thumb|253px|Galphimia gracilis em flor. thumb|253px|Flores de Calophyllum inophyllum (Calophyllaceae). thumb|253px|Aspidopterys cordata (Malpighiaceae). thumb|253px|Caryocar brasiliense, Caryocaraceae. thumb|253px|Linum strictum, Linaceae. thumb|253px|Campylospermum schoenleinianum, Ochnaceae. thumb|253px|Ochna serrulata, Ochnaceae. thumb|253px|Phyllanthus juglandifolius, Phyllanthaceae. thumb|253px|Tetracoccus dioicus, Picrodendraceae. thumb|253px|Turnera ulmifolia, Passifloraceae. thumb|253px|Frutos e folhagem de Maranthes polyandra, Chrysobalanaceae. thumb|253px|Elatine triandra, Elatinaceae. Malpighiales é uma extensa ordem de plantas com flor, incluída no clado das fabídeas do grupo das eudicotiledóneas nucleares, que contém mais de espécies, cerca de 7,8% de todas as eudicotiledóneas descritas.Peter F. Stevens (2001 onwards). Malpighiales At: Angiosperm Phylogeny Website At: Missouri Botanical Garden Website O sistema APG IV (de 2016) considera a ordem subdividida em 36 famílias agrupando cerca de 716 géneros.Malpighiales in APGWeb. O grupo inclui um grande número de espécies com elevado interesse económico, incluindo culturas como a mandioca, o linho, a coca e múltiplas espécies usadas como ornamentais. O nome é uma homenagem a Marcello Malpighi, um médico e botânico italiano do século XVII.
Descrição Malpighiales é uma das maiores e mais diversas ordens das plantas com flor (Angiospermae), incluindo 36 famílias, com cerca de 716 géneros e mais de espécies. As Malpighiales representam cerca de 6% das dicotiledóneas (Magnoliopsida) e 7,8% das eudicotiledóneas (Eudicotyledoneae). Com as suas 36 famílias, é também a ordem com maior número de famílias de todo o reino vegetal.
A maioria das espécies que integram a ordem Malpighiales são plantas lenhosas com distribuição natural predominantemente nos trópicos e subtrópicos do Novo Mundo, região onde estão localizados centros de diversidade de muitas das famílias. Nessas regiões as Malpighiales assumem grande importância ecológica, porque cerca de 28% das plantas lenhosas da vegetação rasteira das florestas tropicais pertence a famílias desta ordem.
As Malpighiales incluem muitas famílias e géneros comuns e bem conhecidos, como as Euphorbiaceae, Salicaceae, Passifloraceae, Violaceae e Linaceae. Entre as espécies pertencentes a este agrupamento taxonómico contam-se várias plantas com elevado interesse económico, como o linho (Linum, Linaceae), o vimeiro (Salix, Salicaceae), o maracujá e a flor-da-paixão (Passiflora, Passifloraceae), a coca (Erythroxylum, Erythroxylaceae), a acerola (Malpighia, Malpighiaceae) e a mandioca (Manihot, Euphorbiaceae).
Para além de numerosa, a ordem é muito diversa, contendo plantas tão diferentes quanto o salgueiro, a violeta, a poinsétia ou a coca, sendo muito difícil, se não impossível, de reconhecer pelas características morfológicas dos seus membros, já que está constituída sobre evidências filogenéticas moleculares. Por essa razão, não faz parte de nenhum dos sistemas de classificação de base morfológica.
Em resultado das limitações da sistemática de base morfológica usada pelo sistema Cronquist, as famílias agora incluídas na ordem Malpighiales estavam dispersas por várias ordens distintas, nem todas pertencentes ao clado das rosídeas. As ordens mais conhecidas eram Polygalales, Violales, Theales, Linales e Euphorbiales. A família Malpighiaceae, que agora serve de tipo taxonómico à ordem Malpighiales, estava inserida na ordem Polygalales, uma ordem que apesar de obsoleta à luz da filogenética ainda é reconhecida pelo Sistema Integrado de Informação Taxonómica (ITIS).
