miniaturadaimagem|Bule de Chá em creamware (1859)|198x198px Creamware é uma cerâmica refinada, de coloração creme com esmalte de chumbo vítreo brilhante. Original da Inglaterra, foi criado em 1762 por Josiah Wedgewood. As louças do tipo creamware eram muito usadas até a metade do século XVIII. Foram apelidadas de Queen's ware por um tempo. Mas com a criação, em 1779, de um novo tipo de louça de uma cerâmica refinada perolada, chamadas de pearlware, reduziu consideravelmente o uso de louças do tipo creamware. As louças creamware ainda são produzidas por fábricas europeias.

Variações de creamware, conhecidas como "louça tortoiseshell" ou "louça de Whieldon", foram desenvolvidas pelo mestre oleiro Thomas Whieldon e tinham manchas coloridas sob o esmalte.Osborne, Harold (ed), The Oxford Companion to the Decorative Arts, 1975, OUP, , p. 140

História

Origem Josiah Wedgwood, ceramista inglês, na procura de imitar as cerâmicas chinesas. substituiu o sal marinho por chumbo nas fórmulas das faianças, o que acarretou a cor amarelada. As primeiras peças fabricadas eram de uma coloração creme profunda. Após 1780, as peças creamware tiveram uma drástica diferença na coloração, passando para um creme pálido, mas nas fendas, a coloração eram mais amareladas ou esverdeadas.

As cerâmicas creamware eram menos porosas e se mostraram muito boas para louças de mesa, não conseguiram se assemelhar as cerâmicas chinesas, mas seu baixo custo ajudou a ser muito popular internacionalmente.Quadros, Renata Jardim. Os aparatos de mesa e o consumo do chá no cotidiano doméstico do Rio de Janeiro oitocentista (1800-1840). Anais do Encontro Internacional e XVIII Encontro de História da Anpuh-Rio: Histórias e Parcerias. ISBN 9788565957106

Desenvolvimento Creamware foi produzido pela primeira um pouco antes de 1740. Nesse período o pó de chumbo ou galena era misturado com uma certa quantidade de pedra calcinada moída, espalhado na louça, que então recebia sua primeira e única queima. Esse método inicial era insatisfatório porque o pó de chumbo produzia envenenamento entre os oleiros e a trituração de pedras de sílex causava uma doença conhecida como podridão do oleiro.Donald Towner, Creamware, London: Faber & Faber (1978) , p. 20

Por volta de 1740, um esmalte fluido no qual os ingredientes eram misturados e moídos em água foi inventado, possivelmente por Enoch Booth de Tunstall, Staffordshire. Essa informação é envolta em polêmicas.Simeon Shaw, History of the Staffordshire Potteries, Hanley, Printed for the author (1829), p 18Robin Hildyard, English Pottery 1620 – 1840, London: Victoria & Albert Museum (2005) p. 82

O principal pioneiro da creamware nas Olarias de Staffordshire foi Thomas Whieldon. Embora ele tenha sido vastamente associado à tortoiseshell ele também produzia uma grande variedade de creamware. Ele mencionou pela primeira vez 'Cream Color' em 1749.esquerda|miniaturadaimagem|198x198px|Prato decorado com o método tortoiseshell. Talvez da fábrica de Thomas Whieldon, mas não atribuível.O jovem Josiah Wedgwood foi sócio de Thomas Whieldon de 1754 a 1759 e depois que Wedgwood partiu para se estabelecer de forma independente em Ivy House, ele direcionou seus esforços para o desenvolvimento de creamware.Robin Hildyard, English Pottery 1620 – 1840, London: Victoria & Albert Museum (2005) p. 80

Wedgwood melhorou a creamware ao adicionar caulino no corpo e no esmalte da peça e, assim, foi capaz de produzir uma creamware de uma cor muito mais pálida e clara, além de uma peça mais forte e trabalhada de forma mais delicada, aperfeiçoando a técnica por volta de 1770. Sua creamware de qualidade superior, conhecida como "louça da rainha", foi fornecida à rainha Carlota e à Catarina, a Grande, e mais tarde tornou-se extremamente popular.Donald Towner, Creamware, London: Faber & Faber (1978) , p. 21

