Fuga e evitação da predação, também chamado de adaptações anti-predatórias, são mecanismos desenvolvidos através da evolução e que auxiliam organismos (presas) em sua luta constante contra predadores. Em todo o reino animal, as adaptações evoluíram para todas as fases desta luta, nomeadamente evitando a detecção, afastando o ataque, revidando ou fugindo quando apanhado.
Fuga miniaturadaimagem|356x356px|Distância Crítica A fuga é um comportamento de defesa adotado pelo animal em resposta ao meio que o cerca e, que vai além do território em que ele ocupa. Funciona a partir de um limite ou distância segura entre esse animal e os demais indivíduos, que podem ser da mesma espécie ou de diferentes espécies. O tamanho desse espaçamento que é definido pelo animal, também denominado de "espaçamento virtual" (distância de fuga), pode variar entre as espécies ou gêneros, bem como os mecanismos de fuga, porém, algumas estratégias de defesa são padronizadas. Em situações de possível predação e que as táticas adotadas pelo bicho, anteriormente à sua detecção, tenham falhado (como a camuflagem, o mimetismo, etc.), a fuga pode ser uma alternativa à presa para evitação da predação mesmo após ela ter sido reconhecida pelo predador. Assim, a Distância de Fuga adotada pelo animal, deve ser proporcional ao seu tamanho e ao tamanho do animal que se aproxima, e precisa ser suficientemente eficaz para que ele consiga escapar com sucesso da situação. A distância também pode ser reduzida ou até eliminada, quando o bicho reconhece o outro indivíduo próximo a ele como “conhecido” (é o caso de animais domésticos e animais de zoológico, por exemplo).
Entendendo como os limites da zona de escape se diferenciam entre as variadas espécies, podemos compreender também os custos e benefícios desse comportamento de fuga, visto que as estratégias do predador geram uma seleção nas estratégias de defesa da presa. Tendo esses conceitos definidos, duas coisas também devem ser consideradas para o esclarecimento dos custos durante o comportamento de escapada: as restrições físicas de presa e predador; e a vida em grupo (agregada) dos indivíduos, que ajuda muito na defesa contra predadores. Além disso, a seleção natural tende a favorecer os comportamentos que minimizam os gastos energéticos ou que maximiza, na verdade, a recompensa desse comportamento. Por exemplo, se investir em uma corrida mais longa durante uma fuga, maximizar em média o ganho energético do indivíduo, espera-se que ao longo da evolução a seleção natural selecione esse comportamento, ainda que ele não seja racional. Esse comportamento seria então uma resposta evolutiva para aquela situação.
Outro método de distância é a Distância Crítica, que ocorre quando o animal por algum motivo não pode atingir a distância de fuga (porque algo impediu a sua locomoção) ou que ela foi interrompida por algum obstáculo que não pode ser ultrapassado. Assim, ela é a linha tênue entre a distância de fuga e a distância de ataque, ou seja, o animal que se encontra encurralado por outro indivíduo e que não pode escapar dele, se mantém preparado para um possível ataque caso esse limite crítico seja ultrapassado, mas se esse indivíduo se afastar, o animal também poderá recuar. É o caso do leão enjaulado que, ao perceber a aproximação do adestrador para além da grade e ultrapassando os limites críticos, se mantém pronto para reagir a qualquer manifestação de ameaça; da mesma forma, quando o adestrador retoma o caminho para fora da grade, saindo assim, da zona de distanciamento do animal, este também se afasta.
Evitação da Predação
De modo geral, os animais exibem diferentes características e mecanismos de defesa com o objetivo de evitar a predação e manterem-se vivos. Dessa forma, a partir da utilização de estratégias comportamentais que desestimulam a abordagem do predador, os animais são eficientes em reduzir a probabilidade de serem predados.SANTOS, Maurício Beux dos et al. Playing dead to stay alive: death-feigning in Liolaemus occipitalis (Squamata: Liolaemidae). Biota Neotropica, v. 10, p. 361-364, 2010. Os mecanismos de evitação da predação constituem agentes de grande importância nos processos evolutivos de muitos animais, visto que limitam a capacidade do predador em detectar, reconhecer, abordar, subjugar ou consumir da presa. Assim, a pressão de predação pode ser considerada uma força seletiva essencial para o desenvolvimento de diversas características que aumentam a sobrevivência da presa.LIMA, Steven L.; DILL, Lawrence M. Behavioral decisions made under the risk of predation: a review and prospectus. Canadian journal of zoology, v. 68, n. 4, p. 619-640, 1990. Dentre as principais estratégias de evitação da predação estão: camuflagem, mimetismo, aposematismo, tanatose e autotomia.
Camuflagem
Os estudos de camuflagem e suas várias formas de estratégias de ocultação e disfarce descobertas no reino animal, têm uma extensa história vinculada a biologia, que forneceram para importantes nomes como Darwin e Wallace exemplos importantes para defender suas ideias à respeito da seleção natural e adaptação. Assim, várias formas de camuflagem tornaram-se exemplos clássicos de evolução[...]. No reino animal, camuflagem é um conjunto de estratégias que os animais têm para dificultar a sua detecção e reconhecimento no ambiente em que se encontra, para assim evitar a predação. A evitação da predação é o principal fator que influência a sobrevivência. Portanto, qualquer característica que afete o risco de predação, como camuflagem, deve estar sob pressão de seleção. Conforme Stevens e Merilaita, usa-se o termo "camuflagem" para se referir a todas as formas de ocultação, incluindo as estratégias de prevenção da detecção (cripsia) e reconhecimento. Dessa forma existe uma serie de subdivisões quando o assunto é camuflagem, a mais comum é a camuflagem visual ligada a coloração do animal, mais há outros tipos de camuflagem que envolve características comportamentais e outros sentidos sem ser a visão, como a camuflagem olfativa.
