O Parque Estadual de Botumirim é uma unidade de conservação de proteção integral da esfera estadual mineira criada em 2018, a área do parque se encontra no norte mineiro, dentro dos municípios de Bocaiúva e Botumirim. Antes da criação do parque, por anos a sociedade civil se manifestou pedindo que fosse criada uma unidade de conservação na região.

O parqueganhou destaque nacional após o reaparecimento da rolinha-do-planalto, espécie considerada extinta até ser redescoberta em 2015 na área da unidade de conservação. O último registro conhecido da ave havia ocorrido em 1941. A redescoberta reforçou a importância ambiental do parque para a conservação do cerrado, uma vez que a espécie é considerada endêmica e altamente vulnerável. O local passou a atrair pesquisadores, observadores de aves e turistas interessados no raro pássaro.

O Balneário Rio de Peixe é um dos principais atrativos naturais do parque, caracterizado por faixa de areia branca, formações rochosas e pequenas quedas d’água que deságuam em poços naturais utilizados para banho.

Em maio de 2024, o Parque Estadual de Botumirim inaugurou uma nova sede administrativa e novos banheiros no Balneário Rio de Peixe. A estrutura passou a abrigar as atividades administrativas da unidade de conservação, além de apoiar ações de fiscalização, monitoramento ambiental e operações da brigada de incêndio. A implantação da nova sede foi viabilizada por meio de compensação ambiental e contou com parceria entre o Instituto Estadual de Florestas (IEF), o Programa Copaíbas e a Prefeitura de Botumirim.

Em novembro de 2025, o Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) aprovou o Plano de Manejo do Parque Estadual de Botumirim, instrumento técnico responsável por estabelecer o zoneamento, as normas de uso e as diretrizes de gestão da unidade de conservação. O plano foi elaborado por meio do Programa Copaíbas, executado pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), com apoio financeiro da Agência Norueguesa para Cooperação ao Desenvolvimento (Norad). A aprovação representou um avanço nas ações de conservação ambiental e planejamento territorial do parque, administrado pelo IEF.== Geografia == O parque localiza-se no norte de Minas Gerais, nos municípios de Bocaiúva e Botumirim, na Serra do Espinhaço, na região do vale do rio Jequitinhonha. Com cerca de 35.682 hectares, é uma das maiores unidades de conservação estaduais de Minas Gerais e está inserido na Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço, reconhecida pela UNESCO. A região, parte da chamada cordilheira do Espinhaço, caracteriza-se por relevo serrano, com afloramentos rochosos quartzíticos, campos de altitude e numerosas nascentes. Nessa porção do Espinhaço, a serra atua como divisor de águas entre as bacias do rio São Francisco, a oeste, e do rio Jequitinhonha, a leste, o que confere ao parque relevância para a proteção de mananciais do norte mineiro. O clima da região combina características semiáridas e de altitude, com estação seca acentuada.

Biodiversidade A vegetação do parque está associada predominantemente ao Cerrado, com destaque para os campos rupestres sobre afloramentos quartzíticos e para as matas ciliares, em bom estado de conservação. Esses ambientes abrigam flora de elevada riqueza e alto grau de endemismo, incluindo espécies ameaçadas de extinção típicas do Espinhaço, como as sempre-vivas e outras plantas adaptadas aos solos rasos e arenosos dos campos rupestres. Na fauna, o maior destaque é a rolinha-do-planalto (Columbina cyanopis), ave endêmica do Cerrado classificada como criticamente ameaçada, redescoberta na área da unidade em 2015 após décadas sem registros, fato que projetou nacionalmente a importância do parque para a conservação.

Turismo O Balneário Rio de Peixe é um dos principais atrativos do parque, com faixa de areia branca, formações rochosas e quedas d'água que formam poços naturais de banho. A unidade integra o roteiro turístico da cordilheira do Espinhaço e atrai, além de banhistas, observadores de aves interessados na rolinha-do-planalto e demais espécies do cerrado, bem como praticantes de caminhadas e ecoturismo.

Conservação e gestão Como unidade de conservação de proteção integral (categoria II da UICN), o parque tem por objetivo a preservação dos ecossistemas naturais, admitindo usos como a pesquisa científica, a educação ambiental e o turismo ecológico. A unidade é administrada pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF) e teve seu plano de manejo aprovado em 2025, no âmbito do Programa Copaíbas, instrumento que define o zoneamento e as normas de uso da área.

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