Língua yãnoma (em yãnoma: yãnoma) é uma língua da família yanomami falada no sudeste da Terra Indígena Yanomami, no estado de Roraima, Brasil.
É falada por cerca de 180 indivíduos da etnia yanomami em duas comunidades no Baixo Rio Catrimani e na comunidade Rasasi, perto da Missão Catrimani. Das línguas yanomami, é a que se encontra em situação de maior vulnerabilidade. Além disso, o yãnoma ainda não foi documentado nem descrito linguisticamente, por conta disso, sua relação com outras línguas yanomami é não classificada.
Etimologia O etnônimo yãnoma, que dá nome à língua, é um endônimo que significa "pessoa" ou "ser humano". Essa nomenclatura segue a tradição entre os grupos yanomami de denominarem-se segundo a palavra para "pessoa", "ser humano", "indígena" ou "yanomami" em suas próprias línguas.
Ademais, também é utilizado o nome waika, que existe em várias línguas yanomami e, mais comumente, faz referência aos povos que habitam o Rio Apiaú e o Baixo Rio Catrimani. De forma genérica, pode também ser um termo relacional para se referir a grupos yanomami que vivem mais ao leste ou sudeste em relação ao falante.
Distribuição miniaturadaimagem|left|upright=1|Mapa das línguas yanomami, yãnoma como incluso no yaroame.
Os falantes de yãnoma estão distribuídos em duas comunidades no Baixo Rio Catrimani e na comunidade Rasasi, perto da Missão Catrimani, no limite leste da Terra Indígena Yanomami (TIY), inteiramente no estado de Roraima, no Brasil. O número de falantes foi calculado como 178 indivíduos em 2019.
miniaturadaimagem|left|upright=1|Vista da Av. Ayrton Senna no município de Rorainópolis em 2007.
As comunidades de Caju e Macuxi situam-se na região do Baixo Catrimani, próxima à fronteira leste da TIY, onde há mais infraestrutura no território yãnoma: um posto de saúde, uma pista de pouso e a única escola yãnoma, com um professor. Já a comunidade Rasasi localiza-se na região da Missão Catrimani, onde há casamentos entre falantes de yãnoma, yanomam e yaroame, o que contribui para situações de multilinguismo. Atualmente, também há circulação de falantes de yãnoma entre suas comunidades e localidades como Santa Maria do Boiaçú Rorainópolis e Caracaraí, principalmente para trabalho temporário e comércio de produtos extrativistas.
Até recentemente, o yãnoma foi considerado um possível dialeto do yaroame, hipótese posteriormente descartada. Seu reconhecimento como língua distinta baseia-se em relatos de inteligibilidade mútua limitada entre falantes de yãnoma, yanomam e yaroame, além de diferenças históricas, migratórias e territoriais entre esses grupos. Entretanto, devido ao fato de a documentação linguística do yãnome ainda ser mínima, sem documentação ou descrição linguística especializada, sua posição específica na família yanomami é desconhecida.
História miniaturadaimagem|upright=1|Embarcação da Marinha do Brasil em ação de combate ao garimpo ilegal no Rio Catrimani.
Os yãnoma são remanescentes de um conjunto mais amplo de comunidades que ocupavam o interflúvio Demini-Catrimani até as primeiras décadas do século XX. Relatos de anciãos indicam que grupos yãnoma habitavam anteriormente a região do vale do Rio Demini e a nascente do Rio Ananaliú, deslocando-se posteriormente para o Rio Catrimani em razão de conflitos com outros grupos yanomami vindos das Terras Altas.
Registros missionários e depoimentos locais mencionam conflitos entre grupos yanomami e também com exploradores não indígenas no início do século XX. Em meados do século, epidemias de gripe e outras doenças causaram forte redução populacional entre os yãnoma, especialmente na localidade de Paraparahi, no Baixo Catrimani. Entre as décadas de 1960 e 1980, diferentes comunidades yãnoma foram registradas no Baixo Catrimani, entre elas Hawarihipi theri, Wapokohipi theri e Rasasipi theri. Mais recentemente, consolidaram-se as comunidades de Caju, Macuxi e Rasasi.
