"Crawling" é uma canção da banda norte-americana de rock Linkin Park, gravada para o seu álbum de estreia, Hybrid Theory (2000). Foi escrita por todos os membros do grupo e produzida por Don Gilmore, sendo gravada entre os anos de 1999 e 2000 nos estúdios NRG Recording, em North Hollywood, Califórnia. A faixa foi disponibilizada como o segundo single de Hybrid Theory em 2 de abril de 2001 através de um CD single lançado pela gravadora Warner Bros. No mesmo mês, foi enviada para as rádios norte-americanas, com formatos em DVD, VHS e fita cassete sendo lançados internacionalmente no mesmo ano.
As primeiras amostras da canção originalizaram-se através de uma demo não disponibilizada na época, onde a banda viu um potencial em sua melodia. Liricamente, "Crawling" expressa a autoconsciência, a falta de autoconfiança e sobre assumir a responsabilidade de suas próprias ações, bem como o retrato negativo do consumo excessivo de drogas e álcool. A sua criação foi inspirada pela experiência de vida do vocalista Chester Bennington, e a mídia opinou que as suas letras também podem fazer alusão ao abuso infantil que Bennington foi vítima quando mais jovem, bem como aos sintomas do transtorno de ansiedade. Musicalmente, é uma obra do gênero nu metal, com breves elementos de rap rock e influências no techno.
A canção foi muito bem avaliada pela crítica, com elogios sendo direcionados aos vocais de Bennington, sua composição e temas. Obteve um desempenho comercial positivo em território europeu, atingindo as vinte primeiras posições em paradas da Alemanha, Áustria, Escócia, Irlanda e Reino Unido. Nos Estados Unidos, alcançou a 79.ª posição na Billboard Hot 100, e a Recording Industry Association of America (RIAA) atribuiu-lhe uma certificação de ouro. Em 2002, "Crawling" recebeu o prêmio de "Melhor Performance de Hard Rock" na 44.ª cerimônia do Grammy Awards. No mesmo ano, a canção foi classificada na 43.ª posição em uma lista da revista Kerrang! referente aos 100 Maiores Singles de Todos os Tempos.
O videoclipe da obra, dirigido pela dupla de irmãos Greg e Colin Strause, foi filmado em fevereiro de 2001 no Ren-Mar Studios em Hollywood, Califórnia, e lançado na MTV dois meses depois. A produção retrata o conflito interno de uma mulher (interpretada pela atriz Katelyn Rosaasen) lidando com um relacionamento abusivo. Recebeu indicações nas categorias de "Melhor Videoclipe de Rock" e "Melhor Direção" (para os irmãos Strause) na MTV Video Music Awards de 2001, mas acabou perdendo ambos os prêmios. Um remix, sob o título "Krwlng", foi lançado no primeiro álbum de remixes da banda, Reanimation (2002). Em 2011, "Crawling" figurou em uma DLC do jogo eletrônico Rock Band 3 (2010). Além de comparecer em múltiplas ocasiões em apresentações ao vivo do grupo, diversos artistas realizaram suas próprias versões da canção.
Antecedentes e desenvolvimento
Linkin Park começou a desenvolver as primeiras amostras do que futuramente se tornaria "Crawling" em 1999, enquanto ainda se chamava Hybrid Theory. A canção se originalizou de uma demo — que não foi disponibilizada publicamente na época — chamada "Blue", gravada durante os primeiros meses em que o vocalista Chester Bennington havia se juntado à banda, substituindo o ex-vocalista Mark Wakefield. O multi-instrumentista e rapper Mike Shinoda comentou em uma entrevista concedida ao site ShoutWeb que a melodia do refrão de "Crawling" foi ocasionada a partir da ponte de "Blue"; a demo foi descrita por Shinoda como "uma merda". Apesar da banda não ter gostado da demo em si, ela viu um potencial no vocal final dela. Bennington e Shinoda pegaram esta melodia e escreveram novas linhas. O integrante temporário do grupo, Kyle Christner, serviu como o baixista de "Blue", enquanto que o guitarrista Brad Delson forneceu as linhas de baixo para "Crawling" — o baixista recorrente, Dave "Phoenix" Farrell, estava comprometido com a banda Tasty Snax na época. Shinoda comentou que Delson também ajudou na escrita, enquanto que todos os membros da banda "[trabalharam] em torno disso". "Blue" foi posteriormente disponibilizada em Linkin Park Underground 11 (2011), o décimo terceiro EP lançado para o fã-clube oficial da banda, LP Underground (LPU). Apesar de estar rotulada como uma demo de 1998, o ex-vice-presidente de coordenação de A&R da gravadora Zomba Music e colaborador da banda, Jeff Blue, descreveu-a como uma demo de 1999. No encarte do CD, Shinoda admitiu que havia esquecido completamente da existência de "Blue".
