A Ermida de São Martinho é um monumento religioso e um sítio arqueológico no Município de Castro Verde, em Portugal.
Descrição e história A ermida está situada na zona do Olival de São Martinho, a cerca de dois quilómetros da sede do concelho, e perto de um campo de tiro.
O edifício apresenta várias semelhanças com a Capela de São Isidoro, na freguesia de Entradas, incluindo a volumetria simples e sóbria, a organização interna e as dimensões. A planta, de forma longitudinal, tem 13,30 m de comprimento por 4,80 m de largura, e é composta pela nave, de planta rectangular, e a capela-mor, de forma quadrangular, divididos por um arco triunfal de volta perfeita. Ambos os compartimentos possuem coberturas em abóbada de berço, executadas em tijolo de barro cozido, e as paredes foram construídas em alvenaria de pedra, tendo cerca de 0,60 m de espessura. Em termos decorativos, destacam-se as pinturas murais nas paredes do altar.
De acordo com os vestígios arqueológicos encontrados no local, este terá sido habitado originalmente pelo menos desde a Idade do Ferro até à Alta Idade Média, passando pelas épocas romana e islâmica. De acordo com o Plano Director Municipal de Castro Verde de 1992, foram encontrados vários vestígios romanos, incluindo fragmentos de cerâmica de construção e parte de um mosaico. O sítio da ermida pode ter sido ocupado por um templo paleocristão de pequenas dimensões, que terá funcionado até aos séculos VI ou VII
Não se conhece ao certo a data de fundação da ermida, mas esta já é referida pelo registo de 1510 das Visitações da Ordem de Santiago ao termo de Castro Verde. Este documento refere que a ermida estava em más condições de conservação, sendo descrita como tendo 7.70 m de comprimento por 3.60 m de largura, com paredes de pedra e barro com cobertura em telha vã, não possuindo adro nem portas. Não se fazem quaisquer referências a pinturas murais nas paredes do altar, que tinha uma imagem de São Martinho em madeira, já muito antiga. Nos registos de 1565 o edifício continuou a ser descrito como estando em ruína, mas que não se podiam fazer obras devido à falta de fundos. Porém, devido às diferenças entre as descrições antigas e a aparência moderna da capela, esta terá sido desde então alvo de profundas obras, durante as quais foram modificadas as dimensões e as coberturas, e construída a capela-mor. O edifício ainda estava aberto ao culto no Século XIX, mas nos princípios do Século XXI já se encontrava totalmente ao abandono e em avançado estado de degradação, sendo utilizada como abrigo para gado. Em 1995 foi feito o levantamento do local, no âmbito da Carta Arqueológica de Castro Verde, e em 2016 foi novamente alvo de trabalhos arqueológicos, durante a elaboração da Carta do Património do Concelho de Castro Verde.
Ver também Lista de património edificado em Castro Verde Basílica Real de Castro Verde Capela do Cemitério de Castro Verde Capela de São Isidoro Capela de São Sebastião de Entradas Ermida de São Pedro das Cabeças Ermida de São Pedro do Soeiro Ermida de São Sebastião de Almeirim Ermida de São Sebastião Igreja das Chagas do Salvador Igreja da Misericórdia de Castro Verde
Ligações externas
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