Champanhe (), champanha ou vin de champagne é um vinho branco espumante, produzido na região de Champagne, nordeste da França, através da fermentação da uva (uma espécie ou várias).

O champanhe é produzido na região administrativa de Champagne-Ardenne, cuja capital é Épernay. Foi próximo a Épernay, no povoado de Hautvillers, que os monges Dom Pérignon e Dom Ruinart se esforçaram muito para domar os vinhos que fermentavam novamente nas garrafas, fazendo-as explodir.

Esta antiga província histórica produz igualmente os vinhos chamados "tranquilos" (não-espumantes) que levam a denominações de "Coteaux Champenois" para tintos e brancos -cujo mais famosos tintos vêm da aldeia de Bouzy - e "Rosé des Riceys" para rosados -vêm da aldeia Les Riceys, no sul da região.

No entanto, a região de Champagne produz, em grande maioria, vinhos espumantes (brancos ou rosados) chamados simplesmente de champanhe, sem mais especificações. Eles são produzidos obrigatoriamente à base apenas das uvas chardonnay, pinot noir e pinot meunier.

História Surgimento Aos romanos atribui-se o facto de terem plantado as vinhas na região, embora haja documentos históricos que atestem que a cultura da vinha vem de muito antes, como do famoso escritor de então Plínio, que escrevia já dos famosos vinhos e vinhas desta região, e aos romanos se deve o início da produção dos espumantes em França.

Um dos motivos que elevaram a fama deste vinho foi o fato de que em Reims, cidade mais importante de Champagne, foram coroados quase todos os grandes reis da França. A coroação acontecia na catedral de Notre-Dame de Reims, construída em 1225, e nas comemorações era servido champanhe. Por este motivo, ficou conhecido como o vinho dos reis e rainhas.

Dom Pérignon miniaturadaimagem|Mapa da França com as regiões produtoras de vinhos. A região em vermelho é a província de Champagne, França. Com o aparecimento de Dom Pérignon, que era um monge beneditino da Abadia de Hautvillers, em 1670, houve uma "revolução" na produção do champanhe. A Dom Pérignon, um estudioso da matéria, deve-se a descoberta dos cinco principais elementos que em muito contribuíram para o champanhe tal como ele é hoje:

A mistura de diferentes vinhos da região, conseguindo que o produto fique mais harmonioso. Separação e prensagem em separado das uvas pretas que predominam em Champagne, obtendo assim um cristalino sumo de uva. O uso de garrafas de vidro mais espesso para melhor permitirem a pressão da segunda fermentação em garrafa. O uso da rolha de cortiça, vinda de Espanha, que permitiu substituir o anterior sistema, pauzinhos de cânhamo embebidos em azeite. A escavação de profundas adegas, hoje galerias com vários quilômetros de extensão e usadas por todos os produtores, para permitir o repouso e envelhecimento do champanhe a uma temperatura constante.

Denominação de origem controlada (AOC) thumb|direita|Vinhas para a produção de Champagne em Verzenay, subregião de Montagne de Reims|201x201px

A região produtora de champanhe foi delimitada em 1927 e ocupa uma área de 32 mil hectares (a região demarcada do Douro, mais antiga e maior, foi criada em 1756 e ocupa 250 mil hectares).

O nome Champagne é uma AOC, a mais rigorosa Denominação de Origem utilizada em França, equivalente à DOC utilizada em Portugal. A indicação "AOC" nunca aparece nas etiquetas das garrafas de champanhe, pois todos os vinhos com o nome original "Champagne" são produzidos na região, seguindo a legislação. Esta é a única apelação, junto com a de Cognac, que está dispensada desta menção, pois é a única região cujos vinhos são todos classificados (todas as outras regiões vendem vinhos DOC e vinhos desclassificados).

A palavra "champagne" também é protegida com grande vigilância, e apenas pode ser utilizada nos vinhos originais da região. Qualquer vinho semelhante, mesmo produzido pelo método champanhês noutros locais ou países, com exceção do Uruguai, só pode apelidar-se de "espumante" e nunca "champanhe".

