O foi um navio de guerra operado pela Marinha Imperial Japonesa e a primeira embarcação da Classe Kongō, seguido pelo , e . Sua construção começou em janeiro de 1911, na Vickers Shipbuilding Company, como um cruzador de batalha. Foi lançado ao mar em maio de 1912, sendo comissionado na frota japonesa em agosto de 1913. Era armado com uma bateria principal de oito canhões de 356 milímetros, possuía inicialmente um deslocamento de mais de 27 mil toneladas e conseguia alcançar uma velocidade máxima de 27 nós.
O navio passou seus primeiros anos patrulhando as águas perto da China, durante a Primeira Guerra Mundial. O Kongō pouco fez na década seguinte. Depois disso a embarcação passou por duas grandes reconstruções, a primeira de 1929 até 1931 e a segunda de 1935 a 1937, nas quais sua blindagem foi reforçada, sua superestrutura reconstruída, seus maquinários substituídos e seus armamentos incrementados com uma defesa antiaérea, entre outras modificações. Estas várias alterações fizeram a Marinha Imperial Japonesa reclassificar o navio como um couraçado.
O Kongō operou perto da costa chinesa na Segunda Guerra Sino-Japonesa e depois teve uma carreira muito ativa durante a Segunda Guerra Mundial. Ele participou das batalhas de Midway e Guadalcanal, em 1942, enquanto no ano seguinte movimentou-se entre diversas bases e fez surtidas em resposta a ataques de porta-aviões norte-americanos. Em 1944, o navio lutou nas batalhas do Mar das Filipinas e do Golfo de Leyte. O Kongō foi afundado em 21 de novembro de 1944, enquanto atravessava o Estreito de Formosa, depois de ser torpedeado pelo submarino .
Características
thumb|esquerda|240px|Desenho da Classe Kongō após suas modernizações para couraçados O Kongō foi o primeiro cruzador de batalha da Marinha Imperial Japonesa. A Classe Kongō era tão grande, cara e bem armada quanto um couraçado, porém abria mão de proteção para alcançar uma velocidade maior. Foram projetados pelo engenheiro britânico George Thurston e encomendados em 1910 no Decreto de Expansão Naval Emergencial em resposta ao britânico . A classe foi projetada para se igualar aos cruzadores de batalha de outras grandes potências navais. O tamanho de seus canhões principais e o nível de sua blindagem, que compunha 23,3 por cento de seu deslocamento em 1913, eram muito superiores a de todos os outros navios capitais japoneses da época.
Como construído, o Kongō tinha 214,58 metros de comprimento de fora a fora, boca de 28,04 metros, calado de 8,22 metros e deslocamento normal de 27 384 toneladas. Seu sistema de propulsão era composto por 36 caldeiras Yarrow, que impulsionavam duas turbinas a vapor Parsons, cada uma girando duas hélices projetadas para produzir 65 mil cavalos-vapor (47,8 mil quilowatts) de potência. O Kongō era capaz de alcançar uma velocidade máxima 27,5 nós (50,9 quilômetros por hora). Ele carregava 4,3 mil toneladas de carvão e mil toneladas de óleo combustível, que era borrifado no carvão com o objetivo de aumentar sua taxa de queima, o que proporcionava um alcance de oito mil milhas náuticas (quinze mil quilômetros) a uma velocidade de catorze nós (26 quilômetros por hora).
A bateria principal tinha oito canhões de 356 milímetros montados em quatro torres de artilharia duplas, duas na proa e duas na popa. Seus armamentos secundários originalmente tinham dezesseis canhões de 152 milímetros/50 calibres em casamatas a meia-nau, além de oito canhões de 76 milímetros. O navio também foi equipado com oito tubos de torpedo submersos de 533 milímetros. O cinturão de blindagem superior tinha 152 milímetros de espessura, enquanto o cinturão inferior tinha 203 milímetros, com eles se afinando para 76 milímetros próximo da proa e da popa. O convés era protegido por uma blindagem que ia desde 38 milímetros até setenta milímetros de espessura. As torres de artilharia tinham placas de blindagem de até 229 milímetros de espessura. Por fim, a proteção da torre de comando chegava em até 229 milímetros de espessura.