A gravação de "Crawling" estendeu-se até meados do ano 2000 no NRG Recording Studios em North Hollywood, Califórnia, com a produção da canção e do álbum de estreia da banda, Hybrid Theory (2000), estando a cargo do produtor musical Don Gilmore. Já Andy Wallace esteve sob responsabilidade de sua mixagem. Delson admitiu que o alcance vocal de Bennington expandiu a capacidade de escrita da banda: "O que aconteceu quando Chester se juntou ao grupo, nós mudamos de 'Ei, esses são os tipos de partes de canto que queremos' para 'Uau, essas são partes de canto que nunca pensamos', porque seu alcance e versatilidade são tais que, como 'Crawling', quem pensaria em escrever essa melodia? Você não poderia porque há muito poucas pessoas no mundo que provavelmente poderiam cantar isso. [...] Ele realmente foi a peça final do quebra-cabeça, e ele trouxe um talento vocal que, quando estávamos procurando por um segundo vocalista, não vimos nada perto de seu talento em mais ninguém". As primeiras demos de "Crawling" continham as palavras "Fear is powerful" no refrão, mas Gilmore acabou interpretando erroneamente esta linha, como lembrado por Shinoda: "[Bennington] escreveu a linha Fear is powerful no refrão, e quando perguntamos ao nosso produtor Don [Gilmore] se ele havia gostado da nova música, ele disse: 'É boa, eu realmente gosto dessa linha Fear is how I fall', e nós dois ficamos tipo: 'Ah, sim, essa linha!'. Ele ouviu errado, mas ouviu uma linha realmente ótima por acidente." A banda gostou tanto das novas palavras que decidiu implementá-las para a versão final da faixa.
Composição
Detendo uma duração de três minutos e vinte e nove segundos (3:29), "Crawling" é a quinta faixa de Hybrid Theory, sucedendo "Points of Authority" e antecedendo "Runaway". Musicalmente, é uma canção do gênero nu metal. Derivações dos gêneros rap rock e rap metal são reconhecíveis durante uma breve linha cantada por Shinoda antes do refrão; é uma das poucas faixas do álbum que o rap é minimizado. A IGN ponderou que a canção começa com um "efeito sonoro de água escorrendo por um ralo, e é aumentada pela bateria silenciosa de Rob Bourdon, efeitos de DJ de Joe Hahn e as linhas de baixo de Phoenix". Em comparação com as faixas anteriores do álbum, esta é uma música que começa mais lenta até chegar ao seu refrão. A Madison.com descreveu "Crawling" como "uma das várias canções [de Hybrid Theory] que mostram mais a influência do techno, alternando entre texturas ambientes e um rugido industrial do tipo Nine Inch Nails — tudo envolto em um vocal crescente de Chester Bennington". Shinoda comentou que a canção possui uma similaridade sonora com o estilo musical da banda Depeche Mode. De acordo com a partitura musical publicada pela Universal Music Publishing Group, "Crawling" foi escrita no tom de dó sustenido menor, com um ritmo de 104 batidas por minuto. Os vocais de Bennington abrangem-se entre as notas dó♯3 e si5. Em entrevista à Billboard, Delson disse que o refrão de "Crawling" é "muito pesado", principalmente por contrastar com os versos, "que são melódicos e quase tranquilos". Ele também comentou: "Há uma tonelada de guitarras sobrepostas com notas diferentes. É um som muito rico. A linha de Chester é quase estática. Ele está cantando uma nota muito alta, mas ao mesmo tempo, você pode dizer que sua garganta é feita de aço. A justaposição [do] que ele está fazendo em termos de notas e tonalidades com a música em si cria um relacionamento muito legal".
