Em 2011, uma equipa de sete studiosos, do contextos científicos, religiões e países diferentes, incluindo Israel, fundaram o Instituto Polis. Segundo o lema, “buscaram uma renovação das humanidades através do estudo das fontes da cultura ocidental e oriental”. esses funcionários perceberam a necessidade de uma mudança na forma como as línguas antigas eram ensinadas desde o século XIX. Nesse sentido, estão desenvolvendo um método de ensino que visa permitir uma aquisição profunda e verdadeira da linguagem.

Com base nos desenvolvimentos mais recentes em Linguística Aplicada e na experiência de ensino de Hebraico Moderno (o método Ulpan) em Israel, o método Polis tenta ensinar as chamadas "línguas mortas" da mesma forma que as línguas modernas geralmente são ensinadas: num ambiente monolingue e totalmente imersivo.

O instituto está localizado em Musrara, próximo à Cidade Antiga de Jerusalém.

História O Instituto foi registado em 2011 (cfr. Registro de Organizações Sem Fins Lucrativos, em Hebraico) e iniciou com os cursos de Hebraico Moderno e Árabe juntamente com o de Grego Antigo, durante esse ano. A principal intenção era a de ensinar línguas antigas como línguas vivas e a de reunir professores de diferentes línguas que compartilhassem metodologias e técnicas entre si. Rapidamente reconheceram a importância da total imersão no idioma ensinado durante as aulas, tanto nas línguas modernas, quanto nas as antigas. Recorreram sobretudo aos métodos de ensino do Hebraico Moderno em Israel e à experiência do Professor Doutor Christophe Rico no ensino do Grego Antigo.

A principal razão para desenvolver esta actividade como uma organização sem fins lucrativos foi a de promover, para o maior número de pessoas possível, a cultura do diálogo através das diferentes línguas. Depressa esta tornou-se uma contribuição para uma melhor compreensão dos diferentes grupos étnicos e religiosos presentes em Jerusalém.miniaturadaimagem|Placa à entrada da Polis com o nome oficial do Instituto em inglês, hebraico e árabeEm 2013, o Instituto Polis inaugurou um plano de estudos em Filologia Antiga, que reunia diversos alunos e académicos dos Estados Unidos e Europa. O programa hoje conta com alunos da Ásia, Europa, América do Norte e América do Sul.

Com o objectivo de divulgar o método Polis e o interesse pela línguas, literaturas e culturas antigas noutros países, a Polis e seu corpo docente tem organizado cursos intensivos, seminários e palestras em Itália, Peru, Argentina, Estados Unidos, Espanha, Marrocos, Finlândia, Suécia e Filipinas.

Nos países de língua portuguesa, têm vindo a crescer as ligações com o instituto e o seu reconhecimento, chegando os seus livros a ser referenciados por académicos.

O Método Polis Princípios Teóricos O Método Polis engloba uma variedade de abordagens e técnicas que se unificam sob dois princípios maiores:

Total imersão Abundantes pesquisas têm corroborado o princípio de que a aprendizagem das línguas é tanto mais proveitosa quando ocorre num ambiente de total imersão, isto é, onde apenas o idioma de destino é ouvido, lido, falado e escrito. Este princípio teórico marca a diferença essencial entre o método Polis e os métodos tradicionais de tradução de base gramatical, e é o principal pilar para inclusão de determinadas técnicas práticas na nossa metodologia.

Desenvolvimento de linguagem dinâmica A Polis defende que as estruturas gramaticais devem ser aprendidas de acordo com sua ordem natural de aquisição. Deste modo, reconhece não só a progressão contínua do aluno na aquisição da linguagem com base nas quatro habilidades linguísticas básicas (ouvir, falar, ler e escrever), mas também os modos de discurso ou géneros literários (diálogo > narração > argumentação > poesia) historicamente envolvidos no progressivo processo de aquisição de linguagem.