História Início de carreira thumb|240px|O Kongō em sua configuração de cruzador de batalha pré-1927 O batimento de quilha do Kongō ocorreu em 17 de janeiro de 1911, nos estaleiros da Vickers Shipbuilding and Engineering em Barrow-in-Furness, Reino Unido. O contrato do Japão com a Vickers estipulava que a primeira embarcação da classe seria construída pelo estaleiro britânico, enquanto as restantes seriam construídas por estaleiros japoneses. O lançamento do navio foi em 18 de maio de 1912, quando ele foi transferido para Portsmouth, onde seu processo de equipagem ocorreu. Todos os componentes usados na construção do Kongō foram produzidos no Reino Unido. Ele foi finalizado em 16 de abril de 1913, sendo comissionado na Marinha Imperial Japonesa em 16 de agosto. A embarcação partiu para o Japão doze dias depois. O navio ficou em uma doca em Singapura entre os dias 20 e 27 de outubro e chegou no Arsenal Naval de Yokosuka em 5 de novembro, sendo colocado na reserva primeira classe. Foi transferido em janeiro de 1914 para o Arsenal Naval de Kure a fim de passar por checagens de armamentos.
A Primeira Guerra Mundial começou em 3 de agosto e dois dias depois o Japão emitiu um aviso à Alemanha, ordenando que o país tirasse suas tropas de Tsingtao, na China. Os alemães não responderam e os japoneses declararam guerra em 23 de agosto, partindo para ocupar as possessões alemãs nas Ilhas Carolinas, Palau, Marshall e Marianas. O Kongō foi rapidamente designado para atuar no Pacífico Central a fim de patrulhar as linhas de comunicação com a Alemanha. O navio retornou para Yokosuka em 12 de setembro e, um mês depois, foi designado para integrar a Divisão de Couraçados 1. Ele e seu irmão partiram para a costa chinesa em outubro a fim de apoiarem unidades do Exército Imperial Japonês no Cerco de Tsingtao. O Kongō então retornou para a Base Naval de Sasebo para aprimoramentos em seus holofotes. Os dois cruzadores de batalha participaram do afundamento do antigo pré-dreadnought Iki como alvo de tiro em 3 de outubro de 1915; este era o antigo navio Imperator Nikolai I da Marinha Imperial Russa, que fora capturado em 1905 na Guerra Russo-Japonesa. A Marinha Imperial Japonesa pouco fez depois da Esquadra da Ásia Oriental alemã ter sido derrotada em dezembro de 1914. O Kongō passou o resto da guerra em Sasebo ou em patrulhas próximo do litoral chinês. A embarcação foi colocada em reserva segunda classe em dezembro de 1918. Em abril de 1919 recebeu um novo sistema de inundação de água do mar para seus depósitos de munição.
A assinatura do Tratado Naval de Washington, em 6 de fevereiro de 1922, limitou o tamanho da Marinha Imperial para uma razão de 5:5:3 com Reino Unido e Estados Unidos, significando que japoneses poderiam ter três navios capitais para cada cinco de britânicos e norte-americanos. Isto ocorreu porque o Japão estava restrito a um oceano, enquanto os outros tinham acesso a dois. O Japão mesmo assim ficou com mais navios que França e Itália. O tratado também proibiu a construção de novos navios capitais até 1931, com nenhuma embarcação podendo exceder 36 mil toneladas de deslocamento. Foi permitido que navios capitais existentes fossem aprimorados com protuberâncias antitorpedo e conveses blindados, contanto que essas modificações não excedessem três mil toneladas. Na época que o tratado foi totalmente implementado, o Japão tinha três classes de navios capitais da época da Primeira Guerra Mundial: os cruzadores de batalha da Classe Kongō e os couraçados das classes Fusō e Ise.
