Vários dialetos coreanos são falados na Península Coreana. A península é extremamente montanhosa e o "território" de cada dialeto corresponde intimamente às fronteiras naturais entre as diferentes regiões geográficas da Coreia. A maioria dos dialetos tem o nome de uma das oito províncias tradicionais do país. Um é suficientemente distinto dos outros para ser considerado um idioma separado, o idioma Jeju.
Áreas de dialeto A Coreia é um país montanhoso, e essa pode ser a principal razão pela qual o coreano é dividido em vários pequenos dialetos locais. Uma análise estatística recente desses dialetos sugere que a estrutura hierárquica dentro desses dialetos é altamente incerta, o que significa que não há evidência quantitativa para apoiar uma relação semelhante a uma árvore genealógica entre eles.Lee, Sean (2015), "A Sketch of Language History in the Korean Peninsula", PLOS ONE, 10 (5), e0128448, Bibcode:2015PLoSO..1028448L, doi:10.1371/journal.pone.0128448, PMC 4449120, PMID 26024377. pp. 8–9. Acesso em 16 de agosto de 2021.
Alguns pesquisadores classificam os dialetos coreanos em dialetos ocidentais e orientais. Comparados com o coreano médio, os dialetos ocidentais preservaram as vogais longas, enquanto os dialetos orientais preservaram os tons ou o acento tonal. O idioma Jeju e alguns dialetos norte-coreanos não fazem distinção entre comprimento ou tom da vogal.Yeon, Jaehoon (2012), "Korean dialects: a general survey", in Tranter, Nicolas (ed.), The Languages of Japan and Korea, Routledge, pp. 168–185, ISBN 978-0-415-46287-7. Mas o dialeto do sudeste e o dialeto do nordeste podem não estar intimamente relacionados entre si genealogicamente.
Existem poucas demarcações claras, de modo que a classificação do dialeto é necessariamente arbitrária até certo ponto. Uma classificação comum, originalmente introduzida por Shinpei Ogura em 1944 e ajustada por autores posteriores, identifica seis áreas dialetais.Lee, Iksop; Ramsey, S. Robert (2000), The Korean Language, SUNY Press, ISBN 978-0-7914-4831-1, p. 316, Map 3. Acesso em 16 de agosto de 2021.Lee, Iksop; Ramsey, S. Robert (2000), The Korean Language, SUNY Press, ISBN 978-0-7914-4831-1. pp. 311–313. Acesso em 16 de agosto de 2021.
Hamgyŏng (Nordeste) É falado nas províncias de Hamgyong Norte, Hamgyong Sul e na província de Ryanggang, na Coreia do Norte, bem como em Jilin e Heilongjiang, no Nordeste da China, Rússia, Uzbequistão, e Cazaquistão, em comunidades formadas nestes países após à diáspora coreana. As características do Hamgyŏng incluem um acento tônico estreitamente alinhado ao utilizado no antigo Coreano Médio, palatalização extensa, metafonia, preservação das consoantes intervocais anteriores ao Coreano Médio, sufixos verbais distintos e uma regra sintática incomum na qual as partículas negativas intervêm entre o verbo auxiliar e o verbo principal.
No final do século XIX e início do século XX, em resposta às más colheitas e à anexação japonesa da Coreia, muitos coreanos, incluindo falantes do dialeto Hamgyŏng, migraram das partes norte da península coreana para o leste da Manchúria (agora Nordeste da China) e para o sul do Krai do Litoral, no Extremo Oriente Russo. Os descendentes desses imigrantes na Manchúria continuam a falar, ler e escrever variedades da língua coreana enquanto vivem na China. Além disso, na década de 1930, Stalin deportou à força toda a população coreana do Extremo Oriente Russo para a Ásia Central soviética, particularmente o Uzbequistão e o Cazaquistão.
Há pequenas comunidades coreanas espalhadas pela Ásia Central mantendo variações de coreano, conhecidas coletivamente como Koryo-mar, mas tais variações estão sob forte pressão dos idiomas locais e do coreano padrão de Seul. Atualmente, as formas mais conservadoras do dialeto Hamgyŏng são faladas nas comunidades coreanas da Ásia Central, considerando que a falta de vitalidade do idioma coreano ali colocou um fim à mudança natural do idioma. Dentre as comunidades onde o Hamgyŏng continua sendo amplamente falado, o dialeto falado em Jilin e em Heilongjiang é mais conservador do que o dialeto norte-coreano moderno, já que este último tem estado sob grande pressão do idioma padrão norte-coreano, imposto pelo Estado desde os anos 60.
