thumb|Mapa das regiões do País Basco

O ; ) é a região histórico-cultural em que residem os bascos (ou falantes de língua basca),  localizada no extremo norte da Espanha e no extremo sudoeste da França, cortada pela cadeia montanhosa dos Pirenéus e banhada pelo golfo da Biscaia. Compreende as comunidades autónomas do País Basco e Navarra, na Espanha, e Iparralde, na França.

Mesmo que não sejam necessariamente sinónimos, o conceito de um espaço cultural basco único, que abrange diversas regiões e países, tem sido estreitamente associada desde o seu início com a política do nacionalismo basco. Como tal, a região é considerada a residência do euskaldunak (povo basco), sua língua, cultura e tradições. Contudo, a região não é nem cultural nem linguisticamente homogênea.

A região basca tem uma cultura própria, sobretudo pela língua, o euskara, e sustenta um movimento nacionalista desde fins do . A campanha dos grupos radicais pela independência cresce com a fundação, em 1959, do grupo separatista ETA (considerado como organização terrorista por vários governos mundiais), em plena ditadura de Francisco Franco . Com a constituição espanhola de 1978, o País Basco espanhol conquistou um alto grau de autonomia, e a maior parte do movimento depõe armas, criando partidos legais. Os remanescentes da ETA, porém, decidem continuar a sua luta, utilizando a violência como meio de coação e intimidação.

Etimologia A palavra basco, em português, assim como as palavras basque, em francês, basco, em gascão, e vasco, em espanhol, deriva do latim Vasco (plural: Vascones). Essa palavra tem um significado desconhecido, mas acredita-se que proceda de uma raiz basca e aquitaniana, usada por esses povos para se autodenominar. Esta raiz é eusk, pronunciada /ewsk/, que é realmente próxima do latim /wasko/. Havia também um povo aquitaniano a que os romanos chamavam (pronunciado /awski/ em latim), e que parece proceder da mesma raiz.

Território Desde o Paleolítico a região tem sido influenciada por diversos povos: celtas, romanos, francos, visigodos, árabes, castelhanos e ingleses. Atualmente, o País Basco recebe a influência do resto da Espanha e da França. Entretanto, o povo manteve sua identidade cultural, incluindo a língua basca.

Domínio romano O noroeste da Península Ibérica, incluindo o território basco, foi alcançado pelos romanos sob a liderança do general Pompeu, mas o domínio não foi consolidado até a época do imperador Augusto. À época do domínio romano, o território das tribos bascas incluía todos os Pirenéus, desde o Golfo da Biscaia até o mar Mediterrâneo.

Invasões bárbaras A história do País Basco torna-se novamente obscura com a chegada dos povos germânicos e o colapso do Império Romano do Ocidente. Provavelmente foram os suevos que atravessaram pela primeira vez os Pirenéus ocidentais, em 409.

Fronteiras atuais A reivindicação moderna para a extensão do País Basco, cunhado no , é de sete regiões tradicionais. Alguns bascos referem-se às sete regiões coletivamente como .

País Basco Espanhol

thumb|San Sebastián, ou Donostia na língua basca

O inclui duas regiões principais: a Comunidade Autônoma do País Basco (com capital em Vitoria-Gasteiz) e a Comunidade Foral de Navarra (com capital em Pamplona).

A Comunidade Autônoma do País Basco () é composta por três províncias, especificamente designados "territórios históricos": Álava (capital: Vitoria-Gasteiz) Biscaia (capital: Bilbau) Guipúscoa (capital: San Sebastián-Donostia) Além disso, algumas fontes consideram dois enclaves como parte da Comunidade Autónoma Basca:Por exemplo, no que diz respeito a Treviño, Eugène Goyheneche escreveu que é "parte integral de Álava, administrativamente pertencente à província de Burgos" , p. 25. Enclave de Treviño (280 km²),Este valor foi obtido pela adição da área dos municípios de Condado de Treviño (261 km ²) e La Puebla de Arganzón (19 km ²) um enclave castelhano em Álava Valle de Villaverde (20 km²), um enclave cantabriano na Biscaia.

