miniaturadaimagem|upright=1.4|Minas Geraes nos anos 1940 A partir de 1865, o Brasil passou a comissionar navios encouraçados em sua armada. As embarcações caracterizadas como encouraçados pela marinha, construídas entre os anos 1865 e 1875, eram embarcações de couraça (blindagem) mista de madeira, ferro, cobre ou aço. Internacionalmente, esse tipo de embarcação era denominada ironclad. O primeiro encouraçado brasileiro foi o Brasil, construído nos estaleiros franceses da Societé Nouvelle des Forges et Chantiers. Seu desenvolvimento e construção se deu devido ao atrito que o império brasileiro tinha com os ingleses na chamada Questão Christie. O navio acabou por combater apenas na Guerra do Paraguai. Posteriormente, o império solicitou a construção de seus próprios encouraçados ainda em 1865. O Tamandaré foi o primeiro encouraçado construído no país, seguido do Barroso e Rio de Janeiro. Esses navios foram construídos nos estaleiros do Arsenal de Marinha da Corte, Rio de Janeiro. Os navios compartilhavam algumas semelhanças entre si, mas com mudanças significativas em tamanho e armamento. Ambas as embarcações combateram na Guerra do Paraguai. Foi neste conflito que o Rio de Janeiro foi perdido, sendo o único entre os encouraçados brasileiros construídos durante os combates afundado pelos paraguaios.

Durante a construção destes, o império adquiriu da Inglaterra o encouraçado Bahia. Pelas suas características foi qualificado como monitor encouraçado. Combateu na Guerra do Paraguai e no levante de 1892 no Mato Grosso. O Bahia foi o primeiro de uma série de encouraçados encomendados pelo Paraguai, antes da guerra, que o Brasil adquiriu pelo fato do primeiro não ter conseguido efetuar o pagamento pelas embarcações devido ao conflito. Seguiu-se os encouraçados Lima Barros, navios da Classe Mariz Barros e Cabral e o Silvado. Ironicamente, todos eles combateram o país que os encomendou. Para atender a necessidade da marinha de navios blindados de calados rasos e de resistir a grandes incêndios, foram projetados monitores encouraçados baseados nas experiências navais da Guerra Civil Americana e da própria Guerra do Paraguai. Assim, surgiu a classe Pará, composta por seis monitores encouraçados mais adequados às condições do conflito. O último encouraçado encomendado durante o conflito foi o Sete de Setembro, porém só foi completado quatro anos após o final da guerra, por causa da indecisão sobre o tipo de armamento que deveria ser instalado. Em 1872, o Brasil encomendou o encouraçado Independência para fazer frente à Argentina visto que, à época, havia certa tensão entre os dois países. A embarcação seria a maior entre os navios da Armada Imperial Brasileira, porém durante a fase de lançamento, o navio foi avariado e, posteriormente, foi incorporado à Marinha Real Britânica.

Entre 1874 e 1875, chegaram os encouraçados da classe Javari: Javari e Solimões. Os navios dessa classe figuraram entre os encouraçados que compunham a Esquadra de Evoluções, grupo dos mais modernos navios da armada imperial. Os outros dois encouraçados da esquadra eram o Sete de Setembro e o Riachuelo. Esse último, construído em 1883, estava entre os navios mais poderosos da época, junto com Aquidabã de aparência semelhante. Já no período republicano, o país encomendou a estaleiros franceses os encouraçados da classe Deodoro: Deodoro e Floriano. Críticos franceses os categorizaram como encouraçados de segunda categoria, apesar de observarem que era notável como tanta blindagem e armamento pudessem ser transportados em navios de pequenas dimensões. No período de atuação desses dois encouraçados, o Brasil passou a estudar planos de reaparelhamento de sua frota. Em 1906, foram encomendados três grandes encouraçados à Inglaterra: Minas Geraes, São Paulo e Rio de Janeiro. Quando terminados, eram os mais poderosos navios de guerra do tipo dreadnought. Apenas os dois primeiros foram entregues ao Brasil, com o terceiro sendo cancelado em 1910. Em 1911, o Brasil encomendou um segundo encouraçado de nome Rio de Janeiro, porém dificuldades financeiras fizeram com que fosse colocado à venda, com ele sendo comprado em 1913 pelo Império Otomano. Ainda em 1913, encomendou-se também a construção de um encouraçado ainda maior, o Riachuelo, mas devido à Primeira Guerra Mundial, o projeto foi cancelado.

