Elza Salvatori Berquó (Guaxupé, 17 de outubro de 1925 – São Paulo, 16 de julho de 2026) foi uma matemática, bioestatística, demógrafa e professora universitária brasileira.
Grande oficial da Ordem Nacional do Mérito Científico e membro titular da Academia Brasileira de Ciências, Elza é considerada uma das principais responsáveis pela consolidação da Demografia como campo científico no Brasil, tendo contribuído para a institucionalização dos estudos populacionais no país. Foi fundadora do Núcleo de Estudos de População Elza Berquó (NEPO) da Universidade de Campinas (Unicamp), pesquisadora do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP) e professora da Universidade de São Paulo (USP).
Elza Berquó é reconhecida como uma das maiores cientistas brasileiras do século XX. Sua atuação foi decisiva para a consolidação da demografia como disciplina acadêmica no Brasil e para a criação de instituições de pesquisa dedicadas aos estudos populacionais. Seus trabalhos influenciaram políticas públicas nas áreas de saúde, planejamento familiar, direitos reprodutivos e combate às desigualdades sociais e raciais.
Biografia De ascendência materna italiana, mais especificamente da Bolonha e de Gênova, e paterna portuguesa (seus ascendentes lusos aportaram em terras nacionais com a vinda da família real), Berquó nasceu em 17 de outubro de 1925, no município de Guaxupé, em Minas Gerais. Formou-se em Matemática pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas em 1947. Em seguida, concluiu o mestrado em Estatística na Universidade de São Paulo, em 1949.
Posteriormente, especializou-se nos Estados Unidos, onde obteve o doutorado em Bioestatística pela Universidade Columbia, em Nova Iorque, em 1959.
Carreira Após retornar ao Brasil, Berquó ingressou na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, onde introduziu métodos modernos de bioestatística aplicados aos estudos populacionais. Na década de 1960 organizou o Centro de Estudos de Dinâmica Populacional (CEDIP), considerado o primeiro centro brasileiro voltado especificamente para pesquisas em demografia.
Em 1965 publicou estudos pioneiros que demonstraram o início da queda da fecundidade no Brasil, contrariando a expectativa predominante de crescimento contínuo da natalidade. Poucos anos depois coordenou a Pesquisa Nacional de Reprodução Humana, considerada um marco para a demografia brasileira.
Durante a ditadura militar foi afastada da USP. Em 1969, participou da fundação do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP), instituição na qual desenvolveu pesquisas sobre fecundidade, comportamento reprodutivo, desigualdades raciais, saúde sexual e reprodutiva e população negra. Em 1982, fundou o Núcleo de Estudos de População Elza Berquó (NEPO), da Universidade de Campinas, que rapidamente se tornou um dos principais centros latino-americanos de pesquisa em demografia. Em reconhecimento à sua trajetória, o núcleo passou a levar oficialmente seu nome em 2014.
Entre 1995 e 2004 presidiu a Comissão Nacional de População e Desenvolvimento (CNPD), vinculada ao Governo Federal. Também participou de conselhos consultivos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e esteve entre os fundadores da Associação Brasileira de Estudos Populacionais (ABEP).
Contribuições científicas Ao longo de mais de seis décadas de carreira, Elza Berquó desenvolveu pesquisas nas áreas de demografia, bioestatística, fecundidade, planejamento familiar, mortalidade, saúde reprodutiva, relações raciais, gênero e população negra.
Sua produção científica contribuiu para compreender a transição demográfica brasileira, a redução das taxas de fecundidade e as desigualdades sociais e raciais no acesso à saúde. Também foi uma das primeiras pesquisadoras brasileiras a incorporar a dimensão racial aos estudos populacionais e de saúde pública.
É considerada uma das pioneiras da demografia científica no Brasil e uma das primeiras a identificar a queda da fecundidade e o processo de envelhecimento da população brasileira.
Morte Embora tenha mantido sua vida privada longe da exposição pública, viveu a maior parte da carreira em São Paulo e faleceu na capital paulista em 16 de julho de 2026, aos 100 anos de idade.
Prêmios e homenagens Entre as principais distinções recebidas, destacam-se:
Ordem Nacional do Mérito Científico, classe Grã-Cruz; Membro titular da Academia Brasileira de Ciências; Pesquisadora Emérita do CNPq; Professora Emérita da Faculdade de Saúde Pública da USP; Doutora honoris causa pela Universidade Estadual de Campinas.
Casa Elza Berquó miniaturadaimagem|Casa Elza Berquó projetada em 1967 pelo arquiteto João Batista Vilanova Artigas Elza Berquó foi moradora e proprietária da Casa Elza Berquó, projetada em 1967 por seu amigo e arquiteto Vilanova Artigas, e localizada na Chácara Flora, em São Paulo.
O acervo da FAU-USP que abriga as obras do arquiteto esse projeto tem o título de: Residência para Sra. Elza Salvattori Berquó à Rua Paulo Roberto Paes de Almeida, 51, na Chácara Flora.
Na época a Chácara Flora era pouco habitada e isolada do centro urbano; segundo Berquó, essa localização isolada contribui para que a casa servisse em 1968, de abrigo para jovens que lutavam contra o regime militar brasileiro.
No projeto da casa foram utilizados concreto armado sobre troncos de madeira.
A casa Elza Berquó é considerada um discurso contemporâneo da arte e da vida em família. Também é considerada por arquitetos como "uma lição de arquitetura":Artigas expõe sua pródiga inventividade na casa Berquó, dando uma lição de arquitetura sobre os diferentes sistemas de colunas e caixas que podem ser usados numa obra com múltiplas variações, depois de mais de duas décadas trabalhando com os sistemas de caixas e de colunas.
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