Fonologia Tal qual o dialeto Gyeongsang do sudeste, mas diferente de outros dialetos coreanos, o dialeto Hamgyŏng tem um sistema distinto de acento de tom alto-baixo usado para distinguir o que de outra forma seriam homófonos. Pares de mínimo de acento tônico não têm tom isolado, somente na presença de uma partícula ou cópula. Por exemplo, a palavra 배 (bae) - homófono no dialeto coreano padrão sem tom de Seul - pode significar tanto "pêra" quanto "barriga" em Hamgyŏng também, desde que a palavra exista isoladamente. Quando anexado ao marcador temático 는 (neun), "pêra" é falado como bae-neún, com um tom alto na segunda sílaba, enquanto a palavra "barriga" é pronunciada como báe-neun, com tom alto na primeira sílaba. Ao contrário dos tons no dialeto de Gyeongsang, os tons no dialeto de Hamgyŏng são reflexos regulares de tons do Coreano Médio do século XV. Os tons altos e os tons ascendentes do Coreano Médio se tornaram o tom alto Hamgyŏng, e o tom baixo do Coreano Médio se tornou o tom baixo no dialeto de Hamgyŏng.
Gramática Assim como todas as outras variações da língua coreana, partículas de casos gramaticais são ligadas aos substantivos.
A maioria das análises feitas do dialeto Hamgyong identifica três níveis de formalidade e deferência da fala para com o destinatário, que são marcados por sufixos de final de frase, como em outros dialetos coreanos. Alguns dos terminadores verbais mais distintos desse dialeto incluem "지비" (jibi), um sufixo casual que elicita confirmação ou concordância; o sufixo formal "우/수다" (u/usuda) e o sufixo de nível neutro "수다/슴메" (suda/seumme), sendo que ambos podem ser usados, dependendo da entonação, para estados declarativos, interrogativos e imperativos; e o sufixo propositivo de nível neutro ㅂ세 (~bse). Os sufixos de nível informal são idênticos aos sufixos coreanos.
Também há a partícula negativa no dialeto de Hamgyŏng, como 아이 (ai), "não" e 못 (mot) 'não poder', que aparecem entre o verbo principal e o auxiliar, ao contrário de outras variedades coreanas - exceto o dialeto Yukjin, também falado em Hamgyŏng - onde a partícula ou precede o verbo principal ou segue o auxiliar. Dialeto HamgyongDialeto padrão먹어 아이 보았소먹어 보지 않았어술기도 넘어 못 가오수레도 못 넘어가요
Pyongan (Noroeste) Falado em Pyongyang, na província de Pyongan, na de Chagang e na província de Liaoning, na China, é considerado uma das bases da linguagem padrão da Coreia do Norte.
Pronúncia Vogais: é utilizado um sistema de oito vogais: 아, 어, 오, 우, 으, 이, 에 e 애. O som de 어 é muito próximo do som de 오, quando comparamos com outros dialetos da língua coreana. 으 tem a pronúncia mais próxima de [i] do que de [ɨ] - 그렇다, por exemplo, é pronunciado como 기렇다. Entretanto, o oposto acontece quando é seguido de ㅅ, a palatalização que ocorre nos outros dialetos ao pronunciar 시 não ocorre no dialeto de Pyongan - 싫다, por exemplo, vira 슳다. Existem muitas características que diferenciam a pronúncia das palavras dos dialetos do sudoeste e os dialetos do interior, por exemplo. Além disso, 위, 왜, 워 e 와 são pronunciados de forma parecida com 야, 여, 요 e 유.
Palatalização: a consoante ㄷ e as consoantes ㄱ e ㅎ, quando na primeira sílaba, não são palatalizadas no dialeto de Pyongan - por exemplo, 뎡거댱 é pronunciada como [chyŏnggŏjyang] e 정거장, como [chŏgŏjang]. Palavras sino-coreanas iniciadas com ㄴ são pronunciadas com som de ㄹ.
Conjugação: raízes dos verbos irregulares com ㄷ, ㅂ e ㅅ utilizam ambas as formas. Por exemplo, verbo 듣다, ouvir, utiliza tanto a forma 드드니 quanto 들으니.