Em 1962, a Missão Catrimani estabeleceu contato mais regular com grupos yãnoma. As relações com missionários e com comunidades vizinhas falantes de yanomam consolidaram o uso do yanomam como língua de contato regional. Essa situação de bilinguismo é assimétrica, uma vez que os yãnoma aprendem yanomam, mas sem reciprocidade equivalente.
Durante a homologação da Terra Indígena Yanomami, em 1992, parte dos yãnoma retornaram ao território, resgatados por membros da comunidade, após viverem em fazendas e redes extrativistas em condições de forte dependência econômica e até em situação análoga à escravidão. Também persistem problemas como invasão de pescadores no Rio Catrimani e impactos do turismo de pesca na região.
Linguisticamente, o contato frequente e desigual com não indígenas contribuiu para a ampla difusão do português entre os homens adultos, especialmente em contextos de trabalho e comércio. Além disso, o multilinguismo assimétrico dos yãnoma em relação ao yanomam e o português também contribui para a menor visibilidade da distinção linguística do yãnoma em relação a outras línguas da família yanomami.
História do ensino
A introdução da escrita entre os yãnoma ocorreu por meio de dois participantes dos cursos de formação de professores promovidos pela equipe missionária da Missão Catrimani e pela Comissão Pró-Yanomami (CCPY), geralmente voltados a falantes de yanomam. Assim, os primeiros falantes de yãnoma alfabetizados aprenderam inicialmente a escrever em yanomam e adaptaram esse sistema ortográfico à sua própria língua. Essa adaptação ortográfica ainda não foi estudada nem publicada.
Vocabulário Comparação lexical A seguir, há uma comparação lexical do yãnoma com outras línguas yanomami:
Proto-yanomami Yãnoma Yaroame Ninam Yanomam Yanomami Sanoma Português **haya aya aya a haya haya a haya hasa a veado paa ne pinaiki piinahi pẽe nehe pẽe piini tabaco **narã narã xi narãxiki nalãxiki narã xi nara xi kɨ nana a urucum **kahikɨ kahikɨ kãhĩkĩ kahiki pei kahikɨ pei kahi kɨ pilia kai boca **he pe he he pelehe pei he pei ke he pilia hee cabeça **nakɨ nakɨ na naku pei nakɨ pei nakɨ pilia naköpö dente **amukɨ amuku ãmoki amok pei amuku pei amo kɨ pilia amuku fígado **urihi urihi urihi ilihi urihi a urihi uli tä uli floresta **yãrɨ yãrɨ yarũa yãlû yãrɨ a yãru sanötä trovão **mama mama maama maama maama maã këma maamaa pedra **puna puna imorona kastaliana puu na puu kë na puuna abelha **oko kotomi i oko oko oko a oko õko a caranguejo **ukuxi ukuxi ukuxi kayõ ukuxi pareto potoma pium kãyo kaỹa potoma riõ ukuxi ukusi carapanã motote poroma rõo a prõo mõo motosila mosca
Empréstimos lexicais A seguir, há alguns empréstimos karib (em negrito) nas línguas yanomami:
Yãnoma Yaroame Ninam Yanomam Yanomami Sanoma Português hĩo kõiki hĩo kõikɨ kui ki kui si etewexi (< Aruak) kui ã buriti totori korori yãpohlipe totori totori totoli jaboti pɨtasi pëtaxi okoro hiima hiima pore a cachorro maama mamari xomari xamari xamari nãmõnãmõrĩm ralador waxaoa ãhu pirima ãhu plem ãhu/xirika pirima ãhu/xitikari puriwari/xitikari sitikali estrela
Bibliografia
Categoria:Línguas ianomâmis