Marlon Brendon Coelho Couto da Silva (Rio de Janeiro, 5 de fevereiro de 1999), mais conhecido como MC Poze do Rodo, é um cantor e compositor brasileiro.
Foi preso em 15 de abril de 2026 em uma operação da Polícia Federal do Brasil contra uma organização criminosa acusada de lavagem de dinheiro e transações ilegais de mais de 1,6 bilhão de reais. Em 14 de maio foi solto após um habeas corpus.
Biografia Marlon Brendon Coelho Couto da Silva nasceu na Favela do Rodo, em Santa Cruz, Zona Oeste do Rio de Janeiro, tendo sido batizado em homenagem ao ator norte-americano Marlon Brando. Se envolveu com a criminalidade ainda na adolescência na comunidade do Rodo, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio de Janeiro e foi preso por tráfico e associação criminosa ao tráfico de drogas. Em 28 de setembro de 2019, o MC foi preso por apologia ao crime, corrupção de menores e tráfico de drogas durante um show em Sorriso, Mato Grosso. Após alguns dias detido, o funkeiro viu a vida começar a mudar depois que uma de suas músicas, Os Coringas do Flamengo, alcançou cerca de 8 milhões de visualizações no YouTube e se tornou tema das festas de comemoração da equipe carioca pelas conquistas da Libertadores da América e do Campeonato Brasileiro daquela temporada. Com o sucesso, Poze foi abraçado pela torcida e também pelos jogadores.
Carreira MC Poze durante show em 2022.|miniaturadaimagem|220x220px|esquerdaMC Poze faturava mais de R$ 200 mil por mês em cachê, em meados de 2021. Em 2022, lançou O Sábio, seu primeiro extended play. Atualmente, possui seis singles lançados entre 2019 e 2021.
Ele ficou conhecido com o hit Tô Voando Alto, lançado em 2019, que esteve semanas nas paradas musicais do Brasil. Desde então, ele fez uma turnê pela Europa e se apresentou em cinco shows em Portugal, Inglaterra e Espanha, além de uma apresentação na Bélgica.
Seu alcance internacional se expandiu significativamente em 2023, quando estreou uma série de shows no exterior. Em novembro de 2023, MC Poze se apresentou em lugares como Pompano Beach, na Flórida, e em Newark, em Nova Jersey.
Estilo musical MC Poze é conhecido pelas letras polêmicas, características do subtipo conhecido como "funk proibidão".
Há trabalhos que discutem o caráter de complexidade com referência a noção de apologia do crime no funk/trap carioca, porque situa em questão a liberdade artística versus o controle social. Outro tipo de abordagens situam: a realidade de nascer, crescer e desenvolver às infâncias, adolescências e juventudes em meio a territórios urbanos. Tais como, periferias e favelas marcados por disputas e tensionamento pelo domínio de diversas facções criminosas, a exemplo do Rio de Janeiro. A constituição das letras musicais de cunho ofensivo diz respeito a aspectos sociais, psíquicos e jurídicos. Nesse sentido, a canção na condição de expressão artística em seu contexto ao longo do processo histórico, cultural e político é afetado pela esfera penal, sujeito, portanto, a possibilidade (ou impossibilidade) de tipificação referente a conduta ilegal, depreciativa e ofensiva em dada sociedade. Logo, insere na discussão, o debate em destaque sobre o direito fundamental à liberdade de expressão, seus limites e controvérsias. Ou seja, a canção do artista denominado de polêmico denuncia diversos tipos de violências.
