miniaturadaimagem|323x323px|Cartaz com a frase "Viva o marxismo-leninismo-maoismo!"
O Marxismo-Leninismo-Maoismo ou comumente chamado pela sua sigla, MLM, é uma corrente do pensamento Marxista-Leninista que se originou do Maoismo defendido por diversos partidos políticos após a ruptura sino-soviética e que isola o pensamento de Mao Zedong do Tridemismo. Os marxistas-leninistas-maoistas afirmam que sua doutrina possui uma natureza científica, e que as contribuições teóricas de Mao Tsé-tung, quando sistematizadas de forma correta, podem ser aplicadas universalmente por organizações buscando uma revolução comunista. Para seus seguidores, o marxismo-leninismo-maoismo constitui uma fase superior e unificada do Marxismo-Leninismo, diferente do Maoismo praticado no passado, que seria apenas a adaptação da teoria marxista-leninista às condições materiais chinesas ou a adoção de aspectos dessa adaptação por partidos comunistas fora da China. A esse último, nomeiam "Pensamento Mao Tsé-tung" para separá-lo de sua própria ideologia.
O marxismo-leninismo-maoismo é uma doutrina comunista, revolucionária, fortemente antiparlamentar e cuja estratégia para tomada de poder, ao menos em países subdesenvolvidos, passa necessariamente pela guerrilha rural conforme descrita por Mao Tsé-Tung. O MLM também é marcado por um antirrevisionismo, considerando países como a China, Coreia do Norte e Cuba capitalistas de estado, e não socialistas. Como consequência, marxistas-leninistas-maoistas também se opõe a guerrilhas guevaristas como as FARC, que consideram uma forma de "reformismo armado." Em discordância com o marxismo clássico. O primeiro partido a sintetizar e defender o MLM foi o Partido Comunista do Peru (Sendero Luminoso), organização comumente vista como terrorista no Peru. A partir de uma campanha levada a cabo por Abimael Guzmán, o Movimento Revolucionário Internacionalista se tornou a primeira organização internacional a adotar o MLM. Atualmente, é a linha política dos partidos e organizações do chamado Movimento Comunista Internacional (MCI), que é ativo em diversos países. Na Turquia, Peru, Filipinas e India existem movimentos armados que tomam o MLM como ideologia e lutam por uma revolução socialista. Grupos armados menores existem no Equador, Butão e Sri Lanka, sem no entanto buscarem uma revolução a curto prazo.
Assim como o termo "Marxismo" não foi adotado por Karl Marx e "Marxismo-Leninismo" não foi adotado antes da morte de Lenin, o termo epônimo "marxismo-leninismo-maoismo" surgiu somente anos após a morte de Mao Tsé-tung.
Componentes Nova Democracia
A teoria da Nova Democracia sustenta que antes de uma revolução socialista, devem-se unir as "classes revolucionárias" para criar uma "ditadura conjunta das classes revolucionárias", sendo elas o campesinato como "massa transformadora", o proletariado como direção, intelectuais, pequena-burguesia e a burguesia nacional.
Para os proponentes da Nova Democracia, o papel da burguesia nacional como um ator progressista na luta proletária para derrubar o imperialismo nunca estaria garantido, e esta acabaria por se voltar contra o proletariado quando a situação anti-imperialista progredisse. O Balli Kombëtar na Albânia em 1943 e o Kuomintang na China na década de 1920 são exemplos desta situação. Estas forças burguesas nacionais aliaram-se temporariamente a partidos comunistas de seus países (o Partido do Trabalho da Albânia e o Partido Comunista da China, respectivamente) para combater o imperialismo, mas acabaram por se virar contra os comunistas quando sentiram que a sua existência a longo prazo na nova sociedade estaria ameaçada.
Tal como a Nova Política Económica na União Soviética, a Nova Democracia é concebida como uma etapa necessária (mas temporária) para o desenvolvimento a longo prazo do socialismo, ou neste caso, para a construção e consolidação do socialismo em primeiro lugar. Sustenta que a burguesia nacional da Nova Democracia deve estar sempre firmemente sob o comando do proletariado e deve ser firmemente dispensada logo que a situação nacional o permita (em termos maoistas, quando a contradição entre o feudalismo e as massas já não for a principal contradição da nação, ou quando a revolução burguesa-democrática se encontrar numa fase suficientemente avançada para uma Ditadura do Proletariado.)
Linha de massas Partindo da teoria do partido de vanguarda de Vladimir Lenin, a teoria da linha de massas delineia uma estratégia para a liderança revolucionária das massas, a consolidação da Ditadura do Proletariado e o reforço do partido e para a construção do socialismo. É a partir da linha de massas que o partido marxista-leninista-maoista pode buscar tornar-se o "Partido de um Novo Tipo" descrito por Lenin e posteriormente elaborado por Mao. A linha de massas é comumente descrita com a frase "das massas, para as massas". Tem três componentes ou fases:
Recolher as diversas ideias das massas. Processar e interpretar estas ideias da perspectiva do Marxismo revolucionário. Devolver estas ideias às massas sob a forma de uma linha política visando avançar os rumos da revolução.
Estas três etapas devem ser aplicadas frequentemente, elevando de forma reiterada a prática e o conhecimento do partido comunista.
Lei da contradição Os marxistas-leninistas-maoistas defendem as obras filosóficas de Mao Tsé-Tung, particularmente o seu trabalho sobre dialética em Sobre a Contradição e sobre epistemologia em Sobre a Prática.
