Ivani Ribeiro, nome artístico de Cleide Freitas Alves Ferreira, (São Vicente, 20 de fevereiro de 1922 — São Paulo, 17 de julho de 1995) foi uma atriz de rádio, escritora e autora brasileira de telenovelas. Foi uma das mais importantes autoras da teledramaturgia brasileira.
Biografia Formada na Escola Normal de Santos, Ivani mudou-se para a São Paulo para cursar a faculdade de Filosofia. Iniciou a carreira no rádio, onde permaneceu por mais de uma década.
Carreira 1938–51: Radionovelas Na Rádio Educadora Paulista, passou a fazer apresentações onde trouxe a público canções folclóricas e sambas, alcançando grande popularidade logo no rádio através dos programas criados, como Teatrinho da Dona Chiquinha e As Mais Belas Cartas de Amor; neste último, Ivani mostrou o lado de radioatriz e interpretando sua primeira personagem. Protagonizou também o programa Hora Infantil, com músicas e poemas, que obteve grande sucesso e adaptou para o rádio filmes e novelas famosas, onde também atuava como autora. Na mesma emissora, fez o programa Infantil, com músicas e poemas. Posteriormente transferiu-se para a Rádio Difusora, onde atuou como cantora, interpretando canções folclóricas e sambas, sempre acompanhada por uma orquestra. Integrou também o elenco da PRG-2 - Rádio Tupi de São Paulo.
Em 1940, já pertencia ao elenco da Rádio Bandeirantes, para a qual se transferiu juntamente com o marido, o locutor Dárcio Alves Ferreira, com quem teve dois filhos, Luís Carlos e Eduardo. Ele também veio a assumir a direção da broadcasting da PRH-9, lançando novos programas como A Hora dos Neófitos, programa de calouros voltado para o público jovem. Nesta rádio, além de atuar como atriz, adaptou peças para o radioteatro e apresentou diversos programas, dentre os quais Teatro Romântico, baseado em poemas clássicos da literatura brasileira; Os Grandes Amores da História, dramatização da vida amorosa de personalidades históricas, A Canção que Viveu, dramatização de canções brasileiras, e outros. Ivani também foi a primeira mulher brasileira a ter um programa de rádio exclusivamente seu, escrevendo e adaptando inúmeras peças, levadas ao ar pela Rádio Bandeirantes, e o programa levava o seu nome: Teatro Ivani Ribeiro.
1952–69: Pioneirismo e primeiras telenovelas Na pioneira TV Tupi escreveu em 1952 a série Os Eternos Apaixonados, o primeiro trabalho nesse meio. Dois anos depois, transfere-se para a TV Record, onde escreveu sua primeira telenovela, A Muralha, adaptação do livro de mesmo título, lançado no mesmo ano. Em 1957 escreve a novela Desce o Pano, na mesma emissora. Em 1958, retornou à antiga emissora onde escreveu uma nova versão de A Muralha. Nesta época a autora realizava alguns teleteatros para várias emissoras, mas a atenção principal eram as radionovelas, que escrevia para a Rádio Bandeirantes. No início da década de 1960 foi contratada pela recém-inaugurada TV Excelsior, onde era uma das redatoras do Teatro Nove. A primeira telenovela diária de Ivani foi Corações em Conflito (1963), com direção de Dionísio de Azevedo, que transpunha para o vídeo uma das histórias que o rádio havia consagrado e discutia os problemas que um viúvo tem ao realizar um segundo casamento, interpretado por Carlos Zara. Esta foi a primeira novela diária nacional, já que as duas que a antecederam tiveram seus textos extraídos de originais argentinos.
