Comportamento humano moderno é um conjunto de capacidades ecológicas, tecnológicas, econômicas, sociais e simbólicas que revelam capacidades subjacentes dos seres humanos modernos. É um conjunto de traços cognitivos e comportamentais os quais distinguem o Homo sapiens atual de outros hominíneos e primatas, uma vez que o comportamento é há muito considerado como aquilo que separa uma espécie de uma outras formas de vida estreitamente relacionadas.

Introdução miniaturadaimagem|363x363px|Figura feminina entalhada em osso de mamute Desde de The Descent of Man, a obra de Charles Darwin sobre a evolução humana, sabemos que humanos são animais o que significa que a biologia se aplica a nós tanto quanto a qualquer outro ser vivo. Desta forma, nós entendemos que somos apenas mais uma espécie, com uma quantidade limitada de variações anatômicas e comportamentais e, assim sendo, sabemos que o surgimento do comportamento humano moderno faz parte da nossa condição como espécie humana, assim como seria para qualquer outra espécie.

Na literatura, são tidos como características gerais do comportamento humano moderno:

Pensamento abstrato e a capacidade de agir em referência a conceitos abstratos, os quais não são limitados nos tempo ou no espaço; Capacidade de planejamento detalhado, com habilidade de formulação de estratégias baseadas em experiências anteriores e de adaptação e ação de acordo com elas, mesmo em contexto de grupo; Comportamento simbólico, com habilidade de representar pessoas, objetos e conceitos abstratos por meio de simbologia visual ou vocal arbitrária, bem como a capacidade de ressignificar tais símbolos em práticas culturais; Inventividade econômica, comportamental e tecnológica.

Na modernidade, estas particularidades são observadas na nossa cultura inovadora, imaginação, linguagem, arte, crenças religiosas, uso de tecnologias complexas, dentre tantas outras características inerentemente humanas.

A revolução humana na Europa Originário dos registros arqueológicos da Europa Ocidental, a transição entre Paleolítico Médio e Superior, denominada de revolução cognitiva, é alvo de discussões sobre sua aplicabilidade. Tendo surgido no século XIX, tal conceito é baseado na periodização arqueológica. Esta delimitação temporal se refere a determinado período em que o comportamento moderno começa a ser observado. Com tal perspectiva, o Paleolítico foi distinguido por pinturas, esculturas, gravuras, ferramentas de osso e a sucessão de grandes mamíferos na Europa. Entretanto, o modelo que determina a existência de uma revolução cognitiva é comumente questionada.

Comumente arqueólogos definem períodos de transições como uma revolução. Ao considerar as sequências de invasões por diferentes culturas ocorridas na Europa e sua consequente introdução de novas tecnologias, a possibilidade de uma revolução é debatida. Isto ocorre por conta de evidências paleoclimáticas, que apontam o cerceamento de grupos humanos por gelo ou montanhas e a substituição dos Neandertais por humanos modernos, que em conjunto apontam a constante redução ou eliminação populações humanas. Logo, com as constantes invasões de diferentes culturas, argumenta-se que não houve revolução, mas a junção de uma consequência de fatores que levou a substituição de grupos, incorporação de novas tecnologias e etc.

Os primeiros europeus eram africanos Com datação de cerca de 130 mil anos e evidências filogenéticas, registros fósseis formam um conjunto de evidências quanto a origem africana dos primeiros humanos modernos, isto é, H. sapiens sensu stricto. Entretanto, ocorrem diversas discussões sobre a rigidez da definição de humano moderno. Em uma categorização menos rígida, espécimes como Singa, podem ser considerados humanos modernos, o que dataria em um total de 190 mil anos. Tal periodização é relevante ao considerar que evidências de humanos modernos na Europa e Ásia Central apenas ocorre há 40 mil anos. Já na Austrália, há evidências de humanos modernos há cerca de 62 mil anos. Esta migração também pode ser datada entre 80 e 120 mil anos atrás.

Apesar de evidências genéticas apontarem o cruzamento com Neandertais, análises apontam a remoção de H. Neanderthalensis como ancestral de humanos modernos, isto é, tal espécie não possui relação evolutiva com o H. Sapiens. Esta hipótese se baseia nas adaptações morfológicas encontradas em fósseis de H. Sapiens na África e também é sustentada pela hipótese da Eva mitocondrial.

O registro fóssil aponta certa complexidade na ancestralidade do homem moderno e demonstra o impacto de mudanças climáticas e movimentos migratórios que levaram os primeiros humanos modernos da Europa serem africanos. Evidências paleoclimáticas apontam diferentes padrões populacionais entre África e Europa, como a interrupção populacional durante a máxima glacial no deserto do Saara e na África do Sul, assim como expansões populacionais. Desta maneira, teoriza-se que o hominíneos da África possuíam grandes populações, apesar de dispersar, o que explica a expansão até a Europa e suas ligações genéticas.

Revolução ou evolução: um constante debate Sendo alvo de críticas, a possibilidade uma possível revolução é comumente discutida ao considerar o recorte temporal. Uma revolução seria definida por uma mudança súbita entre hominíneos de todos os continentes, entretanto, evidências apontam uma mudança gradual por meio da transmissão de comportamentos modernos por meio da cultura entre diversos grupos humanos. Esta hipótese aponta mudanças comportamentais em diferentes locais, por diferentes grupos, em graus distintos e de maneira não-linear. Desta maneira, tal hipótese não comporta o modelo europeu de divisão do Paleolítico já que se baseiam em diferentes registros arqueológicos.

