A Classe Kaiser Franz Joseph I foi uma classe de cruzadores protegidos operada pela Marinha Austro-Húngara, composta pelo e . Suas construções começaram no final da década de 1880; o batimento de quilha das duas embarcações ocorreram em 1888. O Kaiser Franz Joseph I foi construído pelos estaleiros da Stabilimento Tecnico Triestino, enquanto o Kaiserin Elisabeth foi construído no Arsenal Naval de Pola. O primeiro navio foi lançado ao mar em 1889 e comissionado no ano seguinte, enquanto o segundo foi lançado em 1890 e comissionado em 1892. Um terceiro cruzador foi planejado, mas nunca construído.

A classe foi construída em resposta aos cruzadores italianos Giovanni Bausan e Etna, com seu projeto tendo sido muito influenciado pela estratégia naval da Jeune École. O vice-almirante Maximilian Daublebsky von Sterneck, o comandante da marinha, tinha a intenção para que servissem como uma espécie de couraçado, porém mudanças na tecnologia naval e pensamento estratégico os deixaram obsoletos pouco depois de terem entrado em serviço. Mesmo assim, os dois cruzadores permaneceram como componentes importantes da política naval austro-húngara, que continuou a enfatizar a doutrina da Jeune École e a importância da defesa litorânea e viagens diplomáticas.

O Kaiser Franz Joseph I e o Kaiserin Elisabeth participaram de várias viagens para o exterior no início de suas carreiras, com o segundo realizando uma viagem para o Oceano Pacífico entre 1892 e 1893. Foi a primeira viagem desse tipo de uma embarcação austro-húngara com casco de ferro e durante a maior parte o arquiduque Francisco Fernando, herdeiro do trono, esteve a bordo. O navio também se envolveu na supressão do Levante dos Boxers na China em 1899. Depois disto a Áustria-Hungria recebeu uma concessão territorial em Tianjin, o que fez os membros da Classe Kaiser Franz Joseph I alternarem períodos de serviço no local até a Primeira Guerra Mundial.

O Kaiserin Elisabeth estava na China no começo da guerra e ajudou na defesa da alemã Baía de Kiauchau, porém foi deliberadamente afundado ao final do Cerco de Tsingtao em novembro de 1914. O Kaiser Franz Joseph I permaneceu a maior parte do conflito na Baía de Cátaro e pouco fez, mas mesmo assim ajudou no bombardeio de fortificações montenegrinas em 1914 e 1916. Ele foi descomissionado e desarmado em 1917 e transformado em um quartel-general flutuante. O cruzador foi tomado pelos Aliados ao final da guerra e posteriormente cedido à França como prêmio de guerra, porém afundou durante um vendaval próximo de Kumbor em meados de outubro de 1919.

Antecedentes O imperador Francisco José I promoveu o barão Maximilian Daublebsky von Sterneck à patente de vice-almirante e o nomeou Comandante da Marinha Austro-Húngara e Chefe da Seção Naval do Ministério da Guerra em 13 de novembro de 1883. A presença de Sterneck na Batalha de Lissa e suas conexões anteriores com o vice-almirante Wilhelm von Tegetthoff fez com que sua promoção fosse amplamente apoiada dentro da marinha. Ele passou seus primeiros anos no posto de comandante reformando a administração burocrática da marinha, começando então a ir atrás de um novo programa de construção naval no final da década de 1880 e início da década de 1890.

