Ciberpopulismo (ou tecnopopulismo) pode ser tanto um populismo a favor de tecnocracias quanto um populismo relacionado a certas tecnologias, geralmente tecnologias da informação, ou ainda qualquer ideologia populista que se propaga usando mídias digitais. Pode ser empregado por políticos individuais ou por movimentos políticos inteiros. Termos próximos usados forma semelhante são populismo tecnocrático e populismo tecnológico.

Etimologia Ciberpopulismo é entendido como o uso de tecnologias digitais aplicadas para fins populistas. Nesse sentido, às vezes tecnopopulismo é empregado como análogo, apesar de ter também outros significados. O termo tecnopopulismo pode ser tanto uma aglutinação entre tecnologia e populismo para derivar um novo significado quanto uma aglutinação entre tecnocracia e populismo. Já as definições amplas de tecnopopulismo não levam em conta variantes regionais do que se entende por tecnopopulismo, e consequentemente "o trabalho empírico sobre populismo é quase invariavelmente confinado a regiões ou países específicos do mundo. Esta característica é de certa forma inevitável, dados os custos e a dificuldade das comparação entre diferentes países e regiões, e frequentemente trata a especificidade de manifestações nacionais e regionais de populismo como generalizada. Por conta disso, a literatura populista não é tão cumulativa quanto deveria ser e acaba sujeita à falácia de exceção".

A definição normalmente assegurada de tecnologia é a de "aplicação do conhecimento científico para objetivos práticos, especialmente na indústria ", enquanto a definição de populismo mantida pela maioria dos acadêmicos é a de "uma abordagem política que se esforça para atrair pessoas comuns que sentem que suas preocupações não são consideradas pelas elites estabelecidas". Relacionado a estas definições, o tecnopopulismo foi descrito como "uma ideologia política apresentada por meio de conhecimento tecnológico que apela para um grupo de pessoas que está preocupado por sua falta de poder e interação em seus discursos nacionais políticos e econômicos". O tecnopopulismo pode ser definido ainda como uma confusa ideologia com vários usos na academia, com alguns estudiosos rejeitando o termo completamente, enquanto outros utilizam dele para analisar o crescimento do discurso populista online.

Populismo tecnocrático O populismo tecnocrático é a combinação entre tecnocracia e populismo, conectando eleitores aos seus líderes a partir da experiência e orientada a resultados. O populismo tecnocrático oferece soluções para além da divisão tradicional entre esquerda e direita política, soluções estas introduzidas por tecnocratas com o argumento de beneficiar o cidadão comum. Alguns exemplos de políticos na Europa Ocidental que implantaram populismo tecnocrático são Silvio Berlusconi, Matteo Renzi, Matteo Salvini e Emmanuel Macron, enquanto movimentos políticos como os espanhóis Cidadãos e Podemos e o italiano Movimento 5 Estrelas são exemplos de movimentos políticos análogos. No sentido de populismo tecnocrático, o tecnopopulismo às vezes é denominado como tecnofascismo, em que os direitos políticos só são obtidos por meio da expertise técnica. O conceito de tecnofascismo foi introduzido por Janis Mimura para descrever um governo autoritário executado por tecnocratas.

Populismo tecnológico Um caso que demonstra aquilo entendido por populismo tecnológico pode é o das plataformas blockchain, que utilizam de uma narrativa que promete empoderar pessoas comuns através de processos de decisão descentralizados, facilitando o anonimato das transações, possibilitando a confiança sem terceiros e combatendo o monopólio do sistema financeiro quanto à oferta de dinheiro. Aqui, o populismo tecnológico não separa a política da tecnologia, negando a confiança em especialistas e transferindo a tomada de decisões tecnológicas ao domínio público. De acordo com Marco Deseriis, o tecnopopulismo no sentido de populismo tecnológico é a crença de que um autogoverno popular é alcançável por meio do uso de mídias digitais:O tecnopopulismo é a crença de que o "governo do povo, pelo povo, para o povo" (Lincoln 1953 ) pode ser alcançado por meio das tecnologias de informação da comunicação. [...] O tecnopopulismo também pode ser compreendido em termos foucaultianos como um discurso emergente (Foucault 1972), ou seja, como um corpo de conhecimentos, normas, atitudes e práticas que surgem da hibridização entre dois discursos preexistentes: aquele do populismo e aquele do tecnolibertarianismo. Mesmo que estas práticas discursivas sejam historicamente separadas, afirmo que elas começaram a convergir após a crise financeira global de 2008, conforme a frustração generalizada com o manejo incorreto da crise pelas elites dominantes foi gerando movimentos de protesto internacionais que impulsionaram uma nova geração de "tecnopartidos" como o Movimento Cinco Estrelas na Itália, Podemos na Espanha e o Partido Pirata na Islândia.Algumas fontes usam a palavra ciberpopulismo como sinônimo de populismo tecnológico no que diz respeito à aplicação da tecnologia da informação para governos,até mesmo identificando duas vertentes do fenômeno:

História A combinação entre populismo e tecnologia para formar o tecnopopulismo é um fenômeno recente para a economia e a política mundiais, desenvolvendo-se a partir do final do século XX até os anos mais recentes. De acordo com Daniele Caramani, "o populismo está presente na política desde a concepção de política dada por Platão e pela República Romana, até a era moderna. Até mesmo com o desenvolvimento da democracia representativa e dos governos partidários após as revoluções Nacional e Industrial do século XIX, o populismo e a tecnocracia continuaram a trabalhar alinhados também com estes ideais".

