thumb|310px|O SMS Saida c. 1914, um dos últimos cruzadores construídos para a Marinha Austro-Húngara A Marinha Austro-Húngara construiu uma série de cruzadores de diferentes tipos entre as décadas de 1870 e 1910. As primeiras embarcações encomendadas e construídas foram os três cruzadores torpedeiros da Classe Zara seguidos logo em seguida pelo , porém todos tiveram um desempenho abaixo do esperado e passaram a maior parte de suas carreiras na reserva. As próximas embarcações da Classe Panther foram encomendadas no Reino Unido para que os austro-húngaros pudessem supervisionar o projeto e ganhar experiência, o que levou ao desenvolvimento doméstico do . Estes navios foram muito mais bem sucedidos que seus predecessores e serviram ativamente por vários anos.
Os austro-húngaros em seguida passaram a construir cruzadores protegidos, começando com os dois navios da Classe Kaiser Franz Joseph I, projetados em resposta a cruzadores similares sendo construídos pela Marinha Real Italiana, e sendo sucedidos uma década depois pela Classe Zenta, que foram pensados para serem menores e atuarem na escolta de couraçados. Entretanto, esses navios não foram capazes de desempenhar suas funções planejadas e rapidamente caíram em obsolescência. Seus sucessores foram três cruzadores blindados encomendados para desempenharem muitas das mesmas funções que couraçados; o primeiro foi o , que formou a base para o e o . Eles serviram junto com os principais componentes da frota, participando do Levante dos Boxers e da Primeira Guerra Mundial.
A Marinha Austro-Húngara passou a construir cruzadores de reconhecimento no início da década de 1900. O primeiro foi o , que tinha a intenção de ser um navio veloz capaz de realizar reconhecimento e missões de ataques rápidos. Seu projeto foi muito bem avaliado e serviu de base para os três cruzadores da sucessora Classe Novara. As novas turbinas a vapor do Admiral Spaun mostraram-se pouco confiáveis, o que reduziu muito a atividade do cruzador durante a Primeira Guerra Mundial, porém mesmo assim participou de algumas operações como o Bombardeio de Ancona. Os navios da Classe Novara, por outro lado, foram muito bem sucedidos e participaram de diversos ataques contra forças inimigas no Mar Adriático. Por fim, com as tensões internacionais aumentando na década de 1910, os austro-húngaros planejaram uma classe de cruzadores rápidos para substituir a antiga Classe Zenta, porém o início da Primeira Guerra Mundial pouco depois de sua autorização impediu que fossem construídos.
+ Legenda Armas principais Número e tamanho dos canhões da bateria principal Deslocamento Deslocamento do navio totalmente carregado Propulsão Número e tipo do sistema de propulsão e velocidade máxima Batimento Data em que o batimento de quilha ocorreu Lançamento Data em que o navio foi lançado ao mar Comissionamento Data em que o navio foi comissionado em serviço Destino Fim que o navio teve
Cruzadores torpedeiros Classe Zara
thumb|esquerda|230px|O SMS Zara em 1884 A Marinha Austro-Húngara não conseguiu obter financiamento para novos ironclads no final da década de 1870, assim, para fortalecer a frota, teve que desenvolver cruzadores torpedeiros mais baratos armados com um novo tipo de torpedo desenvolvido na Áustria-Hungria na década anterior. A equipe considerou diferentes projetos, desde embarcações grandes, bem protegidas e com canhões grandes, até navios pequenos armados apenas com os torpedos. Foi decidido construir cruzadores pequenos modelados no aviso alemão SMS Zieten, que tinha sido um sucesso para a Marinha Imperial Alemã. Esses navios atuariam como batedores e líderes de flotilha para os barcos torpedeiros. O projeto resultante não atendeu às expectativas, principalmente por uma velocidade máxima baixa.