História

Diversas hipóteses afirmam que já na Pré-história os bascos, ou diferentes tribos que falavam línguas muito similares com o atual Euskara, já habitavam as terras que hoje compõem Euskal Herria.

Já no princípio do século XIX, o escritor e pesquisador Juan Antonio Moguel expusera em seu livro Historia y geografía de España ilustrada desde el idioma vascuence — um estudo da etimologia dos topônimos da Península Ibérica tomando por base o idioma basco — que os antigos habitantes da Ibéria falavam línguas da mesma família à qual pertence o basco atual, corroborando com seu contemporâneo o cientista alemão Wilhelm von Humboldt.

Segundo os historiadores romanos Estrabão, Plínio, o Velho, Mela, Lucio Floro e Sílio Itálico a zona estava habitada em tempos pré-romanos por diversas tribos cujo idioma é desconhecido.

thumb|Mapa cronológico que mostra o desenvolvimento da língua basca

A romanização foi forte nestas terras. Há testemunhos desta romanização em cidades importantes e restos de importantes minas de ferro ou outras indústrias.

A queda do Império Romano deu passo aos assentamentos e posteriores reinos visigodos e francos e a implantação por parte dos francos do Ducado de Vascónia na França.

Em 778, teve lugar a Batalha de Roncesvalles onde algumas teorias sustentam que foram os bascos os que derrotaram a retaguarda do exército de Carlos Magno. No século IX, se estabelece o Reino de Pamplona, vassalo do Al-Andalus muçulmano, que no século seguinte se declararia completamente independente.

Com Sancho III (o Grande; 1004–1035), o Reino de Nájera-Pamplona alcança sua maior extensão territorial, abarcando todo o terço norte peninsular. Pode-se dizer que Sancho III realizou o primeiro Império Hispânico e foi denominado Rex Íberícus e Rex Navarrae Híspaníarum.

Depois da morte de Sancho III em 1035 se reparte seu reino entre seus filhos estabelecendo-se a nova estrutura política do século XII com os Reinos de Navarra, Aragão e Castela.

Entre 1076 e 1134, o Reino de Nájera-Pamplona está incorporado na coroa aragonesa da qual se separa no reinado de Garcia Ramires.

No de Sancho VI de Navarra (o Sábio; 1150–1194), passa a chamar-se Reino de Navarra e segue a perda territorial: no ano 1200, durante o reinado de Sancho VII de Navarra (1194–1234), perde os atuais territórios de Álava, Guipúscoa e o Duranguesado, que são anexados pelo monarca castelhano.

Navarra, separada já dos outros territórios peninsulares de Euskal Herria, vê-se obrigada a orientar sua política de expansão desde o norte e leste, territórios franceses de Ultrapuertos (Baixa Navarra), e a franja fronteiriça com Aragão.

A pressão de Castela e de Aragão desde que, buscando a sobrevivência do reino, a morte de Sancho VII de Navarra em 1234 sem descendência, esteve entre a órbita da França com a instalação da casa de Champanha (1234–1274) e, posteriormente, dos Capetos (1274–1328). A Dinastia de Evreux (1328–1425) inaugura uma etapa de interessantes relações peninsulares e europeias, sobretudo com . , o Nobre (1387–1425) destaca-se pela prosperidade material e cultural que se conseguiu.

Entre 1512 e 1524, aconteceu a Guerra dos Doze Anos, na qual a Coroa de Castela anexou Navarra. Em 1515, pelo Tratado de Burgos, Navarra se anexa à Coroa de Castela como resultado da conclusão da guerra entre navarros, que alguns consideram como invasão castelhana. Anos depois, Foix tentou recuperar Alta Navarra (o território navarro ao sul dos Pirenéus) sem sucesso.

O Reino de Navarra sob domínio da Casa de Foix se reduziu aos territórios ao norte dos Pirenéus (Baixa Navarra e ). Em 1594, Henrique de Navarra foi coroado rei da França, sendo o primeiro Bourbon que chega ao trono francês.

Durante muito tempo, as províncias bascas conservaram suas leis tradicionais, que não foram abolidas pelos reis espanhóis e franceses.

A situação mudou com a Revolução Francesa. Nos territórios franceses, ao norte dos Pirenéus as leis foram modificadas imediatamente.

