thumb|320px|Shikishima, Fuji, Asahi e Mikasa durante a Batalha do Mar Amarelo em 10 de agosto de 1904 A Marinha Imperial Japonesa construiu uma série de couraçados entre as décadas de 1890 e 1940. O Império do Japão anteriormente tinha adquirido alguns ironclads de estaleiros estrangeiros, mesmo tendo adotado a doutrina naval da Jeune École que enfatizava embarcações menores e baratas para contrapor navios grandes e caros. Entretanto, os japoneses comissionaram os dois couraçados da Classe Fuji na década de 1890, a fim de fazer frente à Marinha Imperial Chinesa; eles foram encomendados no Reino Unido pois o Japão não tinha a tecnologia e capacidade de construir suas próprias embarcações. A experiência da Primeira Guerra Sino-Japonesa de 1894 e 1895 convenceu os japoneses que sua doutrina era insustentável, levando a um programa de construção naval de dez anos que pedia por seis couraçados e seis cruzadores blindados. Os dois navios da Classe Shikishima e os couraçados e também foram comprados no Reino Unido. A Marinha Imperial sabia que não conseguiriam construir mais do que norte-americanos ou britânicos, assim decidiram que suas embarcações sempre seriam de qualidade superior para compensar sua inferioridade numérica.

As tensões entre Japão e Rússia aumentaram no início do século XX pelo controle da Coreia e Manchúria, com os japoneses encomendando dois couraçados da Classe Katori em 1903, os últimos construídos no exterior, com o objetivo de fazer frente à Esquadra do Pacífico russa. O Japão, desejando impedir reforços inimigos antes que seus novos navios fossem finalizados, iniciou a Guerra Russo-Japonesa em 1904 com um ataque surpresa contra a base russa de Porto Artur. Pouco depois, os japoneses encomendaram os dois couraçados da Classe Satsuma, os primeiros onstruídos domesticamente. O Exército Imperial Japonês capturou as embarcações sobreviventes da Esquadra do Pacífico até o final do ano. Os russos então enviaram a maior parte da Frota do Báltico, porém ela foi quase toda destruída na Batalha de Tsushima em maio de 1905. O Japão acabou por capturar cinco couraçados russos durante o conflito. Eles foram concertados e comissionados na Marinha Imperial, com dois sendo depois vendidos de volta para a Rússia em meados da Primeira Guerra Mundial. A magnitude da vitória na Batalha de Tsushima fez com que a liderança da marinha acreditasse que confrontos de superfície entre duas frotas era o único tipo de batalha decisiva em uma guerra moderna, além de que essa vitória seria decidida pelos couraçados armados com as maiores armas.

Com o fim da Guerra Russo-Japonesa, o Japão passou a se focar no Reino Unido e Estados Unidos, seus rivais restantes para o domínio do Oceano Pacífico, acreditando que seria inevitável que um conflito estourasse com pelo menos um desses países. Consequentemente, foi aprovada a Política de Defesa Imperial de 1907, que pedia pela construção de uma frota de batalha composta por oito couraçados e oito cruzadores. Esta foi a origem do Programa de Frota Oito-Oito, que era o desenvolvimento de uma linha de batalha coesa composta por dezesseis navios grandes. O lançamento do couraçado britânico em 1906 e do cruzador de batalha HMS Invincible no ano seguinte mudou o cenário naval mundial, complicando os planos japoneses pois essas embarcações deixaram todos os couraçados e cruzadores blindados existentes obsoletos. O Japão assim foi forçado a reiniciar o plano Oito-Oito com couraçados no estilo dreadnought e cruzadores de batalha. Isto levou à Classe Kawachi em 1907, seguida pelas classes Fusō e Ise na década seguinte. O sétimo e oitavo couraçados dreadnought japoneses vieram em 1917 e 1918 com os dois membros da Classe Nagato.