Os membros da Classe Zara tiveram atuações bem limitadas, pois sua baixa velocidade os impedia de serem usados nas funções que tinham sido projetados. Em vez disso, passaram a maior parte de sua existência na reserva, reativados apenas periodicamente para exercícios. A única grande operação em que qualquer um dels participou foi em 1898 durante a Revolta de Creta, quando o foi enviado para reforçar um bloqueio da ilha de Creta como parte de uma esquadra internacional. As embarcações foram usadas como navios de treinamento até o começo da Primeira Guerra Mundial em 1914, quando se tornaram navios de guarda portuários. Não entraram em combate durante o conflito, porém o foi seriamente danificado por uma mina naval em 1917. Os três cruzadores foram entregues a Itália como prêmios de guerra e desmontados.
Navio Armasprincipais Deslocamento Propulsão Serviço Batimento Lançamento Comissionamento Destino 4 × 87 mm 846 t 2 motores compostos;12 nós (23 km/h) agosto de 1878 novembro de 1879 julho de 1882 Desmontados em 1920 setembro de 1878 agosto de 1879 setembro de 1881 896 t novembro de 1880 fevereiro de 1882 dezembro de 1882
SMS Lussin
thumb|direita|240px|O SMS Lussin em 1894 Um quarto cruzador foi encomendado enquanto o Zara estava passando por testes marítimos. Seus predecessores foram usados como ponto de partida, porém o casco foi alongado a fim de incorporar linhas mais refinadas, melhorando a hidrodinâmica e permitindo a inclusão de maquinários mais poderosos. O foi projetado para alcançar uma velocidade máxima de dezessete nós (31 quilômetros por hora), porém nunca conseguiu chegar nesse valor devido a problemas em seu sistema de propulsão; suas caldeiras não conseguiam produzir vapor suficiente e sua sala de máquinas era mau ventilada. Foi decidido na mesma época que o Lussin entrou em serviço que os próximos cruzadores torpedeiros seriam encomendados de estaleiros estrangeiros mais experientes.
O Lussin participou de um bloqueio internacional da Grécia em 1886 como parte de uma tentativa das Grandes Potências de impedir uma guerra entre a Grécia e o Império Otomano. Sua baixa velocidade máxima impediu que o navio fosse usado como planejado e ele passou a maior parte dos anos seguintes foram de serviço, tornando-se em um navio de treinamento em 1889. O Lussin teve participações limitadas nas manobras anuais de frota e ficou atracado em Teodo de 1903 a 1909, sendo então reconstruído como um iate de 1909 a 1913. Foi usado como alojamento flutuante durante a Primeira Guerra Mundial para tripulações alemães de u-boots em Pola. Ele foi tomado pela Itália depois do conflito e renomeado Sorrento, sendo modernizado e empregado como navio depósito para lanchas MAS, função que exerceu até 1928, quando foi desmontado.
Navio Armasprincipais Deslocamento Propulsão Serviço Batimento Lançamento Comissionamento Destino 4 × 150 mm 1 122 t 2 motores compostos;13 nós (24 km/h) setembro de 1882 dezembro de 1883 julho de 1884 Desmontado em 1928
Classe Panther
thumb|esquerda|240px|O SMS Panther em 1906 A Marinha Austro-Húngara era tecnologicamente atrasada em meados da década de 1880, resultado de uma escassez de orçamento crônica. A recusa do Conselho Imperial austríaco e da Dieta húngara em conceder orçamentos maiores forçou a marinha a continuar procurando métodos alternativos e mais baratos para proteger o litoral do país. Como os projetos da Classe Zara e do Lussin tinham sido fracassos, a marinha optou por encomendar dois novos cruzadores torpedeiros dos estaleiros britânicos da Armstrong Mitchell. Siegfried Popper, o principal arquiteto naval austro-húngaro, foi enviado para supervisionar o projeto e adquirir mais experiência. As embarcações da Classe Panther foram as primeiras da frota austro-húngara a descartar mastros com velas.
