Sedeprivacionismo é uma escola teológica no seio do movimento tradicionalista católico que segue os princípios do falecido teólogo e matemático dominicano Michel-Louis-Guérard des Lauriers — conhecido principalmente pela atuação na declaração do dogma da Assunção de Maria pelo Papa Pio XII e autoria do Breve Exame Crítico do Novus Ordo Missæ apresentado pelos cardeais Ottaviani e Bacci no Segundo Concílio Ecumênico do Vaticano — conforme expostos em sua tese teológica, dita de Cassiciacum, que trata da situação da Igreja Católica após o Concílio Vaticano II. Foi disponibilizada pela primeira vez em uma versão mais restrita, consistindo de 18 páginas datilografadas datadas da Páscoa de 6 de março de 1978, e então publicada no N.° 1 da revista Cahiers de Cassiciacum (em português Caderno de Cassicíaco) em maio de 1979.Entrevista com Mons. Guérard des Lauriers op - Curriculum vitae , em O problema da autoridade e do episcopado na Igreja , Sodalitium Library Center, 2005, p. 29 .: «O Padre Guérard des Lauries publicou, em 1978, e depois nos" Cahires de Cassiciacum ", uma tese até agora não refutada; esta tese consiste em afirmar a vacância FORMAL da Sé Apostólica, certamente a partir de 7 de dezembro de 1965. ”Pe. Francesco Ricossa, Introdução ao problema da autoridade , em O problema da autoridade e o episcopado na Igreja , Centro Librario Sodalitium, 2005, p. 28 .: “RP GUÉRARD DES LAURIES op, Le Siège Apostolique est-il Vacant?”, Cahiers de Cassiciacum, n. 1, Association St. Herménégilde, Nice 1979. Ver também B. LUCIEN, LA Situation actuelle de l'Autoritè dans l'Eglise - La Thèse de Cassicacum Documents de Catholicité 1985."
A tese afirma que, embora o atual ocupante da Cátedra de Pedro esteja em posse duma eleição válida, logo papa materialiter, ele não goza de autoridade para ensinar ou governar, a menos que se retrate das mudanças introduzidas no catolicismo. Trata-se então dum papa em potencial, alguém que ainda não alcançou a plenitude do Papado. Se se exige, no entanto, uma resposta limitada a sim ou não, então diz-se que não é papa: o nome do papa-eleito (dito papa de maneira simpliciter), portanto, não deve ser mencionado no cânone da missa (non una cum). Assim, o sedeprivacionismo pode ser caracterizado como uma forma de sedevacantismo.
A posição é difundida por alguns grupos católicos tradicionalistas, como o Instituto Mater Boni Consilii (Istituto Mater Boni Consilii, IMBC), o Instituto Católico Romano (Roman Catholic Institute, RCI) e os beneditinos do Priorado de Notre Dame de Bethléem em Faverney, França.
Etimologia
A etimologia do termo sedeprivacionista (cunhado pelo teólogo britânico William Morgan com o objetivo de diferenciá-lo do sedevacantismo, posição a que aderia) “significa que há uma privação no ocupante da Cátedra de São Pedro, ou seja, algo que lhe falta”. “Sedeprivacionismo” é composto de “sede” (“sé” em latim) e “privacionismo” (do latim “privatio”, que significa “privação” e o sufixo “ismo”).
O episcopus vagans Donald Sanborn, Superior-geral do ICR, bem como boa parte do clero que adere à Tese de Cassiciacum (que opta pelo termo sedevacantismo), discorda do uso, classificando-o como “um termo completamente idiota”:
Tese de Cassiciacum
A Tese A Tese de Cassiciacum, que fundamenta a posição do sedeprivacionismo, afirma que a posse da Sé de Pedro pelo candidato deve estar em conformidade com dois requisitos de uma eleição papal legítima:
O papa deve ser eleito legitimamente por eleitores validamente designados. Esse aspecto designa o candidato papal como candidato materialmente eleito e designado ao cargo de papa. O recém-eleito deve expressar sua aceitação para que, ao consentir, receba de Cristo a forma do papado: o poder ou autoridade indefectível prometido a São Pedro e seus sucessores, pelo qual o candidato eleito se torna formalmente papa e realmente toma posse do ofício papal.