Com base nestes princípios, a Polis reúne e adapta uma ampla gama de abordagens e técnicas de ensino que foram desenvolvidas desde os anos 70 nos Estados Unidos e no CanadáNauka jezyka starogreckiego w sposob czynny - metoda POLIS (Michal Kabat), pages 134-136, Nowy Filomata XIX 2015 e, mais recentemente, na França. De acordo com um de seus principais proponentes e promotores, o linguista Christophe Rico: "A principal inovação do método Polis é a aplicação destes dois princípios, para ensinar as chamadas línguas mortas como se fossem vivas."

Técnicas Práticas de Ensino Resposta Física Total Total Physical Response (TPR) é uma técnica de ensino de línguas desenvolvida pelo psicólogo James John Asher (San José State University) baseada nas suas observações de aquisição de linguagem em crianças pequenas. Embora a teoria por detrás da TPR e o próprio termo apenas tenham alcançado o público em geral no final dos anos 70, quando o professor Asher publicou um livro intitulado Learning Another Language through Actions, muitas das ideias de Asher se aproximam daquelas defendidas no final do século XIX e início do século XX por W. H. D. Rouse, conhecido por seu Método Directo ou Natural. miniaturadaimagem|Uma sala de aula do instituto com a cadeiras colocadas em semi-círculo, de forma a promover o uso das técnicas de Resposta Física Total (TPR), conversas em grupos e outras estratégias do Método Polis No contexto do Método Polis, a TPR inicia-se desde logo na primeira aula e permanece presente em todas as etapas do processo de aprendizagem. Na primeira sessão, o aluno apenas reage fisicamente a uma série de comandos dados pelo instrutor e nenhuma interacção verbal é esperada. Os alunos mais avançados, no entanto, são solicitados a descrever suas acções à medida que são realizadas, para antecipar verbalmente as acções ou para descrever o que acabaram de ver. Embora as actividades de TPR tendam a diminuir à medida que o curso avança, isso tem se mostrado bastante frutífero mesmo nos estágios mais avançados, quando os alunos se deparam com algumas estruturas particularmente complexas, como o Genitivo absoluto em Grego ou o Accusativus cum infinitivo.

Leitura ou Narração de Histórias Teaching Proficiency through Reading and Storytelling (TPRS) ou simplesmente Storytelling é uma técnica criada nos anos 90 pelo professor de espanhol Blaine Ray, inspirada na teoria de Steven Krashen sobre a aquisição de uma língua estrangeira, que enfatiza o papel do "input compreensível" com vista a um domínio da elocução (output) por parte do aluno. Segundo Krashen, é fundamental que os alunos sejam expostos a frases cujo significado possam compreender plenamente. Característica esta que exige um controlo estrito de como e quando são apresentadas novas palavras e estruturas, com a finalidade de limitar as novas palavras a uma pequena percentagem da mensagem inteira.

A fim de proporcionar aos alunos um ambiente de ensino onde um "input compreensível" pudesse ocorrer, Blaine Ray criou uma série de histórias e narrações nas quais os alunos se pudessem envolver activamente. Ao longo da narração, os alunos são apresentados a mensagens que correspondem ao seu nível linguístico, o que permite a introdução de novo vocabulário.

Adaptando a prática de contar histórias, o Método Polis exclui completamente traduções e explicações em qualquer idioma diferente daquele que está a ser ensinado. Outro desenvolvimento do Método Polis consiste em pedir frequentemente aos alunos que respondam numa frase completa em vez de apenas palavras isoladas, incentivando-os a interiorizar as competências discursivas.

Construção de Narrativas A técnica Story Building foi desenvolvida pela primeira vez por Greg Thomson (University of Alberta) em 2007 e está incluída no seu método Growing Participator Approach (GPA). A sua teoria baseia-se na apresentação de vinhetas que formam uma história consistente, na sua sucessão de imagens. Os alunos são então convidados a descrever as imagens apresentadas, utilizando o vocabulário que conhecem. Este exercício não só revigora a retenção dos conteúdos, como também permite a inserção de novas estruturas gramaticais vinculadas às imagens e ao vocabulário.

