Censo demográfico do Brasil de 2022, mais conhecido como Censo 2022, foi a 13.ª e mais recente operação censitária realizada em território brasileiro. Ficando a cargo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a função de planejar e realizar tal operação, que objetivou retratar a população brasileira, suas características socioeconômicas e ao mesmo tempo servir de base para todo o planejamento público e privado pelos próximos dez anos. A coleta de dados do Censo 2022 começou em 1.º de agosto, contando com um orçamento de 2,29 bilhões de reais e mobilizou mais de 200 mil profissionais contratados exclusivamente para esta operação.
Inicialmente planejado para o ano de 2020, como costume de se realizar a cada dez anos, o censo foi adiado em um ano, impossibilitado de sua realização em razão da pandemia de COVID-19 no Brasil, contudo, a realização em 2021 também acabou não ocorrendo, depois de o Governo Federal cortar a verba destinada à pesquisa em mais de 90%, sendo mais uma vez adiado para o ano seguinte. O corte de verbas para a realização do Censo em 2021, levou o Ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), a determinar que o governo deveria realizar o censo ainda naquele ano, afirmando tratar-se de uma política de estado necessária e que por isso, o dinheiro para a sua realização poderia superar o teto de gastos do governo federal; contudo, o IBGE se pronunciou afirmando que não conseguiria mais realizar naquele ano, uma vez que todo o planejamento estabelecido para a sua realização já havia sido desfeito.
Após o STF determinar a obrigação de se garantir a verba para a realização do Censo, o IBGE passou a planejar sua realização em 2022, sendo que já em 2021 iniciou-se a abertura de processos seletivos para a contratação de profissionais necessários. Concluída a etapa de seleção e contratação, os profissionais foram treinados e passaram a realizar testes nos equipamentos. A coleta de informações deveria ter ocorrido durante cinco meses, onde pretendia-se visitar todos os mais de 70 milhões de domicílios do país e entrevistar os mais de 203 milhões de brasileiros nos municípios do país.
Aspectos legais thumb|direita|250px|O IBGE é o órgão responsável pela realização do Censo 2022. A Lei n.º , de 10 de Maio de 1991 estabelece a o prazo máximo de dez anos para a realização de censos demográficos, designando o IBGE como o órgão responsável por sua execução.
A realização do Censo 2022, obedeceu à determinação do STF de se realizar o Censo no referido ano, após os sucessivos cancelamentos feitos pelo instituto. Por outro lado, todo brasileiro residente em território nacional é obrigado a responder aos questionários do IBGE conforme sejam visitados pelo recenseador, tal como o disposto na lei n.º 5.534, de 14 de Novembro de 1968:
Esta mesma lei trata sobre o sigilo das informações prestadas ao IBGE, indicando que elas tem caráter sigiloso e serão utilizadas unicamente para fins estatísticos, não podendo servir de provas em processos de quaisquer tipo.
Além de subsidiar a tomada de decisão sobre as políticas públicas em nível nacional pelos próximos anos, o resultado do Censo interfere diretamente na representação política de cada unidade da federação em sua representação na Câmara dos Deputados.
O Censo 2022 incluiu questões sobre pessoas autistas no Brasil, que foram abordadas no questionário da amostra e foi motivo de inquérito pela primeira vez num censo demográfico do país, obedecendo à lei n.º , de 18 de Julho de 2019. Por outro lado, questões sobre orientação sexual e identidade de gênero ficaram de fora do questionário, não obstante uma liminar da Justiça Federal no Acre, acolhendo um pedido do Ministério Público Federal que decidiu que o IBGE teria que incluir questões sobre o tema contudo, o instituto recorreu, alegando não ter tempo suficiente para adequação do questionário e treinamento dos envolvidos, chegando até a ameaçar de cancelar mais uma vez a operação caso a obrigatoriedade de inclusão de tais demandas continuasse. O argumento do IBGE foi acatado pelo Tribunal Regional Federal da 1.ª Região que desobrigou o instituto a incluir tais questões no Censo.
