O foi um navio de guerra operado pela Marinha Imperial Japonesa e a terceira embarcação da Classe Kongō, depois do e , e seguido pelo . Sua construção começou em março de 1912 nos estaleiros da Mitsubishi em Nagasaki como um cruzador de batalha e foi lançado ao mar em dezembro de 1913, sendo comissionado na frota japonesa em abril de 1915. Era armado com uma bateria principal de oito canhões de 356 milímetros, possuía inicialmente um deslocamento de quase 27 mil toneladas e conseguia alcançar uma velocidade de 27 nós.
O navio passou seus primeiros anos patrulhando as águas perto da China durante a Primeira Guerra Mundial e ajudou a resgatar sobreviventes do Grande Sismo de Kantō em 1923. Depois disso a embarcação passou por duas grandes reconstruções, primeiro em 1927 e depois em 1934, em que sua blindagem foi reforçada, sua superestrutura reconstruída, seus maquinários substituídos, seus armamentos incrementados com uma defesa antiaérea aprimorada, entre outras modificações. Estas alterações fizeram a Marinha Imperial reclassificar o navio como um couraçado.
O Kirishima teve uma carreira ativa durante a Segunda Guerra Mundial. Ele escoltou porta-aviões no Ataque a Pearl Harbor em dezembro de 1941 e proporcionou suporte para a invasão das Índias Orientais Holandesas em março de 1942 e em ações no Oceano Índico no mês seguinte. Também esteve presente nas batalhas de Midway em junho, Salomão Orientais em agosto e Ilhas Santa Cruz em outubro. O Kirishima foi afundado na madrugada de 15 de novembro durante a Segunda Batalha Naval de Guadalcanal depois de ser seriamente danificado pelo couraçado .
Características
O Kirishima foi o terceiro cruzador de batalha da Marinha Imperial Japonesa. A Classe Kongō era tão grande, cara e bem armada quanto um couraçado, porém abria mão de proteção para poder conseguir alcançar uma velocidade maior. Eles foram projetados pelo engenheiro naval britânico George Thurston e encomendados em 1910 no Decreto de Expansão Naval Emergencial, em resposta ao britânico . Os quatro membros da Classe Kongō foram projetados para se igualarem às capacidades dos cruzadores de batalha operados pelas outras grandes potências navais da época. O tamanho de seus canhões principais e o nível de sua proteção de blindagem, que compunha 23,3 por cento de seu deslocamento em 1913, eram muito superiores a de todos os outros navios capitais japoneses da época.
Como construído, o Kirishima tinha 214,58 metros de comprimento de fora a fora, boca de 28,04 metros, calado de 8,22 metros e deslocamento normal de 27 384 toneladas. Seu sistema de propulsão tinha 36 caldeiras Kampon que impulsionavam duas turbinas a vapor Parsons, cada uma girando duas hélices, que foram projetadas para produzirem 65 mil cavalos-vapor (47,8 mil quilowatts) de potência. O Kirishima era capaz de alcançar uma velocidade máxima 27,5 nós (50,9 quilômetros por hora). Ele carregava 4,3 mil toneladas de carvão e mil toneladas de óleo combustível que era borrifado no carvão com o objetivo de aumentar sua taxa de queima, o que proporcionava um alcance de oito mil milhas náuticas (quinze mil quilômetros) a uma velocidade de catorze nós (26 quilômetros por hora).
A bateria principal do Kirishima consistia em oito canhões de 356 milímetros. Estes eram montados em quatro torres de artilharia duplas, duas na proa e duas na popa. Seus armamentos secundários originalmente tinham dezesseis de 152 milímetros/50 calibres montados em casamatas a meia-nau, além de oito canhões de 76 milímetros. O navio também foi equipado com com oito tubos de torpedo submersos de 533 milímetros. O cinturão de blindagem superior tinha 152 milímetros de espessura, enquanto o cinturão inferior tinha espessura de 203 milímetros, com eles se afinando para 76 milímetros próximo da proa e da popa. O convés era protegido por uma blindagem que ia desde 38 milímetros até setenta milímetros de espessura. As torres de artilharia tinham placas de blindagem de até 229 milímetros de espessura. Por fim, a proteção da torre de comando chegava em até 229 milímetros de espessura.