A partir da adaptação do texto argentino de A Moça que Veio de Longe (1964), com Rosamaria Murtinho e Hélio Souto - este último então estreante na TV - nos papéis principais, o gênero se torna uma constante na grade de programação de todas as emissoras brasileiras. Ivani foi projetada nacionalmente com o horário das 19h30 na TV Excelsior - inaugurada em 9 de julho de 1960, onde liderou uma espécie de laboratório teledramatúrgico, intercalando romance com melodrama - na segunda metade da década de 1960, quando escreveu treze novelas consecutivas com aproximadamente 1 600 capítulos - todas com grande sucesso: Onde Nasce a Ilusão, que abordou a temática circense e contou com produção milionária, A Indomável, ambientada na década de 1920 e sua primeira incursão em um texto cômico em detrimento dos dramalhões daquela época, Vidas Cruzadas, um sucesso da época que contou a história dos conflitos entre gêmeos e sósias num tema que seria frequentemente retomado na história da teledramaturgia brasileira, a bem-sucedida A Deusa Vencida, A Grande Viagem, que era um suspense policial - temática esta retomada com Anjo Marcado, Almas de Pedra e As Minas de Prata. Esta última baseada no romance homônimo do escritor José de Alencar, serviria para uma segunda adaptação na novela A Padroeira (2001) de Walcyr Carrasco - Os Fantoches baseada no livro Ten Little Niggers (O Caso dos Dez Negrinhos), de Agatha Christie, a novela de época O Terceiro Pecado, A Muralha (protagonizada por Mauro Mendonça), Os Estranhos, A Menina do Veleiro Azul, que teve problemas na seleção de elenco devido à grave crise da emissora e Dez Vidas, baseada no livro Caminho da Liberdade, de Wanderley Torres, contando a vida de Tiradentes, Joaquim José da Silva Xavier - inconfidente mineiro.
Durante a sua carreira, usou pseudônimos como: Valéria Montenegro em A Moça que Veio de Longe (1964), e Arthur Amorim em O Leopardo (1972), exibida pela Rede Record, como era contratada da TV Tupi. O primeiro grande êxito foi a novela de época A Deusa Vencida (1965), ambientada no final do século XIX, mais precisamente em 1895. Entre os méritos, esta contava ser a novela que foi a primeira a ter uma trilha sonora própria, consagrou as atrizes Regina Duarte, trazida à TV pelo diretor Walter Avancini, e Ruth de Souza, então iniciantes.
1970–78: Sucesso na Tupi Com a falência da TV Excelsior, em 15 de outubro de 1970, Ivani se transferiu para a TV Tupi, onde emplacou grandes sucessos no horário das vinte horas tradicional da concorrente Rede Globo, como Mulheres de Areia (1973), que foi baseada em uma antiga radionovela de sua autoria, As Noivas Morrem no Ar (1965) e consagrou a atriz Eva Wilma, e Os Inocentes (1974), inspirada na peça A Visita da Velha Senhora de Durrenmatt e na radionovela de sua autoria A Mulher de Pedra, ambas protagonizadas por Cleide Yáconis, contando também com a participação de Cláudio Correia e Castro. Ao longo da novela, deixou o roteiro nas mãos do marido para trabalhar na novela A Barba Azul, para a qual também se transferiram Jussara Freire e Carminha Brandão. O tema central também rendeu outras novelas, como Cavalo de Aço, Fera Radical (ambas de Walther Negrão), Fera Ferida, Avenida Brasil e a trama inicial de Chocolate com Pimenta.
Prosseguiu com a espírita A Viagem (1975), inspirada nos livros E a Vida Continua... e Nosso Lar, ambos ditados pelo espírito de André Luiz ao médium Chico Xavier contou com a colaboração do professor José Herculano Pires na última novela da qual Lúcia Lambertini participou pois viria a falecer pouco tempo depois, e O profeta (1977), protagonizada por Carlos Augusto Strazzer que ganhou o Troféu APCA por essa interpretação, que também abordou temas espíritas e místicos (como em Os estranhos, A viagem e O terceiro pecado); para escrevê-la, Ivani foi assessorada por um mentor espírita, um psiquiatra, um sacerdote católico e um orientador de candomblé, contando também com a participação especial da apresentadora Hebe Camargo, o médium Chico Xavier e do Arcebispo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns; a novela ganhou uma adaptação em 2006 exibida pela Rede Globo, por Thelma Guedes e Duca Rachid sob supervisão de texto de Walcyr Carrasco, protagonizada por Thiago Fragoso e Paola Oliveira.
