Mariama Hima Yankori (Niamei, 1951) é uma realizadora nigerina. Foi a primeira realizadora de cinema do Níger na década de 1980, quando foi Secretária de Estado para a Promoção da Mulher e Proteção da Criança, e mais tarde foi a primeira embaixadora do Níger em França.

Nasceu em Niamei em 1951 e estudou no Níger até à licenciatura. Em 1973, viajou para França e estudou etnolinguística na Ecole Pratique des Hautes Études em Paris. Doutorou-se em 1989 pela Universidade de Paris X Nanterre em antropologia.

Carreira no cinema e na política Entre as décadas de 1980 e de 1990 fez cinco filmes documentais, e tornou-se a primeira realizadora de cinema do Níger. Depois de filmar a maioria dos seus filmes, Hima trabalhou durante uma década como curadora no Museu Nacional do Níger, em Niamei, onde entre 1992 e 1996 foi realizadora. Em 1990, foi nomeada Diretora Nacional de Cultura Diretora Nacional de Cultura.

Em 1996, Hima foi nomeada Secretária de Estado para a Promoção da Mulher e Proteção da Criança pelo Presidente Ibrahim Baré Maïnassara. Posteriormente, tornou-se Ministra do Desenvolvimento Social do Níger. Em 1997, foi nomeada embaixadora do Níger em França, sendo a primeira embaixadora do seu país. Apesar da morte de Maïnassara durante o golpe de Estado de 1999 no Níger, manteve-se embaixadora em Paris até 2003.

Hima é Cavaleira e Grande Oficial da Ordem Nacional do Mérito e Comandante da Ordem das Palmas Académicas.

Filmografia No cinema documental, as suas obras centram-se nos artesãos de Niamei. Foi diversas vezes premiada em festivais de cinema internacionais, incluindo Veneza e Beaubourg. Entre 1984 e 1994, Hima dirigiu cinco documentários que se tornaram marcos no cinema africano: 1984: Baabu Banza (Rien ne se jette), documentário, 20 min: Documentário de 20 minutos que observa o reaproveitamento de materiais na cidade de Niamei, destacando a criatividade dos artesãos locais. 1985: Falaw (L'aluminio), documentário, 16 min: Com 16 minutos de duração, o documentário aborda o processo de transformação de latas de alumínio em utensílios domésticos, evidenciando práticas de reciclagem urbana. 1986: Toukou (Le tonneau), documentário Documentário que explora o trabalho de artesãos que transformam barris metálicos em objetos utilitários e artísticos. 1987: Katako (Les planches), documentário: Foca na transformação de tábuas de madeira em móveis e utensílios, destacando a habilidade e a adaptabilidade dos artesãos locais. 1994: Hadiza et Kalia, documentário: Continua a explorar temas de reaproveitamento e criatividade artesanal.

Baabu Banza/Nada é Jogado Fora (1984)

Baabu Banza/ contribuiu para fortalecer o lugar de Mariama Hima na história do cinema femininoOCIC. Moutari, S. (2014) “Mariama Hima Yankori: Un parcours atypique” in “Portraits des femmes pionnières du Niger”

http:/nigerdiaspora.net/les-infos-dupays-societe-item/67130-portraits-des-femmespionnieres-du-niger.Schmidt, N. J. (1999), “Sub-Saharan African Women Filmmakers: Agendas for Research”, in Harrow, K.W. (ed), African Cinema: Post-Colonial and Feminist Readings, Trenton, NJ and Asmara, Eritrea, African World Press, Inc.: pp. 277–304.

Hima obteve um grau superior em antropologia antes de dirigir seu primeiro filme” (Diawara 1993, p. 26). Após concluir o  mestrado, Hima prosseguiu para um mestrado superior ou DEA (diplôme d’études approfondies) em antropologia visual na Universidade Paris Nanterre, e depois para o doutorado em antropologia intitulado“Etude filmique de l’artisanat de recuperation au Niger “Baabu banza”/ “Film study of the salvage industry in Niger, ‘Baabu banza’”. Quatro de seus cinco filmes, Baabu banza/Rien ne se jette (1984),Falaw/L’aluminium (1985), Toukou/Le tonneau (1986) e Katako/Les planches (1987) foram feitos durante o doutorado.

