Este artigo lista estruturas, comportamentos e órgãos imperfeitos, desajeitados, inelegantes, ineficientes, difíceis de entender ou prejudiciais que são resultantes do processo evolutivo.Linden, David J. (2007). The Accidental Mind: How Brain Evolution Has Given Us Love, Memory, Dreams, and God. Belknap Press. pp. 245–246. Marcus, Gary (2008). Kluge: The Haphazard Construction of the Human Mind. Houghton Mifflin Co. pp. 4–5. Os exemplos são consistentes com o que os cientistas nos campos da ciência evolucionista descrevem como gambiarra evolutiva.

As gambiarras evolutivas são exploradas no argumento do design pobre e são consistentes com as previsões da teoria científica da evolução por meio da seleção natural. Isso prediz que recursos que foram desenvolvidos para certos usos são então reutilizados ou cooptados para usos diferentes, ou completamente abandonados; e esse estado subótimo é devido à incapacidade do mecanismo hereditário de eliminar os vestígios particulares do processo evolutivo.

Órgãos situados no lugar errado

Localizações atuais ineficientes

Caracóis defecam acima da cabeça Uma característica particular dos caracóis é que durante sua formação, a concha calcária sofre uma distorção helicoidal, girando para abrigar seu corpo e permitir que a cabeça possa ser puxada para dentro do manto de proteção,CHAPMAN, Jenny. Biodiversity: the Abundance of Life. Cambrige. Cambridge University Press 1997. ISBN: 0521577942. (1997). evidentemente para se proteger de predadores. Acontece que, conforme gira durante sua fase larval, seu trato digestivo juntamente com o resto do sistema visceral também é submetido a torção, de aproximadamente 180º, de modo que o ânus do animal acaba localizado acima da própria cabeça.BARNES, Robert D. Zoologia de Invertebrados. Philadelphia, PA: Holt-Saunders International. pp. 348-364. 1982

Olhos do linguado precisam migrar Na fase adulta, os peixes linguados são indivíduos demersais estritos, vivendo camuflados encostados ao substrato dos fundos marinhos como forma de proteção contra os predadores e como estratégia de caça. Como o linguado descende de peixes simétricos, ao eclodir, a morfologia típica dos peixes, com cabeça simétrica e um olho de cada lado do cérebro, é apresentada. No entanto, um dos olhos precisa migrar para o lado oposto da cabeça, num processo de metamorfose que ocorre entre as fases larval e juvenil, para que na fase adulta ele não fique "raspando" no substrato marinho ou olhando para a areia.Dawkins, Richard. O relojoeiro cego. Londres: Penguin Books. 1991. p. 92.

Testículos dos primatas precisam migrar Em alguns primatas machos, incluindo os humanos, os testículos se desenvolvem primeiramente dentro do abdômen para mais tarde, durante a gestação, migrarem através da parede abdominal até o saco escrotal. Essa passagem causa dois pontos fracos na parede abdominal, chamados de canal inguinal, onde as hérnias podem se formar posteriormente, deixando que os intestinos saiam e fiquem presos em baixo da pele. Desta forma, os intestinos ficam prejudicados e o fluxo de sangue para os testículos pode se reduzir ou até ser cortado. Antes das modernas técnicas cirúrgicas, as complicações de hérnias, como o bloqueio intestinal e a gangrena, geralmente resultavam em morte. Colby, C.; Petrich, L. Evidence for jury-rigged Design in Nature. Talk Origins. 1993

A bolsa do coala abre-se para baixo O coala é um marsupial arborícola noturno, com até 85 cm de comprimento, que passa seus dias agarrado a troncos de árvores e que possui o marsúpio que se abre para baixo, em vez de para cima, como a dos cangurus. A razão isso é um legado da história. Os coalas descendem de um ancestral parecido com o vombate.DAWKINS, R. The greatest show on Earth: The evidence for Evolution. New York, NY: Free press, 2009. Segundo Williams (2006), os coalas evoluíram de marsupiais escavadores como o vombate, que escavavam ninhos subterrâneos, a bolsa de seus ancestrais abrem-se para trás como resultado de proteção dos filhotes durante a escavação.WILLIAMS, Robyn. Unintelligent design: why God isn’t as smart as she thinks she is. National Library of Australia. Ed. Allen & Unwin, (2006). A medida que os atuais coalas evoluíram, essa característica manteve-se como estrutura vestigial.