Em entrevista ao Jornal do Brasil, em 28 de janeiro de 1978, declarou: Focalizando a paranormalidade, que considero um assunto fascinante, armo um debate com a doutrina espírita, a Igreja Católica e a parapsicologia. Mas como sou leiga no assunto, sou assessorada por padres, médicos, médiuns e pais-de-santo. Com essa novela, pretendo despertar a consciência de que precisamos tentar uma maior aproximação do homem com Deus, ao mesmo tempo em que apresento, seriamente, uma ilustração do fenômeno.
Em Aritana, de 1978, recebeu o auxílio do sertanista Orlando Villas Bôas para abordar a cultura indígena, as diferenças entre os indígenas e a sociedade dita civilizada; contou também com a colaboração do professor e então administrador do Parque Xingu, Olympio Serra. As gravações só foram possíveis graças ao apoio da Funai e foram feitas no Posto Leonardo em plena selva, e nos estúdios da TV Tupi. A princípio, foi mal-interpretada por aqueles que se sentiam ameaçados com os direitos de reivindicação dos índios, como no tema central, em que deseja a posse total das terras para abrigar sua tribo; a intenção da autora foi defendida no especial O Caso Aritana - Uma Novela à Parte, que contou com a participação do diretor artístico da emissora, Carlos Zara, os irmãos Vilas-Boas e grande parte do elenco.
Em 1976 redige o texto de As Bruxas, que abordou assuntos polêmicos à época, tais como o tema da psicanálise de Sigmund Freud, bem como separação de casais e adultério - temas vetados pela censura, que acarretou a mudança de horário -, frequentou sessões de terapia para que tivesse uma maior compreensão da popularização de análise grupal. Em 1977 escreve um de seus maiores sucessos, O Espantalho, na RecordTV, que abordou o tema da poluição das praias. No mesmo ano volta à TV Tupi e escreve O Profeta, em 1977 e Aritana, em 1978.
1980–83: Band e ida para a Globo Em 1980, com a falência da TV Tupi, Ivani transferiu-se com praticamente todos os colegas autores e de elenco da antiga emissora, para a Rede Bandeirantes, onde escreveu a novela de sucesso, Cavalo Amarelo, protagonizada pela atriz e humorista Dercy Gonçalves. Cavalo Amarelo ganhou uma continuação depois de seu término, intitulada Dulcinéa Vai à Guerra, que não obteve o mesmo êxito e foi escrita por Sérgio Jockyman, pois Ivani havia se recusado a escrevê-la. No mesmo ano foram levados ao ar os remakes de A Deusa Vencida, protagonizada por Elaine Cristina, e O Meu Pé de Laranja Lima, que foi baseado no romance homônimo de José Mauro de Vasconcelos e ganharia uma terceira versão em 1998 adaptada por Ana Maria Moretzsohn, além de uma adaptação para o cinema feita por Aurélio Teixeira.
Em 1981, Ivani escreveu a novela Os Adolescentes, onde foi auxiliada pelo psiquiatra Paulo Gaudêncio. Tencionando mostrar os conflitos dos jovens naquele momento, foi substituída por Jorge Andrade, que terminou a obra amenizando os problemas dos jovens centrais e criando personagens novos, inexistentes nos capítulos criados por Ivani anteriormente. Quando Benedito Ruy Barbosa abandonou o roteiro de sua novela Os Imigrantes para retornar à Rede Globo, a direção da Rede Bandeirantes resolveu que Ivani deveria abandonar a escrita de Os Adolescentes e assumir Os Imigrantes. Apesar do profissionalismo de Ivani em aceitar esta incumbência, o fato acabou causando uma série de desencontros e o desgaste de sua relação com a emissora, da qual sairia em seguida.