VLT de Salvador (também conhecido como VLT de Salvador e Região Metropolitana ou VLT do Subúrbio) é um sistema brasileiro de transporte urbano ferroviário em construção em Salvador e Simões Filho, municípios da Região Metropolitana de Salvador, na Bahia. Iniciou operação assistida com passageiros em , com serviço entre a estação Calçada e a parada Lobato, que foi expandida em 1.º de setembro até a parada Marisqueiras, e em 21 do mesmo mês até a parada Itacaranha.

O sistema foi projetado para substituir e ampliar o antigo Trem do Subúrbio de Salvador, tendo seu projeto inicial de 2015 licitado em 2017, porém sem participantes interessados. Na falta de um VLT, em 2019, houve a assinatura de parceria público-privada com a empresa BYD (através do consórcio chamado Skyrail Bahia) para um projeto de um monotrilho elevado com 36,4 quilômetros de extensão, composto por três trechos e 34 paradas.

Depois de atrasos, as obras do monotrilho chegaram começar em fevereiro de 2021 com previsão de conclusão em 2027. O antigo sistema de trens até então em funcionamento foi removido, mas o contrato para construção deste monotrilho com a Skyrail Bahia foi rescindido em 2023 devido a irregularidades e atrasos no projeto. Com outro projeto e mantendo a ideia inicial de trilhos tipo VLT, uma nova licitação foi lançada no fim de 2023, novos contratos foram assinados, e as obras reiniciadas em 2024. A nova previsão de conclusão dos três trechos ficou então para 2027 ou 2028.

Embora o trajeto inicialmente planejado ainda não esteja finalizado, as expansões estão sendo formuladas pelo Governo da Bahia, o que inclui o trecho ao sul até o Terminal da França no bairro do Comércio, um trecho a oeste pela Península de Itapagipe até o bairro da Ribeira e um trecho ao norte, denominado VLT Metropolitano, primeiramente ligando Simões Filho até o centro de Camaçari e posteriormente até Alagoinhas.

História

Antecedentes e o antigo Trem do Subúrbio

thumb|direita|Trem de subúrbios de Salvador Surgido na década de 1940, o Trem de Subúrbio de Salvador recebeu investimentos pontuais em modernização por parte do governo federal nas décadas de 1960, 1980 e 2000, porém a falta de recursos para sua manutenção tornaram esse meio de transporte precário. Desde o início da década de 2000 o governo federal e a prefeitura de Salvador discutiam a modernização e a transferência de sua administração da CBTU para a prefeitura. Iniciado em 2000, com a criação da estatal municipal Companhia de Transporte de Salvador (CTS), esse processo foi concluído em 2005, seguido de uma grande reforma dos trens e estações. Ao mesmo tempo, surgiu o projeto de substituição do antigo trem de subúrbios por um veículo leve sobre trilhos.

A primeira proposta de VLT A CTS passou a desenvolver o projeto do VLT. Em 2013, a empresa foi transferida pela prefeitura de Salvador ao governo da Bahia, sendo renomeada Companhia de Transportes do Estado da Bahia (CTB). Com isso, o projeto do VLT do Subúrbio foi intensificado. Em 2015, o projeto foi apresentado para a sociedade, prevendo-se uma linha de 18,5 quilômetros ligando o Comércio a Paripe na Avenida São Luis, com 21 paradas e demanda prevista de 150 mil passageiros por dia, a um custo de 1 bilhão de reais. Por falta de recursos próprios para implantar o projeto, o governo da Bahia decidiu transformá-lo em uma parceria público-privada (PPP) e lançou sua licitação em 2017. Apesar disso, não houve interessados e o projeto acabou engavetado.

A proposta do monotrilho da BYD Skyrail

Posteriormente, a empresa chinesa BYD apresentou uma proposta de conversão do projeto do VLT para monotrilho padrão ALWEG, viabilizado através de uma PPP com o governo da Bahia. O contrato entre a BYD e o governo da Bahia foi assinado em fevereiro de 2019. Apesar da solução proposta pela BYD ser um monotrilho elevado padrão ALWEG (enquanto os estudos do governo da Bahia previam um VLT em superfície de sistema roda+trilho de aço), o governo da Bahia optou por não realizar novos estudos (incluindo EIA+RIMA) e assinou o contrato com base em estudos ligeiramente diferentes do projeto contratado. Para burlar questionamentos jurídicos, o governo da Bahia chamou o VLT de “veículo leve de transporte” (algo inexistente na nomenclatura técnica).

