Maia Sandu (Risipeni, 24 de maio de 1972) é uma política e economista moldava que, desde 2020, exerce o cargo de sexta presidente da Moldávia. É a fundadora e antiga líder do Partido da Ação e Solidariedade (PAS) e foi primeira-ministra da Moldávia de junho a novembro de 2019, quando o seu governo caiu após uma moção de censura. Sandu foi ministra da Educação de 2012 a 2015 e deputada do parlamento da Moldávia de 2014 a 2015 e, novamente, em 2019.

Sandu foi eleita presidente da Moldávia nas eleições presidenciais de 2020. Primeira mulher a ocupar a presidência da Moldávia, Sandu é uma firme defensora da adesão da Moldávia à União Europeia, tendo acompanhado a atribuição ao país do estatuto de candidato, e é largamente considerada "pró-ocidental". Criticou e opôs-se à invasão da Ucrânia pela Rússia e apoiou as medidas subsequentes de redução da dependência económica da Moldávia face à Rússia, manifestando com frequência simpatia e apoio à Ucrânia no conflito. Sandu fez do combate à corrupção, da reforma económica e da liberalização uma parte central da sua plataforma política, bem como de uma integração mais estreita com a Europa. Em fevereiro de 2023, acusou a Rússia de procurar dar um golpe de Estado contra o governo moldavo e continuou a procurar reduzir a influência da Rússia sobre o país.

Sandu foi reeleita presidente nas eleições presidenciais de 2024, após uma campanha eleitoral marcada por questões geopolíticas, como o referendo sobre a alteração da Constituição para nela inscrever a vontade de adesão à UE, bem como por um nível sem precedentes de interferência eleitoral russa.

Infância e educação Sandu nasceu a 24 de maio de 1972 na comuna de Risipeni, situada no Distrito de Fălești da RSS da Moldávia, que na época fazia parte da URSS. Os seus pais eram Grigore e Emilia Sandu, respetivamente médico e professora. O seu pai morreu antes de ela se envolver na política. De 1988 a 1994, formou-se em gestão na Academia de Estudos Económicos da Moldávia (ASEM). De 1995 a 1998, formou-se em relações internacionais na Academia de Administração Pública (AAP), em Quixinau. Em 2010, obteve um mestrado em políticas públicas pela Escola de Governo John F. Kennedy da Universidade Harvard.

Carreira thumb|Sandu com o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, na cúpula do PPE, em 2017|220x220px

Carreira De 2010 a 2012, Sandu foi conselheira do diretor executivo do Banco Mundial.

Carreira política De 2012 a 2015, Sandu foi ministra da Educação da Moldávia. A 23 de julho de 2015, foi considerada pelo Partido Liberal Democrata como candidata ao cargo seguinte de primeiro-ministro moldavo, sucedendo a Natalia Gherman e a Chiril Gaburici.

Um dia depois de ser proposta por uma coligação pró-europeia renovada, Sandu estabeleceu a saída do governador do Banco Nacional da Moldávia, Dorin Drăguțanu, e do procurador-geral Corneliu Gurin como condições para aceitar o cargo. Acabou por ser Valeriu Streleț o nomeado pela presidência da Moldávia, em vez de Sandu.

A 23 de dezembro de 2015, lançou uma plataforma chamada "În /pas/ cu Maia Sandu" ("Ao /passo/ de Maia Sandu"), que mais tarde se tornou um partido político denominado Partido da Ação e Solidariedade (em romeno: Partidul Acțiune și Solidaritate).

Em 2016, Sandu foi a candidata pró-europeia nas eleições presidenciais moldavas. Foi escolhida como candidata comum dos partidos pró-europeus PPDA e PAS à presidência da Moldávia nas eleições de 2016. Concorrendo com uma plataforma de ação pró-UE, foi uma dos dois candidatos que conseguiram chegar à segunda volta das eleições. Sandu enfrentou um grau significativo de discriminação durante a corrida eleitoral, incluindo ser alvo de insultos e assédio por ser uma mulher solteira, bem como ser atacada abertamente pelo antigo presidente moldavo Vladimir Voronin, que a acusou de traição aos "valores da família" e a descreveu como "um motivo de riso, um pecado e uma vergonha nacional da Moldávia", em declarações consideradas misóginas. Numa entrevista, rejeitou os insultos, respondendo: "Nunca pensei que ser uma mulher solteira fosse uma vergonha. Talvez seja pecado até ser mulher?" Sandu acabou por ser derrotada na segunda volta pelo candidato pró-russo do PSRM, Igor Dodon, perdendo o voto popular por uma margem de 48% contra 52%.