Dialetos centrais Normalmente dividido ao longo das fronteiras provinciais:
Dialeto de Gyeonggi Também chamado de "dialeto de Seul", é falado na província de Gyeonggi, onde ficam as cidades de Seul e Incheon, bem como no sudeste da cidade de Kaesong e nas províncias de Kaepung e de Changpung, na Coreia do Norte, e também por falantes de coreano fora da Coreia. É a base da linguagem padrão para a Coreia do Sul, sendo cada vez mais usado em contextos on-line, levando a maioria dos jovens sul-coreanos a utilizar este dialeto, independentemente de sua região; é esperado que o uso dos canais de comunicação online leve a um maior uso do dialeto Gyeonggi, ao invés dos dialetos regionais distintos.
Pronúncia As vogais 에 e 애 acabam sendo mescladas entre si, dentre os falantes mais jovens, e o tamanho da pronúncia da vogal não é diferenciado. Entre os falantes jovens da língua ou em contextos informais, as posposições 도, 로 e 고 muitas vezes acabam sendo pronunciadas como 두, 루, 구, e o 요, da conjugação verbal, muitas vezes é pronunciado como 여 na internet ou em situações informais. Além disso, os falantes desse dialeto costumam terminar frases interrogativas com 냐
Em uma pesquisa feita em 2013 por Kang Yoon-jung e Han Sung-woo, que comparou gravações de voz de falantes desse dialeto entre 1935 e 2005, foi concluído que, nos anos mais recentes, as consoantes básicas ㅂ, ㅈ, ㄷ e ㄱ, as consoantes aspiradas ㅍ, ㅊ, ㅌ e ㅋ e as consoantes tensionadas ㅃ, ㅉ, ㄸ e ㄲ estavam mudando de uma distinção por meio do tempo de início da voz para uma mudança de tom, sugerindo que o dialeto de Gyeonggi está passando por um processo de tonogênese. Kim Mi-Ryoung afirma que essas mudanças de som ainda mostram que existem variações entre diferentes falantes do dialetoKim, Mi-Ryoung. Tonogenesis in contemporary Korean with special reference to the onset-tone interaction and the loss of a consonant opposition. The Journal of the Acoustical Society of America, vol. 133, 5ª edição. Página 3570. e Cho Sung-hye, ao examinar 141 falantes deste dialeto, concluiu que essas mudanças de tom foram iniciadas com mulheres nascidas na década de 50 e afeta quase todos nascidos na década de 90. Entretanto, Choi Ji-youn, em uma pesquisa de 2020, discorda que esse processo de distinção das consoantes por meio do tempo de início da voz ocorra por conta de uma tonogênese, mas sim por conta de uma mudança condicionada prosódicamente.
Variações de sotaque O sotaque de Seul pode ser dividido em três variações: conservativa, geral e modificada. A forma conservatida é geralmente utilizada por falantes que tenham nascido ou vivido em Seul antes da industrialização, nos anos 70. Para algumas pessoas, esse sotaque pode parecer com o sotaque norte-coreano. Gravações antigas de programas de televisão e de jornais podem ser exemplos desse sotaque.
A forma geral pode ser encontrada em falas de praticamente todos os âncoras de jornais nos dias atuais. Pode-se considerar que essa variação está entre a forma conservativa e a modificada. É frequentemente utilizada para gravações de áudio para provas de audição de língua coreana para estudantes do Ensino Médio e é considerada a forma padrão do sotaque sul-coreano. Tendo isso em vista, é considerado que âncoras de jornais e repórteres que falam e dominam essa variação para a profissão são considerados umas das pessoas mais gramaticalmente e linguisticamente precisas e eloquentes da Coreia do Sul.
Já a forma modificada é geralmente falada pelas gerações mais jovens e pessoas idosas de classe baixa na Área Metropolitana de Seul. Algumas pessoas de classes média e alta podem falar com este sotaque, devido à falta de políticas de educação "rígidas". Essa variação surgiu nos anos de 1990, e até mesmo alguns âncoras de jornal podem falar com algumas características desse sotaque hoje em dia, principalmente se estão apresentando programas de entretenimento.
A característica mais marcante dessa variação de sotaque é que o tom sobe no final de uma frase, o que muitas vezes pode incomodar os falantes do dialeto de Gyeongsang. Este fenômeno de elevação do tom ocorre devido à influência de migrantes da região de Jeolla para Seul durante a industrialização.
Dialeto de Chungcheong