Os dois cruzadores foram adições de sucesso para a Marinha Austro-Húngara, operando junto com a frota principal durante seus primeiros anos de serviço, também realizando várias viagens de treinamento de longa distância. O fez um grande cruzeiro de treinamento pelo Oceano Pacífico em 1896, enquanto o juntou-se a esquadra internacional no bloqueio de Creta no ano seguinte. Ambos realizaram várias viagens para a África e Ásia pela década seguinte, com um dos navios ficando estacionado na Ásia Oriental em qualquer momento entre 1907 e 1910. Eles serviram com o Grupo Especial de Defesa Litorânea na Primeira Guerra Mundial, com o Panther tendo bombardeado posições montenegrinas em 1916. Foram tomados pelo Reino Unido como prêmios de guerra ao final do conflito e desmontados na Itália em 1920.
Navio Armasprincipais Deslocamento Propulsão Serviço Batimento Lançamento Comissionamento Destino 2 × 120 mm 1 730 t 2 motores compostos;18 nós (33 km/h) outubro de 1884 junho de 1885 dezembro de 1885 Desmontados em 1920 janeiro de 1885 setembro de 1885 março de 1886
SMS Tiger
thumb|direita|240px|O SMS Lacroma, anteriormente Tiger Com a experiência adquirida com a Classe Panther, a Marinha Austro-Húngara encomendou mais um cruzador torpedeiro para ser construído nacionalmente mais uma vez. Popper foi encarregado em 1885 de um projeto de uma embarcação baseada na Classe Panther, mas com pequenos melhoramentos. O casco foi alongado para incorporar linhas mais refinadas, o que deu ao navio uma velocidade máxima um pouco mais elevada que seus predecessores, apesar de ambos terem sido projetados nominalmente para alcançarem dezoito nós (33 quilômetros por hora). O armamento era o mesmo da Classe Panther, porém foi equipado com torpedos austro-húngaros de 350 milímetros, que eram ligeiramente menores que aqueles construídos pelos britânicos.
O serviu com a frota nos seus primeiros anos de carreira e em 1890 realizou um cruzeiro pela Alemanha, Reino Unido e outros países do norte da Europa. Foi reformado em 1896 e participou do bloqueio de Creta em 1897. Foi convertido em um iate entre 1905 e 1906 e renomeado SMS Lacroma. Foi transformado em um alojamento flutuante em 1916 para tripulações alemãs de u-boots em Pola. Ao final da Primeira Guerra Mundial, a Marinha Austro-Húngara tentou transferir muitos de seus navios para o recém criado Estado dos Eslovenos, Croatas e Sérvios, incluindo o Lacroma, para que não fossem tomados pelos Aliados. Mesmo assim, a embarcação foi tomada pela Itália como prêmio de guerra e desmontada em 1920. Navio Armasprincipais Deslocamento Propulsão Serviço Batimento Lançamento Comissionamento Destino 4 × 120 mm 1 707 t 2 motores compostos;18 nós (33 km/h) outubro de 1886 junho de 1887 março de 1888 Desmontado em 1920
Cruzadores protegidos Classe Kaiser Franz Joseph I
thumb|esquerda|240px|O SMS Kaiserin Elisabeth em 1906 A Marinha Austro-Húngara previu durante o processo de projeto da Classe Panther que embarcações maiores e com armas mais poderosas seriam necessárias no futuro. Os novos navios foram modelados a partir dos cruzadores protegidos italianos Giovanni Bausan e a Classe Etna. Os parlamentos austríaco e húngaro ficaram satisfeitos com o baixo custo e aprovaram dois cruzadores. A resultante Classe Kaiser Franz Joseph I era armada com dois canhões de 240 milímetros em barbetas abertas, assim como suas contrapartes italianas, a fim de permitir que enfrentassem navios capitais ao mesmo tempo que mantivessem a velocidade para operarem com os cruzadores torpedeiros. Entretanto, em serviço, as embarcações foram incapazes de realizar as funções para as quais haviam sido projetadas, assim um terceiro membro da classe, apesar de autorizado, nunca foi construído.