A morte de Paulo Gustavo, ator brasileiro, ocorreu em 4 de maio de 2021, como resultado de complicações causadas pela COVID-19. Sua morte gerou reações e homenagens nacional e internacionalmente.
Doença e morte Antecedentes Paranoico com a COVID-19, por ter medo de se contaminar e morrer, Paulo Gustavo foi extremamente cauteloso desde o início da pandemia, mantendo-se isolado em um sítio em Itaipava, distrito da cidade de Petrópolis, no estado do Rio de Janeiro, acompanhado apenas de seu marido, Thales Bretas, e dos filhos, Gael e Romeu, ambos de um ano de idade. Os raros visitantes eram obrigados a ser testados, e ele próprio se submetia ao exame de PCR semanalmente. Na primeira semana de março de 2021, um dos resultados deu positivo, deixando o ator em pânico. Após o diagnóstico, Paulo Gustavo cobrou, por meio das redes sociais, a imunização da população e pediu para as pessoas ficarem em casa, além de compartilhar uma notícia sobre a lotação das UTIs em todo o país: "Cadê a vacina, meu Deus? Se liga na aglomeração, gente. Sair de casa apenas quem precisa trabalhar." No entanto, o ator não fez nenhuma postagem sobre ter sido contaminado pela doença. Uma primeira tomografia acusou que apenas 10% dos pulmões estavam comprometidos, e o ator foi liberado para se tratar em casa, onde foi cuidado por seu marido, que é médico, e teve sua oxigenação acompanhada com a ajuda de um oxímetro. Naquela semana, o ator chegou a ter tosse, febre e dor no corpo. Uma segunda tomografia apontou que 25% dos pulmões estavam comprometidos, e o ator seguiu sendo cuidado em casa.
Internação Na madrugada de 13 de março de 2021, Paulo Gustavo apresentou febre persistente, calafrios, e o oxímetro apontou 88% de oxigenação no sangue, e então o ator foi levado ao Hospital Copa Star, um hospital privado, localizado em Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro. O ator já chegou com a saturação baixa e falta de ar, e uma terceira tomografia revelou que 75% dos pulmões estavam comprometidos. Na primeira semana internado, Paulo Gustavo apresentou certa melhora, e em 16 de março, sua assessoria de imprensa e o centro médico relataram que o ator apresentava quadro de saúde estável.
Em 21 de março, no oitavo dia de internação, o ator apresentava dificuldade para respirar, e uma nova tomografia revelou que ele estava com praticamente 100% de área pulmonar acometida. Então a equipe médica decidiu entubar Paulo Gustavo, e ele foi transferido para a UTI. O quadro foi progredindo lentamente, entretanto, Paulo acabou tendo agravamento de um problema comum em casos graves de COVID-19, chamado pneumomediastino, que é quando ar vaza para o mediastino, área toráxica onde se encontra o coração e outros órgãos. O problema se agravou ao ponto de começar a causar riscos ao funcionamento do sistema cardiovascular, e os médicos decidiram drenar o ar, o que levou à melhora do ator. Posteriormente, Paulo Gustavo teve outras complicações, como aspergilose, que é a presença de fungo nos pulmões, o que gerou uma pneumonia bacteriana, a qual foi tratada; uma grave hemorragia na cavidade pleural, tendo que ser submetido à uma cirurgia toráxica, necessitando de mais de 20 bolsas de sangue; e o problema mais grave, uma fístula bronco-pleural, que é uma conexão anormal entre um brônquio, responsável por levar ar aos pulmões, e a pleura, tecido que reveste os pulmões.
Após essas sucessivas melhoras e pioras, os pulmões de Paulo Gustavo já se encontravam bastante debilitados e não conseguiam mais entregar ao organismo o oxigênio necessário, e em 2 de abril de 2021, o ator foi introduzido à terapia de oxigenação por membrana extracorporal (ECMO), que faz uso de um aparelho onde o sangue pega oxigênio e retorna ao corpo. Em 4 de abril, Paulo passou por uma toracoscopia para corrigir a fístula bronco-pleural. Em 7 de abril, Thales Bretas fez uma postagem em suas redes sociais informando que Paulo seguia "melhorando aos pouquinhos", e que devido a terapia ECMO, fora preciso realizar uma transfusão de sangue. Na noite de 8 de abril, uma nova fístula bronco-pleural foi identificada, e na manhã de 9 de abril, Paulo Gustavo passou por mais um procedimento médico, desta vez por via endoscópica, o qual fechou o segmento responsável pela nova fístula, e o ator seguiu em estabilidade clínica.