Em dezembro de 2022, Sandu era a política com maior confiança na Moldávia, com 26% nas sondagens, seguida por Igor Dodon com 19%. De acordo com as sondagens de opinião de 2019 realizadas pelo Fundo de Opinião Pública, Sandu era a segunda personalidade política com maior confiança no país, com 24%, seguindo de perto Igor Dodon, que obteve 26%, enquanto sondagens anteriores desse ano a colocavam mais abaixo, em sexto lugar.

Controvérsias Em setembro de 2016, Sandu instaurou um processo contra a Chancelaria de Estado, exigindo que lhe fosse dado acesso à ata da reunião do Conselho de Ministros na qual tinham sido aprovadas as garantias estatais para os três bancos falidos (o Banco de Poupanças, o Unibank e o Banca Socială). O primeiro-ministro Pavel Filip publicou na sua página do Facebook a ata da última reunião do Conselho de Ministros, do momento em que foi adotada a decisão de conceder o crédito de emergência ao Banca de Economii. A ata incluía as intervenções do antigo governador do BNM, Dorin Drăguțanu, do antigo primeiro-ministro Chiril Gaburici e as próprias intervenções de Sandu (do tempo em que era ministra da Educação da Moldávia). Refere-se que, no final, a decisão foi votada por unanimidade. A ata não estava assinada.

A respeito do antigo líder da Roménia, Ion Antonescu, Sandu observou, em 2018, que se tratava de "uma figura histórica sobre a qual podemos dizer coisas boas e coisas más". As suas declarações foram duramente criticadas pela Comunidade Judaica da Moldávia (CERM). Sandu respondeu a isto em entrevistas posteriores, afirmando: "Lamento que as minhas palavras sobre o ditador Ion Antonescu tenham sido transformadas em objeto de interpretação. [...] Antonescu foi um criminoso de guerra, justamente condenado pela comunidade internacional por crimes de guerra contra judeus e ciganos."

A 21 de fevereiro de 2019, Sandu e os candidatos do bloco eleitoral ACUM, tanto do círculo nacional como dos círculos uninominais, assinaram um compromisso público segundo o qual, após as eleições parlamentares de 24 de fevereiro de 2019, não formariam qualquer coligação com o Partido dos Socialistas, o Partido Democrático e o Partido Șor, e que, caso este compromisso fosse violado, renunciariam aos seus mandatos de deputados. Violou este compromisso autoimposto ao aceitar formar um governo de coligação com o Partido dos Socialistas no início de junho de 2019, como única via possível para criar um governo legítimo e democrático.

thumb|Sandu no congresso do Partido Popular Europeu em Zagreb, em 2019|200x200px Como primeira-ministra Nas eleições parlamentares de 2019, o PAS de Sandu, juntamente com o seu aliado, o PPDA, liderado por Andrei Năstase, formou o bloco eleitoral ACUM e obteve 26 dos 101 assentos no Parlamento da Moldávia. A 8 de junho de 2019, Sandu foi eleita primeira-ministra da Moldávia num governo de coligação com o PSRM. No mesmo dia, o Tribunal Constitucional da Moldávia declarou inconstitucional a sua designação para o cargo, assim como a nomeação do Governo da República da Moldávia, o que desencadeou a crise constitucional de 2019. No entanto, a 15 de junho de 2019, o Tribunal Constitucional reviu e revogou as suas decisões anteriores, declarando que o Governo Sandu tinha sido criado de forma constitucional.