Planejamento O planejamento para a realização Censo 2020 já estava por ocorrer no IBGE em 2018, inicialmente o Instituto calculava em 180 mil o número de recenseadores participantes da operação, além de 25 mil supervisores e dez mil agentes que iriam trabalhar nos de municípios do país, a um custo total de 3,4 bilhões de reais.
Um Censo Experimental foi realizado pelo IBGE em 2019, na cidade de Poços de Caldas, Minas Gerais e mesmo com seguidos cortes no orçamento, a cerimônia de lançamento do Censo 2020 ocorreu cerca de um ano antes da data inicialmente planejada para os pesquisadores saírem para trabalho de campo, em agosto de 2019.
Quando a pandemia de Covid-19 chegou ao Brasil e logo atingiu proporções preocupantes, o IBGE começou a verificar a possibilidade de adiamento do Censo 2020, visto que poderia colocar em risco os recenseadores e os moradores que os recebessem. No dia 17 de março de 2020, o IBGE pronunciou-se oficialmente afirmando que estava adiada a realização do Censo 2020 para o ano de 2021.
Novamente o censo continuou no radar do instituto, procurando manter o planejamento para a sua realização em 2021, contudo, o Governo Federal garantiu apenas 53 milhões de reais para a pesquisa, inviabilizando a sua realização, fazendo com que o IBGE desmanchasse o planejamento feito para 2021 e mais uma vez adiasse o Censo em um ano.
Dias depois do cancelamento do Censo 2021, o ministro Marco Aurélio Mello indicou que o órgão seria obrigado a realizar o censo no corrente ano, porém o IBGE precisou se pronunciar indicando que já havia desfeito todo o planejamento para a realização do censo ainda em 2021, sendo que não seria mais possível realizar a tempo, indicando o ano de 2022 para a realização do mesmo. Diante dessa declaração de impossibilidade do IBGE de realizar o Censo em 2021, o Supremo Tribunal Federal reuniu-se para votar se o IBGE deveria realizar em 2021 ou poderia realizar em 2022, sendo que a maioria votou pela realização do Censo em 2022. esquerda|thumb|250px|A Ilha de Paquetá, no Rio de Janeiro, foi um dos locais que receberam o Censo Experimental. O IBGE recomeçou então a se planejar para a realização do censo em 2022, desse modo, já no final de 2021 começaram a ser divulgados os editais dos processos seletivos para a contratação de pessoal necessário para trabalhar no censo. Assim como ocorrido em 2019, o IBGE voltou a realizar operações censitárias experimentais prévias, mas dessa vez, tais operações ocorreram em todas as unidades da federação, após isso, o IBGE realizou uma pesquisa prévia ao censo, intitulada "Pesquisa de Entorno", onde agentes censitários visitaram face por face das quadras urbanas de todo o Brasil, observando e registrando informações sobre a realidade e características de cada logradouro urbano do Brasil.
Em meados de 2022 o IBGE realizou a contratação e treinamento dos mais de 200 mil profissionais, sendo eles agentes censitários municipais e agentes censitários supervisores, além dos mais de 183 mil recenseadores.
O custo final da operação precisou ser reduzido e ficou orçado em , e mesmo com a inflação em alta no Brasil, que acabou por corroer parte do orçamento para o Censo, o Instituto confirmou para o dia 1º de Agosto o início das visitas aos domicílios e coleta de informações previstas.
Estrutura thumb|250px|direita|Posto de coleta em Passagem-PB. Durante o período de planejamento e execução do Censo, o IBGE criou temporariamente alguns locais de apoio à operação censitária, os chamados de Postos de Coleta. Nesses postos a equipe encarregada do gerenciamento e da coleta de dados reuniu-se e planejou o trabalho a ser realizado. Por todo o país, um total de Postos de Coleta foram instalados, espalhando-se pela maior parte dos municípios do Brasil.
