubro a fim de realizarem testes de estabilidade. O couraçado foi para Trieste em 19 de outubro e seus testes marítimos começaram quatro dias depois. Estes duraram até meados de março de 1940, depois do qual alguns trabalhos adicionais de equipagem foram completados. O Vittorio Veneto foi entregue à Marinha Real Italiana em 28 de abril, porém ainda não estava totalmente finalizado. Foi enviado para La Spezia em 1º de maio para seus toques finais, escoltado pelos contratorpedeiros e . Foi carregado com projéteis de sua bateria principal em 6 de maio, com os trabalhos de carregamento de todas as suas munições ocorrendo até o dia 20. No mesmo dia foi para Tarento escoltado pelos contratorpedeiros e , onde juntou-se à 9ª Divisão da frota italiana. A Itália entrou na Segunda Guerra Mundial no mês seguinte, porém o Vittorio Veneto e o Littorio só foram declarados completamente operacionais em 2 de agosto.
Segunda Guerra thumb|260px|esquerda|O Vittorio Veneto no Mediterrâneo O Vittorio Veneto fez uma surtida entre 31 de agosto e 2 de setembro de 1940 junto com uma força frota italiana que era composta por cinco couraçados, dez cruzadores e 34 contratorpedeiros. Seu objetivo era interceptar forças navais britânicas e um comboio, ambos seguindo em direção da ilha de Malta, porém nenhum contato visual foi estabelecido com ambas as frotas devido a um trabalho ruim de reconhecimento, assim não houve confronto. O reconhecimento aéreo britânico tinha detectado a frota italiana se aproximando e eles conseguiram escapar. A força saiu novamente em 6 de setembro para atacar uma força que supostamente estava deixando Gibraltar, porém os britânicos navegaram para o Oceano Atlântico. Uma ação semelhante ocorreu entre 29 de setembro e 1º de outubro com o objetivo de atacar comboios transportando tropas para Malta; a força italiana era formada por cinco couraçados, onze cruzadores e 23 contratorpedeiros, porém também não houve confronto. Nesta operação, a Força Aérea Real Italiana foi capaz de localizar o comboio, porém os britânicos conseguiram fugir da frota italiana.
A Frota do Mediterrâneo da Marinha Real Britânica lançou um grande ataque aéreo contra o porto de Tarento na noite do dia 11 para o 12 de novembro. Vinte e dois aviões torpedeiros Fairey Swordfish lançados do porta-aviões atacaram a frota italiana em duas ondas. A base de Tarento era defendida por 21 canhões antiaéreos de noventa milímetros e por mais alguns canhões menores de 37 e vinte milímetros, junto com 27 balões barragem. Os italianos não tinham radares e assim foram pegos de surpresa pela chegada dos Swordfish. Os couraçados também não tinham redes anti-torpedos suficientes. A primeira onda chegou às 20h35hmin, seguida pela segunda aproximadamente uma hora depois. O Vittorio Veneto não foi danificado no ataque, porém outros três couraçados foram, dois dos quais seriamente. O couraçado liderou a frota italiana para Nápoles no dia seguinte do ataque; foi nesse local que ele assumiu a posição de capitânia da frota, sob o comando do almirante de esquadra Inigo Campioni.
Cabo Spartivento
O Vittorio Veneto e o , os únicos couraçados italianos operacionais, participaram em 17 de novembro de uma tentativa de interceptar mais um comboio britânico para Malta, porém não fizeram contato com o inimigo. Outra tentativa ocorreu em 26 de novembro, desta vez resultando em um confronto que ficou conhecido como a Batalha do Cabo Spartivento. A força italiana era composta pelo Vittorio Veneto, Giulio Cesare, seis cruzadores e catorze contratorpedeiros, enquanto a escolta britânica tinha o porta-aviões , o couraçado e o cruzador de batalha . O reconhecimento aéreo italiano detectou as escoltas, porém exagerou suas forças e Campioni decidiu recuar do confronto pouco depois de seu início, pois estava sob ordens de não arriscar seus únicos couraçados contra forças iguais ou mais fortes. O Vittorio Veneto disparou dezenove projéteis em sete salvos contra vários cruzadores britânicos a uma distância de 27 quilômetros, com isto tendo sido o suficiente para que os inimigos recuassem; esses disparos danificaram levemente o cruzador rápido . O Ark Royal chegou a disparar torpedos contra o Vittorio Veneto, porém nenhum acertou.
Repetidos ataque aéreos britânicos contra o porto de Nápoles fez com que o alto comando italiano transferisse, em 14 de dezembro, o Vittorio Veneto e o resto dos grandes navios da frota para a Sardenha. Todavia, eles retornaram para Nápoles apenas seis dias depois quando o alto comando concluiu que, com a frota na Sardenha, os britânicos poderiam enviar comboios de Alexandria para Malta com maior facilidade. Os britânicos lançaram um nova ataque aéreo contra a frota estacionada em Nápoles na noite do dia 8 para o 9 de janeiro de 1941; os bombardeiros Vickers Wellington não conseguiram acertar o Vittorio Veneto, porém o Giulio Cesare foi levemente danificado em alguns quase acertos. Ambos foram para La Spezia no dia seguinte, com o primeiro proporcionando cobertura para o segundo. O Vittorio Veneto assim ficou como o único couraçado operacional na frota. O Giulio Cesare e o couraçado Andrea Doria retornaram para o serviço em fevereiro. Os três couraçados, mais oito contratorpedeiros, tentaram interceptar a Força H em 8 de fevereiro, que estava seguindo para bombardear Gênova. As duas forças não encontraram a outra e os italianos retornaram para La Spezia.
Cabo Matapão
thumb|260px|O Vittorio Veneto atacando cruzadores britânicos na Batalha do Cabo Matapão