A Família Corsi foi uma das principais famílias nobres da cidade de Florença por muitos séculos.
Foi responsável, através da construção artística e contemporânea de seus Palácios, pela modificação e renovação de parâmetros antes aplicados a outros palácios na baixa idade-média, hoje transformados em Museus abertos a visitação. Os seus palácios foram o Palazzo Guicciardini Corsi Salviati, Palazzo Corsi em Anghiari, Palazzo Corsi-Horne, Palazzo 4º da Piazza Santa Croce, Palazzo Tornabuoni, Palazzo dei Boni, Villa Guicciardini Corsi Salviati,Palazzo Corsini, Villa Montughi, Palazzo Corsi-Albizzi, Giardino Corsi Annalena, Palazzo del Circolo dell’Unione e os Palazzos 3º, 4º, 5º, 6º, 7º, 8º, 10º, 12º, 14º, 15º e 16º em Santa Croce.
Através de Jacopo Corsi dito "Pai dos Pobres, da Ópera e do Melodrama", pela ascensão da Camerata Fiorentina – ou de’ Bardi – e pela criação da primeira ópera que se tem notícias no mundo, Dafne, que compôs juntamente de Jacopo Peri com libretto de Ottavio Rinuccini, e que foi apresentada em um de seus palácios em 1597. Foi responsável também por organizar Euridice em 1600 e pela mais antiga que se têm notícias, A Mascherata de Pan, qual vestígios apenas repousam no Archivo di Stato de Firenze. Após a morte de Jacopo, através do irmão dele, Bardo, pela organização de L’Argonautica em 1607.
Foram exímios financiadores e mecenas que comissionaram e patrocinaram o desenvolvimento e trabalho de diversos artistas, dentre os quais estão Jacopo Peri, Ottavio Rinuccini, Giulio Caccini, Cigoli, Cristoforo Stati, Giulio Parigi, Pompeo Caccini, Settimia Caccini, Remigio Cantagallina, Zanobi Lastricati, Orazio Mochi, Giorgio Vasari, Domenico Ghirlandaio, Bartolomeo Ammannati, Cosimo I de’ Medici, Giuseppe Manetti, Pandolfo Sacchi, Antonio Novelli, Giambattista Marino, Alessandro Rondoni, Giovanni Caccini, Andrea Bôscoli, Pietro Bernini, Francesco Furini, Gherardo Silvani, Pompeo Caccini, Vittorio Barbieri, Romolo Ferrucci del Tadda, Baccio del Bianco, Stoldo Lorenzi, Giuliano da Sangallo, Simone del Pollaiolo, Cristofano Allori, Alessandro de Cristofano Allori, Cristofano de Alessandro de Cristofano Allori, Giovanni Boldini, Jean-Auguste Dominique Ingres, Andrea Appiani, Giulio Traballesi, e muitos, muitos outros.
Com exceção dos títulos diplomáticos de Capitão, Comissário e Embaixador que muito ocuparam, mas que foram excluídas desta soma, foram ao todo 199 cargos públicos na cidade de Florença, dentre os quais 10 para a posição de Gonfalonieri di Giustiza, 34 para Priore delle Arti, 34 para membro dos Dodici Buonomini, 25 para membro dos Sedici Gonfalonieri di Compagnia, 3 para a posição de Senadores, 13 para Juízes do Tribunale della Mercanzia, 37 como Notários a Serviço da República Florentina e 43 como Cônsules em suas respectivas guildas.
Fundaram um monastério camaldulense em 1402 na cidade de Florença sob o nome San Benedetto, próximo ao monastério Santa Maria dei Angeli, onde ergueram em seu nome uma capela chamada San Antonio e que não mais existe. Além deste monastério fundaram a igreja San Pellegrino em San Pellegrinetto em 1680 e Santa Maria dei Candeli em Florença em 1250 onde nesta última também possuíram uma capela. Foram responsáveis, também, pela reconstrução da Basilica de San Lorenzo em Florença, onde dotam até os dias de hoje uma capela que nomearam San Giuliano, assim como diversas tumbas históricas, e da reconstrução da Matriz de São Sebastião do Ribeirão Preto na cidade homônima em 1909. Outra capela desta família chamada Rosário com diversas Tumbas repousa em Santa Maria Novella, sem contar a que herdaram da família de’ Nome – ou de’ Nemi – em Santa Maria Alberighi, como aquela com algumas tumbas em San Paolino, uma Tumba em Santa Maria del Carmine, um Altar e diversas Tumbas em Santa Croce, e, por fim, uma Tumba em Santa Trinita, onde foi enterrada Nera Corsi, a primeira mulher casada, em toda Itália, a possuir uma tumba para si no século XV.
