A Salas de bate-papo pelo KakaoTalk de Jung Joon-young foi um escândalo sexual e de entretenimento sul-coreano, o qual conversas e vídeos compartilhados no aplicativo de mensagens KakaoTalk datados de 2015 e 2016, foram revelados e utilizados em uma investigação policial, que resultou em condenações por estupro coletivo para o cantor e personalidade da televisão Jung Joon-young e outros quatro membros da sala de bate-papo: um ex-membro da banda F.T. Island, Choi Jong-hoon; um ex-funcionário do clube noturno Burning Sun chamado Kim; um empresário chamado Kwon; e um ex-funcionário da YG Entertainment chamado Heo. A condenação de Jung incluiu acusações por onze instâncias de filmagem e compartilhamento ilegal de conteúdo sexual obtido sem o consentimento das vítimas.

Durante o curso da investigação, outras acusações foram feitas contra os cantores Seungri, ex-membro do grupo Big Bang e os solistas Roy Kim e Eddy Kim, por alegações de compartilhamento individual de uma fotografia ilícita nas salas de bate-papo de Jung.

Após este escândalo vir a tona, a repercussão do caso foi amplamente divulgada pela imprensa sul-coreana e internacional, desde o curso da investigação até a posterior condenação dos acusados. O caso gerou uma onda de protestos públicos, tornando-se um dos assuntos mais discutidos e pesquisados online pelos sul-coreanos em 2019.

Antecedentes Jung Joon-young, um cantor, compositor e celebridade da televisão sul-coreana, nascido em 1989, morou na Indonésia até os cinco anos de idade, depois passou o restante de seus anos de formação na China, França e Japão, até mudar-se para a Coreia do Sul aos 19 anos. Ele tornou-se conhecido na televisão em 2012, quando passou a ser um dos competidores da quarta temporada do programa de audições Superstar K da Mnet, o qual conquistou o terceiro lugar. Durante o programa, Jung conheceu e se tornou amigo do vencedor daquela temporada: o cantor e compositor Roy Kim (que possui o nome real de Kim Sang-woo) e Eddy Kim (que possui o nome real de Kim Jung-hwan). Jung também se tornou amigo do cantor e compositor Seungri (que possui o nome real de Lee Seung-hyun) e de Choi Jong-hoon, guitarrista e líder da banda de rock F.T. Island, que havia debutado em 2007.

Em agosto de 2016, Jung se envolveu em um escândalo de vídeo íntimo, quando uma ex-namorada apresentou acusações criminais, de que ele havia os gravado fazendo sexo sem o consentimento dela, posteriormente, ela retirou as acusações. Jung abandonou o programa 2 Days & 1 Night da KBS2, o qual integrava, entretanto, retornou após três meses. Em maio de 2017, uma análise do jornal JoongAng Ilbo, listou o caso de Jung e seu rápido retorno a indústria do entretenimento, como um exemplo de um escândalo sexual, que mostrou que o público estava se tornando mais tolerante no que considerava ser a "vida privada das celebridades".

Previamente ao segundo escândalo, Jung estava conduzindo uma turnê pelos Estados Unidos em outubro de 2018 com sua banda de rock Drug Restaurant, que ele havia formado em 2015, e se preparando para a inauguração de seu restaurante de fusão de estilo coreano na cidade de Paris, França, que havia passado por um período de teste de duas semanas em novembro de 2018.

Desenvolvimento 26 de fevereiro a 11 de março de 2019: Primeiro e segundo lote de mensagens é revelado e fonte é descoberta Em 26 de fevereiro de 2019, foram divulgadas por uma fonte anônima, em conexão com a investigação em andamento do clube noturno Burning Sun, as primeiras mensagens trocadas através do aplicativo de mensagens KakaoTalk envolvendo Jung Joon-young. A fonte das mensagens de texto, que foram compartilhadas pela primeira vez, através de relatos da imprensa durante o escândalo do clube noturno Burning Sun, foi revelada como sendo o advogado Bang Jung-hyun, quando este foi entrevistado no telejornal SBS Eight O'Clock News da SBS, em 11 de março de 2019. Bang obteve as mensagens de um denunciante, possivelmente um técnico de loja de conserto de telefones, onde Jung deixou seu aparelho para conserto. O denunciante enviou um e-mail para o advogado Bang com inúmeros bate-papos retirados do telefone de Jung, que ocorreram ao longo de oito meses, entre os anos de 2015 e 2016. Quando o escândalo do clube noturno Burning Sun teve início, as mensagens telefônicas foram encaminhadas para a Comissão Anticorrupção e Direitos Civis e para o canal de televisão a cabo SBS funE; dessa forma, as filmagens de sexo obtidas secretamente e outras mensagens de bate-papo no telefone de Jung, se tornaram públicas.