No dia seguinte, apelou ao restabelecimento da ordem pública, desencorajando os cidadãos de participarem em manifestações locais. Em junho de 2019, revogou uma proibição imposta em março de 2017 pelo antigo primeiro-ministro Filip às visitas oficiais de membros do governo à Rússia. Numa das suas primeiras entrevistas a meios de comunicação estrangeiros, anunciou a intenção de pedir ao Tesouro dos Estados Unidos que acrescentasse Vlad Plahotniuc à lista Magnitsky. Em agosto, Sandu pediu à Chancelaria de Estado que preparasse um projeto de decreto que declarasse oficialmente o dia 23 de agosto como Dia Europeu em Memória das Vítimas do Estalinismo e do Nazismo, em vez do habitual Dia da Libertação. O decreto foi contestado pelo seu parceiro de coligação, o PSRM, tendo o presidente da Moldávia e ex-líder do PSRM, Igor Dodon, anunciado que celebraria a data no formato antigo, rejeitando a proposta de Sandu.

thumb|Sandu com o vice-presidente dos Estados Unidos Mike Pence, em 2019|200x200px Sob Sandu, a Moldávia começou a dar passos em direção à União Europeia, já que Sandu é ela própria pró-UE. Sandu foi destituída do cargo de primeira-ministra a 12 de novembro de 2019, após uma moção de censura. Manteve-se em gestão corrente do cargo até à formação de um novo governo. No entanto, a 24 de dezembro de 2020, Sandu tomou posse como presidente do Estado, após vencer uma eleição contra o pró-russo Igor Dodon e, novamente, com uma plataforma pró-UE e de combate à corrupção.

Campanha presidencial de 2020

Sandu anunciou a sua candidatura às eleições presidenciais de 2020 a 18 de julho, declarando que não seria necessário um candidato pró-europeu comum, uma vez que não havia risco de não existirem candidatos pró-europeus na segunda volta. Sandu lançou oficialmente a sua campanha a 2 de outubro de 2020, com dois discursos, em romeno e em russo, prometendo em ambos combater a corrupção e a pobreza, além de reformar o sistema de justiça criminal do país, ao mesmo tempo que acusava o presidente Dodon de dificultar deliberadamente esta última. Uma vez que nenhum candidato obteve a maioria dos votos na primeira volta das eleições, realizou-se a 15 de novembro uma segunda volta entre Sandu e Dodon, na qual Sandu venceu com 57,75% do voto popular.

Foi felicitada pela vitória por altos dirigentes da União Europeia, bem como pelos presidentes Volodymyr Zelenskyy, da Ucrânia, Kassym-Jomart Tokayev, do Cazaquistão, Ilham Aliyev, do Azerbaijão, e Klaus Iohannis, da Roménia. Na sua conferência de imprensa, declarou que a Moldávia, sob a sua liderança, "assegurará um verdadeiro equilíbrio na política externa, e, guiando-nos pelos interesses nacionais da Moldávia, teremos um diálogo pragmático com todos os países, incluindo a Roménia, a Ucrânia, as nações europeias, a Rússia e os Estados Unidos".

Campanha presidencial de 2024

Ao lançar a sua campanha de reeleição, Sandu condenou a guerra da Rússia na Ucrânia como uma ameaça à estabilidade regional e à soberania da Moldávia. Identificou tanto a Rússia como a corrupção como os maiores desafios que a Moldávia enfrenta, sublinhando que responder a estes problemas é crucial para a segurança do país e para as suas aspirações de uma integração mais estreita com a União Europeia. No debate presidencial, Sandu acusou o seu principal adversário, Alexandr Stoianoglo, do PSRM, de ser um candidato "cavalo de Troia" de interesses externos que queriam controlar a Moldávia. Afirmou que iria manter o seu rumo pró-europeu, dizendo: "A adesão à União Europeia é o Plano Marshall da Moldávia". Depois de vencer com uma maioria relativa na primeira volta, Sandu venceu a segunda volta contra Stoianoglo com 55,35% dos votos. No seu discurso de vitória, Sandu declarou: "Moldávia, tu venceste! Hoje, caros moldavos, deram uma lição de democracia, digna de ser escrita nos livros de história. Hoje, salvaram a Moldávia."