O nome Baabu Banza também é usado para nomear o conjunto de quatro documentários que Hima fez na década de 1980, todos sobre reciclagem (de pneus, alumínio, barris e tábuas, respectivamente ).Os quatro documentários (Baabu Banza, Falaw, Toukou e Katako), todos filmados em película de 16mm e com duração entre quinze e trinta minutos, observam e registram o trabalho artesanal realizado com os quatro materiais. Os filmes contam com comentários em francês da própria Hima, detalhando os processos dos artesãos, que explicam o seu trabalho nos seus próprios idiomas. Os quatro filmes da série podem ser considerados “documentários antropológicos”, uma vez que são destacados as artesãos e suas comunidades. Alguns pesquisadores os classificam também como “Eco-cinema”, ainda que esse termo não existisse na década de 1980. INCE, Kate. Anthropological Documentary Filmmaking in Niger: Mariama Hima Yankori and Baabu Banza (1984) Kate Ince. In: Stretching archives…https://www.archivebooks.org/wp-content/uploads/2025/01/Stretching-the-Archives-Toward-a-Global-Womens-Film-Heritage.pdf

Dedicado à reciclagem de Baabu Banza começa com imagens de caminhões chegando a um mercado em Boukoki, Niamey, onde mercadorias de todos os tipos imagináveis ​​são compradas e vendidas, e a reciclagem de algumas delas faz parte do negócio. Hima visita uma oficina uma cabana de palha e mostra um artesão utilizando pares de facas curvas e afiadas como navalhas na borracha do pneu. O artesão explica que os pequenos pedaços de borracha que ele corta da banda de rodagem grossa que resta no pneu serão vendidos a agricultores para espantar insetos e pássaros de suas plantações, fumigando seus campos. O principal produto desta parte do processo de reciclagem, no entanto, são chinelos de borracha. Os pneus reciclados também são usados para produção de bolsas e recipientes grandes para água que comportam de 5 a 20 litros. O filme enfatiza a participação das crianças no processo de reciclagem. As crianças recebem uma mesada por separar os subprodutos dos pneus que são queimados depois que todas as partes utilizáveis ​​são cortadas. De acordo com Kate Ince “a reciclagem de pneus demonstrada no filme é tão eficiente que se aproxima do que hoje chamamos de economia de “lixo zero”, embora seja uma economia motor-industrial em vez de uma economia baseada na alimentação”. Para Ince, “O pequeno, porém primoroso conjunto de documentários constituído por Baabu Banza, Falaw, Toukou e Katako é uma peça vital do patrimônio nacional nigeriano e do ecocinema contemporâneo, ocasionalmente visto internacionalmente por meio de cópias que foram depositadas em bibliotecas e arquivos, e que merecem ser exibidos muito mais amplamente e apreciados”.

Depois de assumir a carreira diplomática, Mariama Hima seguiu envolvida com o cinema. Em 2017, participou de uma série de documentários feitos para o centenário do cineasta francês Jean Rouch (1917-2004), um dos pioneiros do cinema antropológico na Nigéria. Hima chegou inclusive a atuar em um filme de Rouch, Cousin, cousine, pirogue, gondole (1985) filmado em Veneza durante o festival de cinema de Veneza (https://ifcinema.institutfrancais.com/en/ movie?id=e1d94d71-92e9-b65b-e4e9-954f926fd226)INCE, Kate. Anthropological Documentary Filmmaking in Niger: Mariama Hima Yankori and Baabu Banza (1984) Kate Ince. In: Stretching archives…https://www.archivebooks.org/wp-content/uploads/2025/01/Stretching-the-Archives-Toward-a-Global-Womens-Film-Heritage.pdfSchmidt, N. J. (1997), “Sub-Saharan African Women Filmmakers: Agendas for Research with a Filmography”, in Harrow K.W. (ed), With Open Eyes: Women and African Cinema, Amsterdam & Atlanta, GA, Editions Rodopi: pp. 163–190. Zika, D. (n.d.) “Cousin, cousine, pirogue gondola. Centenaire Jean Rouch” disponível online:

https://ifcinema.institutfrancais.com/pt/movie?id=e1d94d71-92e9-b65b-e4e9-954f926fd226

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