Cogumelos com lamelas do lado de dentro

Nos cogumelos convencionais, as lamelas são utilizadas como meio de dispersão de esporos. Nos cogumelos da espécie Clavogaster virescens que assumiram uma forma gasteróide ao evoluir, o esporocarpo nunca se abre para formar o chapéu (píleo) e as lamelas se mantiveram dentro do corpo de frutificação. Com as lamelas do lado interno, os fungos não se abrem para que seus esporos se dispersem no ar. Os esporos então são formados dentro de corpos de frutificação e impedidos de serem expelidos com força do basídio, o que faz com que sejam dependentes de animais como roedores ou insetos para distribuir seus esporos.

Figos são flores invertidas Os chamados figos são tecnicamente flores invertidas e não frutos em si. Eles requerem um tipo específico de polinização que só pode ser realizada por vespas de figo – vespas que precisam morrer dentro da fruta para que ela amadureça, já que os figos não podem ser polinizados pelo vento ou pelas abelhas comuns. Ao contrário da crença popular, os figos maduros não estão repletos de vespas mortas. Na verdade, o figo produz uma enzima chamada ficain (ficin) que digere a vespa morta, permitindo que o figo absorva os nutrientes necessários para amadurecer os frutos e as sementes.

Receptores ópticos dos tetrápodes Na estrutura dos olhos de todos os vertebrados, a retina é invertida, que força a luz a atravessar corpos celulares e fibras nervosas antes de atingir os fotorreceptores causando defeitos que degradam a qualidade da imagem. Os nervos e vasos sanguíneos se espalham pela superfície interna da retina, e não atrás dela, como é o caso de muitas espécies de invertebrados, provocando sombras indesejadas. E as fibras nervosas que se juntam, projetam-se numa abertura única na retina e viram o nervo óptico, criando um arranjo que além de forçar uma série de adaptações complexas, dá aos mamíferos um ponto cego. Uma estrutura melhor para o olho seria ter o nervo óptico conectado ao lado da retina que não recebe a luz, como é o caso dos cefalópodes.Brodie, Richard (15 de maio de 2009). Virus of the Mind: The New Science of the Meme (em inglês). [S.l.]: Hay House, Inc. ISBN 9781401926007

Trajetórias atuais ineficientes

Nervo laríngeo das girafas gasta 4,5 metros miniaturadaimagem|425x425px|Percurso do Nervo Laríngeo Recorrente nas girafas. O nervo laríngeo da girafa é um nervo craniano que se origina diretamente do cérebro. Um de seus ramos parte de cada lado do pescoço e se dirige à laringe. Uma parte desse nervo alcança a laringe diretamente, enquanto outra parte segue um caminho bastante longo. Ele se dirige para baixo, adentrando o tórax, segue em direção ao coração, circunda uma das artérias e então retorna para cima até alcançar a laringe.

O nervo laríngeo é um exemplo notável de como estruturas biológicas não são sempre otimizadas para a eficiência, mas sim produtos de adaptações ao longo do tempo. Devido à posição da aorta da girafa no tórax, que está muito distante do crânio, o nervo laríngeo percorre cerca de 4,5 metros em uma girafa adulta para chegar a uma posição apenas alguns centímetros de onde se origina.

Neste caso famoso, proponentes do Design Inteligente reivindicam que o nervo maior (chamado de nervo vago) desce para enervar vários órgãos e que isso justificaria o nervo laríngeo recorrente, que nasce como ramificação do nervo vago, surgir perto dos grandes vasos que saem do coração e precisar dar um loop na artéria para voltar até a laringe.Lönnig, Wolf-Ekkehard. The Laryngeal Nerve of the Giraffe: Does it Prove Evolution?. 2010, p 4. No entanto, esta ramificação poderia partir do nervo vago ainda no início do percurso, mas sua rota atual corresponde a história evolutiva, onde a evolução simplesmente estendeu o nervo para acompanhar o crescimento do pescoço nos tetrápodes.