História Primeiros anos thumb|esquerda|240px|O Kirishima ancorado em Sasebo em 21 de dezembro de 1915 O batimento de quilha do Kirishima ocorreu no dia 17 de março de 1912 nos estaleiros da Mitsubishi em Nagasaki. A maioria dos componentes usados na construção foram produzidos no Japão. Devido a uma escassez de rampas de lançamento disponíveis, o Kirishima e seu irmão foram os primeiros navios capitais da Marinha Imperial construídos por estaleiros japoneses particulares. Seu lançamento ocorreu em 1º de dezembro de 1913 e o processo de equipagem começou no mesmo mês. O capitão Kamaya Rokuro foi designado em 15 de dezembro de 1914 como seu oficial chefe encarregado da equipagem. O Kirishima foi completado em 19 de abril de 1915 e comissionado no mesmo dia, sendo designado para servir na Divisão de Couraçados 1 junto com o Haruna.
Depois de sete meses de testes, foi designado para a Divisão de Couraçados 3. O Kirishima e o Haruna deixaram o Distrito Naval de Sasebo em abril de 1916 para patrulharem o Mar da China Oriental por dez dias, durante a Primeira Guerra Mundial. O navio permaneceu em Sasebo até abril de 1917, quando foi patrulhar o litoral da China junto com o Haruna e o . Sua última patrulha foi em abril de 1918 próximo dos litorais chinês e coreano. Em julho o Kirishima transportou o príncipe Artur de Connaught para o Canadá e logo em seguida retornou para o Japão.
O Japão ganhou o controle das antigas possessões alemãs no Pacífico Central pelos termos do Tratado de Versalhes, assinado em 1919. Os japoneses tinham na época boas relações com britânicos e norte-americanos, e assim o Kirishima e outros navios de guerra ficaram cada vez mais inativos pós-Primeira Guerra Mundial. O navio permaneceu atracado em Sasebo, com exceção de patrulhas pelo litoral chinês em março de 1919 e agosto de 1921. Ele colidiu com o contratorpedeiro Fuji em 10 de setembro de 1922 durante manobras de exercício, porém nenhuma embarcação foi seriamente danificada. O Grande Sismo de Kantō ocorreu em setembro de 1923 e vários navios capitais da Marinha Imperial auxiliaram nos trabalhos de resgate até o fim do mês. O Kirishima foi colocado na reserva em dezembro do mesmo ano.
A assinatura do Tratado Naval de Washington em 6 de fevereiro de 1922 limitou o tamanho da Marinha Imperial para uma razão de 5:5:3 com Reino Unido e Estados Unidos, significando que os japoneses poderiam ter três navios capitais para cada cinco dos britânicos e norte-americanos. Isto ocorreu porque o Japão estava limitado a um único oceano, enquanto os outros tinha acesso a dois. O Japão mesmo assim ficou com mais navios que França e Itália. O tratado também proibiu a construção de novos navios capitais até 1931, com nenhuma embarcação podendo exceder 36 mil toneladas de deslocamento. Foi permitido que navios capitais existentes fossem aprimorados com protuberâncias antitorpedo e conveses blindados, contanto que essas modificações não excedessem três mil toneladas. Na época que o tratado foi totalmente implementado, o Japão tinha três classes de navios capitais da época da Primeira Guerra Mundial: os cruzadores de batalha da Classe Kongō e os couraçados das classes Fusō e Ise.