Jeune École thumb|310px|esquerda|Mapa da Áustria-Hungria e o Mar Adriático em 1899 O filosofia naval da Jeune École começou a ganhar proeminência entre as pequenas marinhas europeias na década de 1880, particularmente dentro da Marinha Nacional Francesa, onde foi desenvolvida por teóricos que desejavam enfrentar a força da Marinha Real Britânica. A Jeune École defendia o uso de uma frota composta por navios menores como cruzadores, contratorpedeiros e barcos torpedeiros para enfrentar uma frota maior de ironclads e couraçados, além de atrapalhar o comércio marítimo global. A Jeune École foi rapidamente adotada como a principal estratégia naval da Áustria-Hungria sob a liderança de Sterneck. Seu grande apoio estava baseado em uma crença que a estratégia aparentemente se encaixava com a política naval austro-húngara já existente, que defendia defesa litorânea e uma projeção de poder limitada além do Mar Adriático. Testes realizados na primeira metade da década de 1880 levaram Sterneck a acreditar que ataques de torpedos contra uma frota de couraçados, um componente central da Jeune École, teria de ter o apoio de embarcações maiores como cruzadores. A Áustria-Hungria não tinha a capacidade de atrapalhar o comércio global por sua localização no Adriático e as duas marinhas em potencial com quem poderia entrar em guerra, a Marinha Real Italiana e a Marinha Imperial Russa, careciam de alvos adequados para ataques comerciais ou colônias ultramarinas, assim os cruzadores projetados sob os princípios da Jeune École seriam focados em defesa litorânea e liderança de flotilhas de barcos torpedeiros. Esses testes e a adoção da Jeune École como a principal estratégia naval da Marinha Austro-Húngara levaram ao desenvolvimento dos cruzadores da Classe Kaiser Franz Joseph I.

Propostas e orçamento Sterneck, sob o plano naval de 1881, aprovado por seu antecessor, o almirante barão Friedrich von Pöck, propôs a construção da Classe Kaiser Franz Joseph I às Delegações Austríaca e Húngara para Questões Comuns como "substitutos" dos antigos ironclads e . O Kaiser não servia ativamente desde 1875 e Pöck tinha a intenção de substituí-lo antes de deixar o cargo em 1883. O Lissa fora colocado na frota de reserva em 1888. Ambas as delegações apoiaram a proposta para os cruzadores, muito devido ao seu preço relativamente baixo quando comparado aos navios capitais da época. Os dois navios da Classe Kaiser Franz Joseph I custariam 5,36 milhões de guldens ou 10,72 milhões de coroas, enquanto o ironclad , que teve sua construção iniciada em 1884, custou 5,44 milhões de guldens. As Delegações assim alocaram fundos para a construção de duas embarcações, "Cruzador Abalroador A" e "Cruzador Abalroador B", sob os orçamentos de 1888 e 1889.

Sterneck foi inspirado a propor a Classe Kaiser Franz Joseph I após a construção dos cruzadores italianos Giovanni Bausan e os quatro da Classe Etna, porém seu entusiasmo inicial foi diminuído por preocupações que os navios seriam incapazes de se igualar a couraçados de outros países, que estavam começando a se aproximar de dez mil toneladas. O Conselho Ministerial austro-húngaro defendeu em 1889 que um proposto terceiro cruzador da classe fosse adiado. Financiamento para o "Cruzador Abalroador C" foi incluído no orçamento naval de 1890, porém as Delegações nunca deram autorização para a construção da embarcação e suas obras nunca foram iniciadas.

Projeto thumb|260px|Desenho da Classe Kaiser Franz Joseph I Os cruzadores da Classe Kaiser Franz Joseph I foram autorizados próximos do começo da segunda corrida armamentista naval entre a Áustria-Hungria e a Itália, tendo sido projetados para liderarem flotilhas de barcos torpedeiros contra uma frota maior de couraçados. Apesar dos dois países terem se tornado aliados em 1882 sob a Tríplice Aliança com a Alemanha, a Marinha Real Italiana permaneceu como a maior potência naval na região, com a qual a Marinha Austro-Húngara frequentemente se comparava desfavoravelmente. A Itália, mesmo tendo sido derrotada na Batalha de Lissa em 1866 durante a Terceira Guerra de Independência Italiana, ainda assim continuou a possuir uma marinha maior que a Áustria-Hungria nos anos pós-guerra. A disparidade entre as duas marinhas já existia antes mesmo da primeira corrida armamentista naval entre os dois países no início da década de 1860. Os austro-húngaros conseguiram diminuir a diferença de poderio naval no decorrer da década de 1870, mas os italianos ainda assim detinham a terceira maior frota do mundo no final da década de 1880, atrás apenas de Reino Unido e França.

