Os protestos contra o governo Jair Bolsonaro são manifestações populares que ocorreram em diversas regiões do Brasil, no contexto da pandemia de COVID-19, tendo como principais objetivos protestar contra o governo Jair Bolsonaro e defender as campanhas de vacinação contra a Covid-19.
Pela primeira vez, setores ligados aos dois lados antagônicos como esquerda e direita passaram a protestar contra o governo em cima de um objetivo comum, realizando carreatas nos dias 23 e 24 de janeiro de 2021. Os dois grupos antagônicos também passaram a organizar protestos de ruas nos dias 30 de junho, 3 de julho e 12 de setembro.
Contexto Em uma reunião com apoiadores realizada no dia 5 de janeiro de 2021, o presidente da República Jair Bolsonaro teria dito que o país estava "quebrado" e que não "podia fazer nada", além de fazer novamente ataques contra a imprensa. Após a declaração, houve vários debates entre economistas sobre a afirmação do presidente e no dia seguinte, o mesmo tinha dito em tom de ironia que o país "está uma maravilha".
Durante o colapso na saúde no Amazonas, a Advocacia-Geral da União (AGU) confessou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o governo federal sabia do esgotamento do oxigênio no estado e que uma das providências do governo foi o envio de 120.000 comprimidos de hidroxicloroquina ao estado, medicamento que não tem embasamento científico contra a COVID-19. Mesmo com o início da vacinação contra a COVID-19 no dia 18 de janeiro, o presidente voltou a insistir no tratamento precoce.
Em meio à crise política, surgiu no Twitter um perfil intitulado @sos_impeachment, com o objetivo de levar um placar de votação através de posicionamentos. Até o dia 25 de janeiro de 2021, foram 111 votos favoráveis e 76 contrários ao impeachment de Bolsonaro. Aproveitando o engajamento, o Movimento Vem pra Rua, o Movimento Brasil Livre e o ex-candidato a presidente da República pelo Partido Novo, João Amoêdo, lançaram no dia 21 de janeiro um abaixo-assinado pelo impeachment. Até o dia 25 de janeiro, já houve mais de 200 mil assinaturas na plataforma change.org.
Durante os meses de abril e maio, os movimentos pelo Impeachment de Bolsonaro voltam a ganhar força, passando a ter pressão até de artistas e digital influencers. Entre os famosos que assinaram um pedido coletivo publicado em 24 de maio de 2021, estão a ex-apresentadora da RecordTV Xuxa Meneghel, o comentarista esportivo Walter Casagrande, o youtuber e principal opositor do governo Felipe Neto, o padre Júlio Lancelotti e a atriz Júlia Lemmertz. Além de famosos, médicos e cientistas também assinam a carta. Os pedidos passam a usar o contexto de movimentos favoráveis ao governo com ameaças de intervenção militar para rebater as medidas de restrição usadas por prefeitos e governadores durante o período crítico da Pandemia, inclusive em manifestações governistas realizadas no dia 15 de maio em Brasília como parte do movimento intitulado Marcha da Família Cristã pela Liberdade e no dia 23 de maio no Rio de Janeiro, tendo até a presença do Ex-Ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, inclusive um dos alvos da CPI da COVID-19 e até então tinha prestado depoimento.
Panelaços 15 de janeiro de 2021
Nesse dia, aconteceu o primeiro panelaço contra o governo nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Goiânia, Salvador, Florianópolis, São José dos Campos, Belém, Recife e Porto Alegre. Os atos tiveram início ás 20h30min após convocação nas redes sociais usando o slogan "Sem oxigênio, sem vacina, sem governo", tendo o apoio de alguns setores da esquerda, direita e alguns famosos, sendo eles o apresentador Luciano Huck.
23 de março de 2021
Em muitas cidades brasileiras, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Curitiba, Maringá, Niterói, Goiânia, Porto Alegre, Vitória, João Pessoa, Salvador, Recife e Natal, foram registrados novos panelaços, durante o pronunciamento em rede nacional do presidente Jair Bolsonaro. Nesse dia, o Brasil superou a marca de 3 mil óbitos por COVID-19 pela primeira vez. Segundo a imprensa, os panelaços contaram com mais adesão do que na última vez, o que era reflexo da queda da popularidade do presidente desde o início do ano. Embora o pronunciamento tenha durado 4 minutos, os protestos se estenderam por mais de 5 minutos. No dia seguinte, o programa de televisão da Rede Globo apresentado por Ana Maria Braga, o Mais Você, abriu com um panelaço, manifestando-se contra Bolsonaro. A apresentadora disse: "Cada um tem o panelaço que merece".
2 de junho de 2021
Durante pronunciamento, o presidente Bolsonaro foi alvo de panelaços em diversas cidades do país, incluindo as principais capitais, tais como São Paulo, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Brasília, entre outras. Manifestantes criticavam a falta de medidas do governo federal no combate contra a COVID-19. O pronunciamento foi realizado no contexto de manifestações de rua realizadas no dia 29 de maio e da CPI da COVID-19 em andamento. A transmissão também ocorreu horas depois do anúncio da previsão do governador de São Paulo, João Dória (PSDB), de que toda a população adulta do seu estado estará vacinada contra a COVID-19 até o final de outubro.
Carreatas
23 de janeiro de 2021 thumb|Fileira de carros em Brasília com bandeiras de partidos políticos durante a manifestação Diversas cidades brasileiras registraram carreatas, passeios ciclísticos e buzinaços contra o governo, sendo organizados por setores de esquerda como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Frente Brasil Popular, Povo sem Medo e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), além de ter a presença de simpatizantes dos partidos políticos como o Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), Partido Democrático Trabalhista (PDT), Rede Sustentabilidade (REDE), Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Partido Comunista Brasileiro (PCB), Partido Verde (PV), Cidadania e Unidade Popular (UP). Além dos gritos e placas escritos "Fora Bolsonaro", também foram registradas a presença de bandeiras do Brasil, movimentos sociais como o LGBTQIA+ e faixas em algumas residências. Ao todo, 21 capitais brasileiras e o Distrito Federal tiveram atos contra o governo.