Os Estados Unidos anunciaram em 1919 a retomada de seu programa de construção naval de 1916 e os japoneses, em resposta, encomendaram oito couraçados rápidos das classes Kii e Número 13. A perspectiva de uma nova corrida armamentista naval entre Estados Unidos, Reino Unido e Japão após a Primeira Guerra Mundial fez com que os três países assinassem o Tratado Naval de Washington em 1922, que limitava os japoneses a uma proporção de 3:5:5 em tonelagem de couraçados em relação a britânicos e norte-americanos. O tratado forçou a Marinha Imperial a descartar todos seus pré-dreadnoughts e seus dreadnoughts mais antigos, enquanto os navios ainda em construção foram desmontados ou afundados como alvo de tiro. Além disso, o tratado proibia a construção de novas embarcações por dez anos. Oponentes do tratado e seus sucessores assumiram o controle dos altos escalões da Marinha Imperial nesse período, com os cruzadores de batalha da Classe Kongō sendo reconstruídos como couraçados rápidos, enquanto os couraçados ainda existentes foram modernizados. O crescimento do ultranacionalismo japonês e o domínio militar do governo fez o Japão abandonar o Tratado Naval de Washington em 1936. Planejamento para o período pós-tratado tinha começado dois anos antes e incluía cinco couraçados armados com nove canhões de 460 milímetros, o que se tornou a Classe Yamato. Os sucessores destes começaram a ser planejados pela Marinha Imperial no final da década de 1930, o que levou ao Projeto A-150, que seriam armados com canhões ainda maiores, porém nunca foram construídos por outras embarcações receberem prioridade no início da Segunda Guerra Mundial.

+ Legenda Armas principais Número e tamanho dos canhões da bateria principal Deslocamento Deslocamento do navio totalmente carregado Propulsão Número e tipo do sistema de propulsão e velocidade máxima Batimento Data em que o batimento de quilha ocorreu Lançamento Data em que o navio foi lançado ao mar Comissionamento Data em que o navio foi comissionado em serviço Destino Fim que o navio teve

Couraçados pré-dreadnought Classe Fuji

thumb|esquerda|230px|O Fuji em outubro de 1908 A Classe Fuji foi a primeira de couraçados da Marinha Imperial Japonesa, tendo sido encomendados no Reino Unido em resposta a novos ironclads chineses construídos na Alemanha. Foram projetados como versões menores da britânica Classe Royal Sovereign, porém eram ligeiramente mais rápidos e tinham blindagem melhor. A classe consistia em duas embarcações: e .

Ambos os navios participaram da Batalha de Porto Artur entre 9 e 10 de março de 1904, com o Fuji tendo sido levemente danificado na ação. O Yashima acabou batendo em duas minas navais em 15 de maio e afundou. O Fuji participou da Batalha do Mar Amarelo em agosto e foi levemente danificado na Batalha de Tsushima em maio de 1905. Ele foi creditado pelo disparo que causou a explosão que destruiu o couraçado russo . A embarcação recepcionou o embaixador dos Estados Unidos e oficiais da Grande Frota Branca em outubro de 1908, sendo reclassificado como um navio de defesa de costa em 1910. Foi desarmado e convertido em um alojamento flutuante em 1922. O Fuji acabou afundado por aeronaves norte-americanas em 1945 e desmontado em 1948.

Navio Armasprincipais Deslocamento Propulsão Serviço Batimento Lançamento Comissionamento Destino 4 × 305 mm 12 430 t 2 motores de tripla-expansão;18 nós (34 km/h) agosto de 1894 março de 1896 agosto de 1897 Desmontado em 1948 dezembro de 1894 fevereiro de 1896 setembro de 1897 Afundado em 1904

Classe Shikishima

thumb|240px|O Shikishima c. 1900 Os navios da Classe Shikishima foram projetados como versões mais poderosas dos couraçados da Classe Majestic da Marinha Real Britânica, tendo recebido os mesmos armamentos e maquinários da Classe Fuji com o objetivo de permitir que as embarcações operassem juntas como um grupo homogêneo. A classe tinha dois membros: e .