Em abril de 2021, a BYD anunciou, como um marco significativo, o lançamento do que seria o primeiro veículo SkyRail para Salvador, diretamente de sua linha de produção. O SkyRail, com tecnologia de condução autônoma e design futurista, seria operado em uma linha de 14,5 milhas (cerca de 23,26 km) ligando o distrito central de negócios de Salvador à Ilha de São João.Prefeitura Municipal de Simões Filho, , PMSF, 15 de maio de 2021 Este marco fazia parte da iniciativa global da BYD para promover o SkyRail como uma solução de transporte sustentável em várias cidades ao redor do mundo, incluindo Los Angeles, onde a BYD propôs um sistema de monotrilho para aliviar o congestionamento de tráfego.

O monotrilho utilizaria veículos desenvolvidos pela BYD durante cinco anos a um custo de 750 milhões de dólares, que totalizariam 28 trens unidade. O SkyRail foi inicialmente projetado para proporcionar uma viagem suave e confortável, com foco em sustentabilidade e eficiência energética, alinhando-se com os objetivos da BYD de ajudar cidades ao redor do mundo a construir sistemas de transporte de baixo carbono e promover o desenvolvimento sustentável, mas haviam muitas discussões sobre custos, demoras, e viabilidade de forma geral.

Entretanto, o projeto enfrentou dificuldades consideráveis. Relatórios internos do governo do Estado da Bahia, concluídos em janeiro de 2020, apontavam que o desequilíbrio financeiro do projeto foi causado por vários fatores específicos. Entre eles, destacam-se os atrasos nos processos de licenciamento, que adicionaram cerca de 12 meses ao cronograma original, e a necessidade de ritos adicionais de licenciamento ambiental, que não estavam inicialmente previstos e resultaram em um aumento de R$ 200 milhões nos custos projetados. Além disso, alterações significativas no traçado original, exigidas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) para aprovação do projeto, resultaram na redução da extensão originalmente prevista e no número de paradas, aumentando os custos operacionais em aproximadamente R$ 300 milhões. Também houve a inclusão de um novo trecho (Fase 2) entre São Joaquim e o Acesso Norte, que adicionou mais R$ 500 milhões ao custo total. Esses fatores, somados, contribuíram para um aumento no custo total do projeto de R$ 1,5 bilhão para R$ 5,2 bilhões, um reajuste de 246%, e levaram à necessidade de renegociações constantes entre o governo e o consórcio SkyRail.

Em 2024, o Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA) declarou ilegal a licitação antiga do edital e o contrato do VLT de Salvador de 2017, além do contrato de concessão patrocinada sob a modalidade de Parceria Público-Privada (PPP). O TCE-BA também recomendou o encaminhamento de cópias dos autos ao Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) e à Assembleia Legislativa do Estado da Bahia (ALBA) para as providências cabíveis. Apesar das ilegalidades apontadas, o governo da Bahia seguiu com os procedimentos e assinou, em 2019, o contrato com a concessionária Skyrail, que foi rescindido em agosto de 2023.

Nova licitação e novo VLT ampliado Após a rescisão do contrato com a Skyrail Bahia, o Governo da Bahia lançou uma nova licitação em dezembro de 2023 para a implantação do VLT. O projeto foi então dividido em três lotes (três trechos completos), com orçamento de quase R$ 4 bilhões, e as obras têm previsão de entrega para 2027, três anos após o prazo inicial. Em março de 2024, o Tribunal de Justiça do Estado da Bahia (TJ-BA) suspendeu a licitação após uma ação judicial alegando irregularidades no processo, incluindo a limitação injustificada do número de empresas participantes do consórcio.