+ Legenda Armas principais Número e tipo dos canhões da bateria principal Deslocamento Deslocamento do navio totalmente carregado Propulsão Número e tipo do sistema de propulsão e velocidade máxima Batimento Data em que o batimento de quilha ocorreu Lançamento Data em que o navio foi lançado ao mar Comissionamento Data em que o navio foi comissionado em serviço Destino Fim que o navio teve

Ironclads Brasil miniaturadaimagem|upright=1.1|Ilustração do Brasil danificado durante a Guerra do Paraguai O Brasil foi o primeiro navio encouraçado comissionado na Marinha do Brasil. Foi projetado em meio à ruptura de relações entre o Império do Brasil e o Império Britânico, evento conhecido como Questão Christie. A encomenda foi feita ao estaleiro francês Societé Nouvelle des Forges et Chantiers pela quantia de 1 560 000 francos. O Brasil participou das campanhas da Guerra do Paraguai, como as batalhas de Itapirú e Curupaiti em 1866. Em 9 de fevereiro de 1867, foi para o Rio de Janeiro, onde precisou ser reparado. Em 30 de março partiu da capital para se juntar à esquadra que posteriormente forçaria a Passagem de Curupaiti. Em 2 de março de 1868, socorreu os encouraçados Lima Barros e Cabral, que haviam sido abordados de surpresa. Em 10 de abril, participou no bombardeio de Humaitá. Em 16 de agosto, forçou a passagem do Timbó. Em 26 de novembro, forçou o Passo de Angostura. Após o fim da guerra, o Brasil continuou fazendo parte da frota até sua baixa em 1879. Navio Armas Deslocamento Propulsão ServiçoFontes Batimento Lançamento Comissionamento Destino Brasil 4 × 70 libras 1 518 t 1 motor de expansão única;10,5 milhas/h (16,89 km/h) 1864 23 de dezembro de 1864 2 de março de 1865 Desativado em 1879

Tamandaré miniaturadaimagem|upright=1.05|Ilustração do Tamandaré e Brasil danificados durante a Guerra do Paraguai O Tamandaré foi o primeiro encouraçado construído no Brasil. Foi encomendado ao estaleiro Arsenal de Marinha da Corte, a um custo de 40 506 libras, em meio à Guerra do Paraguai. O navio foi comissionado em 1865 e foi enviado ao conflito. Em 1866, atacou a fortaleza de Itapirú e nesse ataque, quatro tripulantes do encouraçado morreram, incluindo o comandante tenente Antônio Carlos de Mariz e Barros. Ainda nesse ano, bombardeou a fortaleza de Curuzu em duas ocasiões e, no ano seguinte, os fortes de Curupaití e Timbó. Forçou com sucesso a passagem de Humaitá em 19 de fevereiro de 1868 e, em novembro, bombardeou a capital paraguaia Assunção. Após a guerra, o navio foi destinado à Flotilha de Mato Grosso, com sede em Ladário. Tamandaré foi desativado a 18 de abril de 1879 e posteriormente demolido. Navio Armas Deslocamento Propulsão ServiçoFontes Batimento Lançamento Comissionamento Destino Tamandaré 1 × 70 libras 845 t 1 motor a vapor;8 nós (15 km/h) 31 de maio de 1865 21 de junho de 1865 16 de setembro de 1865 Desmontado em 1879