Sterneck declarou que os navios da Classe Kaiser Franz Joseph I eram os "couraçados do futuro", tendo sido concebido que eles liderariam uma divisão torpedeira composta pelos cruzadores torpedeiros da Classe Panther, dois contratorpedeiros e doze barcos torpedeiros. O deslocamento e velocidade dos cruzadores ilustravam a aplicação austro-húngara da Jeune École, enquanto os proeminentes rostros na proa refletiam o legado da Batalha de Lissa, que viu a muito menor frota austríaca derrotar a poderosa frota italiana com táticas de abalroamento. Sterneck acreditava que os navios operariam em confrontos caóticos a curta distância junto com a divisão torpedeira que liderariam, o que necessitaria de uma proa com rostro a fim de danificar e afundar embarcações inimigas como Tegetthoff havia feito em Lissa. As armas grandes dos cruzadores foram escolhidas para dar embasamento ao plano de Sterneck de que a Classe Kaiser Franz Joseph I substituiria os poderosos ironclads e couraçados.

Características A Classe Kaiser Franz Joseph I foi projetada pelo engenheiro Franz von Jüptner, o Engenheiro Chefe da Marinha Austro-Húngara. Os navios tinham um comprimento de fora a fora de 103,7 ou 103,9 metros e um comprimento entre perpendiculares de 97,9 metros. Eles tinham uma boca entre 14,75 e 14,8 metros, enquanto seu calado podia chegar a 5,7 metros quando totalmente carregados com suprimentos de batalha. As embarcações foram projetadas para terem um deslocamento normal de toneladas, porém seu deslocamento carregado chegava a toneladas. O número de tripulantes ficava entre 367 e 444 oficiais e marinheiros.

Propulsão Os navios possuíam dois eixos que operavam duas hélices, cada uma de 4,35 metros de diâmetro. Essas hélices eram movidas por dois conjuntos de motores de tripla-expansão horizontais que foram projetados para proporcionar oito mil ou 8 450 cavalos-vapor (5 970 ou 6,3 mil quilowatts) de potência. O vapor para os motores provinha de quatro caldeiras cilíndricas, o que dava aos navios da Classe Kaiser Franz Joseph I uma velocidade máxima de 19,65 a vinte nós (36,39 a 37,04 quilômetros por hora). Ambos carregavam 670 toneladas de carvão, o que lhes dava uma autonomia de 3,2 mil milhas náuticas (5,9 mil quilômetros) a dez nós (dezenove quilômetros por hora).

Armamento O armamento dos navios da Classe Kaiser Franz Joseph I era muito baseado no projeto britânico dos chamados "cruzadores Elswick", como por exemplo o cruzador protegido chileno Esmeralda. Eles eram armados com uma bateria principal composta por dois canhões Krupp K calibre 35 de 240 milímetros montados em duas torres de artilharia únicas, uma na proa e outra na popa. O armamento secundário tinha seis canhões Krupp SK calibre 35 de 149 milímetros montados em casamatas a meia-nau, três em cada lateral. Também foram equipados com dezesseis canhões Škoda SFK calibre 44 de 47 milímetros mais quatro tubos de torpedo de 400 ou 450 milímetros. Estes ficavam em montagens únicas localizadas na proa, na popa e uma em cada lateral. Estas armas grandes foram escolhidas com a intenção de ajudar as embarcações a enfrentaram couraçados a certa distância ao mesmo tempo podendo apoiar ataques de barcos torpedeiros contra um navio ou frota inimiga. Os cruzadores da classe passaram por reformas e modernizações entre 1905 e 1906, com seus armamentos principais tendo sido substituídos por dois canhões Škoda SK calibre 40 de 149 milímetros.