Camuflagem visual É a capacidade que os animais têm de causar distorções, incluir cores, características que se assemelham com a cor e o padrão do plano de fundo pra que confunda, engane e distraia o predador visualmente.
Homocromia miniaturadaimagem|Sapo camuflado em meio a serrapilheira, um exemplo de homocromia A homocromia também conhecida como crípse, entre outros termos que pode ser encontrados na literatura, como coloração obliterativa,THAYER, G. H. Concealing-coloration in the animal kingdom. New York:Macmillan. 1909. coloração ocultaCOTT, Hugh Bamford. Adaptive coloration in animals. 1940.[...]. De modo geral, ela consiste em animais que tem a sua coloração correspondida com a cor de fundo do habitat em que está localizado, podendo variar a coloração de acordo com as espécies e a tonalidade do ambiente em que vivem com a função de ocultar-se e dificultar sua detecção no ambiente.
Para Stevens e Merilaita usamos "coloração críptica" e palavras relacionadas para nos referirmos à coloração que, em primeiro lugar, impede a detecção, nisto inclui-se os termos, críptico (que significa difícil de detectar/esconder), crípse e coloração críptica (por exemplo, o uso de cores e padrões para prevenir a detecção). Há várias formas de camuflagem sob a crípse, incluindo contra-sombreamento, correspondência de fundo (citada no inicio) e coloração disruptiva.
Crípse envolve características próprias do animal, que traz vantagens para impedir a sua detecção no ambiente enquanto ele está visível, então não se pode confundir com, esconder-se atrás de uma pedra por exemplo, porque não há chances de detecção.
Apesar da semelhança de fundo ser um aspecto importante para a ocultação, ela pode não ser o suficiente e nem obrigatória para diminuir as chances de detecção, uma vez que nem todos os planos de fundo fornece a uma presa uma coloração igualmente críptica, mas que alguns são mais crípticos que outros, dessa forma a coloração da presa associada com um plano de fundo aleatório não é suficiente para diminuir as chances da presa ser detectado.
As grandes e pequenas variabilidades visuais de fundo, afeta a otimização da coloração críptica, como por exemplo manchas menores do que as da presa que consequentemente pode afetar a precisão de uma boa combinação necessária pra se fazer uma boa camuflagem. Dito isto, há uma problemática na questão de correspondência de fundo aleatório (homocromia) mesmo em fundos simples, porque o animal ainda pode ser visível devido às 'incompatibilidades' com as características de fundo importantes, por isso refere-se à crípse como cores e padrões que impedem a detecção (mas não necessariamente o reconhecimento) do animal.
Além disso, há estudos que mostram também que animais que tem suas cores combinadas com fundos (homocromia) e que são dependentes da cor do substrato, são mais seletivos quanto aos habitats, porque possivelmente nem todos animais podem se adaptar-se à diferentes cores de fundo e consequentemente não vivem em ambientes mais diversificados como os animais que tem coloração disruptiva.
Padrões Disruptivos Consiste em um conjunto de marcações como manchas ou listras irregulares, claras ou escuras e geralmente muito contrastantes para distorcer o contorno da presa visualmente e confundir o predador. Essas marcações cria a impressão de bordas e limites falsos que impedem o reconhecimento ou detecção do contorno ou forma verdadeira de um animal. Geralmente ver-se muito esse padrão de coloração em animais como anfíbios, repteis, aves. Sendo uma estratégia preventiva para que o predador não reconheça e detecte a presa de primeira, assim as características da sua verdadeira forma que são reveladoras e denunciam o animal, são distorcidas.
Os animais com padrões disruptivos são considerados menos seletivos em relação à habitats do que os dependentes da coloração de fundo (homocromia) porque mesmo em fundos de cores não perfeitamente combinados, ainda sim reduz as chances de predação. Pois é possível que os animais com essa coloração se adaptem a diversos habitats (diferente da homocromia) sem serem limitados a um único habitat.
A eficiência da camuflagem é de suma importância para permitir, que presas evite ser predadas com o mínimo de gasto de energia, e o padrão disruptivo pode dar até oportunidades para os animais de usar sua cor para outras funções como seleção sexual sem se desleixar com a camuflagem.
Porém há uma dificuldade quanto a identificação da coloração disruptiva, porque pode-se confundir as vezes até os seres humanos, por exemplo uma marcação em um animal em que um indivíduo julgou ser uma coloração disruptiva para evitar a predação, as vezes está pode ser apenas uma marcação para fins sexuais ou então, pode ser uma correspondência de fundo, as vezes pode ser um conjunto de coisas, pois um mesmo organismo pode combinar-se ao fundo e ter padrões disruptivos e até mesmo outros tipos de colorações para outras funções.
Segundo Merilaita e Lind,MERILAITA, Sami; LIND, Johan. Background-matching and disruptive coloration, and the evolution of cryptic coloration. Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences, v. 272, n. 1563, p. 665-670, 2005. o que pode ajudar à diferenciar a coloração correspondente ao fundo da coloração disruptiva, é o fato de que a otimização da coloração disruptiva deve estar relacionada à forma da presa, enquanto a coloração correspondente ao fundo deve ser independente da forma do corpo.