Com o advento da Internet e seu uso generalizado no século XXI, movimentos tecnopopulistas passaram a ser particularmente capacitados pela disseminação de mídias sociais, já que sua cobertura independente pode ser compartilhada rapidamente e vista por milhões. Isto permitiu aos políticos populistas o acesso a audiências através dos recursos de redes de massa das mídias sociais, inatingíveis antes da era digital. A comunicação e as mídias digitais proporcionadas pelos avanços tecnológicos também deram uma nova oportunidade de inclusão aos cidadãos para que participassem de processos democráticos e, em última instância, para que criassem uma nova esfera pública centrada em práticas discursivas e participativas.

Mobilização populista tecnocrática por região Tanto o populismo quanto a democracia estão atualmente generalizadamente espalhados por diferentes partes do mundo, mas por conta de desenvolvimentos tecnológicos como a Internet, movimentos populistas passaram a desenvolver simultaneamente alguma presença na comunicação online apesar de diferentes questões em contextos regionais. Vale a pena apontar que o tecnopopulismo está crescendo em todas as regiões do mundo, mas que tem relação tanto com a adoção da Internet durante as últimas duas décadas quanto tem relação com a disseminação de ideologias populistas no geral. Daniele Caramani argumenta que "a mobilização tecnopopulista não está restrita a áreas regionais, mas pode ser promovida a partir de certos temas, que intencionalmente ou não intencionalmente deixam de ser abordados pelo establishment”.

América do Norte Nos Estados Unidos, o desenvolvimento do tecnopopulismo foi visto durante a última década por conta de uma reação contrária aos valores neoconservadores e corporativistas apresentados por uma larga parcela dos partidos políticos, apesar de mudanças radicais nas questões econômicas e sociais. Em particular, a crise financeira de 2007–2008 levou a um crescimento do ressentimento contra o 1% por parte dos 99%. Como resposta à Grande Recessão, movimentos foram formados para levar a discussão em direção às crescentes questões econômicas, com o Movimento Occupy Wall Street e o Movimento Tea Party sendo ambos movimentos tecnopopulistas que protestavam por mudanças. A abordagem populista do movimento Occupy mencionou regularmente seu "povo", chamado de "os 99%", enquanto desafiava as elites econômicas e políticas de Wall Street. miniaturadaimagem|199x199px| Dia 14 do movimento Occupy Wall Street, 30 de setembro de 2011, Shankbone 47 O tecnopopulismo também fez parte do movimento Tea Party que se concentrou principalmente no produtorismo (em inglês, producerism, vertente que argumenta que aqueles que produzem a riqueza tangível são mais valiosos à sociedade do que, por exemplo, aristocratas que herdaram sua riqueza e status) como forma de oposição à "elite". Este movimento era contrário ao governo democrata do presidente Barack Obama. Foi considerado um movimento tecnopopulista por ter sido organizado pelo "povo" com pouca experiência política e por ter sido organizado via mídias sociais para reduzir os custos associados com o processo de adquirir novas habilidades políticas. O uso de mídias sociais também um fórum democrático em que indivíduos podiam discutir ideias políticas para além de partidos políticos, identificando seus apoiadores. Em movimentos políticos, o aumento da comunicação e do discurso também pode ser a queda de movimentos tecnopopulistas, da mesma forma como "indivíduos que deixaram o Movimento do Tea Party da Flórida atribuíram às redes sociais sua saída, apesar de todos responderem que inicialmente estavam animados pela estrutura aberta que a rede e as mídias sociais proporcionaram aos entusiastas do FTPM".

No Canadá, apenas o Partido da Reforma pode ser qualificado como um partido populista em que o apelo inicial foi o de ser "para o povo" em oposição "às elites". Foi vital para o papel distinto do Partido da Reforma na política canadense sua característica de que propor identidades ao que era entendido como "povo" e ao que era entendido como "elite" que eram surpreendentemente contrárias ao que foi havia sido compreendido por tais categorias em boa parte da América do Norte durante a história de seu populismo. Como o partido foi dissolvido em 2000, não chegou a utilizar os aspectos da comunicação digital para aprofundar seu movimento político. Um exemplo mais recente de movimento tecnopopulista foram os protestos dos coletes amarelos no Canadá, surgindo como reação negativa a vídeos e reportagens que se espalharam em redes sociais. Vários aspectos de movimentos populistas continuaram presentes tanto no governo do Canadá quanto em movimentos de mídias sociais durante a última década, com o papel da tecnologia ao conectar pessoas com estas causas tendo grande parte no desenvolvimento desta tendência.

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