A tese afirma que ambos aspectos são necessários e que se algum candidato falhar num deles, ele não seria alcançaria o cargo de papa. Os católicos que aderem à tese sustentam que todos os requerentes do ofício papal, de pelo menos Paulo VI a Francisco, são inválidos e não ocupam o ofício papal, exceto por direito de designação, devido à falha em receber a forma do papado (ou seja, a autoridade), porque sua aceitação é impedida por uma intenção defeituosa decorrente de sua manifesta disposição à apostasia.
De acordo com a tese de Lauriers, Paulo VI, João Paulo I, João Paulo II e possivelmente João XXIII foram “papas” defeituosos por causa da suposta adesão ao modernismo, movimento considerado herético pela Igreja Romana desde o século XIX. Assim, seus assentimentos para tornarem-se papas foi deficiente ou defeituoso e, portanto, eles foram legalmente designados para serem papas (pela eleição), mas impedidos de obter a sucessão completa da autoridade de Pedro. Des Lauriers sustenta que os papas do Concílio Vaticano II foram designados ao papado legalmente e continuam a Sucessão Apostólica de São Pedro apenas materialmente, o que significa que os papas do conciliares são legitimamente designados para serem verdadeiros papas, mas não formalmente. Como tais, carecem de autoridade jurisdicional devido ao obstáculo que colocam à recepção da autoridade. O clero dito Novus Ordo, portanto, não é a autoridade, nem são verdadeiros papas ou verdadeiros bispos, mas estão legalmente em posição de — como o clero ariano reunido à ortodoxia — se tornarem verdadeiros papas e bispos caso removam o obstáculo à recepção da autoridade do ofício. Assim, é implícito que Bento XVI e Francisco teriam recebido o mesmo julgamento de des Lauriers.
Conclusão Não existe um estado de Sede vacante real nos papas Novus Ordo, uma vez que fisicamente um homem desempenha o papel de papa em potencial;
Se o atual papa em potencial se afastar do modernismo e retornar ao catolicismo, ele completará o processo e alcançará a plenitude do papado; Indiscutivelmente, a rivalidade entre aqueles tradicionalistas que dizem que a Cátedra de São Pedro está totalmente vazia (sedevacantistas) e aqueles que dizem que está totalmente ocupada (ditos sedeplenistas, por exemplo, a Fraternidade Sacerdotal de São Pio X) pode chegar ao fim, pois a resposta não é nenhuma dessas duas explicações, uma vez que ambas comprometem ou a perpetuidade da Sucessão Apostólica ou a doutrina da indefectibilidade petrina e infalibilidade papal.
A controvérsia da retratação miniaturadaimagem|331x331px|A carta na qual Guérard des Lauriers afirma a presença de enormes erros teológicos (erreurs théologiques énormes) numa tese. Em meados do natal de 2019, o historiador francês Louis-Hubert Remy divulgou em seu sítio eletrônico uma vaga carta (pública desde pelo menos 2014) na qual Guérard de Lauriers — em correspondência com Alfred Denoyelle (então diretor da revista lefebvriana Mysterium Fidei) — teria se retratado de uma tese (supostamente a cassiciense) inespecífica por nela conterem "enormes erros teológicos". O Instituto Madre do Bom Conselho, através de sua revista Sodalitium, questiona tanto a veracidade da carta atribuída ao teólogo quanto o sentido polêmico dado a ela, alegando tratar-se de uma "falsa retratação". O sacerdote Hervé Belmont, ex-aluno do prelado francês e um dos difures de sua tese mais conhecida, não questiona sua veracidade mas chega a conclusões semelhantes às do instituto italiano, reiterando tanto a vagueza do escrito quanto a legitimidade da tese guérardiana independentemente de uma suposta retratação oculta do autor. Em 2022 uma perícia grafotécnica confirmou a autoria da carta.http://archive.org/details/dossie-guerard-des-lauriers-ricossa-mentiu-laudo-grafotecnito-29701.2022
Referências
Categoria:Catolicismo