O USS Birmingham foi um cruzador rápido operado pela Marinha dos Estados Unidos e a sexta embarcação da Classe Cleveland. Sua construção começou em fevereiro de 1941 nos estaleiros da Newport News Shipbuilding na Virgínia e foi lançado ao mar em março de 1942, sendo comissionado em janeiro do ano seguinte. Era armado com uma bateria principal composta por doze canhões de 152 milímetros montados em quatro torres de artilharia triplas, tinha um deslocamento carregado de mais de catorze mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de 32 nós.
O Birmingham entrou em serviço no meio da Segunda Guerra Mundial e sua primeira operação foi dar apoio para a invasão da Sicília no Mar Mediterrâneo. Em seguida foi transferido para a Guerra do Pacífico e colocado para atuar na função de escolta antiaérea para a frota de porta-aviões estadunidenses, participando primeiro da Campanha das Ilhas Salomão. Nesta, acabou sendo bombardeado três vezes durante um ataque aéreo japonês em 8 de novembro de 1943, ficando seriamente danificado. Recuou para Pearl Harbor e ficou sob reparos até fevereiro de 1944.
O navio voltou para a ação e se envolveu nas Campanhas das Ilhas Marianas e Palau, Filipinas e Ilhas Vulcano e Ryūkyū. Foi danificado em outubro de 1944 na Batalha do Golfo de Leyte enquanto tentava auxiliar o porta-aviões rápido e depois foi vítima de um ataque kamikaze em maio de 1945 durante a Batalha de Okinawa. A guerra terminou em agosto e o Birmingham passou alguns meses servindo na Austrália, retornando para os Estados Unidos e sendo descomissionado em janeiro de 1947. Permaneceu inativo até ser desmontado em 1959.
Características
thumb|250px|esquerda|Desenho da Classe Cleveland O desenvolvimento dos cruzadores rápidos da Classe Cleveland começou no final da década de 1930. O Segundo Tratado Naval de Londres de 1930 limitava o deslocamento de navios do tipo a 8,1 mil toneladas. Entretanto, após o início da Segunda Guerra Mundial em 1939, o Reino Unido anunciou que iria suspender o tratado pela duração do conflito, uma decisão rapidamente seguida pelos Estados Unidos. Este, apesar de ainda neutro, reconheceu que sua entrada na guerra era provável e que a necessidade urgente de mais navios impedia um projeto totalmente novo, assim a Classe Cleveland teve seu projeto muito baseado na predecessora Classe Brooklyn. A principal diferença foi a remoção de uma torre de artilharia tripla de armas de 152 milímetros em favor de uma torre secundária dupla de 127 milímetros.
O Birmingham tinha 185,95 metros de comprimento de fora a fora, boca de 20,22 metros e calado de 7,47 metros. Seu deslocamento padrão era de toneladas, enquanto o deslocamento carregado chegava a toneladas. Seu sistema de propulsão era composto por quatro caldeiras Babcock & Wilcox que queimavam óleo combustível proporcionando o vapor para quatro conjuntos de turbinas a vapor General Electric, cada uma girando uma hélice. A potência indicada era de 102 mil cavalos-vapor (75 mil quilowatts), suficiente para levar o navio a uma velocidade máxima de 32,5 nós (60,2 quilômetros por hora). Sua tripulação era composta por oficiais e marinheiros.
Sua bateria principal era formada por doze canhões Marco 16 calibre 47 de 152 milímetros montados em quatro torres de artilharia triplas na linha central do navio, duas na proa e duas na popa, em ambos os casos com uma torre sobreposta à outra. A bateria secundária tinha doze canhões de duplo-propósito calibre 38 de 127 milímetros em seis torres de artilharia duplas. Duas ficavam na linha central à proa e à ré da superestrutura, enquanto as outras quatro ficavam nas laterais da superestrutura, duas de cada lado. A bateria antiaérea tinha 28 canhões Bofors de 40 milímetros em quatro montagens quádruplas e seis duplas mais 21 canhões Oerlikon de 20 milímetros em montagens únicas.