Durante a entrevista a SBS, a integridade do arquivo da sala de bate papo de Jung foi discutida. Foi explicado que o arquivo continha uma verificação de código hash, o que mostraria que o mesmo não havia sido manipulado e poderia servir como evidência circunstancial para a busca de mais evidências. Bang sobre o conteúdo dos bate-papos comentou: "Suas conversas mostraram que não havia apenas crimes sexuais cometidos por celebridades, mas também uma relação confortável entre eles e policiais importantes" e, "É alguém acima do [chefe da Delegacia de Polícia de Gangnam]".

Quando o conteúdo da sala de bate-papo alcançou Jung, ao serem divulgados pela impresnsa, ele estava em Los Angeles, Estados Unidos, filmando sua participação para outro programa de televisão. Em 12 de março, Jung retornou as pressas para Seul, onde foi autuado como suspeito, sob acusação de filmagem e compartilhamento ilegal de câmeras escondidas, além de ser acusado de filmar dez ou mais mulheres. As mensagens da sala de bate-papo divulgadas pela SBS foram traduzidas para a língua inglesa e compartilhadas por outros setores da imprensa, incluindo o jornal The Korea Times, que publicou conversa realizada em 17 de abril de 2016 que incluiu: Kim 1: "Alguém quer pornô?", Choi: "Eu", Kim 1 (Kim envia o vídeo), Choi: "Espere, ela está desmaiada.", Kim 1: "E daí?", Choi: "Eu quero vê-la viva (no vídeo).", Kim 1: "Então eu não poderia ter ligado o flash". Jung: "Você a estuprou. (risos)". O jornal estadunidense The Washington Post publicou outra suposta conversa onde Jung disse: "Vamos todos nos reunir online, ir ao bar de strip e estuprá-las no carro". Outro membro respondeu: "Nossas vidas são como um filme. Fizemos tantas coisas que poderiam nos colocar na prisão. Apenas não matamos ninguém".

Mais tarde, em 12 de março de 2019, Jung divulgou um comunicado dizendo que admitia todos crimes e afirmou: "Filmei mulheres sem seu consentimento e compartilhei em uma sala de bate-papo e, enquanto fazia isso, não senti um grande sentimento de culpa". Adicionalmente, ele pediu desculpas as vítimas e retirou-se da indústria do entretenimento. No dia seguinte, foi reportado pela SBS, possíveis alegações de uma possível adulteração da polícia, no caso envolvendo filmagem ilegal de sua ex-namorada em 2016.

Os escândalos interligados de Jung e de Seungri, onde este último iniciou-se através da casa noturna Burning Sun, foram combinados no ponto de vista público, quando ambos foram chamados à Agência de Polícia Metropolitana de Seul (SMPA) em 14 de março de 2019, ocasião que contou com mais de cem jornalistas reunidos para a aparição de Jung às 10 da manhã. Antes de entrar na delegacia para interrogatório e realizar teste de drogas, Jung desculpou-se e após sua saída no início da manhã de 15 de março, ele disse aos repórteres que havia entregado seu "telefone dourado", um apelido público que seu segundo aparelho havia recebido, devido a uma aparição de Jung em um talk show no ano de 2016.

