Afeto, nos estudos de psicologia, refere-se à experiência inata de sentimento, emoção e humor (positivo ou negativo).Hogg, M.A., Abrams, D., & Martin, G.N. (2010). Social cognition and attitudes. In Martin, G.N., Carlson, N.R., Buskist, W., (Ed.), Psychology (pp 646-677). Harlow: Pearson Education Limited.

Dimensões afetivas As dimensões afetivas são constructos psicofisiológicos que se referem, na maioria das vezes, a conceitos que interconectam os processos mentais e fisiológicos. A maioria das correntes de psicologia os dividem em três principais dimensões: valência, excitação e intensidade motivacional.

Valência é o espectro e avaliação subjetiva (do positivo ao negativo) de experiências pelas quais uma pessoa passou. A valência emocional é afetada pela consequências da emoção e as circunstâncias que a induzem, bem como aos sentimentos ou atitudes subjetivas. Excitação é mensurável objetivamente pela interpretação da ativação sobre o sistema nervoso simpático, apesar de também poder ser avaliada subjetivamente através de autorrelato. Intensidade motivacional se refere ao impulso em agir; à força impulsiva para se mover em determinada direção ou se afastar de um estímulo, e à decisão em devir ou não interagir com tal estímulo. O ato se locomover não é, por si só, considerado uma motivação de aproximação ou de evitamento.

É importante destacar que a excitação difere da intensidade motivacional, embora sejam construtos intimamente relacionados, eles se distanciam no sentido de que a motivação implica necessariamente uma ação, enquanto a excitação não.

Efeitos e demonstrações

miniaturadaimagem|Mãos dadas, um exemplo de demonstração de afeto|borda O afeto é resultado da interação entre um organismo e estímulos, influenciando a amplitude do escopo dos processos cognitivos. Inicialmente, acreditava-se que os afetos positivos ampliavam, enquanto os afetos negativos diminuíam o escopo cognitivo. No entanto, outros estudos sugerem que uma intensidade motivacional muito elevada pode causar efeitos que diminuiríam o escopo cognitivo, ao passo que os efeitos de baixa intensidade motivacional o ampliariam. A formação do escopo cognitivo é objeto de estudo da psicologia cognitiva.

Atos afetivos também são expressados por demonstrações que servem como indicadoras de afeto, como "uma expressão facial, vocal ou gestual".

Tolerância afetiva Em estudo sobre tolerância afetiva, o psiquiatra Jerome Sashin diz que: "A tolerância afetiva pode ser definida como a habilidade de resposta a um estímulo do qual normalmente é esperado o desencadeamento de afetos pela experiência subjetiva dos sentimentos". Essencialmente, tolerância afetiva é a capacidade de reagir a emoções e sentimentos. As pessoas que tem baixa tolerância afetiva costumam exibir pouca ou nenhuma reação às emoções e sentimentos de qualquer tipo. Essa ausência de reação está relacionada à alexitimia, "um fenômeno subclínico que envolve a falta de consciência afetiva ou, mais especificamente, a dificuldade em identificar e descrever sentimentos e em distingui-los das sensações corporais ligadas à excitação emocional".

A alexitimia é a incapacidade de uma pessoa em reconhecer quais emoções está sentindo, o que se estende também à incapacidade em descrevê-las. Em estudo que compila quatro décadas de pesquisas sobre o tema, foi relatado pessoas com alexitimia são mais suscetíveis ao das taxas de suicídio, desconforto mental e morte.

Alguns fatores de tolerância afetiva, como sensibilidade à ansiedade, intolerância à incerteza e tolerância ao estresse emocional, podem ser atenuados pela prática da atenção plena. Esta se refere a um estado de alerta sobre seus próprios sentimentos, pensamentos, sensações e estímulos do ambiente ao seu redor. A atenção plena produz efeitos como "aumento do bem-estar subjetivo, redução dos sintomas psicológicos e da reatividade emocional e ampliação da regulagem comportamental".

Relação com comportamento e cognição O domínio afetivo representa uma das três divisões descritas na psicologia moderna: as outras duas são a comportamental e a cognitiva. Classicamente, essas divisões também são chamadas de "ABCs da psicologia". No entanto, em certas visões, o cognitivo pode ser considerado como parte do afetivo, ou o afetivo como parte do cognitivo;Duncan, Seth; Barrett, Lisa Feldman (September 2007). "Affect is a form of cognition: A neurobiological analysis". Cognition & Emotion. 21 (6): 1184–1211. doi:10.1080/02699930701437931. PMC 2396787. PMID 18509504. é importante notar que "estados cognitivos e afetivos... [são] categorias meramente analíticas".Maxwell, Bruce (April 2008). Professional Ethics Education: Studies in Compassionate Empathy. Springer Science & Business Media. p. 27. ISBN 978-1-4020-6889-8.