O cinturão principal de blindagem do Birmingham tinha uma espessura que variava de 89 a 127 milímetros, com a seção mais espessa ficando à meia-nau, onde protegia os depósitos de munição e as salas de máquinas. Seu convés blindado tinha 51 milímetros de espessura. As torres de artilharia principais eram protegidas com uma frente de 170 milímetros e laterais e teto de 76 milímetros, ficando em cima de barbetas com 152 milímetros. Sua torre de comando tinha laterais de 127 milímetros.
Carreira O batimento de quilha do Birmingham ocorreu em 17 de fevereiro de 1941 nos estaleiros da Newport News Shipbuilding em Newport News, na Virgínia e foi lançado ao mar em 20 de março de 1942. Seu processo de equipagem durou menos de um ano, período durante o qual foi transferido para o Estaleiro Naval de Norfolk, onde foi comissionado em 29 de janeiro de 1943 com o capitão John E. Wilkes no comando. O cruzador partiu para a Baía de Chesapeake para seu cruzeiro de testes em 20 de fevereiro, quando também realizou testes de artilharia a fim de confirmar a integridade estrutural de suas torres de artilharia, praticou o lançamento e recuperação de hidroaviões e tiro ao alvo com seus artilheiros. O Birmingham em seguida foi para Annapolis, em Maryland, em 19 de março para ser inspecionado, retornando então para Norfolk em 3 de abril para reparos. Realizou mais uma rodada de treinamentos na Baía de Chesapeake a partir de 23 de abril, incluindo combate noturno, reabastecimento no mar e exercícios de direcionamento de aeronaves. Voltou para Norfolk no final do mês para mais reparos, partindo em 8 de junho em direção do Mar Mediterrâneo com o objetivo de se juntar à Campanha do Mediterrâneo.
Sicília
thumb|250px|O Birmingham passando por Gibraltar em junho de 1943 O Birmingham chegou em Mers El Kébir, na Argélia, em 22 de junho, começando preparações para se juntar à frota da invasão da Sicília. O navio foi designado para o Grupo de Tarefas 86.1, que também tinha o cruzador rápido e os contratorpedeiros USS Buck e USS Ludlow. As embarcações partiram no dia 29 para escoltarem parte da força de invasão, que chegou nas praias na manhã de 9 de julho. O Grupo de Tarefas 86.1 ajudou a guiar os navios de desembarque para suas praias designadas, com o Birmingham em seguida começando um bombardeio litorâneo para dar cobertura para as forças em terra. Dois de seus hidroaviões foram lançados para ajudar a observar onde seus projéteis estavam caindo e procurar baterias de artilharia inimigas.
O cruzador foi escoltado pelo Ludlow e o contratorpedeiro USS Edison durante as operações. Visibilidade ruim prejudicou sua artilharia, enquanto seus hidroaviões foram repetidas vezes atacados por forças amigas que os confundiam com aeronaves inimigas. Um dos aviões retornou ao Birmingham às 7h15min, tendo sido seriamente danificado meia hora antes por fogo amigo e por um caça alemão Messerschmitt Bf 109, enquanto o segundo avião também retornou por ter quase sido abatido por dois caças britânicos Bell P-39 Airacobra. O navio cessou fogo às 9h18min, pois as forças terrestres tinham avançado além de seus objetivos iniciais. O Birmingham continuou a operar próximo do litoral siciliano pelos nove dias seguintes, proporcionando suporte de artilharia para o avançado das tropas, além de proteger draga-minas enquanto liberavam campos minados na área.
Ele deixou o litoral da Sicília em 21 de julho para reabastecer em Bizerta, na Tunísia. Depois navegou para Argel, na Argélia, e por fim foi para Mers El Kébir. Partiu de volta para os Estados Unidos em 27 de julho e chegou em Norfolk em 8 de agosto, passando por reparos que duraram dez dias. Foi então transferido para as forças enfrentando o Japão na Campanha do Pacífico. Atravessou o Canal do Panamá em 22 de agostou e chegou na base de Pearl Harbor, no Havaí, em 5 de setembro.
