O Casarão é uma telenovela brasileira produzida e exibida pela TV Globo de 7 de junho a 10 de dezembro de 1976, em 168 capítulos. Substituiu Pecado Capital e foi substituída por Duas Vidas, sendo a 17.ª "novela das oito" produzida pela emissora.

Escrita por Lauro César Muniz, teve direção de Daniel Filho. Marco na renovação do estilo das telenovelas, O Casarão retratava as questões vividas por cinco gerações de uma família. Com idas e vindas no tempo, a história se desenvolve em três épocas distintas, apresentadas simultaneamente, e atores diferentes interpretam os mesmos personagens em cada fase.

Oswaldo Loureiro, Miriam Pires, Analu Prestes, Édson França e Tony Correia protagonizam o primeiro período da trama. Gracindo Júnior, Sandra Barsotti e Dennis Carvalho interpretam os protagonistas da época seguinte, vividos por Paulo Gracindo, Yara Cortes e Mário Lago, respectivamente, no terceiro momento. Lutero Luiz, Laura Soveral, Aracy Balabanian, Paulo José, Renata Sorrah, Armando Bógus, Marcos Paulo e Daisy Lúcidi interpretam os demais papéis principais.

Enredo Em 1900, na cidade de Sapucaí, o respeitado chefe político da região, Deodato Leme (Oswaldo Loureiro), consegue que parte de uma linha ferroviária passe pelos limites de sua propriedade, a fazenda Água Santa, com o intuito de facilitar o escoamento do café ali cultivado, base de sua prosperidade. Ao mesmo tempo, Deodato, para mostrar o seu grande poder, manda construir nos domínios da fazenda um suntuoso casarão que centralizará a saga de sua família ao longo de cinco gerações. Para contar essa saga familiar, O Casarão se desenvolve em três épocas diferentes: o primeiro momento acontecia entre 1900 e 1910; a fase seguinte, de 1926 a 1936; e a última era ambientada 40 anos depois, em 1976.

Primeiro período: 1900 a 1910 Deodato é casado com Olinda (Miriam Pires), a quem oprime, sempre tratando-a com aspereza e veemência, fazendo-a buscar apoio na religião. Deodato e Olinda têm uma única filha, Maria do Carmo (Analu Prestes), uma jovem que é calada e consentida na presença do pai e alegre distante dele. A jovem se apaixona pelo imigrante português Jacintho (Tony Correia), operário na construção da estrada de ferro. No entanto, Maria do Carmo não consegue levar o relacionamento adiante, que por obrigação do pai, interessado na construção da ferrovia, acaba se casando com Eugênio (Édson França), engenheiro responsável pela obra. Jacintho, após ser expulso da fazenda por Deodato, parte para outra cidade e casa-se com Francisca (Ana Maria Grova). Anos depois, Deodato é assassinado, vítima de uma emboscada armada pelo próprio genro, que, então, passa a assumir o controle político da região.

Segundo período: 1926 a 1936 O período retrata a decadência da fazenda Água Santa, em razão do progresso de Sapucaí. Casada com Eugênio, Maria do Carmo vive um casamento infeliz e, apesar de enferma, acompanha o marido em suas viagens. Por esta época, Atílio (Dennis Carvalho), filho de Jacintho e Francisca (Laura Soveral), inicia uma carreira política promissora e Maria do Carmo tenta fazer com que a filha, Carolina (Sandra Barsotti), se aproxime do rapaz, vendo nesta união a realização de suas próprias frustrações. Porém, as atenções de Carolina voltam-se para o pintor e escultor João Maciel (Gracindo Júnior), filho adotivo do capataz da fazenda, Afonso (Lutero Luiz). João Maciel recebe a tarefa de esculpir uma santa para a capela da fazenda Água Santa, como promessa de Olinda para a recuperação de Maria do Carmo, que se encontrava gravemente doente. O modelo para o rosto da santa é Carolina, e a aproximação dos dois provoca uma forte paixão. O amor cresce entre eles e, como forma de homenagem à amada, João transforma a imagem da santa numa escultura de Vênus, a deusa do amor e da beleza.

Os dois fazem planos de deixar a cidade para tentar novas oportunidades em São Paulo. Mas João acaba por partir sozinho e, para evitar problemas, mutila sua própria criação artística, colocando a cabeça da estátua num pedestal coberto por um longo véu e enterrando o corpo num local próximo ao casarão. Após uma longa ausência, retorna à Sapucaí e descobre que Carolina está noiva de Atílio, com quem acaba se casando por imposição da família, que está à beira da decadência em virtude da Grande Depressão de 1929.