Através de Niccolò de Francesco de Domenico Corsi, foram responsáveis pelo mantimento do manuscrito histórico de Ma’oz Tzur, conhecido como Yeshuati, que fizeram cópia entre 1460 e 1462.
Em seu nome foram batizadas as Ruas Via dei Corsi em Florença, Via del Corso em Florença.
Foram seus feudos o Castelo de Caiazzo de onde Bardo Corsi foi consagrado Marquês de Caiazzo pelo Rei Filippo IV d’Asburgo da Espanha em 31 de julho de 1623, o Castelo ou Rocca de Trassilico de onde Antonio Corsi foi por intermédio do Duque da Modena Francesco I d’Este, consagrado Marquês de San Pellegrinetto pelo Imperador Ferdinando II d’Asburgo do Sacro Império Romano-Germânico em 29 de maio de 1635, o feudo de Montepescali de onde Amerigo ascendeu Marquês de Montepescali por concessão do Grão-Duque Ferdinando II d’Asburgo-Lorena em 1819 e a Baronia de Turri e Moggio, que galgaram por fim.
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Origem
260px|miniaturadaimagem|esquerda|Bandeira Oficial da Ilha de Córsega
Corsi é um sobrenome originário da ilha da Córsega, ou se pronunciada em seu dialeto original, em Corso, ilha Corse, significa o plural de seu povo, comumente conhecidos como Corsos. Na língua italiana, o plural sempre é definido pela vogal "i", sendo o plural da palavra Corso, os Corsi. Daí seu surgimento. Todo nascido na ilha então, se não tivesse um sobrenome familiar, tornava "Fulano Corsi", sobrenome utilizado como método de identificação e pertencimento. Além deste, outros sobrenomes também nasceram derivados deste mesmo sentido, do pertencimento do povo a depender da região da ilha em que viviam, como os sobrenomes Corse, Corso, Corsini, Bonnaccorsi ou Corsú, sendo o último mais primitivo e incomum.
O povo Corso é descendente dos Lígures de quem adotou os costumes primitivos, e passaram a viver nas montanhas da ilha de Corsi – ou Córsega – até que foram dominados pelos Romanos, ocasião em que se espalharam por diversas áreas da Itália. Nos mitos deste último povo, que detinha a escrita, o povo Corsi descendia de uma ninfa chamada Corsica que passou a habitar o lugar (Córsega) e a cultivar gado.
Se tornaram padroeiros destes povos e foram por eles cultuados em certos períodos históricos a supracitada ninfa Corsica e outros Ancestrais, o Deus Grego e Romano Apollo, Santa Giulia da Córsega, Santo Pellegrino dos Alpes e Branco seu assistente, e, inclinados ao modo de adoração eremita, alinharam-se ao pensamento católico camaldulense.
Ao serem dominados pelos Romanos por setecentos anos, evoluíram e desenvolveram, dentre outras coisas, a escrita. É da colônia de pessoas Corsas fundada pelo Papa Leão IV, entre 790 e 853, que desabrocha a linhagem mais antiga e rastreável deste povo, que, ao defenderem o papado de Gregório VII contra Enrico IV da Alemanha, são também pelo papado expulsos e perseguidos em Roma, na figura de Pasquale II, ocasião em que migram para diversas regiões italianas, dentre as quais a cidade de Florença.
Estabelecem primeiro em Sesto Fiorentino, perto de Fiesole, até galgarem espaço na capital Florença, onde iniciam nas guildas até que galgassem cargos públicos na cidade. A primeira guilda em que atuaram foi a Arte degli Albergatori, onde são descritos como tendo uma grande taverna e pousada na Via dei Candeli no século XI chamada della Candigola.