Reconstrução thumb|260px|O Kirishima em outubro de 1932 A Marinha Imperial decidiu aprimorar e reconfigurar seus navios capitais já existentes. O Kirishima foi colocado em reserva de terceira classe em dezembro de 1926 e sua primeira reconstrução começou em 1927. Sua blindagem horizontal sobre os depósitos de munição e sala de máquinas foi fortalecida e protuberâncias antitorpedo foram adicionadas na linha d'água, como permitido pelo Tratado Naval de Washington. Suas 36 caldeiras originais foram removidas e substituídas por dez novos modelos Kampon. Sua superestrutura dianteira foi reconstruída no estilo mastro pagode para permitir a instalação de novos equipamentos, o que permitiu a remoção de uma das três chaminés. As modificações no seu casco aumentaram o peso da blindagem em quatro mil toneladas, violando os termos do Tratado Naval de Washington. Sua modernização terminou nos primeiros meses de 1930.
O Tratado Naval de Londres foi assinado em 22 de abril de 1930 e colocou ainda mais restrições nas forças navais dos cinco países signatários, incluindo o Japão. Vários dos couraçados mais antigos e obsoletos foram descartados e a proibição da construção de novos foi ampliada. O Kirishima recebeu de agosto a outubro equipamentos necessários para lidar com hidroaviões de reconhecimento. O Japão invadiu a Manchúria em setembro de 1931 e o Kirishima patrulhou o litoral chinês próximo de Xangai em abril de 1932, sendo colocado em reserva terceira classe logo depois. A Sociedade das Nações estabeleceu em 25 de fevereiro de 1933 que a invasão da Manchúria tinha violado a soberania chinesa. O Japão se recusou a aceitar o julgamento e saiu da organização no mesmo dia. Os japoneses também renunciaram seus compromissos com o Tratado Naval de Washington e o Tratado Naval de Londres, dessa forma eliminando todas as restrições sobre o número e tamanho de seus navios de guerra.
Pré-guerra thumb|esquerda|240px|O Kirishima ancorado na Baía de Tsukumo em 10 de maio de 1937 O Kirishima entrou em uma doca seca do Arsenal Naval de Sasebo em 18 de novembro de 1934 em preparação para uma segunda reconstrução, o que permitiria que ele operasse junto com os porta-aviões. Sua popa foi alongada em 7,9 metros, enquanto sua superestrutura foi reconstruída novamente para permitir a instalação de novos mecanismos de controle de disparo. Suas caldeiras foram removidas e substituídas por onze novas caldeiras Kampon, também recebendo novas turbinas a vapor. A elevação máxima das baterias principal e secundária foi aumentada e a embarcação foi equipada com hidroaviões de reconhecimento Nakajima E8N e Kawanishi E7K. Para este fim, uma catapulta e trilhos foram reformados. Seus canhões de 76 milímetros foram removidos e substituídos por oito canhões de duplo-propósito de 127 milímetros. O Kirishima também recebeu vinte canhões antiaéreos de 25 milímetros em montagens duplas, enquanto dois de seis canhões de 152 milímetros e seus tubos de torpedo foram retirados.
Sua blindagem foi bastante aprimorada. O cinturão principal foi fortalecido para uma espessura uniforme de 203 milímetros, enquanto anteparas diagonais a profundidades de 127 a 203 milímetros também foram adicionadas para reforçar o cinturão de blindagem. As proteções das torres de artilharia principais foram fortalecidas para 254 milímetros, com 102 milímetros de blindagem sendo instalados em partes do convés. A blindagem das áreas próximas dos depósitos de munição também foi fortalecida durante as reformas. A reconstrução foi declarada completa em 8 de junho de 1936. Suas reformas aumentaram sua velocidade máxima para 30,5 nós (56,5 quilômetros por hora), com a Marinha Imperial reclassificando o Kirishima como um couraçado rápido.
O navio deixou Sasebo em agosto de 1936 junto com o para patrulhar o litoral chinês perto de Amoy. Ele operou entre março de 1937 e abril de 1939 como embarcação de suporte e transporte durante a Segunda Guerra Sino-Japonesa. Foi designado em novembro de 1938 como a capitânia da Divisão de Couraçados 3, sob o comando do vice-almirante Chūichi Nagumo. Ele foi colocado na reserva em novembro de 1939 e equipado com blindagens adicionais na frente das torres de artilharia e nas barbetas.
Segunda Guerra Primeiras ações