Dentro do método Polis, a técnica de construção de histórias é frequentemente usada como forma de exercitar a mudança de tempo verbal do presente para o passado.

Imagens e acessórios Uma vez que a memória humana é amplamente dependente da experiência sensorial, o uso de imagens e adereços é uma ferramenta muito eficaz para apresentar novo vocabulário, permitindo aos alunos associar directamente uma nova palavra a uma experiência sensorial.

Conversa a pares ou pequenos grupos O diálogo entre os alunos durante as aulas é uma característica comum no ensino de línguas modernas e que é aplicada, através do Método Polis, ao ensino de línguas antigas. Esta interacção é uma ferramenta muito eficaz em níveis mais avançados, pois à medida que o aluno pratica a produção de discurso, ele também progride na aquisição da linguagem. As conversas guiadas podem envolver entre dois a cinco alunos de cada vez e são cuidadosamente projectadas de forma a maximizar o tempo de fala de cada aluno e minimizar os erros.

Expressão Sequencial Living Sequential Expression (LSE) é a mais recente estratégia de ensino que os instrutores da Polis desenvolveram e que estão agora a começar a aplicar. Esta abordagem foi inspirada no trabalho do educador francês e professor de línguas estrangeiras, François Gouin (1831-1896), que desenvolveu Método de Série de aquisição de línguas. Na abordagem à técnixa LSE que a Polis faz, os alunos “aprendem a descrever e relatar sequências de acções logicamente conectadas”.

Outras actividades e técnicas Uma vez que as actividades que exigem o idioma como o seu único veículo podem contribuir muito para a criação de uma experiência de imersão mais natural, os alunos são também incentivados a participar em actividades fora da sala de aula: como almoços em total imersão, nos quais alunos e professores tomam uma refeição juntos enquanto falam exclusivamente na língua alvo.

A música é também um outro recurso que auxilia os alunos da Polis a reter vocabulário e gramática. Durante o primeiro ano do curso de Grego Antigo, por exemplo, cerca de dez canções são ensinadas.

Oferta Académica miniaturadaimagem|A entrada do Instituto

Mestrado em Filologia Antiga O que anteriormente era apenas um curso certificado de dois anos em Filologia Antiga, é actualmente um completo programa de mestrado. O grau de mestre é atribuído pelas conceituadas universidade europeias parceiras da Polis, a Universidade Pontifícia de Santa Croce em Roma e a Universidade Internacional da Catalunha em Barcelona.

O Mestrado em Filologia Antiga (Master of Arts in Ancient Philology) é um programa de dois anos dedicado ao estudo do Grego Antigo e ao Hebraico Bíblico. Os alunos inscritos no segundo ano do mestrado podem candidatar-se ao percurso opcional Ênfase no Ensino de Línguas Antigas e Modernas e assim obter experiência em primeira mão no ensino, aprofundar o estudo da metodologia e participar em workshops; esta ramificação do curso foca-se sobretudo nas “particularidades do ensino das línguas antigas num ambiente de total imersão” .

O programa do curso abrange as áreas de Linguística, Filologia, Filosofia, Paleografia, História e Literatura.

Este programa é ideal para interessados em seguir carreira como professores de grego e hebraico, bem como para académicos interessados em: Antiguidade, Filosofia Clássica, Filologia Clássica, Estudos Religiosos ou na relação entre a Antiguidade Grega e a herança Judaico-Cristã.

Mestrado em Línguas do Médio Oriente O que anteriormente era apenas um curso certificado de dois anos em Línguas do Médio Oriente, é actualmente um completo programa de mestrado. O grau de mestre é atribuído pelas conceituadas universidade europeias parceiras da Polis, a Universidade de Navarra em Pamplona e a Universidade Internacional da Catalunha em Barcelona.