Fatores instintivos e cognitivos nas causas do afeto "Afeto" pode significar uma reação instintiva à estimulação que ocorre antes dos processos cognitivos típicos considerados necessários para a formação de uma emoção mais complexa. Robert B. Zajonc afirma que essa reação a estímulos é primária para os seres humanos e que é a reação dominante para organismos não humanos. Zajonc sugere que as reações afetivas podem ocorrer sem extensa codificação perceptiva e cognitiva e ser feitas mais cedo e com maior confiança do que os julgamentos cognitivos (Zajonc, 1980).Zajonc, R. B. (1980). "Feelings and Thinking: Preferences Need No Inferences". American Psychologist. 35 (2): 151–175. doi:10.1037/0003-066x.35.2.151.

Muitos teóricos (por exemplo, Lazarus, 1982)Lazarus, R. S. (1982). "Thoughts on the Relations between Emotions and Cognition". American Physiologist. 37 (10): 1019–1024. consideram o afeto pós-cognitivo: eliciado somente após uma certa quantidade de processamento cognitivo da informação ter sido realizada. Nessa visão, reações afetivas como gostar, não gostar, avaliação ou a experiência de prazer ou desprazercada um resulta de um processo cognitivo prévio diferente que faz uma variedade de discriminações de conteúdo e identifica características, examina-as para encontrar valor e as pesa de acordo com suas contribuições (Brewin, 1989)Brewin, C. R. (1989). "Cognitive Change Processes in Psychotherapy". Psychological Review. 96 (45): 379–394. doi:10.1037/0033-295x.96.3.379. PMID 2667012.. Alguns estudiosos (por exemplo, Lerner e Keltner 2000) argumentam que o afeto pode ser pré e pós-cognitivo: as respostas emocionais iniciais produzem pensamentos, que produzem afeto. Em uma iteração adicional, alguns estudiosos argumentam que o afeto é necessário para permitir modos mais racionais de cognição (por exemplo, Damasio 1994).Damasio, A., (1994). *Descartes' Error: Emotion, Reason, and the Human Brain, Putnam Publishing

Uma divergência de um modelo estreito de reforço da emoção permite outras perspectivas sobre como o afeto influencia o desenvolvimento emocional. Assim, temperamento, desenvolvimento cognitivo, padrões de socialização e as idiossincrasias de uma família ou subcultura podem interagir de maneira não linear. Por exemplo, o temperamento de uma criança altamente reativa/baixa auto-calmante pode afetar "desproporcionalmente" o processo de regulação emocional nos primeiros meses de vida (Griffiths, 1997).Griffiths, P. E. (1997). What Emotions Really Are: The Problem of Psychological Categories. The University of Chicago Press: Chicago

Algumas outras ciências sociais, como geografia ou antropologia, adotaram o conceito de afeto durante a última década. Na psicanálise francesa, uma grande contribuição para o campo do afeto vem de André Green.Green, Andre (1973), The Fabric of Affect in the Psychoanalytic Discourse, The New Library of Psychoanalysis, Londres e NY, 1999 O foco no afeto derivou em grande parte do trabalho de Deleuze e trouxe preocupações emocionais e viscerais para discursos convencionais como aqueles sobre geopolítica, vida urbana e cultura material. O afeto também desafiou as metodologias das ciências sociais ao enfatizar o poder somático sobre a ideia de uma objetividade removida e, portanto, tem fortes laços com a teoria não representacional contemporânea.Zembylas, Michalinos (2017-07-01). "The Contribution of Non-representational Theories in Education: Some Affective, Ethical and Political Implications". Studies in Philosophy and Education. 36 (4): 393–407. doi:10.1007/s11217-016-9535-2. ISSN 1573-191X. S2CID 151738869.

História A concepção moderna de afeto desenvolveu-se no século XIX com Wilhelm Wundt.Barrett, Lisa Feldman (August 11, 2021). "Wilhelm Wundt's conception of affect". How Emotions are Made. Archived from the original on 2020-05-08. A palavra vem do alemão Gefühl que significa "sentimento".Wundt, Wilhelm (1897). Outlines of Psychology. Thoemmes Press (1998 publication). p. 2.

Vários experimentos foram conduzidos no estudo das preferências afetivas sociais e psicológicas (isto é, o que as pessoas gostam ou não gostam). Pesquisas específicas foram feitas sobre preferências, atitudes, formação de impressões e tomada de decisões. Esta pesquisa contrasta as descobertas com a memória de reconhecimento (julgamentos novos e antigos), permitindo que os pesquisadores demonstrem distinções confiáveis ​​entre os dois. Julgamentos baseados em afeto e processos cognitivos foram examinados com notáveis ​​diferenças indicadas, e alguns argumentam que afeto e cognição estão sob o controle de sistemas separados e parcialmente independentes que podem influenciar uns aos outros de várias maneiras (Zajonc, 1980). Tanto o afeto quanto a cognição podem constituir fontes independentes de efeitos dentro de sistemas de processamento de informações. Outros sugerem que a emoção é o resultado de um resultado antecipado, experimentado ou imaginado de uma transação adaptativa entre organismo e ambiente, portanto, os processos de avaliação cognitiva são chaves para o desenvolvimento e expressão de uma emoção (Lazarus, 1982).

Medição psicométrica