Gonçalo Martins de Oviedo (; Oviedo, - Valência de Alcântara, ) foi um nobre das Astúrias que tornar-se-ia mestre da Ordem de Alcântara.

Vida

Gonçalo Martins nasceu no em Oviedo, a capital das Astúrias, e era filho de . Embora de origem humilde, conseguiu ascender socialmente até fazer parte do conselho mais íntimo do rei . Foi designado como mordomo-mor da dispensa palatina, cuja primeira menção ocorreu em maio de 1331, e, por extensão, cobrador de impostos. Alguns anos depois, Afonso pressionou os freires da Ordem de Alcântara a elegerem Gonçalo, o que ocorreu duas vezes, uma delas em Cáceres, o que foi considerado como não canônico. Sua segunda eleição ocorreu em 26 de maio de 1337 no Convento de Alcântara, pelo prior, os comandantes e outros frades, mas dada a irregularidade do processo, isso gerou protestos. Após sua eleição, acompanhou Afonso a Badajoz, quando marchou para confrontar o Reino de Portugal. Entre junho e outubro de 1338, a corte papal enviou cartas a , Afonso XI e Gonçalo como forma de conseguir uma trégua entre os reinos.

Em abril de 1339, era um dos principais conselheiros presentes durante a embaixada de para oferecer estabelecer uma aliança militar contra o Reino Nacérida de Granada e o Império Merínida do Magrebe. Ao fim das negociações, Gonçalo reuniu as forças alcantarenses e marchou ao Alandalus junto de Afonso. Pouco depois, Afonso voltou para Madri para convocar as cortes com o intuito de obter recursos à guerra, deixando-o como seu representante no sul. A partir de Alcaudete, cercou Alcalá de Benzaide, onde tomou gado, cereais e cativos. No mesmo ano, travou duas batalhas contra Abu Maleque Abde Aluaide, filho do sultão merínida Alboácem Ali ibne Otomão , que estava atacando a partir de Algeciras. Na segunda batalha, ocorrida no final de outubro, partiu de Arcos da Fronteira e, com ajuda de e as milícias de Écija, o Álvaro de Biedma com as milícias de Xerez da Fronteira e outros nobres e conselheiros, venceu decisivamente Abu Maleque, que foi morto.

Na sequência, Gonçalo caiu em desgraça ao se opor à nomeação de Afonso Melendes de Gusmão, irmão de Leonor de Gusmão, a amante de Afonso XI, à posição de mestre da Ordem de Santiago. Leonor e seus partidários acusaram-no de falar mal do rei, que o convocou à corte, mas ele desobedeceu às ordens com medo de que poderia ser executado. Optou por se proteger no castelo de Valência de Alcântara e ofereceu as vilas da ordem, na fronteira com Portugal, para Afonso IV e seu herdeiro Pedro. Foi abandonado por seus companheiros, capturado e condenado à morte como traidor, decapitado e queimado por Afonso Fernandes Coronel em data incerta ao longo de 1340. A Crônica da ordem desmentiu parte do relato, ao alegar que foi decapitado, mas não como traidor e nem que seus restos queimados. De todo modo, foi sepultado no convento de São Francisco de Oviedo, cuja construção havia ordenado, por familiares e amigos, antes de ser posteriormente transferido. Antes da execução, em 2 de janeiro, o papa Bento XII intercedeu em nome dele junto a Afonso XI, solicitando que fosse reabilitado, o que não surtiu efeito. Depois, Bento XII sugeriu ao rei que abandonasse sua concubina para evitar a excomunhão pela morte de Gonçalo. Em 1350, Pedro I, filho de Afonso IV, matou os executores dele e recompensou seu filho, , devolvendo-lhe propriedades confiscadas e dando os ofícios de meirinho-mor de Leão e Astúrias.

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