Kaê Guajajara (Mirinzal, 10 de agosto de 1993), é uma cantora, compositora, atriz, autora e ativista indígena brasileira. Kaê é fundadora da Azuruhu, selo musical voltado ao desenvolvimento de artistas indígenas.

Biografia Seu nome na certidão de nascimento é Aline de Silva Lira, porém, ela usa Kaê Guajajara como nome artístico e também por ter sido o nome dado a ela pelo seu povo. Ela cresceu no complexo de favelas da Maré, no Rio de Janeiro, nesse contexto teve acesso ao funk e outros gêneros da música periférica brasileira. Tendo deixado ainda criança o Maranhão aos 7 anos no contexto da infância, porque as condições de vida de sua mãe não eram boas. “Vim de uma aldeia não demarcada, onde o conflito com os madeireiros era constante”, relembra. Lá, ela fundou um grupo de rap "Crônicos", que denunciava nas letras as violências vividas na comunidade: migração forçada, assassinatos, envenenamentos por agrotóxicos e invasões. Ao seguir carreira solo, pensou em fugir das questões indígenas em seu trabalho, mas logo percebeu que sua arte poderia fazer alguma diferença. "Foi quando comecei a pensar e escrever sobre todas as violências sofri como mulher indígena no contexto urbano", diz. Além de sua carreira musical, é importante destacar sua atuação nas redes sociais, especialmente no Instagram, que é o espaço onde ela mais divulga seus trabalhos. Por meio de posts, ela expressa seu ativismo, denuncia as violências enfrentadas diariamente pelos povos indígenas e busca conscientizar seus seguidores sobre essas questões.

Carreira Unindo hip hop, instrumentos tradicionais e elementos de sua língua materna Ze'egete ("a fala boa"), Kaê faz música sobre a realidade dos povos indígenas urbanizados e o apagamento das identidades indígenas. Referente ao processo de escrita a artista revelou “Eu sonho, gravo no meu celular a melodia que veio e com todas as coisas que eu já tinha escrito”, Para as letras, ela anota casos de preconceito que vive no dia a dia. “Quando tenho que preencher alguma coisa e só dão as opções ‘pardo, branco, preto’, por exemplo”. Já em sua performance no palco, ela se apresenta com pinturas de urucum e jenipapo, além de acessórios artesanais indígenas, expressando em seu corpo sua ancestralidade e a cultura de seu povo. Dessa forma, transforma sua própria imagem em instrumento de resistência e afirmação.

Seu primeiro EP foi Hapohu lançado em 2019, em um vídeo no YouTube, a página descreve o EP com as seguintes palavras: “Tecendo uma linha entre ancestralidade e futurismo indígena, Hapohu vem quebrando o silêncio e as correntes impostas pelo racismo e a colonização, trazendo à tona gritos de resistência que atravessam e ecoam meio milênio. Uma ótima oportunidade disponível em vários meios digitais para conscientizar não indígenas sobre quem são os verdadeiros donos dessa terra e a que pé estamos.” No ano de 2020 lançou dois EPs, o primeiro Uzaw em janeiro e Wiramiri em setembro, o segundo gira em torno do autocuidado, do amor-próprio, da resistência indígena e da pandemia de COVID-19.

Foi uma das atrações musicais da cerimônia de entrega do Prêmio Sim à Igualdade Racial 2023, ao lado de BK', Owerá, MC Soffia, Linn da Quebrada, Liniker e Jonathan Ferr.

Kaê foi vencedora do Prêmio Arcanjo de Cultura na categoria melhor álbum "Kwarahy Tazyr" ("Filha do Sol") em 2021, foi indicada como melhor show do ano pelo Womens Music Event nos anos de 2022 e 2023, foi mencionada na Forbes Mulher entre as 10 novas e promissoras cantoras brasileiras.

Em 2022, a artista lançou o primeiro álbum visual indígena da música brasileira, Kwarahy Tazyr. É autora do livro "Descomplicando com Kaê Guajajara – O que você precisa saber sobre os povos originários e como ajudar na luta antirracista", a ser lançado em 2024 pelo Grupo Editorial Record, Selo BestSeller.

Kaê foi homenageada pela câmara municipal do Rio de Janeiro em 2021 e pela prefeitura do Rio de Janeiro em 2023 como "amigos da juventude carioca" sendo préstimos à Azuruhu, selo musical fundado pela artista e co-fundado por Kandu Puri para o desenvolvimento e lançamento de novos artistas indígenas, Moção pela Vereadora Mônica Benício na Câmara Municipal do Rio de Janeiro pelo reconhecimento da relevância de atuação no território de favelas e na construção de outra perspectiva favelada.

Em 2026, sua canção "Guerreira" foi trilha-sonora do filme Vitória Régia, um curta-metragem distópico com uma realidade alternativa onde o Brasil sofre um golpe de Estado em 2022, a Amazônia é entregue aos americanos, e os indígenas formam resistência. Estrelado por Alice Braga, o filme foi disponibilizado na íntegra no YouTube.

Discografia

EP Hapohu, 2019 Uzaw, 2020 Wiramiri, 2020

Álbum de estúdio

Kwarahy Tazyr, 2021 Visual Kwarahy Tazyr, 2022 Zahytata, 2023 Forest Club 2024

Participações Pandemia: Kaê Guajajara e Kandu Puri, 2020 Vênus em Câncer: Kaê Guajajara, Wescritor, Kandu Puri, 2020 Minha Força: Kaê Guajajara, Canário Negro, Nelson D, 2020 Asas: Kaê Guajajara e Nelson D, 2020 Amor Indígena: Kaê Guajajara e Kandu Puri, 2021 Barriga de Peixe: MULAMBA e Kaê Guajajara, 2022 Liberdade: Jonathan Ferr, Kaê Guajajara e Devaneio beatz, 2023 Kurumi Kaluana: Tropkillaz, Different J, Kaê Guajajara, OWERÁ, 2023 (trilha de abertura de “No Limite - Amazônia”, da Rede Globo)

Ligações Externas

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