Difusão A creamware era conhecida na França como faïence fine,Tamara Préaud, curator. 1997.The Sėvres Porcelain Manufactory: Alexandre Brongniart and the Triumph of Art and Industry (Bard Graduate Center, New York), Glossary, s.v. "Creamware: "In France it was known as faïence fine. na Holanda como Engels porselein e na Itália como terraglia ingleseOsborne, 140 ou creta all'uso inglese ("cerâmica à maneira inglesa"). Elas foram produzidos em muitas fábricas, inclusive na fábrica de porcelana de Capodimonte, em Nápoles.Hess, Catherine, with Marietta Cambereri on this entry, Italian Ceramics: Catalogue of the J. Paul Getty Museum Collections, 2003, p. 244, note 1Getty Publications, , 9780892366705, google books

Declínio O apogeu da creamware começou por volta de 1770 até o surgimento das pearlwares pintadas, das white wares e das stone chinas no período entre 1810 e 1825. Embora a creamware continuasse a ser produzida após as duas primeiras décadas do século XIX, ela não tinha mais destaque no mercado como antigamente.Terrence A Lockett, "The Later Creamwares and Pearlwares," in Creamware and Pearlware. The Fifth Exhibition from the Northern Ceramic Society. Stoke-on-Trent City Museum & Art Gallery (1986). pp. 44-51

Produção miniaturadaimagem|Prato de louça creamware

Fabricantes Havia aproximadamente 130 olarias ao norte de Staffordshire durante a década de 1750, L. Weatherill, The Pottery Trade and North Staffordshire 1660 – 1760. Manchester University Press (1971), p. 5 aumentando para cerca de 150 em 1763.Robin Reilly, Josiah Wedgwood, 1730-1795. London: Macmillan (1992) p. 46

A atribuição da confecção das peças a empresas específicas sempre foi difícil porque praticamente nenhuma louça creamware tinha os dados do fabricante antes de Josiah Wedgwood começar a produzir esse tipo de louça em Burslem. Na época, os fabricantes frequentemente forneciam mercadorias uns aos outros para complementar os estoques e as ideias eram frequentemente partilhadas ou copiadas.Donald Towner, Creamware, London: Faber & Faber (1978) , p. 21

Colecionadores, negociantes e curadores, mesmo realizando um grande esforço para conseguir atribuir peças a fábricas específicas, não conseguiram precisar a origem delas.Donald Towner, Creamware, London: Faber & Faber (1978) , p. 22 Terrence A Lockett, "Problems of Attribution," in Creamware and Pearlware. The Fifth Exhibition from the Northern Ceramic Society. Stoke-on-Trent City Museum & Art Gallery (1986). pp. 52-58 Escavações arqueológicas de sítios de cerâmica em Staffordshire e em outros lugares ajudaram a fornecer uma tipologia que permitiu algum progresso na atribuição de origem das peças.A R Mountford, "Thomas Whieldon's Manufactory at Fenton Vivian," Transactions of the English Ceramic Circle, Vol. 8 pt. 2 (1972) David Barker and Pat Halfpenny, Unearthing Staffordshire, Stoke-on-Trent: City Museum & Art Gallery (1990)miniaturadaimagem|235x235px|Bule de café, atribuído a William Greatbatch, creamware com esmalte verde|esquerda Materiais A creamware é feita de argila branca de Dorset e de Devonshire combinadas com uma quantidade de sílex calcinada. Esta combinação de elementos é o mesmo usado para grés esmaltado com sal, mas é queimado a uma temperatura mais baixa (cerca de 800 ° C em oposição a 1.100 a 1.200 ° C) e vitrificado com chumbo para formar uma faiança de cor cremeDonald Towner, Creamware, London: Faber & Faber (1978) , p. 19 As argilas brancas garantiam um corpo fino ao objeto e a adição de sílex melhorava sua resistência ao choque térmico durante a queima, enquanto o sílex adicionado ao esmalte ajudava a evitar fissuras.Gordon Elliot, "The Technical Characteristics of Creamware and Pearl-Glazed Earthenware," in Creamware and Pearlware. The Fifth Exhibition from the Northern Ceramic Society. Stoke-on-Trent City Museum & Art Gallery (1986). pp. 9-13. Formas Durante a parceria entre Thomas Whieldon e Josiah Wedgwood, que durou de 1754 a 1759, foi desenvolvida creamware moldada em uma grande variedade de formas, especialmente em colaboração com William Greatbatch, que produziu peças em cerâmica inspiradas em couve-flor, abacaxi, cesta de frutas entre outros elementos. Havia liberdade criativa considerável na composição das formas da louça e o uso de moldes para a sua fabricação permitia incorporar complexidade nas peças ao mesmo tempo que facilitava a produção em massa. Vários tipos de creamware usavam moldes produzidos originalmente para os produtos em grés esmaltado com sal. Combinada com técnicas decorativas cada vez mais sofisticadas, a creamware rapidamente se estabeleceu como a louça preferida para a mesa de jantar das classes média e alta.Robin Hildyard, English Pottery 1620 – 1840, London: Victoria & Albert Museum (2005) pp. 91-93