miniatura|direita|180px|As experiências de vida do vocalista Chester Bennington serviram como base para as letras de "Crawling" Liricamente, "Crawling" se concentra em variados temas, entre eles a autoconsciência, falta de autoconfiança, uso abusivo de drogas e álcool, e sobre assumir a responsabilidade de suas próprias ações. Delson comentou que a inspiração por trás de suas letras vieram através das experiências de vida de Bennington, e caracterizou a faixa como "uma espécie de expressão daqueles sentimentos de insegurança e dúvida que todos passam". Bennington, em entrevista à Noisecreep, observou que a canção "é provavelmente a mais literal liricamente que eu já escrevi para o Linkin Park e é sobre sentir que não tinha controle sobre mim mesmo em termos de drogas e álcool"; as linhas "Rastejando dentro da minha pele / Essas feridas, elas não irão se curar" podem fazer referência aos sintomas de abstinência ao álcool que o vocalista estava enfrentando. Bennington continuou dizendo: "Eu não sou um daqueles caras que acha que ser anônimo é tão bom assim. Eu não tenho problema com as pessoas saberem que eu tinha um problema com a bebida. Isso é quem eu sou e eu tenho sorte de várias maneiras porque eu posso fazer algo sobre isso. Eu consigo crescer como pessoa através disso. É uma coisa legal. Não é legal ser um alcoólatra, o que significa que não é legal ir beber e ser um idiota. É legal fazer parte da recuperação". Já em uma entrevista à BBC, Bennington expressou outro significado para a canção:
A Loudwire e a NME comentaram que a canção pode fazer alusão ao abuso infantil que Bennington foi vítima quando mais jovem. Além disso, as letras também podem fazer referências ao transtorno de ansiedade, bem como aos efeitos colaterais da metanfetamina — uma droga que Bennington usou durante a adolescência — na qual o usuário tem a sensação de ter algo "rastejando sob sua pele". Em entrevista à Rolling Stone, Bennington disse que "Crawling" — e faixas com temas similares — foi a sua maneira de fazer um balanço dos momentos difíceis de sua vida: "É facil cair naquela cilada — 'pobre de mim, pobre de mim', é daí que canções como 'Crawling' vem: Eu não posso me aguentar. Canções como essa falam sobre assumir a responsabilidade pela sua situação. Em 'Crawling', eu não falo 'você' em nenhum momento. É sobre eu ser o motivo de estar como estou. Tem alguma coisa que me agarra e me puxa para baixo".
Recepção da crítica "Crawling" foi muito bem recebida por críticos de música. Muitos revisores elogiaram a sua composição e temas. Jack Shepherd, do The Independent, opinou que a canção "[é a banda] em sua maior angústia", e que "a representação gráfica de aflição e emoção que desnuda a alma os diferencia de seus pares". Da mesma forma, David Turner, da Stereogum, disse que a faixa possui um "nível de angústia emocional gráfica [que] ajudou a polarizar a banda no início de sua carreira quando eles estavam entrando no mainstream". Ele continuou dizendo: "Para muitos fãs do Linkin Park (inclusive eu) que descobriram a banda na pré-adolescência ou adolescência, esse tipo de franqueza lírica não foi registrada como algo para zombar, mas sim aproveitou de um sentimento que não conseguíamos verbalizar". Escrevendo para a Kerrang!, Sam Law disse que "Crawling" "pareceu o primeiro mergulho profundo nos danos subjacentes à composição. Um acerto de contas sobre culpa e auto-aversão, [que] mostra Chester tentando chegar a um acordo com os demônios de seu passado". Thea de Gallier, do jornal britânico The Daily Telegraph, disse que a canção é uma das mais "profundamente pessoais" da banda.