Vejamos a seguir a denúncia da estratificação social, das desigualdades sistemáticas na sociedade: “E se eu disser que a polícia tá matando quem acorda cinco da manhã... Pra trabalhar tentando ser alguém? E se eu disser que, na verdade, o sistema é mó covarde Vê o povo passar fome e não ajuda ninguém? É foda de manter a calma porque a bala voa... E inocente tá morrendo o tempo inteiro...Parece até que liberaram as arma... Faz tempo que nós vive debaixo de tiro na Vila Cruzeiro... E hoje não tem final feliz porque mais um se foi Político safado protegido pela lei... O galo canta, mas não canta mais no Cantagalo Quem mandou matar Marielle? Até agora eu não sei…” (Talvez: MC Poze do Rodo, 2022).O envolvimento em processos relacionados a sua participação com organizações ligadas ao tráfico de drogas é situação presente na história de vida do cantor. Frequentemente, o fato de suas letras conterem aparente exaltações ao modus operandi de facções criminosas é apontado como problemático. A réplica por parte do artista geralmente orbita na questão do mesmo se colocar apenas como um veículo que retrata a realidade das comunidades carentes do Rio de Janeiro por meio da música.
Controvérsias Música "Talvez" e polêmica com MC Paiva Em novembro de 2022, MC Poze lançou seu primeiro álbum chamado O Sábio. Na música Talvez, Poze faz menção à Chacina do Jacarezinho, em que 28 pessoas foram mortas em uma operação policial feita perto do Dia das Mães, em 2021. Na mesma música, Poze decidiu colocar um policial chamado "Paiva" no clipe.
A escolha do nome do personagem rendeu uma polêmica do cantor com o MC Paiva, que postou uma sequência de stories em seu Instagram, acusando o artista de ter o alfinetado. Além de explicar a história do incômodo, o paulista chamou Poze de "vagabundo", e o ameaçou, chamou-o para se encontrarem e discutirem o acontecimento. No meio de diversos xingamentos, Paiva ainda declarou que pode circular tranquilamente pelo Rio de Janeiro por ser bem visto e insinuou que Poze não poderia fazer a mesma coisa em São Paulo. Ele também revelou que tentou entrar em contato com o músico antes, sobre o incômodo, mas não obteve resposta.
Tráfico de drogas e ostentação Em depoimento à polícia, MC Poze confirmou que foi traficante de drogas entre os anos de 2015 e 2016, na favela do Rodo. Ele teria exercido a função de "vapor" no tráfico de drogas, cuja função é vender drogas diretamente aos usuários, mas afirmou aos policiais que abandonou o tráfico quando a milícia invadiu a localidade.
Na internet, circulam fotos e vídeos em que MC Poze aparece ostentando armas como fuzis, pistolas e até uma granada. Porém, o cantor alega que as imagens são referentes à época em que ainda era traficante.
Operação Rifa Limpa Em 1 de novembro de 2024, uma operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro, que investiga sorteios ilegais, apreendeu uma série de bens do cantor MC Poze, incluindo joias e veículos de luxo, na casa dele. A mulher do cantor, Viviane Noronha, e outros influenciadores são alvo da Operação Rifa Limpa.
Em 12 de novembro, um perito da Polícia Civil do Rio de Janeiro, que avaliou uma das joias apreendidas na casa do MC Poze do Rodo, durante operação contra rifas ilegais, disse que um cordão, formado por ouro, cobre, prata e pedra preciosa zircônia, vale cerca de 650 mil reais.
Em abril de 2025, a justiça decidiu pela liberação de seus veículos e joias. Segundo a justiça, não houve comprovação da relação dos itens apreendidos com os supostos delitos apontados pela polícia.
Prisões Primeira prisão Em 29 de maio de 2025, Poze foi detido por agentes da Delegacia de Repressão aos Entorpecentes (DRE) em sua mansão em um condomínio de luxo no Recreio dos Bandeirantes. O artista é investigado por apologia ao crime e envolvimento com o tráfico de drogas. A delegacia também afirmou que o Comando Vermelho se utiliza estrategicamente dos shows do cantor, realizados em áreas de domínio da facção, para aumentar a arrecadação com a venda de entorpecentes. A investigação começou após a circulação de vídeos de um baile na Cidade de Deus, que contou com a presença de Poze e que mostram traficantes fortemente armados.