Assim, a comuna de Champagne, com 660 habitantes, situada no cantão de Vaud, na Suíça, teve que renunciar a mencionar o nome de Champagne nos vinhos (não espumantes) produzidos em seu território - de 28 hectares - segundo um acordo internacional entre a Suíça e a União Europeia em dezembro de 1998.

Pela mesma razão, a firma Yves Saint-Laurent teve que interromper o lançamento de um perfume que tinha chamado de Champagne. O nome do perfume foi finalmente modificado, sendo comercializado sob o nome de Yvresse.

Entretanto, especialmente nos Estados Unidos, é comum vinhos espumantes apresentarem no rótulo a inscrição "champagne" ou "american champagne", prática combatida, por exemplo, pelo Champagne Bureau. No Brasil, alguns produtores gaúchos de vinhos espumantes conseguiram, nos anos 1970, autorização do Supremo Tribunal Federal, a corte máxima brasileira, para manter a denominação "champanhe" em seus rótulos, sob a alegação de que produziam o vinho antes da regulamentação de 1927. Dentre esses produtores que conseguiram a autorização, está a empresa Peterlongo.

Fabrico direita|thumb|200px|Caves em Reims O processo de fabricação é demorado e caro, sendo praticamente o mesmo de há séculos. A principal alteração no processo foi supostamente introduzida por Nicole Ponsardin, a viúva de François Clicquot (Veuve Clicquot), que desenvolveu um método para retirar todo o fermento da garrafa (entretanto, o mais provável é que o método tenha sido criado pelo seu chefe de adega, segundo o livro "Champanhe - Como O Mais Sofisticado Dos Vinhos Venceu A Guerra E Os Tempos Dificeis", de Don e Petie Kladstrup). Antes disso o champanhe era turvo e com aroma residual de levedo. Um champanhe comum leva pelo menos dois anos para ficar pronto e os especiais até cinco anos. Ficam estocadas nos subterrâneos das cidades nos crayères, que são túneis cavados no giz. A casa Moët et Chandon tem 28 km de túneis onde estão armazenadas milhões de garrafas esperando a conclusão do processo de fabricação.

Quanto às uvas utilizadas, são três: a chardonnay (em maior proporção), a pinot noir e a pinot meunier. Estas últimas são uvas tintas mas os vinhos utilizados, elaborados sem a casca, são brancos.

O champanhe é um corte (mistura de vinhos em proporções determinada pelos enólogos) de trinta a até cerca de duzentos vinhos brancos. O tradicional é feito com um corte de cerca de 30% de vinhos brancos de uvas tintas, o rosé com corte de vinhos tintos, o blanc de blanc, apenas com uvas brancas e o blanc de noir elaborado apenas com uvas tinto.

Classificação como Património Mundial A UNESCO, na sua 39.ª sessão em 2015, classificou as Encostas, caves e lojas de Champagne como Património da Humanidade.