Os cálculos baseados em análise do relógio molecular estimam a origem do grupo troncal (o stem group) das Malpighiales há cerca de 100 milhões de anos e a origem do grupo coroa Malpighiales há cerca de 90 milhões de anos. Essas estimativas permitem inferir que as Malpighiales provavelmente começaram a irradiar durante o Cretáceo, por volta de há 101 a 114 milhões de anos arás. Os dados obtidos pela aplicação das técnicas da filogenia molecular apoiam com elevado grau de certeza a monofilia das Malpighiales e a sua inserção no clado COM das fabídeas. Porém, as relações dentro do grupo continuam pouco entendidas. Um reflexo dessa dificuldade é a existência de caracteres morfológicos díspares que tornam difícil o estabelecimento da relação entre os diversos clados. Um exemplo dessa disparidade é a constatação de que as famílias Salicaceae, Violaceae, Achariaceae, Turneraceae e Passifloraceae apresentam placentação parietal, enquanto que a maioria das demais famílias apresentam placentação axial.
Morfologia As famílias foram atribuídas a esta ordem de acordo com características de genética molecular e não por razões morfológica, pois são tão heterogéneas que a características morfológicas comuns a todas as famílias são muito escassas.
Em resultado dessa heterogeneidade morfológica é muito difícil caracterizar fenotipicamente o grupo Malpighiales, embora os membros geralmente tenham folhas dentadas, com os dentes tendo uma única nervura correndo para um ápice congestionado e muitas vezes caduco (como nas violoide, salicoide ou teóide). A isso acresce a presença do triterpeno zeylanol, recentemente descoberto nos géneros Balanops e Dichapetalum, os membros do clado Balanops (designados frequentemente por Chrysobalanaceae s. l.). Outros caracteres muito comuns são a existência de estípulas e a presença de três carpelos fundidos a um ovário.
A chamada subordem parietal (clado clusioide e Ochnaceae s. l. também faziam parte de Parietales) corresponde aos tradicionais Violales com 8 famílias (Achariaceae, Violaceae, Flacourtiaceae, Lacistemataceae, Scyphostegiaceae, Turneraceae, Malesherbiaceae e Passifloraceae) das 10 famílias da ordem em conjunto com Salicaceae, que geralmente foram atribuídas a uma ordem ou subordem aparentada,Brummitt, 1992. Vascular Plant Families and Genera. Kew. estão nesta subordem malpighiana mais derivada, de modo que 8 das 10 famílias dessa subordem são Violales. A família Flacourtiaceae provou ser polifilética, pelo que os membros cianogénicos foram colocados em Achariaceae e os com dentes foliares salicoides foram transferidos para a família Salicaceae.
Filogenia e sistemática As Malpighiales são divididas em 32 a 42 famílias, dependendo do nível taxonómico que é atribuído a cada um dos clados que integra a ordem, nomeadamente daqueles que são considerados como tendo nível de família. No sistema APG III eram reconhecidas 35 famílias, número que subiu para 36 no sistema APG IV. As famílias Medusagynaceae, Quiinaceae, Malesherbiaceae, Turneraceae, Samydaceae e Scyphostegiaceae foram consolidadas em outras famílias. A maior família é, de longe, a família Euphorbiaceae, com cerca de espécies repartidas por 245 géneros.Alan Radcliffe-Smith. 2001. Genera Euphorbiacearum. Royal Botanic Gardens, Kew: Richmond, England.
Em consequência de um estudo das sequências de DNAs de 13 genes, 42 famílias foram colocadas em 16 agrupamentos taxonómicos que variam de 1 a 10 famílias. O relacionamento entre esses 16 grupos permanece com diversas questões por esclarecer. Malpighiales e Lamiales são as ordens que cuja filogenia permanece mais incerta.