No entanto, passam a circular ao longo dos séculos por diversas outras guildas que lhe trouxeram maiores prestígios, sendo as principais as guildas maiores da Arte dei Giudici e Notai, onde foram grandes Notários, Arte della Seta, onde foram Setaiolos, e a Arte della Lana, onde foram Ritaglatores e Lanaiolos. É precipuamente da Arte della Seta e Arte della Lana que insurgem os primeiros títulos políticos da família no mear do século XIV.
Muito embora se aborde especificamente sobre o ramo florentino, por ser aquele mais antigo e com mais fontes, o Archivio di Stato di Firenze aponta em suas pesquisas que para todos os ramos da família Corsi, seja de qualquer lugar que despontaram na Itália, foram provenientes em algum momento da ilha da Córsega. Os Corsi de Modigliana, por exemplo, se mudaram da Córsega para Portoferraio em Livorno no século X, ascendendo a nobreza após servirem como cônsules ao Rei das duas Sícilias em 1840. Os Corsi de Pisa, por sua vez, são provenientes de Saint-Florent, uma pequena cidade da Córsega. De todo o resumo, o mais claro, todos os Corsi, ainda que não mencionados e não claramente relacionados, são interligados não só pelo sobrenome, mas pela sua raiz-base, que sempre será sua pátria de origem, a quem sempre será atribuída o ponto de partida e a ancestralidade comum.
História Florentina
Descritos como poderosos patrícios romanos do Papa Gregório VII, os Corsi de Florença possuem o sangue real lombardo, sendo descritos como uma família de uma linhagem muito antiga que passou a viver na Toscana, proveniente de Roma. São descritos como uma família inicialmente dotada de muitas forjas, recém chegados de Fiesole e de Dicomano. Segundo Luigi Passerini, arquivista, genealogista, historiador, escritor e diretor da biblioteca nacional central de Florença, mudaram-se para Florença depois da destruição da cidade de Fiesole em 1010, como pode-se constar em um dos versos de Verino.
Após a mudança para Florença, em um outro documento são mencionados genericamente como vivendo nas esquinas dei Candeli por volta de 1057. A esquina que se trata o referido é aquela que hoje se localiza na encruzilhada no final da Via degli Alfani e início da Via dei Pilastri, cortada pela rua Borgo Pinti, onde antigamente se chamava apenas Via dei Candeli. O nome da rua por sua vez deriva de uma pousada e taverna chamada “della Candigola”, popularmente conhecida à época pela plebe como Candigli e Candeli e que de fato foi pertencente à família Corsi.
Permaneceram nestas esquinas com residências e negócios, tais como as pousadas, até o intermédio do século XIII, momento em que passam a doar os imóveis e os tratam como propriedades secundárias. Um manuscrito transcrito da obra de Baldassare Bonaiuti, Istoria Fiorentina, ilustra que em 1210 parte dos familiares já habitava San Simone em Santa Croce (escrito como Sesto de San Piero Scheraggio) e outro grupo habitava o povoado de San Lorenzo em San Giovanni (escrito como Sesto de Porta del Duomo). No final de 1250 os florentinos queriam um monastério de freiras da ordem agostiniana em Florença. Para tanto, Lapo Corsi, o progenitor mais antigo da dinastia, trouxe quinze freiras do convento agostiniano de Montelupo e doou a pousada della Candigola, composta de duas residências de esquina, para que estas mesmas freiras fundassem um mosteiro na cidade de Florença, o que imediatamente foi feito naquele lugar que batizaram Santa Maria dei Candeli.
Vestígios antigos de sepultamentos que ocorriam neste monastério, especificamente na igreja, hoje perdidos, podem indicar que Lapo, assim como alguns de seus sucessores foram nela sepultados, tendo em vista a prestimosidade e proximidade da família entre a igreja e onde viviam neste século, além de terem sido os fundadores do mosteiro, e, concomitante, ao fato dos membros mais antigos da família Corsi não se encontrarem nas tumbas familiares mais antigas na Basílica de Santa Croce, San Paolino, Santa Maria Novella e San Lorenzo. Estima-se que ao menos quinze indivíduos possam ter sido sepultados nela: o próprio Lapo, seu filho Ser Bartolo da Sesto, seus netos Ser Lapo Corsi da Sesto e Filippo Corsi, além de alguns de seus bisnetos e trinetos.