O afundamento do solo de Maceió é um processo geológico de subsidência do solo em vários bairros da cidade Maceió, capital do estado de Alagoas, de natureza antropogênica, causado pela exploração inadequada e consequente colapso das minas de sal-gema da mineradora brasileira Braskem.
A cidade sofre com um lento processo de afundamento do solo que causa desgastes em diversas estruturas, como ruas, casas e infraestruturas urbanas. Cerca de 60 mil pessoas foram obrigadas a abandonar suas residências e propriedades. Bairros inteiros estão sob ameaça de destruição, por exemplo os bairros de Pinheiro, Bom Parto, Mutange, Bebedouro e em parte do Farol.
No dia 10 de dezembro de 2023, a mina 18 da Braskem na área se rompeu.
Histórico e causas A causa do afundamento é atribuída ao impacto de quatro décadas de mineração do solo para extração do sal-gema, minério usado para fabricação de itens como soda cáustica e PVC, pela empresa Braskem. As primeiras rachaduras do solo foram identificadas no bairro do Pinheiro, em fevereiro de 2018, após fortes chuvas. Duas semanas depois, o asfalto de algumas ruas cedeu e as rachaduras de imóveis aumentaram na sequência de um tremor de terra.
Pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) vêm apontando o risco de afundamento do solo em Maceió devido às atividades mineradoras desde pelo menos 2010, sendo que alertas foram emitidos trinta anos antes, na década de 1980, por dois professores da Universidade.
Foi apenas um ano depois desses episódios, em maio de 2019, que o Serviço Geológico do Brasil (CPRM), órgão de pesquisa ligado ao Ministério de Minas e Energia, confirmou a relação entre o afundamento do solo e as atividades de mineração da empresa, em relatório apresentado na sede da Justiça Federal em Alagoas. Ao longo de todo o período de exploração, a empresa explorou 35 minas, e, com o tempo, algumas delas acabaram por se fundir em cavidades de mais de 100 metros de largura.
De acordo com o estudo, a exploração do sal-gema foi feita de maneira inadequada, desestabilizando as cavernas subterrâneas preexistentes e provocando as fissuras. Naquele momento, a área de risco, que até então era considerada concentrada no bairro do Pinheiro, foi ampliada para os bairros de Mutange e Bebedouro. Novas áreas seriam identificadas depois.
População afetada Não existem dados precisos sobre a quantidade de pessoas afetadas pelo desastre de afundamento do solo. Em maio de 2022, a Prefeitura de Maceió realizou reunião com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para solicitar apoio na coleta e cruzamento das informações com outros órgãos da Administração Municipal.
Estima-se que 55 mil pessoas foram afetadas desde 2018, entre moradores e comerciantes, e 14 mil imóveis condenados nos cinco bairros atingidos: Bebedouro, Bom Parto, Farol, Mutange e Pinheiro. Nas estimativas mais atuais, a Prefeitura de Maceió menciona 64 mil pessoas.
Os problemas causados pelo afundamento, que incluem questões ambientais, sociais e econômicas, são amplos e ainda estão sendo investigados. Além da insatisfação com os acordos propostos pela Braskem, moradores ainda convivem com o crescimento acelerado da população de gatos de rua e mosquitos; alguns se recusam a deixar as áreas de risco, que estão sendo periodicamente atualizadas nos mapas oficiais da Prefeitura desde 2019.
Danos ao patrimônio histórico alt=Imagem de um trilho de trem em primeiro plano e, à direita, edificação antiga de parede rosa com a estação e a inscrição Bebedouro em branco|miniaturadaimagem|Estação no bairro de Bebedouro (2015), em Maceió, um dos mais antigos da cidade e a região mais afetada pelo afundamento O bairro de Bebedouro, um dos atingidos pelo afundamento, é um dos distritos mais antigos de Maceió, com quase 200 anos. Prédios tombados pelos departamentos de patrimônio histórico estadual e municipal estão localizados ali, como o Asylo das Órphans Desvalidas de Nossa Senhora do Bom Conselho e a Igreja de Santo Antônio de Pádua.