Nervo laríngeo dos saurópodes gasta 50 metros Os animais de pescoço mais longo de todos os tempos foram os extintos dinossauros saurópodes, alguns dos quais tinham pescoços de 14 metros de comprimento. Nesses animais, os neurônios que compunham o nervo laríngeo recorrente tinham pelo menos 28 metros de comprimento. Nos saurópodes mais longos, esses neurônios podem ter entre 40 e 50 metros de comprimento, provavelmente as células mais longas da história da vida. A explicação para esse trajeto peculiar está enraizada na história evolutiva. Durante a evolução dos saurópodes, seus pescoços foram alongando-se gradualmente ao longo de milhões de anos. O nervo laríngeo recorrente, que evoluiu antes do alongamento do pescoço, ficou "preso" ao longo desse trajeto mais longo à medida que o pescoço se estendia. Em vez de reorganizar completamente sua rota, a evolução simplesmente estendeu o nervo para acompanhar o crescimento do pescoço assim como nas girafas, resultando em um trajeto tecnicamente desnecessário.

Nervo laríngeo de 3,5 metros em cobras aquáticas O coração das cobras está localizado a 15-25% do comprimento do corpo a partir da cabeça nas espécies terrestres e arbóreas, mas 25-45% nas espécies totalmente aquáticas. Não existe uma média universalmente aceita para a distância do nervo laríngeo recorrente em cobras, pois pode variar consideravelmente. Entretanto, considerando essa porcentagem de distância entre os dois órgãos, para o caso de uma cobra aquática típica da Amazônia, que pode atingir 7 metrosFRAGA, Rafael. Guia de cobras da região de Manaus - Amazônia Central = Guide to the snakes of the Manaus region - Central Amazonia. Manaus: Editora Inpa, 2013. 303 p. ISBN: 978-85-211-0122-2., pode-se estimar que a trajetória do nervo laríngeo recorrente, a partir da aorta até a laringe (que está localizada em uma posição diferente daquela encontrada em mamíferos, na parte anterior da traqueia, perto da base da boca) tenha um comprimento aproximado de 1,75 a 3,15 metros.

Nervo de voo dos gafanhotos africanos No gafanhoto africano, embora as asas estejam no tórax, as células nervosas que se conectam às asas se originam no abdômen. Essa estranha "conexão" é o resultado dos nervos do abdômen sendo cooptados para uso durante o voo. Esse monumento à ineficiência é explicável considerando um processo não-direcionado como a evolução e não por uma causa inteligente, já que existem rotas alternativas pelas quais os nervos de voo percorriam o cordão nervoso ventral, passando pelo alvo e voltando através do organismo até onde são necessários. Este longo caminho faz usar mais materiais do que o necessário.Colby, Chris; Loren Petrich. "Evidence for Design Jury-Rigged in Nature". Talk Origins. United States of America. 1993.

Cacho da bananeira dentro da planta A bananeira é uma planta composta por um caule que é subterrâneo e modificado (rizoma). O que fica acima do solo é, na verdade, um falso tronco formado pela junção dos pecíolos das folhas (bainhas das folhas superpostas). Somente quando a planta está pronta para florescer é que uma extensão do verdadeiro caule, com uma espiga terminal na ponta, cresce por dentro da bainha do pseudocaule até sair e continua crescendo para baixo onde surgem as bananas.The Editors of Encyclopædia Britannica. Banana. Encyclopædia Britannica, Encyclopædia Britannica, Inc., 22 Aug. 2019. Acontece que, muitas vezes esse caule não cresce até sair de dentro da planta, as bananas surgem ainda dentro do falso tronco e não são expulsas.Globo Rural. Cacho de banana que nasce no lugar errado. Por que isso acontece?. Globo Rural. 2019.

Canal espermático dos primatas de 40 cm