Para a coleta de dados, foram utilizados cerca de 185 mil equipamentos eletrônicos do tipo Personal digital assistant (PDA). O Instituto também recorreu ao aluguel de veículos e aeronaves para dar suporte à operação, sendo que o uso de aeronaves foi feito sobretudo na Região Norte do Brasil e em áreas de difícil acesso.
Visando facilitar a organização e em busca de atingir os objetivos da operação, o IBGE definiu a estrutura organizacional do Censo Demográfico 2022 baseado em hierarquias, indicando cada uma das funções e definindo os deveres específicos delas:
+ Estrutura organizacional do Censo 2022Servidores efetivos Coordenadores do Censo (Unidades Estaduais do IBGE) Coordenadores de Área(Agências locais do IBGE)Servidores contratados Coordenadores Censitários de Subárea (CCS) (Postos de coleta nos municípios-sede) Agentes Censitários Municipais (ACM) (Postos de coleta nos municípios) Agentes Censitários Supervisores (ACS) (Postos de coleta nos municípios) Recenseadores (Setor censitário do município dos postos de coleta)
Questionários Dois tipos de questionários foram aplicados no Censo: o questionário básico, com 26 perguntas, que foi aplicado na maior parte dos domicílios; e o questionário da amostra, onde 11% dos domicílios, selecionados aleatoriamente, responderam a 77 questões. Apesar desses números, o censo brasileiro de 2022 foi considerado um dos menores do mundo em total de perguntas.
Questionário básicoIdentificação do domicílio;Informações sobre moradores;Características do domicílio;Identificação étnico-racial;Registro civil;Educação;Trabalho e rendimento; eMortalidade.
Questionário da amostraIdentificação do domicílio;Informações sobre moradores;Características do domicílio;Identificação étnico-racial;Nupcialidade;Núcleo familiar;Registro civil;Fecundidade;Religião ou culto;Pessoas com deficiência;Migração interna e internacional;Educação;Deslocamento para estudo;Trabalho e rendimento;Deslocamento para trabalho;Mortalidade; eAutismo.
Em média, o questionário básico foi respondido entre cinco e dez minutos, por sua vez, o questionário da amostra levava de quinze a vinte minutos para ser respondido por completo. Pela primeira vez, o IBGE abriu a possibilidade de que o entrevistado possa responder ao questionário via chamada telefônica ou, caso ele opte, também tinha a possibilidade de responder ao questionário on-line, onde em ambos os casos, o recenseador precisava ser informado da opção do morador no momento de sua visita ao domicílio pesquisado.
Povos indígenas, quilombolas e refugiados thumb|direita|250px|Mapa de terras quilombolas do Brasil. A realização do Censo 2022 em territórios indígenas envolveu um planejamento um pouco diferente, uma vez que anterior à coleta de dados junto à população, todas as lideranças indígenas foram sendo visitadas, onde na oportunidade responderam a perguntas relacionadas à infraestrutura, o acesso aos recursos naturais, educação, saúde e outros aspectos de sua aldeia ou comunidade, estivessem elas em território demarcado e identificado ou não.
O Censo 2022 também investigou comunidades quilombolas, dentro e fora de territórios reconhecidos, onde esperava-se visitar ao final do Censo um total de localidades quilombolas, visando a consolidação de dados e construção de políticas para essas populações.
Além dos indígenas e dos quilombolas, um acordo de cooperação firmado entre o IBGE e o Alto-comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) em Agosto de 2022 assegurou a contagem da população refugiada, solicitante da condição de refugiado e apátrida que estavam a viver pelo Brasil, sobretudo a população de refugiados venezuelanos do Amazonas, Pará e Roraima.
Reações e críticas Aos adiamentos 220px|miniaturadaimagem|direita|Entrevista sobre o início do Censo 2022 na Rede Globo