Geraldo Soares de Carvalho, historicamente consagrado no meio musical como Geraldo Babão (Rio de Janeiro, 20 de julho de 1926 — Rio de Janeiro, 22 de maio de 1988), foi um compositor, flautista e sambista brasileiro.

É reconhecido pela historiografia da música popular como um dos baluartes fundadores da identidade musical do Morro do Salgueiro e um dos maiores artífices estruturais do samba-enredo no carnaval carioca.

Biografia Nascido no Terreiro Grande, localidade encravada no Morro do Salgueiro, Geraldo inseriu-se desde a infância na matriz cultural afro-diaspórica da comunidade. Para garantir sua subsistência, exerceu diversos ofícios na juventude, trabalhando como carregador de engradados, trocador de ônibus, engraxate e entregador.

Em sua atuação musical, Geraldo apresentava uma característica instrumental que o distinguia dos demais compositores de terreiro de sua geração: enquanto a maioria estruturava a harmonia de seus sambas utilizando caixas de fósforo, violão ou cavaquinho, ele compunha suas melodias exclusivamente com a flauta. O apelido "Babão" originou-se dessa prática: ao tocar a flauta por horas ininterruptas pelas vielas do morro, o músico deixava a saliva escorrer intencionalmente para lubrificar e não machucar os lábios no contato constante com o bocal do instrumento.

Atuação no Salgueiro Como membro orgânico e fundador institucional da ala de compositores do Grêmio Recreativo Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro, Babão assinou sambas-enredo que redefiniram a estética e a densidade narrativa do gênero.

Sua consagração definitiva ocorreu em 1964, quando compôs, em parceria com Djalma Sabiá, o antológico samba-enredo "Chico Rei". A obra é frequentemente citada por críticos e pares — incluindo o compositor Martinho da Vila — como um dos maiores sambas-enredo de todos os tempos, destacando-se por sua extrema riqueza melódica e rigor histórico na transposição do ciclo do ouro em Minas Gerais para a avenida.

No ano seguinte, em 1965, Babão manteve sua hegemonia autoral na escola ao vencer a disputa com o samba "História do carnaval carioca" (composto em parceria com Valdelino Rosa), obra que garantiu o campeonato da agremiação no desfile daquele ano.

Morte Geraldo Babão faleceu em 22 de maio de 1988, aos 61 anos, na cidade do Rio de Janeiro. Sua obra integra o repertório histórico fundacional da Acadêmicos do Salgueiro.

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