Barroso upright=1.05|miniaturadaimagem|Ilustração do Barroso Assim como o Tamandaré, Barroso foi construído no estaleiro do Arsenal de Marinha da Corte e lançado em 1865. Envolveu-se na Guerra do Paraguai, ao bombardear diversas posições fortificadas ao longo dos anos de 1866 e 1867. Forçou a passagem de Humaitá, quando três monitores de rio da classe Pará, Rio Grande, Alagoas e Pará, foram amarrados aos encouraçados maiores caso algum motor ficasse inoperacional pelos canhões paraguaios. O encouraçado Barroso liderou juntamente com Rio Grande, seguido por Bahia com Alagoas e Tamandaré com Pará. Após a guerra, foi enviado à Flotilha de Mato Grosso, onde foi descomissionado em 1882. Navio Armas Deslocamento Propulsão ServiçoFontes Batimento Lançamento Comissionamento Destino Barroso 1 × 120 libras 1 354 t 1 motor a vapor;9 nós (16 km/h) 21 de fevereiro de 1865 4 de novembro de 1865 - Desmontado em 1882upright=1.04|miniaturadaimagem|Bahia no Rio de Janeiro. Fotografia tirada após 1885 Bahia O monitor Bahia foi um navio blindado construído na Inglaterra. Era parte da frota que o Paraguai havia encomendado àquele país, mas não conseguiu efetuar o pagamento por causa da guerra (1864-1870). O Império do Brasil adquiriu o navio e o enviou às campanhas do conflito. O monitor participou dos combates em Itapirú, Passo da Pátria, auxiliando no transporte e desembarque das tropas brasileiras; Curupaití, quando bombardeou o forte e o transpôs em 15 de agosto; Humaitá, na sua transposição e bombardeio; Tebiquary, no forçamento de suas baterias defensivas; Angostura, e por fim, do bombardeio à Assunção. Após o fim da guerra, Bahia foi enviado à Flotilha de Mato Grosso. Em 1892, foi destacado para dar suporte aos legalistas contra insurgentes separatistas de Mato Grosso. Foi desmontado em 1895. Navio Armas Deslocamento Propulsão ServiçoFontes Batimento Lançamento Comissionamento Destino Bahia 2 × 150 mm 928 t 2 motores a vapor;14,48 km/h - 11 de junho de 1865 17 de janeiro de 1866 Descartado em 1895

Lima Barros upright=1.05|miniaturadaimagem|Ilustração do Lima BarrosLima Barros foi um monitor encouraçado construído na Inglaterra. Fez parte da frota solicitada pelo Paraguai antes da Guerra da Tríplice Aliança. Devido às dificuldades ocasionadas pelo conflito, o Paraguai não conseguiu efetuar o pagamento pela embarcação, sendo adquirida pelo Brasil. O monitor participou dos combates da guerra a partir de 1866, quando atacou as baterias da fortaleza de Curupaití. Dois anos depois, em março de 1868, o Lima Barros e o Cabral foram atacados por uma frota de mais de 20 canoas paraguaias. Cada canoa levava 12 homens munidos de facões, machadinhas e espadas de abordagem. Os paraguaios abordaram os navios e iniciou-se luta corporal com as tripulações. Os atacantes somente desistiram do assalto após serem desbaratados pelos canhões dos encouraçados Brasil, Herval, Mariz e Barros e Silvado. Após a guerra, o Lima Barros foi enviado para patrulhar a costa entre o Rio Grande do Sul e o Rio de Janeiro. O monitor encouraçado foi enviado para desmanche por volta de 1905. Navio Armas Deslocamento Propulsão ServiçoFontes Batimento Lançamento Comissionamento Destino Lima Barros 4 × 150 mm 1 705 t 2 motor a vapor;20,37 km/h 1864 21 de dezembro de 1865 1866 1905

Rio de Janeiro miniaturadaimagem|Ilustração do Rio de Janeiro posto a piqueTerceiro dos encouraçados construídos no Arsenal de Marinha da Corte em 1865. Rio de Janeiro foi enviado à Guerra do Paraguai em maio de 1866. Durante os combates na batalha de Curuzú, o Rio de Janeiro foi atingido por projéteis paraguaios, recuando, em seguida, para reparos. No dia seguinte, em 2 de setembro, enfrentou novamente os canhões da fortaleza, quando tentava se aproximar dos outros navios da frota brasileira, momento em que foi atingido por dois torpedos (minas). O impacto causou uma explosão que partiu o encouraçado ao meio, e afundou em poucos minutos. O afundamento causou a morte de 53 marinheiros. Foi o primeiro e o único encouraçado perdido na guerra. Navio Armas Deslocamento Propulsão ServiçoFontes Batimento Lançamento Comissionamento Destino Rio de Janeiro 2 × 70 libras 1 001 t 1 motor de expansão única;9 nós (16 km/h) 28 de junho de 1865 18 de fevereiro de 1866 abril de 1866 Afundado em 1866 Classe Mariz e Barros