A distinção do registro africano em comparação ao europeu, é tamanha que se fez necessária uma nova distinção entre as Idades da Pedra. Sendo a primeira incorporando a cultura Olduvaiense e Acheulense, a segunda foi distinguida pelos projéteis unifaciais ou bifaciais, e pela ausência de machadinhas, marca da terceira divisão. Esta nova divisão levou a ocorrência de equivalências com períodos do Paleolítico europeu.

Registro fóssil de hominíneos O registro fóssil é base para a compreensão e comprovação do comportamento moderno. Desta maneira, ocorre a distinção entre H. Sapiens, isto é, a variante arcaica da espécie e H. Sapiens sensu stricto, ou seja, humanos anatomicamente modernos. Este tipo de distinção comumente se baseia em um evento de especiação que causa distinções entre uma mesma espécie. Entretanto, ao considerar a morfologia do H. sapiens sensu stricto, denomina-lo anatomicamente moderno se torna errôneo ao considerar certos registros fósseis que possuem crânios "primitivos".

Espécies não-associadas com comportamento moderno, isto é, aquelas denominadas como arcaicas, costuma possui grandes faces, grandes dentes, longos e baixos crânios e a falta de queixo. A inclusão da espécie arcaica com a espécie moderna ocorre por conta do tamanho do cérebro, elemento relevante para a classificação de homínineos. A taxonomia destas espécies pode sofrer impactos devido a diferenciações ocorridas devido a diferentes respostas adaptativas em diferentes localidades, como diferenciações reprodutivas ou comportamentais.

O comportamento por meio de fósseis Por meio de registros fósseis é possível verificar evidências comportamentais, como canibalismo e comportamentos ritualístico. O pós-crânio é uma das maiores evidências de postura, hábitos locomotores, como caça e mobilidade grupal. Tais registros também apontam possível sucesso de H. sapiens em confrontos com animais ou outros humanos em comparação a H. neanderthalensis. Evidências locomotoras também sustentam a expansão geográfica para além dos trópicos, assim como, a evolução cognitiva em evidências de desenvolvimento de soluções físicas para os impactos climáticos. Desta maneira, o comportamento moderno humano, evidenciado por fósseis, demonstra hábitos comuns atualmente, como a economia energética e nutricional.

Comumente, registros arqueológicos na África, apontam que a escassez alimentícia e necessidade de defesa de predadores se relacionam ao desenvolvimento do comportamento moderno humano, por exemplo, a caça à distância como proteção do predador que assegura a não-ocorrência da escassez alimentícia. Este tipo de comportamento é encontrado em caçadores-coletores modernos, assim, demonstrando a continuação apesar da distância temporal. Registros de patologias também apontam a empatia entre humanos que auxiliavam crianças ou adultos doentes para a sobrevivência do indivíduo.

Arqueologia, comportamento e linguagem A arqueologia é capaz de identificar o surgimento e desaparecimento de comportamento, como o desaparecimento da cultura Acheulense. Por meio da análise de indústrias líticas, a arqueologia relaciona comportamentos com suas espécies, isto é, faz relação com a taxonomia. Esta indústrias também demonstram a extensão da evolução do comportamento humano e reforça uma existência não-linear, em diferentes localidades e grupos, distribuída por meio da transmissão cultural.

Considerando que a evolução cognitiva comporta o uso de símbolos, tal evolução também se relaciona com as origens da linguagem. Entretanto, neste quesito a arqueologia possuía certa limitação devido as evidências escassas de linguagem por se basear em símbolos e comportamentos abstratos. Desta maneira, este aspecto do comportamento moderno humano é estudado por meio do foco no cérebro humano, aparatos do discurso e o uso de primatas em estudos comparativos, isto é, a comparação com a espécie mais próxima dos humanos.

Evidências arqueológicas do comportamento moderno Traços tangíveis das alterações humanas que levaram à mudanças comportamentais de antigas em modernas podem ser vistas no registro arqueológico africano já no Paleolítico médio, e podem ser ligadas explicitamente à cognição de hominíneos e às capacidades culturais existentes naquele período.

A literatura da área, em geral, converge para alguns achados nos registros arqueológicos que podem ser considerados como evidências, uma vez que refletem as características subjacentes ao comportamento humano moderno:

Aumento na diversidade dos tipos de artefatos e padronização de seus tipos; Uso da tecnologia de lâminas; Trabalhos em ossos e outros materiais orgânicos; Existência de ornamentos pessoais, "arte" ou imagens; Espaços de vivência estruturados; Vestígios de comportamentos ritualísticos; Exploração de ambientes aquáticos ou de outros recursos que requeiram tecnologia especializada; Aumento do alcance geográfico de colonização Expansão das redes de troca e intensificação econômica

centro|miniaturadaimagem|576x576px|Ferramentas, ornamentos e ossos encontrados na Caverna de Franchthi, Grécia

Estes atributos podem ser divididos em grupos, de acordo com as características comportamentais que refletem, conforme se segue:

Ecologia Os aspectos ecológicos que podem ser encontrados nos registros refletem as habilidades humanas de colonizar novos ambientes, o que não seria possível sem o desenvolvimento da capacidade de inovação e de planejamento aprofundado daquelas populações.

Expansão do alcance geográfico das populações humanas A expansão das populações humanas para habitats desafiadores por meio do uso de tecnologia aprimorada é tida como sinal de sofisticação cognitiva e complexidade social, sendo os mais desafiadores os desertos e as florestas tropicais.