Decoração

Chumbo em pó O processo inicial de usar chumbo em pó produziu um esmalte brilhante e transparente de uma rica cor creme. Pequenos motivos estampados semelhantes aos usados na época em louças de esmalte e redware às vezes eram aplicados às louças creamware para decoração. Cristais secos de óxidos metálicos, como cobre, ferro e manganês, eram então polvilhados sobre os utensílios para formar manchas de decoração coloridas durante o cozimento.Donald Towner, Creamware, London: Faber & Faber (1978) , p. 20miniaturadaimagem|Jarra, c. 1765, produzida pela Pont-aux-Choux, empresa perto de Paris, uma das primeiros e melhores fabricantes francesas de faïence fine, como era conhecida a creamware.|265x265px Método tortoiseshell Incluir chumbo em pó no processo de fabricação da creamware levou ao desenvolvimento do método tortoiseshell e outros métodos que usavam esmalte fluidos coloridos. No método tortoiseshell em particular, manchas coloridas eram incluídas na louça com uma esponja ou pintadas na superfície do biscuit antes da aplicação do esmalte transparente e da queima da cerâmica.Donald Towner, Creamware, London: Faber & Faber (1978) , p. 20

Impressão por transferência

A técnica de impressão por transferência na cerâmica foi desenvolvida na década de 1750.Robin Hildyard, English Pottery 1620 – 1840, London: Victoria & Albert Museum (2005) p. 227 A impressão por transferência era altamente especializada e geralmente terceirizada no início do século XVIII. Sadler & Green, de Liverpool, faziam esse serviço exclusivamente para Josiah Wedgwood em 1763, por exemplo.Robin Hildyard, English Pottery 1620 – 1840, London: Victoria & Albert Museum (2005) p. 86 P Holdway, "Techniques of Transfer-printing on Cream Coloured Earthenware," in Creamware and Pearlware. The Fifth Exhibition from the Northern Ceramic Society. Stoke-on-Trent City Museum & Art Gallery (1986). pp. 20-23 N Stretton, "On-glaze Transfer-printing on Creamware: The first fifty Years," Creamware and Pearlware. The Fifth Exhibition from the Northern Ceramic Society. Stoke-on-Trent City Museum & Art Gallery (1986). , pp. 24-29.

Esmaltagem Por volta de 1760, a louça creamware era frequentemente esmaltada para decoração, usando uma técnica antiga adotada na indústria da porcelana.Donald Towner, Creamware, London: Faber & Faber (1978) , p. 20 Primeiramente pintava-se sobre o vidrado da louça com pigmentos feitos de vidro colorido em pó fino e depois queimava-se novamente para fundir o esmalte na louça. As cores variadas do esmalte não se fundiam nas peças na mesma temperatura, então várias queimas geralmente eram necessárias, o que aumentava o custo de produção da creamware. Robin Hildyard, English Pottery 1620 – 1840, London: Victoria & Albert Museum (2005) p. 224

Pearlware