+ Linha do Tempo do VLT de Salvador Data Evento 2017 Feita, ainda no contexto da Copa do Mundo de 2014, a 1ª licitação para o VLT de Salvador pelo Governo da Bahia. 2018 TCE-BA aprova medida cautelar para suspender os efeitos da concorrência pública. 2019 Governo da Bahia, sob liminar do TJ-BA, assina contrato com a Skyrail para a implantação de um monotrilho. 2021 Início das obras do "VLT" do Subúrbio, com previsão inicial de conclusão das obras em 2024. agosto de 2023 Governo da Bahia rescinde o contrato com a Skyrail devido a irregularidades e atrasos no projeto. dezembro de 2023 Governo da Bahia lança uma nova licitação para o projeto do VLT de Salvador, dividido em três lotes. março de 2024 TJ-BA suspende a nova licitação após ação judicial alegando irregularidades no processo. Empresa Eggis é contratada para gerir projeto do VLT de Salvador. maio de 2024 TCE-BA declara a ilegalidade do contrato de 2017 e do contrato de concessão pela Parceria Público-Privada (PPP). junho de 2024 Governo da Bahia autoriza o início das obras do VLT, com previsão de conclusão em 2027. julho de 2024 Bahia e Mato Grosso firmam acordo para a aquisição dos VLT para Salvador, com valor superior a R$ 1 bilhão. setembro de 2024 Chegada de trilhos e maquinários nos canteiros de obra, também adquiridos de Mato Grosso. dezembro de 2025 Chegada do primeiro VLT reformado pela CAF. 29 de junho de 2026 Início da operação assistida com passageiros, inicialmente entre a estação Calçada e a parada Lobato. 1.º de setembro de 2026 Operação expandida até a parada Marisqueiras. 16 de setembro de 2026 Operação expandida até a parada São Joaquim. outubro de 2027 Previsão para a conclusão das obras do VLT de Salvador, com 3 trechos e 34 paradas.

Desapropriações Por parte da população local há um descontentamento no que tange a comunicação do governo do estado para com a comunidade, cerca de 14 casas no Plataforma, subúrbio ferroviário de Salvador foram marcadas nas paredes, como objetos de desapropriação, sem antes ter um aviso prévio por parte das autoridades competentes.

Os moradores relatam ainda que foram pegos de surpresa e que reuniões com a comunidade não foram feitas para apresentar o projeto.

Características do sistema miniaturadaimagem|Dois dos 40 VLTs CAF entregues para o sistema O projeto do VLT de Salvador e Região Metropolitana, também denominado VLT do Subúrbio, visa substituir o Sistema de Trens do Subúrbio de Salvador por um VLT que conectará Calçada à Ilha de São João, em Simões Filho e Paripe à Piatã. O sistema terá aproximadamente 36,4 quilômetros de extensão, com 34 estações e capacidade para transportar cerca de 100 mil usuários por dia, sendo movido à propulsão elétrica, sem emissão de poluentes.

Para a integração com o sistema metroviário, inicialmente foi previsto que a Estação Calçada fosse uma das estações terminais da linha 2 do metrô.SANTOS, GOVERNO anuncia Metrô 2, VLT e BRT para SSA com R$7bi em investimentos, Santos, 11 de maio de 2021 Porém, o edital da linha 2 não manteve tal interligação entre os modais. Por isso, outras possíveis ligações com o metrô, desta vez com a linha 1, foram cogitadas em apresentações e audiências, a exemplo dos trajetos Calçada-Retiro ou Lobato-Pirajá.. «18ª Reunião Comitês Técnicos da ALAMYS, , Skyrail Bahia, 11 de maio de 2021 Entretanto para o novo projeto do VLT as conexões escolhidas foram em Águas Claras e Bairro da Paz.

Em 2024, o Governo da Bahia lançou uma nova licitação para o projeto, dividido em três lotes, e firmou um acordo com o estado de Mato Grosso para a aquisição de 40 composições de VLT originalmente destinadas a Cuiabá, com um investimento total superior a R$ 1 bilhão. Este acordo, mediado pelo Tribunal de Contas da União, envolveu a compra de trens e outros equipamentos necessários para o projeto. A previsão para a conclusão das obras é outubro de 2027, com o início das operações logo em seguida.