A Prefeitura de Maceió fez um levantamento inicial de 20 endereços com imóveis de interesse histórico entre os diferentes bairros afetados, mas ainda não o tornou público. A Braskem também afirma que está realizando estudo sobre a situação do patrimônio histórico afetado.
Patrimônio histórico / de interesse público afetado AnoNome atualFunção atualNome originalFunção originalBairro(s)SituaçãoDuração (anos)Classificação1890Solar Nunes LeiteResidência - -BebedouroAcesso restrito desde 2019129Zona Especial de Preservação Cultural1845Igreja Matriz de Nossa Senhora do Bom PartoTemplo - -Bom PartoFechada em 2022177Unidade Especial de Preservação Cultural1872Capela de Nossa Senhora da ConceiçãoTemplo - -Chã de BebedouroFuncionando em área de risco desde 2022150Zona Especial de Preservação Cultural1873Igreja Matriz de Santo Antônio de PáduaTemplo - -BebedouroFechada em 2022149Zona Especial de Preservação Cultural1877Sociedade Nossa Senhora do Bom ConselhoEscolaAsylo das Órphans Desvalidas de Nossa Senhora do Bom ConselhoOrfanatoBebedouroFechada em 2019142Patrimônio Histórico de Alagoas1884Estação BebedouroEstação Ferroviária - -BebedouroFuncionando em área de risco desde 2019135Zona Especial de Preservação Cultural1889Cemitério Santo AntônioCemitério - -BebedouroInterditado em 2020. Reaberto em 2021 com restrições (sepultamentos proibidos; visitas controladas).131Zona Especial de Preservação CulturalPrimeira República (1889-1930)Associação do Magistério (SINTEAL)SindicatoVila AmáliaResidênciaMutangeFechada em 202090+Unidade Especial de Preservação CulturalPrimeira República (1889-1930)Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA-AL)AutarquiaCasa de José de Hollanda CavalcantiResidênciaMutangeFechado em 202090+Unidade Especial de Preservação Cultural1911Vila Operária da Antiga Fábrica AlexandriaVila Operária - -Bom PartoIncluída em área de risco desde 2019108Unidade Especial de Preservação Cultural1914Hospital Psiquiátrico Dr. José LopesHospital PsiquiátricoVila LilotaResidênciaMutangeFechado em 2019105Unidade Especial de Preservação Cultural1915 ou menosCasa de Nise da SilveiraResidência - -Chã de BebedouroDesapropriada em 2023 para demolição108+Zona Especial de Preservação Cultural1917Casa de Saúde Miguel CoutoHospital PsiquiátricoCasa de Hekel TavaresResidênciaBebedouroFechada em 2019102Zona Especial de Preservação Cultural1920-1930Casas GêmeasResidência - -BebedouroAcesso restrito desde 201989+Zona Especial de Preservação Cultural1922CSA - Sede e Centro de TreinamentoClube esportivoEstádio do MutangeEstádio de futebolMutangeFechado em 202098 -1941Igreja Batista do PinheiroTemplo - -PinheiroInterditada por decisão judicial em 202382Patrimônio Material e Imaterial de Alagoas1944CRAS BebedouroCentro de Referência de Assistência SocialGrupo Escolar Rural Alberto TorresEscolaBebedouroFechado em 202278Zona Especial de Preservação Cultural1945Hospital SanatórioHospital Geral - -PinheiroFechado em 202378 -1951Hospital Portugal RamalhoHospital Psiquiátrico - -FarolFuncionando em área de risco desde 202170 -1958Centro Educacional de Pesquisa Aplicada (CEPA)Complexo Educacional - -FarolFuncionando sob monitoramento desde 201961 -1978Parque Municipal de MaceióRecurso natural - -BebedouroFuncionando sob monitoramento desde 202345Zona de Interesse Ambiental e Paisagístico1983Igreja Matriz do Menino Jesus de PragaTemplo - -PinheiroFechada em 202138 -1995Estação MutangeEstação de VLT - -MutangeFechada em 202025 -N/ALagoa MundaúRecurso natural - -Bebedouro, Mutange, Bom PartoInterditada para navegação desde 2023N/AZona de Interesse Ambiental e Paisagístico
Solar Nunes Leite alt=Imagem frontal do Solar Nunes Leite, o solar ao fundo. Em frente a ele dois carros estacionados, o da esquerda na cor preta, o da direita na cor prateada. Em primeiro plano três bancos da Praça Coronel Lucena Maranhão.|direita|miniaturadaimagem|Solar Nunes Leite em 2016. Bebedouro, Maceió-AL Localizado na Praça Coronel Lucena Maranhão, no. 64, Bebedouro, há registros de que em 1833 o local era habitado por Manuel Lobo de Miranda Henriques, presidente da província de Alagoas entre 1831 e 1832. O Solar Nunes Leite foi construído entre 1880 e 1890 pelo comendador Jacintho Nunes Leite no antigo sítio da capelinha do bebedouro que passou a pertencer em 1863 ao comendador Jacintho José Nunes Leite, empresário. e figura importante para o bairro, por ter implantado a água encanada Maceió, construído a primeira fundição de Alagoas e a primeira loja de ferragens de Maceió, também foi o segundo proprietário da fábrica de tecidos Carmen e participou de sua fundação.