No final do século XIX, criaram-se fortes tensões pela contínua imigração de pessoas que iam trabalhar na próspera indústria de Bilbau e arredores. Foi então que Sabino Arana modificou a definição de Euskal Herria para definir a quem ele considerava nativos e o território a qual lhes pertencia.

A definição de Hegoalde (no sul) ou Iparralde (no norte) tem sido amplamente utilizada.

Movimentos autonomistas e independentistas Há em todo o País Basco diversas organizações que buscam a maior autonomia e até mesmo a independência política do país basco, como o Partido Nacionalista Basco, Eusko Alkartasuna, Esker Batua, Aralar, Herritarren Zerrenda, Herri Batasuna, Euskal Heritarrok, entres outros.

Tanto Herri Batasuna como Euskal Heritarrok foram declarados ilegais pela Justiça espanhola por supostas ligações com o grupo terrorrista Euskadi Ta Askatasuna, o ETA.

Fim do cessar-fogo Após catorze meses de trégua, o grupo anuncia em novembro de 1999 a retomada da luta armada e em janeiro de 2000 mata um militar. A ação provoca protestos em todo o país, o que leva a uma manifestação de 1 milhão de pessoas em Madrid. Em setembro, já são treze o número de mortos nos atentados.

A acirrada reprovação popular aos atentados leva o grupo ao maior isolamento de sua história, o que motiva a declaração da trégua, em setembro de 1998. Em 1999, no entanto, o ETA exige a transferência de seiscentos ativistas para presídios no País Basco e um referendo sobre a independência. O governo rejeita e o ETA põe fim ao cessar-fogo.

Em junho de 2006 autoridades do ETA fazem uma declaração em vídeo e a enviam ao canal espanhol TVE onde é anunciada a renúncia ao movimento armado. O cessar-fogo permanente acontece na região desde que o governo espanhol concordasse com o início de discussões pacíficas sobre o aumento da autonomia e uma possível independência do País Basco, apesar do cessar-fogo as discussões ainda não foram iniciadas oficialmente.

Atentado em Madrid No dia 30 de dezembro de 2006 o ETA provocou a explosão de um carro-bomba, num piso de estacionamento do moderno Terminal 4, do aeroporto de Barajas, em Madrid. As autoridades espanholas receberam avisos da organização ETA com duas horas de antecedência (a bomba foi deflagrada às 9h01, no horário local). As autoridades conseguiram evacuar, a tempo, o local. Acredita-se que vinte mil pessoas ocupavam as instalações do terminal aéreo. O tráfego aéreo ficou suspenso durante um dos dias mais agitados do ano nos aeroportos da região. Dezenas de pessoas ficaram feridas e dois equatorianos faleceram. Este terminal viria a ser reinaugurado em setembro de 2007.

Fim das ações armadas No dia 5 de setembro de 2010, o grupo anunciou, por meio do jornal basco "Gara", o fim dos ataques armados por tempo indeterminado, embora não esteja claro se temporariamente ou permanentemente. De acordo com o diário espanhol El País, em um vídeo enviado pelo grupo à BBC os integrantes anunciaram que o grupo não realizará mais ações armadas e que esta decisão foi tomada há meses para seguir um caminho democrático.Grupo separatista basco ETA anuncia fim de ações armadas O governo Basco considerou insuficiente e ambígua a notícia anunciada pelo grupo, uma vez que este não esclareceu se o fim é definitivo, considerando suas outras promessas de cessar-fogo não cumpridas.Governo basco diz que cessar-fogo do ETA é insuficiente e ambíguo

Enfim, no dia 10 de janeiro de 2011, o ETA confirmou um cessar-fogo permanente e geral, a ser verificado pela comunidade internacional, ao mesmo tempo em que reafirmou o direito do País Basco à independência e a ser formalmente reconhecido. No entanto, enfatizou que esse processo deve ocorrer por vias democráticas, usando o diálogo e a negociação como ferramentas para alcançar seus objetivos. Não houve comentários imediatos do governo espanhol, mas observadores internacionais continuam céticos sobre as intenções do grupo, dada a sua história de retomar ações armadas em ocasiões anteriores.