No mesmo dia, outros dois ídolos sul-coreanos, Choi Jong-hoon e Yong Jun-hyung, este último integrande do grupo masculino Highlight, anunciaram sua saída da indústria do entretenimento, após notícias de que ambos estavam envolvidos nas salas de bate-papo de Jung. Yong admitiu ter visto uma filmagem de sexo gravada sem a permissão da mulher e participado de "conversas inapropriadas" sobre isso, dizendo: "Todos esses comportamentos eram extremamente antiéticos e eu fui estúpido". Já Choi, que havia sido um membro de uma das salas de bate-papo que atingiu interesse imediato da imprensa, em uma das conversas, supostamente detalhou seu próprio incidente ao dirigir embriagado no ano de 2016, o que foi mantido fora da cobertura da imprensa, devido à ajuda de um policial de sobrenome Yoon. Choi foi questionado em 16 de março de 2019 sob alegações de filmar secretamente e compartilhar os vídeos íntimos.

Em 15 de março de 2019, outro ídolo coreano, Lee Jong-hyun, da banda de rock CNBlue, fez sua admissão de culpa por meio de um comunicado de sua agência, a FNC Entertainment. Lee disse que assistiu aos vídeos de sexo de Jung em um grupo de bate-papo e fez comentários depreciativos sobre as mulheres, falando sobre elas como sendo objetos sexuais. A admissão ocorreu após uma negação anterior de sua parte e de um relatório posterior da SBS, com uma suposta conversa no aplicativo KakaoTalk, que ele teve com Jung, durante a qual, Lee pede mulheres "jovens", "bonitas" e "gentis" com quem ele poderia fazer sexo e com as quais Jung respondeu: "Quem você quer?". Outras celebridades afetadas pelo escândalo foram o ator Cha Tae-hyun e o comediante Kim Jun-ho, colegas de elenco de Jung no programa 2 Days & 1 Night, que se demitiram da produção em 16 de março de 2019, após a divulgação de conversas onde revelou-se relatos de apostas em golfe em grandes quantidades.

21 de março a 2 de abril de 2019: Prisão de Jung Joon-young e terceiro lote de mensagens é revelado Em 21 de março de 2019, Jung foi preso por acusações de crimes sexuais nos termos da Lei de Casos Especiais Relativos à Punição e outros. Ele foi acusado de crimes contra pelo menos dez vítimas, por filmar e distribuir ilegalmente gravações íntimas. Jung foi levado para a Delegacia de Polícia de Jongno. Mais tarde, em 29 de março, foi novamente transferido da delegacia para o Ministério Público, para encaminhamento de uma acusação, sendo indiciado em 17 de abril.

Em 2 de abril de 2019, a Agência de Polícia Metropolitana de Seul (SMPA), emitiu uma intimação para Roy Kim, o autuando no dia seguinte, por distribuir uma foto obscena em uma das salas de bate papo, o qual ele negou ter tirado. Kim realizou seu retorno a Coreia do Sul, pois estava estudando nos Estados Unidos. Ele foi interrogado em 10 de abril pela SMPA. Em 5 de abril, Eddy Kim foi autuado, por circular uma ou mais fotos tiradas ilegalmente.

Em 3 de abril, a Label SJ, agência do cantor Kangin do grupo Super Junior, divulgou um comunicado admitindo que ele havia sido membro da sala de bate papo de Jung, enquanto os dois trabalhavam juntos no programa Hitmaker da JTBC três anos antes e negou qualquer atividade ilegal de sua parte. Em 4 de abril, a polícia comunicou que Kangin, Jeong Jin-woon do grupo 2AM e o modelo Lee Cheol-woo, foram membros das salas de bate papo, mas que não havia planos de interrogá-los naquele momento.

Ainda no início de abril de 2019, uma contagem policial declarou que sete membros das salas de bate papo de Jung, foram indiciados por disseminar conteúdo de câmera espiã, incluindo Jung, Choi e Seungri, e que havia um total de 23 grupos diferentes ou salas de bate papo individuais, com dezesseis participantes. Além da prisão de Jung, um ex-funcionário do clube noturno Burning Sun, de sobrenome Kim, também foi preso, além disso, outras cinco pessoas estavam sendo investigadas.

19 de abril a 6 de dezembro de 2019: Registro de queixa policial pela primeira vítima, prisões e julgamento