Guerra popular prolongada
A guerra popular é uma estratégia para a revolução que sustenta os seguintes princípios:
Qualquer tentativa de começar a lutar com a burguesia em seus próprios termos, usando as mesmas táticas e estratégias que eles usam seria esmagada (marxista-leninista-maoistas citam que, exceto a Revolução de Outubro, todas as tentativas revolucionárias que imediatamente usaram a guerra convencional foram esmagadas pela repressão estatal). Não se pode prever quando existirão as condições objetivas para a revolução. Assim, as condições subjetivas — ou seja, a consciência de classe — devem ser construídas com muita antecedência. A tomada do poder estatal geralmente não acontece de uma só vez. Uma situação de duplo poder através do curso da guerra popular prolongada surge quando a vanguarda proletária controla seções do país ao mesmo tempo que a burguesia. miniaturadaimagem|304x304px|Mobilizações dos Guardas Vermelhos durante a Revolução Cultural ChinesaO partido não pode esperar liderar o proletariado numa tomada de poder se ele próprio não tiver experiência militar. Assim, a experiência militar — isto é, a experiência adquirida através da luta real, mesmo que a uma escala limitada — deve ser adquirida muito antes de uma tomada de poder. Além de ser um desenvolvimento necessário para a ditadura do proletariado, o duplo poder é inestimável para proporcionar esta experiência militar (juntamente com o conhecimento civil.)
Revolução Cultural Para os marxistas-leninistas-maoistas, houve uma chamada "recuperação capitalista" em países do bloco socialista ao longo das décadas de 1950 e 1960, que levou ao ressurgimento do capitalismo e o fim do socialismo. Mao Tsé-Tung atribuía essa recuperação, no caso do bloco socialista, à continuidade da luta de classes após o estabelecimento do socialismo. Posteriormente, MLMs afirmariam que recuperações capitalistas ocorreram também na China após a morte de Mao e no Vietnã após 1986.
Em um rompimento com a leitura stalinista do materialismo dialético, Mao afirmava que cada sociedade socialista ainda teria contradições internas entre diferentes classes (como proletariado, pequena burguesia e campesinato) e entre a sociedade e o partido comunista. Essas contradições manteriam a luta de classes viva durante o socialismo, e sua causa seria o retorno de "ideais burgueses" dentro e fora do partido comunista. Ao contrário de Stalin, Mao afirmava que a influência burguesa na sociedade socialista teria uma origem primariamente interna, e não externa.
Mao acreditava em uma relação de mútua influência entre base e superestrutura, segundo a qual, além da mudança nas condições materiais de uma sociedade, a cultura também precisaria ser conscientemente transformada para que o socialismo pudesse ser construído. Essa transformação se daria através da luta de classes em um nível cultural para combater o "comandismo" e "burocratismo" no partido comunista (vistos por Mao como o "caminho capitalista") e as "velhas ideias" e "influência burguesa" na sociedade como um todo. Essa ideia deu origem à "Grandiosa Revolução Cultural Proletária" na China. Abimael Guzmán, líder do Partido Comunista do Peru (Sendero Luminoso), posteriormente defenderia a necessidade de sucessivas revoluções culturais para livrar a sociedade socialista de ideais capitalistas remanescentes.
Correntes do marxismo-leninismo-maoismo O marxismo-leninismo-maoismo não existe atualmente como uma doutrina única e homogênea, e os diversos partidos e organizações seguidores da ideologia discordam quanto a diferentes questões teóricas e de práxis.
Esse não foi sempre o caso, visto que durante a década de 1980, o Movimento Revolucionário Internacionalista – primeiro agrupamento internacional a adotar o MLM – alcançou um grande nível de unidade ideológica entre seus membros. Discordâncias entre os partidos envolvidos eventualmente levaram à dissolução do MRI e ao surgimento de diversas interpretações discordantes do MLM.
Marxismo-leninismo-maoismo-Caminho Prachanda
O marxismo-leninismo-maoismo-Caminho Prachanda, também chamado de Pensamento Prachanda, nomeado em referência ao nome de guerra de Pushpa Kamal Dahal, é a ideologia oficial do Partido Comunista do Nepal (Maoista) desde 2001. A adoção desta orientação se deu em resposta ao desenvolvimento da Guerra Civil no Nepal, da qual o partido foi um dos principais participantes.
Formulando a nova orientação do partido, Prachanda considerava que as condições históricas e materiais do Nepal contemporâneo eram diferentes demais daquelas da Russia, China ou Peru para que o marxismo-leninismo-maoismo fosse aplicado sem necessitar de alterações. A principal quebra do Pensamento Prachanda com o marxismo-leninismo-maoismo tradicional foi a conceituação de "Democracia do Século XXI," que, se aproximando da Democracia Popular Multipartidária do PCN(MLU), abria mão da necessidade do controle centralizado pelo Partido Comunista durante a Nova Democracia, permitindo um sistema de democracia popular em que diversos partidos poderiam participar de eleições. Essa quebra leva a maior parte do movimento marxista-leninista-maoista moderno a considerar o PCN(M) revisionista.
Nova Síntese Comunista A Nova Síntese Comunista ou Novo Comunismo é a orientação política do Partido Comunista Revolucionário (Estados Unidos) e foi formulada por Bob Avakian, sendo por isso chamada de "Avakianismo" pejorativamente por seus opositores. Além do PCR(EUA), a corrente também é seguida pelo Partido Comunista do Irã (MLM).
Entre suas diferenças com o MLM ortodoxo estão a forte anti-religiosidade, a ênfase no método científico, a negação total das frentes únicas e a conceituação da centralidade do partido como um "centro sólido, mas elástico."
O PCR(EUA) considera a Nova Síntese não como uma vertente do Maoismo, mas sim como "pós-maoista," afirmando que Avakian teria realizado contribuições suficientemente importantes para que suas teorias fossem elevadas ao nível dos pensadores essenciais do comunismo. Por isso, assim como outras ações e declarações do PCR(EUA), opositores de esquerda ao partido o acusam de ser um Culto de Personalidade.