Em 11 de abril, um novo boletim médico informou sobre o estado crítico do ator: "As diversas complicações pulmonares já demandaram procedimentos invasivos como broncoscopias, pleuroscopias e colocação de dispositivos intrapulmonares. Às fístulas bronco-pleurais identificadas e tratadas somaram-se a complicações hemorrágicas, mas que vêm respondendo, de certa forma satisfatória, à reposição dos fatores da coagulação deficitários." No dia 15 de abril, um comunicado já mostrava melhora no quadro clínico do artista. "Finalmente conseguimos sanar as fístulas bronco-pleurais identificadas", dizia o comunicado. "Nas últimas 48 horas, também observamos a normalização da coagulação com o tratamento instituído e não mais detectamos sinais de hemorragias." Em 19 de abril, um novo boletim médico informou que o artista estava há quatro dias sem novas complicações. "O quadro clínico do paciente, embora ainda preocupante, é de estabilidade, com alguns sinais mais evidentes de recuperação das funções pulmonares". Em 26 de abril, o boletim médico informou que o ator fora diagnosticado com uma nova pneumonia bacteriana, a qual "já está sendo eficientemente tratada, e evidências de uma melhora na função pulmonar têm surgido."
No domingo, 2 de maio, o boletim médico relatou que, após redução dos sedativos e do bloqueador neuromuscular, o ator acordou e interagiu bem com a equipe profissional e com o seu marido. De repente, Paulo Gustavo teve uma piora significativa, ficando pálido, sua pressão arterial caiu, e parou de interagir, por cerca de 3 a 4 vezes naquela tarde. Novos exames demonstraram ter havido uma fístula brônquío-venosa, que é uma conexão anormal entre um alvéolo e uma veia pulmonar, o que gerou embolia gasosa disseminada, que é a entrada direta do ar na corrente sanguínea, e é irreversível. Os médicos detectaram que principalmente o sistema nervoso central, o cérebro e o coração foram órgãos diretamente afetados por essa entrada de ar, com o boletim médico relatando o seguinte: "A situação clínica atual é instável e de extrema gravidade". No dia seguinte, 3 de maio, informações preliminares informaram que ainda não era possível afirmar qual seria a extensão das lesões, e muito menos quais os danos provocados por elas, e um comunicado oficial informou que a equipe médica estava trabalhando possibilidades de realizar uma cirurgia de altíssimo risco para fechar a fístula.
Momentos finais e morte Em 4 de maio de 2021, o pai, a mãe, a irmã e o empresário do humorista chegaram pela manhã ao hospital, passaram o dia inteiro acompanhando o estado de saúde do ator, e deixaram o local por volta das 20h. Naquela mesma noite, a família do ator foi chamada de volta ao hospital e foi informada que o ator havia sofrido morte cerebral, e um boletim médico divulgou que os danos cerebrais de Paulo Gustavo eram "irreversíveis, mas que ele ainda mantinha sinais vitais." Com a mãe do ator, Déa, segurando uma de suas mãos, a irmã, Juliana, a outra, o marido, Thales, um pé, a madrasta, Penha, o outro, e o pai, Júlio, com a mão em sua cabeça, a família cantou a oração de São Francisco, que o ator gostava que a mãe lhe cantasse desde pequeno. Os batimentos cardíacos de Paulo Gustavo começaram a diminuir, até que pararam. Déa Lúcia, mãe do ator, se despediu do filho com um agradecimento: "Meu filho, meu filho, obrigada por você ter me escolhido para ser sua mãe", ela disse no momento em que foi declarada a morte de Paulo Gustavo. Logo após às 22 horas, o último boletim médico informou que o ator havia morrido às 21h12min.