Terceiro período: 1976 A fazenda Água Santa já não é a mesma e possui somente a terça parte das terras da fazenda original, entrando em uma derrocada em virtude da industrialização e do êxodo rural. Embora cada vez mais decadentes, Carolina (Yara Cortes) e Atílio (Mário Lago) vivem um casamento calmo, do qual nasceram três filhos: Violeta (Aracy Balabanian), Alice (Daisy Lúcidi) e Eduardo (Marcos Paulo). Apesar da idade avançada, Carolina mantém ainda a sua vitalidade e acompanha de longe o sucesso de João Maciel (Paulo Gracindo), guardando sempre recortes de jornais com tudo sobre o artista. Por outro lado, Atílio já apresenta alguns sinais de senilidade e vive das lembranças de um passado distante.

Através da televisão, Carolina fica por saber que João Maciel teve um ataque cardíaco e escreve-lhe. Posteriormente, João faz uma visita oficial à cidade e se hospeda no casarão, fazendo renascer uma grande paixão entre os dois. Lina (Renata Sorrah), filha de Alice, também enfrenta graves problemas em seu matrimônio. Casada com Estevão (Armando Bógus), apaixona-se por Jarbas (Paulo José), amigo de João Maciel, que o acompanha na sua viagem a Sapucaí, decidindo viver com o homem que ama — contrastando desta forma com sua avó Carolina, que se casou com Atílio mesmo amando João Maciel, e com sua bisavó Maria do Carmo, que casou-se com Eugênio mesmo amando Jacintho.

Diante do declínio da família, os filhos de Atílio e Carolina decidem transformar a fazenda num loteamento. No entanto, o casarão acaba sendo vítima de uma triste coincidência histórica: uma nova linha ferroviária deverá passar exatamente no mesmo local onde o imóvel está situado, causando a sua demolição por circunstâncias semelhantes ao que levou a ser construído. Após a morte de Atílio, Carolina e João Maciel reaproximam-se e realizam o sonho de ficarem juntos, dando uma nova chance para o amor 40 anos depois.

Elenco IntérpretePersonagemPrimeiro períodoSegundo períodoTerceiro períodoOswaldo LoureiroDeodato Leme<center>Miriam Pires<center>Olinda Pires de Almeida Leme<center>Analu Prestes<center>Maria do Carmo Leme<center>Édson França<center>Eugênio Galvão<center>Tony Correia<center>Jacinto de SouzaAna Maria GrovaLaura SoveralFranciscaCarlos DuvalEliseuLutero LuizAfonso EstradasPaulo GonçalvesJosé Cardoso (Cardosão)Hélio AryVigário FelícioJuan DanielRamónMaria Teresa BarrosoEuláliaGracindo JúniorPaulo GracindoJoão MacielSandra BarsottiYara CortesCarolina Leme GalvãoDennis CarvalhoMário LagoAtílio de SouzaIvan CândidoValentimRui ResendeAbelardoFlávio MigliaccioCoringaNestor de MontemarGervásioFábio SabagDom GasparThelma RestonMargaridaAugusto XavierFelipeAracy BalabanianVioletaPaulo JoséJarbas MartinsRenata SorrahCarolina Bastos (Lina)Armando BógusEstevão BastosBete MendesVâniaDaisy LúcidiAlice Galvão de Souza LinsFernando VillarFrancisco LinsMarcelo PicchiAldoMaria Cristina NunesTeresaIda GomesBertaMoacyr DeriquémSérgioNilson CondéPadre MiltonArthur Costa FilhoArturoWaldir MaiaJaime Cabral / ZenóbioFernando JoséJosé RezendeRosi CamposIvete Mendes

Participações especiais Intérprete Personagem Arlete Salles Maria Helena Aurimar Rocha Dr. Saraiva Elizângela Mônica Elza Gomes Irmã Lurdes Ênio Santos SaulFrancisco MilaniAmigo de João Maciel Heloísa Helena MirtesJacyra SilvaEnfermeira do sanatórioLéa GarciaVendedora ambulanteLuiz MagnelliAmigo de João MacielMarcelo BeckerJornalista Neila Tavares Célia Neuza Amaral MarisaPietro MárioAmigo de João MacielRegina ChavesEmpregada de LinaRejane SchumannDublê de Sandra BarsottiRuth de SouzaMarchand da galeria de arte Sandra Pêra Angélica Tamara Taxman Lídia Thelma Elita Conceição Zilka Salaberry Mercedes