Lista de produtores CasaData de FundaçãoLocal de OrigemCuvée de prestige(Premium label)Vintage where indicaLinks ExternosGrupo Henri Abelé 1757 Reims Sourire de Reims site Freixenet Ayala 1860 Aÿ Grande Cuvée (Vintage) site Société Jacques Bollinger Besserat de Bellefon 1843 Épernay Cuvée des Moines site Lanson International Billecart-Salmon 1818 Mareuil-sur-Aÿ brut Réserve Independent Bollinger 1829 Aÿ Vieilles Vignes Françaises (Vintage) R.D. (Récemment Dégorgé) (Vintage) site Société Jacques Bollinger Boizel 1834 Épernay Joyau de France (Vintage) site Groupe Boizel, Chanoine, Champagne (BCC) Canard-Duchêne 1868 Ludes Grande Cuvée Charles VII site Alain Thiénot De Castellane 1895 Épernay Commodore (Vintage) site Laurent Perrier Cattier 1918 Chigny les Roses Clos du Moulin site Independent Charles de Cazanove 1811 Reims Stradivarius - Groupe Rapeneau Chanoine Frères 1730 Reims gamme Tsarine site Groupe Boizel, Chanoine, Champagne (BCC) Delbeck 1832 Reims ? (Vintage) ? ? Deutz 1838 Aÿ Amour de Deutz (Vintage) site Louis Roederer Drappier 1808 Urville Grande Sendrée (Vintage) site Family-owned Duval-Leroy 1859 Vertus Femme de Champagne (Only made in above average years) Fleur de Champagne (Only made in above average years) site Family-owned Nicolas Feuillatte 1972 Chouilly Palmes d'Or site Cooperativa CV CNF Gauthier 1858 Épernay Grande Réserve Brut site Lanson International Paul Goerg 1950 Vertus Cuvée Lady C. (Vintage) site - Gosset 1584 Aÿ Celebris (Vintage) Grand Millésime (Vintage) site Renaud-Cointreau Heidsieck & Co Monopole 1785 Épernay Diamant Bleu (Vintage) site Vranken-Pommery Monopole Charles Heidsieck 1851 Reims Blanc des Millénaires (Vintage) site Rémy-Cointreau Henriot 1808 ReimsCuvée des Enchanteleurs (Vintage) brut Souverain (Vintage) site Independent Krug 1843 Reims Krug (Vintage) Clos du Mesnil (Only made in above average years) site LVMH Charles Lafitte 1848 Épernay Orgueil de France (Only made in above average years) site Vranken-Pommery Monopole Lanson 1760 Reims Noble Cuvée (Vintage) site Lanson International Laurent-Perrier 1812 Tours-sur-Marne Grand Siècle site Laurent Perrier Mercier 1858 Épernay Vendange (Vintage) site LVMH Moët & Chandon 1743 Épernay Dom Pérignon (vinho)(Vintage) site LVMH Moutard-Diligent 1927 Buxeuil, Aube Vieilles Vignes "cépage Arbane", Cuvée "6 Cépages" site Independent Mumm 1827 Reims Blanc de Blancs de Cramant Blanc de Noirs de Verzenay site Pernod Ricard Bruno Paillard 1981 ReimsNec Plus Ultra (Vintage) brut première cuvée (Vintage) site Independent Perrier JouëtThis house introduced the "modern style" of dry Champagne. 1811 Épernay Belle Époque (Vintage) site Pernod Ricard Piper-Heidsieck 1785 Reims Rare site Rémy-Cointreau Pommery 1836 Reims Cuvée Lyesse (Vintage) site Vranken-Pommery Monopole Louis Roederer 1776 Reims Cristal de Rœderer (Vintage) site Independent en relation avec Deutz Pol Roger 1849 Épernay Sir Winston Churchill (Vintage) site Independent Ruinart 1725 ReimsDom Ruinart (Vintage) Ruinart blanc de blancs (Vintage) site LVMH Marie Stuart 1867 Reims Cuvée de la Sommelière Brut Millésimé (Vintage) site Alain Thiénot Taittinger 1734 Reims Comtes de Champagne (Vintage) site Taittinger Thiénot 1985 Reims Grande Cuvée (Vintage) Cuvée Stanislas site Alain Thiénot de Venoge 1837 Épernay Grand Vin des Princes (Vintage) site Groupe Boizel, Chanoine, Champagne site Veuve Clicquot Ponsardin 1772 Reims La Grande Dame (Vintage) Carte jaune (Vintage)Clicquot Rich Reserve (Vintage) site LVMH Vranken 1979 Épernay Demoiselle (only in above average years) site Vranken-Pommery Monopole

Classificações direita|thumb|200px|Garrafas de champanhe Veuve Clicquot Podemos ter seis classificações conforme o teor de açúcar adicionado para a segunda fermentação: Doux (Doce), Demi-Sec (Meio-seco), Sec (Seco), Extra-Sec (Extra-seco), Brut (Bruto) e Extra-Brut (Extra-bruto) e o "Nature" (Pas Dose). Devido às subtis diferenças de paladar, os mais fabricados e vendidos são o Demi-Sec e o Brut.

A maioria dos Champagnes não são safrados, apenas nas vindimas excepcionais são produzidos os Millésimes, que declaram a safra. Quando as Pinot também provêm de uma vindima de grande qualidade são produzidos os Millésimes Rose, que são os mais caros. O último grande ano foi 2002, mas a safra de 2009 tem sido apontada como a melhor em muitos anos.