O Kongō transportou o príncipe-herdeiro Hirohito, em abril de 1923, para uma visita oficial à Taiwan. O navio atracou em Yokosuka em novembro de 1924 para modificações no seu armamento principal, que melhoraram sua elevação e seus sistemas de controle de disparo. A embarcação passou por uma enorme modernização de sua superestrutura, em 1927, que a reconstruiu no estilo mastro pagode, com o objetivo de acomodar um número cada vez maior de sistemas de controle de disparo de seus armamentos. Seu equipamento de direção foi aprimorado em maio do ano seguinte e o Kongō pouco depois foi colocado na reserva, em preparação para enormes modificações e reconstruções.
Reconstrução thumb|esquerda|240px|O Kongō c. 1931 depois de sua primeira reconstrução O Japão decidiu aprimorar seus navios capitais da Primeira Guerra Mundial. O Kongō iniciou em setembro de 1929 uma enorme modernização em uma doca seca do Arsenal Naval de Yokosuka. No decorrer dos dois anos seguintes, sua blindagem horizontal perto dos depósitos de munição foi fortalecida e os espaços de máquinas dentro do casco receberam proteção a mais contra torpedos. Protuberâncias antitorpedo foram adicionadas na linha d'água, como permitido pelo Tratado Naval de Washington. A embarcação foi modificada para acomodar três hidroaviões, porém nenhuma catapulta foi instalada. Todas as suas 36 caldeiras foram removidas e substituídas por dezesseis modelos mais novos, enquanto quatro novas turbinas Brown-Curtis foram instaladas. A chaminé dianteira foi removida e a segunda chaminé foi alargada e alongada. As modificações no seu casco aumentaram o peso da blindagem em quatro mil toneladas, violando os termos do Tratado Naval de Washington. O Kongō passou a ser capaz de alcançar uma velocidade máxima de 29 nós (54 quilômetros por hora), sendo reclassificado em março de 1931 como um couraçado.
O Tratado Naval de Londres foi assinado em 22 de abril de 1930 e colocou ainda mais restrições nas forças navais dos cinco países signatários, incluindo o Japão. Vários dos couraçados mais antigos e obsoletos foram descartados e a proibição da construção de novos foi ampliada. A primeira reconstrução do Kongō foi finalizada oficialmente no dia 31 de março de 1931. A embarcação foi designada para servir com a Divisão de Couraçados 1, em 31 de dezembro, dois meses depois da invasão japonesa da Manchúria, tornando-se também a capitânia da Frota Combinada. Telêmetros e holofotes adicionais foram instalados em sua superestrutura em janeiro de 1932, com o capitão Nobutake Kondō assumindo o comando do navio em dezembro. Uma catapulta para os hidroaviões foi finalmente instalada entre as duas torres de artilharia traseiras em 1933.
A Sociedade das Nações estabeleceu em 25 de fevereiro de 1933 que a invasão da Manchúria tinha violado a soberania chinesa. O Japão se recusou a aceitar o julgamento e saiu da organização no mesmo dia. Os japoneses também renunciaram de seus compromissos com o Tratado Naval de Washington e o Tratado Naval de Londres, dessa forma eliminando todas as restrições sobre o número e tamanho de seus navios de guerra. O Kongō foi colocado em reserva segunda classe em novembro de 1934, em preparação para mais modificações. O capitão Paul Wenneker, adido naval alemão no Japão, visitou o navio em 10 de janeiro de 1935 para demonstrações de artilharia.
Pré-guerra thumb|290px|O Kongō na China em outubro de 1938 O Kongō foi colocado em uma doca seca do Arsenal Naval de Yokosuka em 1º de junho de 1935 em preparação para melhoramentos que permitiriam que ele atuasse como a escolta da frota cada vez maior de porta-aviões japoneses. Sua popa foi alongada em 7,9 metros para melhorar sua razão de finura. Suas dezesseis caldeiras instaladas na última modernização foram removidas e substituídas por onze modelos Kampon, enquanto as turbinas também foram trocadas por modelos mais novos. Além disso, sua ponte de comando foi reconstruída na superestrutura dianteira de acordo com o estilo mastro pagode, já a catapulta foi aprimorada para pode lançar hidroaviões de reconhecimento Nakajima E8N e Kawanishi E7K.