Ambos estavam presentes na Batalha de Porto Artur, tendo sido levemente danificados durante a ação. O Hatsuse bateu em uma mina russa em maio de 1904 e afundou depois de seu depósito de munição ter explodido. O Shikishima participou da Batalha do Mar Amarelo, tendo sido danificado apenas pela falha de um projétil de 305 milímetros, e também da Batalha de Tsushima, em que foi atingido nove vezes e sofreu outra falha em um de seus canhões principais, porém ajudou a afundar o couraçado russo junto com o Mikasa. O navio passou a Primeira Guerra Mundial no Distrito Naval de Sasebo e foi desmilitarizado depois do Tratado Naval de Washington. Foi então usado como embarcação de treinamento em Sasebo até ser desmontado em 1948.

Navio Armasprincipais Deslocamento Propulsão Serviço Batimento Lançamento Comissionamento Destino 4 × 305 mm 15 090 t 2 motores de tripla-expansão;18 nós (34 km/h) março de 1897 novembro de 1898 janeiro de 1900 Desmontado em 1948 janeiro de 1898 junho de 1899 janeiro de 1901 Afundado em 1904

Asahi

thumb|esquerda|230px|O Asahi em julho de 1900 O Asahi era um navio de tipo único e uma versão levemente aprimorada dos couraçados britânicos da Classe Formidable. Ele se tornou a capitânia da Marinha Imperial assim que entrou em serviço e depois foi designado em 1903 para a 1ª Frota, quando a Frota Combinada japonesa foi reformada. O navio participou da Batalha de Porto Artur no início da Guerra Russo-Japonesa, não sendo danificado. Esteve presente na Batalha do Mar Amarelo, onde recebeu danos moderados, porém acertou e danificou os couraçados russos Poltava e . O Asahi bateu em uma mina dois meses depois, porém foi concertado em tempo para a Batalha de Tsushima, em que ajudou a desabilitar o couraçado e duelou com o Borodino e Oryol, não sendo danificado.

A embarcação foi utilizada como navio de treinamento na Primeira Guerra Mundial até ser rearmado em 1917, escoltando no ano seguinte navios de transporte de tropas na intervenção japonesa na Sibéria durante a Guerra Civil Russa. O Asahi foi convertido em uma embarcação não combatente na década de 1920 e depois em um navio de reparos em 1937. Ele acabou torpedeado e afundado pelo submarino norte-americano USS Salmon na noite de 25 s 26 de maio de 1942, perto da Indochina Francesa.

Navio Armasprincipais Deslocamento Propulsão Serviço Batimento Lançamento Comissionamento Destino 4 × 305 mm 15 400 t 2 motores de tripla-expansão;18 nós (34 km/h) agosto de 1898 março de 1899 abril de 1900 Afundado em 1942

Mikasa thumb|240px|O Mikasa em fevereiro de 1905

O Mikasa também era um navio de tipo único e uma versão aprimorada da Classe Formidable, com mínimas diferenças em relação ao Asahi. O navio serviu como a capitânia da 1ª Frota no decorrer da Guerra Russo-Japonesa. Ele participou das batalhas de Porto Artur, do Mar Amarelo e Tsushima. O navio foi acertado várias vezes durante este último confronto, porém seus danos foram pequenos. O depósito de munição do Mikasa explodiu acidentalmente apenas alguns dias depois do fim da guerra, com ele afundando. A embarcação foi resgatada e seus reparos demoraram dois anos para serem finalizados. O couraçado depois disso atuou como navio de defesa de costa na Primeira Guerra Mundial e deu apoio para as forças japonesas que intervieram na Guerra Civil Russa. O Mikasa foi preservado como um navio-museu depois da assinatura do Tratado Naval de Washington. Foi muito negligenciado durante a ocupação do Japão pós-Segunda Guerra Mundial e necessitou de grandes restaurações no final da década de 1950.

Navio Armasprincipais Deslocamento Propulsão Serviço Batimento Lançamento Comissionamento Destino 4 × 305 mm 15 380 t 2 motores de tripla-expansão;18 nós (34 km/h) janeiro de 1899 novembro de 1900 março de 1902 Preservado comonavio-museu

Tango

thumb|esquerda|230px|O Tango entre 1908 e 1909