Filogenia A ordem Malpighiales integra um clado supraordinal formado pelas Celastrales, Oxalidales (incluindo Huaceae) e Malpighiales, conhecido como o «clado COM» (de Celastrales-Oxalidales-Malpighiales) das Fabidae (ou fabídeas), sendo as fabídeas um dos dois grupos que constituem o agrupamento taxonómico das rosídeas. Alguns autores descrevem este clado como contendo uma quarta ordem, Huales, resultado da segregação da família Huaceae na sua própria ordem, separada de Oxalidales.Alexander B. Doweld. 2001. Prosyllabus Tracheophytorum. Tentamen systematis plantarum vascularium (Tracheophyta). Geos: Moscow, Russia. Contudo, na presente circunscrição da ordem Oxalidales, o clado COM tem a seguinte estrutura:
Estudos recentes de biologia molecular colocam as Malpighiales como grupo irmão das Oxalidales sensu lato (incluindo Huaceae), enquanto outros encontram uma diferente topologia para o clado COM. O clado COM por sua vez é parte de um grupo sem nível taxonómico atribuído conhecido por fabídeas ou eurosids I. As fabídeas, por sua vez, são parte de um grupo monofilético há muito reconhecido, as rosídeas. Tendo em conta esses dados, o posicionamento sistemático do clado COM, e por consequência da ordem Malpighiales, de acordo com o sistema APG IV (2016), é o seguinte:
Um estudo de filogenética molecular, realizado em 2012, usou dados resultantes da análise de um número alargado de genes e por essa via obteve uma árvore filogenética com maior resolução que a disponível nos estudos anteriormente realizados. Nesse estudo foram analisados 82 genes de plastídeos de 58 espécies (a problemática família Rafflesiaceae não foi incluída), usando partições identificadas a posteriori pela aplicação de um modelo de mistura com recurso a inferência bayesiana. Esse estudo identificou 12 clados adicionais e 3 clados basais de maior significância.Catalogue of Organisms: Malpighiales: A Glorious Mess of Flowering Plants A sistemática interna da ordem, também de acordo com o sistema APG IV do APWeb (2016) é o que consta do seguinte cladograma:
Estudos de biologia molecular indicam que a filogenia das Malpighiales é, ao seu nível mais basal, uma politomia de 16 clados que permanece incompletamente resolvida. Foi estimado que a resolução completa da filogenia exigirá pelo menos o sequenciamento de 25000 pares de bases de DNA por táxon. Uma situação similar ocorre com a ordem Lamiales, que já foi analisada com algum detalhe.
Sistemática O botânico francês Charles Plumier criou o género Malpighia em honra do médico, anatomista e biólogo italiano Marcello Malpighi, cujo apelido serviu de epónimo ao nome genérico. Malpighia é o género tipo da família Malpighiaceae, um grupo de plantas das regiões tropical e subtropical.
POr sua vez, a família Malpighiaceae foi a família tipo para uma das ordens criadas por Antoine Laurent de Jussieu em 1789 na sua obra Genera Plantarum. Friedrich von Berchtold e Jan Svatopluk Presl completaram a descrição daquela ordem em 1820. Ao contrário dos modernos taxonomistas, aqueles autores não usaram o sufixo "ales" nos nomes das ordens por eles propostas. O nome "Malpighiales", na sua presente versão, é atribuído por alguns a Carl von Martius, mas no século XX foi geralmente associado a John Hutchinson, que o usou nas três deições da sua obra intitulada The Families of Flowering Plants.John Hutchinson The Families of Flowering Plants 3rd edition. 1973. Oxford University Press.
O táxon na sua moderna acepção foi largamente prefigurado por Hans Hallier em 1912, num artigo publicado no Archiv. Néerl. Sci. Exact. Nat. intitulado "L'Origine et le système phylétique des angiospermes", no qual os seus taxa Passionales e Polygalinae eram derivados de Linaceae (então em Guttales), com Passionales contendo sete (de entre oito) das famílias que também aparecem nas actuais Malpighiales, a saber Passifloraceae, Salicaceae, Euphorbiaceae, Achariaceae, Flacourtiaceae, Malesherbiaceae e Turneraceae, enquanto nas Polygalinae estavam quatro (de entre 10) famílias que também aparecem nos actuais Malpighiales, a saber, Malpighiaceae, Violaceae, Dichapetalaceae e Trigoniaceae.Lawrence, George. 1960. Taxonomy of Vascular Plants, p. 132. Macmillan, New York.