Funeral Por volta das 12 horas do dia 5 de maio, foi noticiado que o corpo de Paulo Gustavo seria cremado no dia seguinte, 6 de maio, em cerimônia restrita à família e a amigos próximos. Segundo a assessoria do artista, o local e o horário não foram divulgados "a fim de evitar aglomerações neste período de pandemia". Também não foi informado se haverá velório. A direção do Theatro Municipal do Rio de Janeiro oferecera o espaço para a realização do velório do ator, mas a família do artista optou por uma despedida mais restrita. Por volta das 14h20, o corpo do ator foi levado do Hospital Copa Star, em Copacabana, Zona Sul do Rio, em num carro funerário, cercado pela imprensa, fãs e vários seguranças.
No dia 6 de maio, por volta das as 8h40, o corpo de Paulo Gustavo chegou ao Cemitério Parque da Colina, na cidade de Niterói, e passou a ser velado no salão nobre. Um forte esquema de segurança foi montado na parte interna do cemitério para evitar a aproximação da imprensa e curiosos, com isso evitando aglomeração no local. Do lado de fora, três carros da guarda municipal fazem a ronda nas proximidades do cemitério. O primeiro a chegar foi o marido do ator, Thales Bretas, às 11h56. Logo depois, a irmã do humorista, Ju Amaral, e da mãe dele, Déa Lucia, chegaram em outro carro, consoladas por amigos. Compareceram também, os amigos do ator, Preta Gil com o marido, Rodrigo Godoy, Tatá Werneck, Rafael Vitti, Ingrid Guimarães, Monica Martelli, Samantha Schmütz, Carol Trentini, Marcus Majella acompanhado do marido, entre outros. Ingrid Guimarães e Heloísa Périssé usaram camisetas brancas com a foto de Paulo Gustavo estampada. Algumas personalidades que não comparecem no crematório, como Angélica, Luciano Huck, Fábio Porchat e Regina Casé enviaram coroas de flores em homenagem ao amigo.
A cerimônia religiosa de despedida, que contou com uma hora de duração, não teve seu horário divulgado com antecedência, mas por volta de 13h25 todos os presentes entraram na sala de cremação. A cerimônia foi realizada pelo reitor do Cristo Redentor, Padre Omar, e acabou às 14h30. Após a cerimônia de cremação, Paulo Gustavo foi homenageado por familiares e amigos que vestiram um camiseta com o seu rosto estampado. O marido do ator, Thales Bretas, seus pais, Déa Lúcia e Júlio, e a irmã, Ju Amaral, também participaram da homenagem.
Missa de sétimo dia Em 11 de maio de 2021, às 18h30, ocorreu a missa de sétimo dia da morte de Paulo Gustavo, no Santuário Cristo Redentor, aos pés do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro. O evento foi transmitida pela TV e internet, à pedido da família, como forma de "retribuição a todas as manifestações de carinho" que receberam, e contou ainda com a presença de amigos como Heloísa Perissé, Samantha Schmütz, Luciano Huck, Angélica, Regina Casé, Susana Garcia, e Fábio Porchat, que compareceu usando uma máscara escrito 'Fora Bolsonaro'. A transmissão foi feita pelo canal pago Multishow e pela plataforma Globoplay Mais Canais, que estava com sinal aberto, e contou com abertura e encerramento feitos pela apresentadora Didi Wagner.
A missa foi conduzida pelo Padre Omar, com a ajuda dos padres João Damasceno e Jorjão, além de familiares e amigos de Paulo Gustavo, como sua madrasta, Tia Penha, e Regina Casé, que rezou "Ave Maria" e "Salve Rainha" com uma imagem de Nossa Senhora nas mãos. Após a missa, o monumento do Cristo Redentor foi apagado por um minuto em homenagem às 423 mil vítimas da Covid-19. Por fim, familiares e amigos prestaram homenagem a Paulo Gustavo. A diretora e amiga Susana Garcia fez um discurso em homenagem ao ator e criticou o negacionismo à pandemia e a demora na vacinação. A irmã, Juliana Amaral, leu a oração "A Morte Não É Nada", de Santo Agostinho, e mostrou a tatuagem que fez no braço em homenagem ao irmão. O marido, Thales Bretas, relembrou os 7 anos que viveram juntos. A mãe, Déa Lúcia, prestou homenagem ao filho, lembrou o espetáculo O Filho da Mãe, feito em parceria com ele em 2019, e terminou cantando a canção "Fascinação", acompanhada dos Canarinhos de Petrópolis.
Repercussão