Pacífico O Birmingham foi designado para integrar o Grupo de Tarefas 15.1 da Frota do Pacífico a fim de integrar a escolta do porta-aviões e dos porta-aviões rápidos e . A unidade zarpou em 11 de setembro para lançar um ataque contra forças japonesas em Taraua e Makin, nas Ilhas Gilbert, retornando então para Pearl Harbor no dia 23. Foi reabastecido e zarpou novamente em 29 de setembro para a Ilha Wake. O Birmingham foi destacado dos porta-aviões em 5 de outubro para bombardear a ilha, mirando em baterias costeiras e depósitos. Seu hidroavião foi atacado por um caça japonês Mitsubishi A6M Zero, mas a aeronave foi atingida por apenas duas balas antes do Zero recuar. O Grupo de Tarefas 15.1 saiu da área em 6 de outubro e chegou em Pearl Harbor cinco dias depois.
Ilhas Salomão
O navio foi enviado para a Campanha das Ilhas Salomão, zarpando em 21 de outubro para se juntar às forças navais operando na área. Chegou em Espírito Santo em 4 de novembro e no dia seguinte se juntou a escolta de um comboio de seis navios de transporte seguindo para Bougainville; o resto do grupo de escolta era formado por dois outros cruzadores rápidos e quatro contratorpedeiros. O grupo chegou em segurança na Baía da Imperatriz Augusta na manhã de 8 de novembro, com o Birmingham e as outras escoltas patrulhando a região ao sudoeste da baía enquanto os navios eram descarregados. O Birmingham e seu irmão USS Mobile detectaram ao todo treze aeronaves japonesas durante a tarde e ao anoitecer, mas elas estavam distantes e não atacaram as embarcações. Um bombardeiro Mitsubishi G4M aproximou-se dos navios por volta das 18h30min, enquanto ao mesmo tempo os radares dos cruzadores detectaram uma grande força de ataque aproximando-se a uma distância de aproximadamente 23 quilômetros.
O Birmingham e os dois outros cruzadores abriram fogo com sua bateria principal às 19h11min com as aeronaves inimigas a uma distância de dezesseis quilômetros, com a intenção sendo tentar atrapalhar os ataques aéreos. Os navios lançaram sinalizadores para iluminar os aviões que se aproximavam na escuridão. O Birmingham atacou um bombardeiro de mergulho Aichi D3A que estava se aproximando e conseguiu danifica-lo fatalmente com sua bateria antiaérea, porém o D3A conseguiu lançar sua bomba antes de ser abatido. Ela quicou na água e acertou o cruzador no casco de estibordo, com a explosão abrindo um buraco de 4,6 metros e destruindo o hangar de hidroaviões. Outra aeronave acertou o Birmingham com um torpedo na proa a bombordo quase imediatamente depois, abrindo um buraco de 9,1 metros e causando danos sérios na estrutura do casco. Dois compartimentos de armazenamento de óleo combustível também foram inundados. As equipes de controle de danos agiram rapidamente para conter as inundações e apagar os incêndios das explosões, porém outro D3A começou seu ataque. O avião foi destruído pela artilharia antiaérea, mas sua bomba mesmo assim acertou a quarta torre de artilharia principal. A torre e seus três canhões foram danificados. No total, dois tripulantes foram mortos nos três ataques, enquanto outros 32 ficaram feridos.
O navio mesmo assim conseguiu navegar a trinta nós (56 quilômetros por hora) a fim de manter sua posição na formação. Mais ataques japoneses ocorreram pelo decorrer da noite, mas a artilharia antiaérea conseguiu afastá-los. O Birmingham abateu às 19h58min um G4M que estava lançando sinalizadores sobre as embarcações, enquanto durante a noite destruiu outro G4M a uma distância de 3,7 quilômetros. O Birmingham e chegou no centro das Ilhas Salomão de manhã; os navios partiram para as Ilhas Florida em 10 de novembro. O cruzador recebeu reparos temporários no local para reforçar suas anteparas danificadas. Uma abertura de ventilação para os compartimentos inundados na proa também foi criada para reduzir a pressão nas anteparas, com ela criando gêiseres de água periódicos enquanto retornava para os Estados Unidos, fazendo o Birmingham ganhar o apelido de "Velho Confiável". Deixou Florida no dia 16 e foi para Espírito Santo, mas permaneceu brevemente antes de prosseguir para o Havaí, onde chegou em 1º de dezembro.
Reparos e treinamentos