A morte de José Kairala ocorreu em 4 de dezembro de 1963 dentro do Senado Federal do Brasil, em Brasília. O fato se caracteriza por um homicídio efetuado pelo senador Arnon de Melo , que tentando atingir com tiros o senador Silvestre Péricles , acabou por atingir e matar o senador suplente José Kairala .
Precedentes
Os precedentes do evento já estavam ocorrendo antes do fatídico dia, com discussões entre os senadores Arnon de Melo e Silvestre Péricles, por ambos pertencerem a famílias com certa notoriedade política no estado de Alagoas, a ascensão de ambas famílias na política acabava por gerar um certo conflito.
Esta ascensão atingia principalmente os Péricles que estavam há mais tempo em cargos políticos regionais e federais que os Mello, que posteriormente iriam ocupar cargos mais relevantes com a chegada de Fernando Collor de Mello, filho de Arnon, à presidência do Brasil.
Então Silvestre vinha provocando publicamente Arnon, que para sua defesa de uma suposta ameaça, começou a andar armado.
Caso Arnon, que havia presenciado poucas sessões do Senado, foi provocado por Silvestre à comparecer na sessão federal do dia 4 de dezembro de 1963.
Após estas provocações, Arnon pronunciou-se e compareceu à sessão armado. Sabendo do eminente risco de um conflito, Silvestre também compareceu armado à sessão.
Após pedir a palavra, Arnon começou um discurso falando sobre as ameaças que ele e sua família estavam enfrentando, assim provocando Silvestre. E quando Silvestre começou a avançar em direção à Arnon xingando-o, Arnon disparou, Silvestre jogou-se no chão sacando sua arma, porém João Agripino evitou que ele disparasse contra Arnon.
Após os disparos, foi constatado que um terceiro senador que estava tentando apartar a briga havia sido atingido. O senador em questão era José Kairala, do estado do Acre e do mesmo partido de Silvestre.
José Kairala estava ocupando a seção como suplente, após um problema de saúde de José Guiomard dos Santos, o senador titular que tirara licença. Kairala era orgulhoso de seu trabalho e por ser sua última sessão no Senado Federal, ele levou sua esposa e filhos ao local.
Kairala foi socorrido, porém não sobreviveu aos ferimentos e acabou falecendo no hospital no mesmo dia. Pela confusão, a sessão foi cancelada até a segunda ordem pelo seu presidente, Auro de Moura Andrade.
Consequências Ambos os senadores envolvidos na peleja foram conduzidos à delegacia para prestarem depoimento. Após os depoimentos, o senador Arnon permaneceu preso e em posse de seu revólver.
Após algumas horas detido, Arnon foi solto com a promessa de comparecer a uma audiência, onde na mesma foi absolvido por legítima defesa, com a morte de José Kairala sendo tratada como um acidente.
A esposa do senador Kairala tentou ainda na justiça solicitar que Arnon custeasse as despesas com o estudo de seu filho, porém não teve resultados com a requisição.
Outros casos Em 26 de dezembro de 1929, quando o Distrito Federal ainda ficava no Rio de Janeiro, o deputado Ildefonso Simões Lopes matou o rival Manuel Francisco de Sousa Filho com o alegado objetivo de defender seu filho. Foi absolvido.
Em 8 de junho de 1967, na Câmara dos Deputados, o deputado Nelson Carneiro revidou a um tapa que ele levou do deputado Estácio Gonçalves Souto Maior após discutirem pela presidência da União Parlamentar alguns dias antes, atirando contra Souto Maior. Ambos sobreviveram e foram posteriormente absolvidos.
Categoria:Assassinatos no Brasil na década de 1960 Categoria:Senado Federal do Brasil Categoria:1963 no Distrito Federal (Brasil) Categoria:Crimes no Distrito Federal (Brasil) Categoria:Controvérsias envolvendo o STF