24 de janeiro de 2021 thumb|Carro com um cartaz escrito "Vidas Brasileiras importam" em manuscrito, acompanhado de uma charge
Organizado pelos grupos de direita Movimento Brasil Livre e Movimento Vem pra Rua, foram registrados atos em algumas cidades brasileiras contra o governo, também através de carreatas e passeios ciclísticos. Em vários veículos, tiveram cartazes pedindo a saída do presidente e do ministro da saúde, além da frase "Vidas Brasileiras importam" e várias ironias quanto ao uso da cloroquina e das frases ditas por Bolsonaro em reuniões e citações aos filhos Flávio Bolsonaro, Carlos Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro. Em frente ao Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho, foi estendida uma faixa verde e amarela escrita "Impeachment Já!", a mesma usada nos Protestos contra o governo Dilma Rousseff.
31 de janeiro de 2021 Novos atos foram registrados em pelo menos 56 cidades brasileiras contra o governo sendo organizados por movimentos de esquerda e alguns de direita. Em Brasília, participantes usaram sacolas plásticas no rosto para mostrar sufocamento, como resposta a crise do oxigênio no Amazonas, além de participantes consumindo leite condensado, após a divulgação de uma lista de compras do governo no dia 24. Também houve mobilizações no exterior com a tag #StopBolsonaro.
Em Belém, houve a realização de uma carreata em resposta aos atos a favor do impeachment, com declarações de apoio ao governo e pela eleição de Arthur Lira (PP-AL) a presidência da câmara dos deputados, mas com uma participação inferior ao atos contra o governo e favoráveis ao impeachment realizados na capital paraense.
20 de fevereiro de 2021 Apesar do enfraquecimento dos pedidos de impeachment na Câmara dos Deputados, ainda houve carreatas em diversos pontos do país pedindo o afastamento do presidente, além da retomada da vacinação em algumas cidades e a volta do auxílio emergencial. Os protestos ocorreram em 65 cidades.
Manifestações nas ruas 29 de maio de 2021
miniaturadaimagem|Imagem de um boneco inflável do Presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), durante os protestos em Brasília. miniaturadaimagem|Manifestação na Avenida Paulista em São Paulo. Membros de grupos sindicais e torcidas organizadas, unidos a partidos de esquerda, anunciam a realização de manifestações de rua em pelo menos 85 cidades, passando a adotar, além de pautas como a volta do auxílio emergencial em R$600,00, repúdio ao negacionismo, críticas ao incentivo do uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra o novo coronavírus e o apoio as campanhas de vacinação, pautas como o corte de verbas na educação, a repressão policial contra a população negra, usando o contexto da Chacina de Jacarezinho e o apoio a CPI da COVID-19, que investiga as ações do Governo Federal durante a pandemia, sobretudo o uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra a COVID-19 e a recusa na compra de vacinas. Segundo os organizadores, pelo menos 213 cidades tiveram atos contra o governo, 128 a mais que o anunciado, e 420 mil manifestantes teriam comparecido aos protestos.
Em Brasília, alguns manifestantes carregavam faixas em apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de cobranças ao governador Ibaneis Rocha (MDB). De acordo com a organização, mais de 30 mil pessoas participaram dos protestos na capital federal. Em Recife, houve repressão por parte da Polícia Militar de Pernambuco contra os manifestantes, resultando em três pessoas sendo feridas e quatro detidas. Dentre os feridos, havia dois homens que não estavam no protesto e foram atingidos nos olhos, perdendo parcialmente a visão. Durante a repressão, a vereadora local, Liana Cirne, do PT, tentou negociar com policiais que estavam em uma viatura, mas foi atacada com spray de pimenta. O governador de do estado, Paulo Câmara, e sua vice, Luciana Santos afirmaram não ter autorizado o uso da força contra os manifestantes. Um dia antes, o Ministério Público teria recomendado que não acontecesse o protesto na região. Em São Paulo, os protestos bloquearam as duas pistas da Avenida Paulista, ocupando sete quarteirões, começando na altura do Museu de Arte de São Paulo (MASP). A manifestação se encerrou com a dispersão dos participantes na Rua da Consolação, em direção á Praça Roosevelt. Apesar de houver aglomeração, protocolos como o uso de máscara e distanciamento social chegaram a ser observados em alguns pontos, assim como em algumas cidades, que houve atos organizados em filas indianas. Segundo organizadores, 80 mil pessoas teriam comparecido ao protesto na paulista. Artistas da TV Globo como Samantha Schmutz, Julia Lemmertz, Maria Ribeiro, Mônica Martelli, Ana Hikari, Renata Sorrah, Fernanda Lima, Guta Stresser, Luisa Arraes e Paulo Betti, além da apresentadora do GNT Astrid Fontenelle e o escritor Gregorio Duvivier, estiveram entre os participantes dos movimentos. Também houve mobilizações internacionais nas cidades de Berlim (Alemanha), Londres (Reino Unido), Lisboa (Portugal), Bruxelas (Bélgica), Paris (França), Amesterdã (Países Baixos) e Genebra (Suíça).
19 de junho de 2021 thumb|Manifestação no centro do Rio de Janeiro thumb|Mural com os nomes de vítimas da COVID-19 estendido no Rio de Janeiro durante as manifestações