Em 2 de junho de 2025, a Justiça concedeu habeas corpus para o cantor e revogou a prisão temporária do MC. O desembargador Peterson Barroso, da Segunda Câmara Criminal, determinou a soltura e o cumprimento de medidas cautelares pelo artista. Na decisão, Simões criticou a maneira que a Polícia Civil do Rio de Janeiro executou a prisão do músico. "O alvo da prisão não deve ser o mais fraco – o paciente, e sim os comandantes de facção temerosa, abusada e violenta, que corrompe, mata, rouba, pratica o tráfico, além de outros tipos penais em prejuízo das pessoas e da sociedade", escreveu o desembargador.
Já solto, Poze dentre outras medidas, ficou proibido de comunicar-se com pessoas investigadas pelos fatos envolvidos no inquérito, testemunhas, bem como pessoas ligadas à facção criminosa Comando Vermelho; deverá entregar o passaporte à Secretaria do Juízo originário. Seus pertences pessoais, como joias e carros, assim como os celulares e tablets, foram novamente apreendidos pela polícia com sua prisão. Após ser solto, o artista teve seus pertences liberados, tendo postado um vídeo com eles, embora tenha mencionado que os celulares e tablets não foram devolvidos.
Em julho do mesmo ano, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPE-RJ) denunciou Poze e outras nove pessoas por tortura e extorsão mediante sequestro. De acordo com as investigações da Polícia e com o MP, Poze e seus amigos atuaram de forma coordenada, com uso de violência física, para obrigar o empresário Renato Medeiros a confessar que teria roubado uma joia do cantor. As investigações apontam que Renato teria sido espancado com chutes, socos e com uso de uma arma artesanal feita com madeira e pregos. Além disso, o ex-empresário do MC teria sido queimado com cigarros acesos.
Segunda prisão
No dia 15 de abril de 2026, foi preso na Operação Narcofluxo da Polícia Federal do Brasil (PF) contra uma organização criminosa acusada de lavagem de dinheiro e transações ilegais de mais de 1,6 bilhão de reais. No dia seguinte, o cantor permaneceu em silêncio na sede da PF.
No dia 17 de abril, foi transferido para o presídio de Bangu 1, no Complexo de Gericinó, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, após ser preso no Presídio José Frederico Marques, em Benfica, Zona Norte do mesmo nome da cidade.
No dia 23 de abril, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou a soltura de Poze em razão do prazo dos cinco dias da prisão temporária incialmente pedido pelo PF ter sido cumprido. No mesmo dia a PF pediu a prisão preventiva para manter a prisão dos investigados, decisão aceita pela justiça. Em 14 de maio, a Justiça Federal declarou a sua soltura, através de um habeas corpus. Na saída, Poze voltou a negar qualquer envolvimento com o crime organizado.
CPI das Câmeras Em outubro de 2025, em audiência na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, tendo sido convocado para depor na CPI das Câmeras, que trata sobre carros roubados, após ter tido sua Land Rover Defender roubada e rapidamente devolvida, declarou que:
Acompanhada de sua advogada, preferiu exercer seu direito de permanecer em silêncio nas demais perguntas da audiência.
Vida pessoal MC Poze é torcedor declarado do Flamengo, no qual virou uma espécie de xodó da torcida na internet. Vive em uma mansão localizada no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Poze é pai de 7 filhos: Júlia (nascida em 18 de maio de 2019), Miguel (nascido em 2 de dezembro de 2020), Laura (nascida em 11 de dezembro de 2022), Jade (nascida em 6 de setembro de 2023) e Manuela (nascida em 7 de novembro de 2023). Em janeiro de 2024, o cantor afirmou que seu 6.º filho faleceu ainda na barriga da mãe, que não teve a identidade revelada. O MC teve um relacionamento com a influencer Viviane Noronha até 2021, com quem teve três filhos. Em 2026 o artista descobriu que é pai de Enzo fruto de um caso amoroso com Ana Beatriz Nascimento antes da fama, no mesmo ano anuncia que será pai pela sétima vez de uma menina batizada de Lavínia.
Roubo na casa do cantor miniaturadaimagem|Imagem da câmera de segurança mostra um dos assaltantes armado com fuzil