Produção

Para escrever O Casarão, Lauro César Muniz teve como ponto de partida o teleteatro A Estátua, produzido pela TV Excelsior em 1961, que por sua vez originou a peça teatral A Morte do Imortal, encenada em 1966, ambos trabalhos do mesmo autor. A trama também foi responsável por concluir uma trilogia de folhetins do autor sobre a história de São Paulo, iniciada com Os Deuses Estão Mortos, na RecordTV em 1971, e que teve continuidade com Escalada, na TV Globo em 1975. O Casarão revolucionou o estilo das telenovelas e narrava três histórias interligadas pelo mesmo local simultaneamente sem linearidade, apresentando as três fases da trama em cada capítulo sem uso do processo de flashback, uma vez que, na ocasião, a emissora estava passando por um período de inovações em suas produções de teledramaturgia — iniciada com O Rebu, em 1974, na qual toda a trama se passava em um único dia. Em entrevista para o Jornal do Brasil, o diretor da novela, Daniel Filho, explicou: "[...] é a primeira vez que mudaremos de tempo sem ser pela memória do personagem. No mesmo capítulo, apresentaremos as três fases, tendo como base a atual e as outras duas, para explicitar acontecimentos".

A trama envolvendo o triângulo amoroso formado por Lina, Estevão e Jarbas, papéis de Renata Sorrah, Armando Bógus e Paulo José, teve problemas com a Censura Federal, que chegou a proibir até que Renata Sorrah contracenasse com Paulo José por não permitir que a novela abordasse o tema do adultério feminino, uma vez que Lina rompia um casamento fracassado com Estevão para ficar com Jarbas, após conhecê-lo durante uma viagem. A Divisão de Censura de Diversões Públicas (DCDP) recomendou que a personagem pedisse o divórcio, pois não poderia se apaixonar por outro homem ainda estando casada. Além disso, Lauro César Muniz revelou ainda à revista Amiga, em novembro de 1976, que "Não foi permitido mostrar que Lina usava anticoncepcionais; […] foram enfraquecidos os personagens de Marcelo Picchi (Aldo, candidato a vereador de Tangará), Nilson Condé (o padre Milton) e Bete Mendes (a jornalista Vânia): os comícios do candidato Aldo não puderam ser levados ao ar e foi reduzida a participação do padre e da jornalista na campanha política. Na primeira fase da novela (1900), muitos detalhes da revolta de Cardosão (Paulo Gonçalves) contra o Partido Republicano Paulista (PRP) não puderam ser mostrados […] Muitas cenas que mostravam as atividades do PRP também tiveram que ser suprimidas. Ainda na fase de 1900, teve que ser tirada da fala dos personagens a palavra "ceroula". Na fase de 1926, não puderam ser empregados os termos "prenhe" e "parir". Também nessa fase foram suprimidas muitas passagens sobre as arbitrariedades cometidas pelos fazendeiros, em especial Eugênio Galvão (Édson França), que, como os outros, usava o poderio econômico para manipular a política da região".

Cenografia e gravações thumb|right|Da direita para a esquerda, Paulo Gracindo, não identificado, Daisy Lúcidi (de costas) e Renata Sorrah durante ensaios entre as gravações da terceira fase da telenovela, 1976. O cenógrafo Mário Monteiro foi encarregado de criar e montar em Guaratiba, bairro do Rio de Janeiro, um cenário com várias fachadas, para caracterizar a ação do tempo sofrida pelo casarão nas três épocas retratadas, mostrando seu início, o auge e a decadência, quando foi demolido para dar lugar à uma linha férrea. Embora o casarão só pudesse ser enquadrado de frente, pois cada face da construção representava uma época, era possível gravar em um mesmo dia cenas ambientadas em tempos diferentes.

Em 4 de junho de 1976, três dias antes da estreia da novela, um incêndio na sede da TV Globo, no Jardim Botânico, fez com que as gravações fossem transferidas para os estúdios Herbert Richers, no bairro carioca de Usina.

Escolha do elenco