Francisco Vital da Silva, também conhecido como Chico Pé de Pato (Campo Alegre de Lourdes, 1942 — São Paulo, 27 de janeiro de 1987), foi um justiceiro brasileiro. Era conhecido por realizar investidas contra criminosos na Zona Leste de São Paulo, sendo preso em 1985 após assassinar um policial à paisana. Francisco posteriormente acabou sendo morto em uma penitenciária, com 91 estiletadas.

História Natural da cidade de Campo Alegre de Lourdes (no sertão da Bahia), Francisco, assim como muitos nordestinos, migrou para São Paulo em busca de melhores condições de vida, passando a morar no bairro Jardim Camargo Novo no Distrito do Itaim Paulista. O "Justiceiro da Zona Leste", como também era conhecido, trabalhou como pedreiro, até abrir um bar no início dos anos 80. Segundo relatos de noticias da época, o bar de Francisco era constantemente assaltado, e em 1984 enquanto fazia um boletim de ocorrência, cinco homens invadiram sua casa, roubando diversos itens e estuprando a sua esposa e a sua filha de 16 anos.

Ele voltou com sua família para sua terra natal afim de se recuperar psicologicamente, e sua esposa e filha continuaram na Bahia, mas Francisco voltou para São Paulo após dois meses, desta vez armado em busca de vingança, juntamente com seu filho, na época com 19 anos; ambos passaram então a efetuar jornadas de caçada ao crime na cidade.

A primeira aparição de Chico Pé de Pato no Notícias Populares ocorreu em 14 de agosto de 1985, na nota "2 irmãos liquidados pelo Justiceiro da Zona Leste".

Em uma troca de tiros, Pé de Pato assassinou um policial à paisana, o qual acreditava se tratar de mais um ataque de bandidos. A morte do militar Moacir Ferreira Mello colocou Pé de Pato na mira da polícia.

Repercussão e condenação Francisco era também amigo pessoal de Afanásio Jazadji, o radialista de maior audiência do estado de São Paulo durante o início da década de 1980 com o programa Patrulha da Cidade, que denunciava casos policiais sem solução. Afanásio tinha contato direto com Chico, que por sua vez, dava as informações sobre seus assassinatos com exclusividade ao programa. O justiceiro, que fugiu com seu Opala, fez contato com Afanásio, que o convenceu a se entregar para a ROTA. No dia de sua prisão, anunciada no rádio, mais de 500 pessoas estavam reunidas para recebê-lo e apoiá-lo.

Chico foi condenado a 6 anos de prisão por inúmeros assassinatos, uma pena considerada baixa, mas relativamente precisa graças à pressão das cerca de 2 mil pessoas que compareceram ao tribunal. Demonizado na cadeia, foi assassinado na penitenciária por 91 golpes de estilete no dia 27 de janeiro de 1987.

Documentário Em 2020, a trajetória de Chico Pé de Pato foi retratada no curta-metragem documental Pé de Pato: As (in)Justiças de um Cidadão Comum, dirigido por Bruno Carvalho e Luis Gustavo Carvalho como trabalho de conclusão de curso de Jornalismo pela Universidade Anhembi Morumbi.

O filme revisita a atuação do personagem no Itaim Paulista, zona leste de São Paulo, a partir de registros históricos, documentos do caso e entrevistas com personagens ligados diretamente ao contexto da época. Entre os entrevistados estão o radialista Afanásio Jazadji, que acompanhou amplamente o caso na imprensa; Conte Lopes, então capitão da ROTA no período em que Chico atuava; o jornalista e pesquisador Bruno Paes Manso, especialista em segurança pública e vencedor do Prêmio Jabuti por obra dedicada ao estudo das milícias; e Michel Temer, que à época era secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo.

Produzido entre o segundo semestre de 2019 e o primeiro semestre de 2020, o documentário contou com produção de Andressa Nascimento, Bruno Carvalho, Cayo Fischer e Luis Gustavo Carvalho, sob orientação acadêmica de Rogério Ferraraz.

O lançamento do curta foi repercutido pela imprensa, incluindo coluna publicada no portal UOL.

Categoria:Nascidos em 1942 Categoria:Mortos em 1987 Categoria:Criminosos do Brasil Categoria:Assassinos em série do Brasil Categoria:Mortes por esfaqueamento Categoria:Pessoas assassinadas no Brasil em 1987