Incluído em uma Zona Especial de Preservação Cultural (ZEP) pelo Plano Diretor de Maceió de 2005, o casarão encontra-se em área afetada pelo afundamento do solo pelo menos desde 2019.
Igreja Matriz de Nossa Senhora do Bom Parto Localizada na Rua General Hermes, S/N, Bom Parto, existem registros de que em 1845 já havia a capela dedicada a Nossa Senhora que daria nome ao futuro bairro. No dia 8 de setembro de 1949 foi instalada a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Bom Parto.
Declarada Unidade Especial de Preservação Cultural (UEP) pelo Plano Diretor de Maceió de 2005, teve suas atividades encerradas em 2022 com uma última missa no dia 31 de outubro e a procissão de despedida em 25 de dezembro.
Capela de Nossa Senhora da Conceição Localizada na Rua das Palmeiras, no. 1-53, Chã de Bebedouro, foi inaugurada em 1872. Incluída em uma Zona Especial de Preservação Cultural (ZEP) pelo Plano Diretor de Maceió de 2005, atualmente a Capela de Nossa Senhora da Conceição funciona em área afetada pelo afundamento do solo.
Igreja Matriz de Santo Antônio de Pádua alt=Imagem da Igreja Matriz de Santo Antônio de Pádua, com pessoas caminhando na calçada em frente à igreja, e partes da Praça Coronel Lucena Maranhão em primeiro plano.|direita|miniaturadaimagem|Igreja Matriz de Santo Antônio de Pádua em 2016. Bebedouro, Maceió-AL Localizada na Praça Coronel Lucena Maranhão, S/N, Bebedouro, em 1873 foi inaugurada a Igreja Santo Antônio de Pádua. Ela foi construída pelo comendador Jacintho Nunes Leite, ele importou os azulejos de Portugal e fez o sino em sua fundição. No dia 12 de junho de 1913 foi instalada a Igreja Matriz de Santo Antônio de Pádua, que passou a ser o novo padroeiro do bairro, substituindo a padroeira original, Nossa Senhora da Conceição.
Incluída em uma Zona Especial de Preservação Cultural (ZEP) pelo Plano Diretor de Maceió de 2005, teve suas atividades encerradas em 15 de novembro de 2022 com missa e procissão de despedida.
Sociedade Nossa Senhora do Bom Conselho alt=Imagem da Sociedade Nossa Senhora do Bom Conselho, antigo Asylo das Órphans Desvalidas de Nossa Senhora do Bom Conselho. O palacete aparece à direita da imagem, com a capela à esquerda.|direita|miniaturadaimagem|Sociedade Nossa Senhora do Bom Conselho em 2016. Bebedouro, Maceió-AL Localizado na Avenida Major Cícero de Góes Monteiro, no. 3.670, Bebedouro, o Asylo das Órphans Desvalidas de Nossa Senhora do Bom Conselho foi estabelecido pela Lei No. 748, de 13 de junho de 1877, e instalado no dia 8 de dezembro do mesmo ano com a função de receber as órfãs dos soldados alagoanos mortos na Guerra do Paraguai e as que perderam seus familiares durante a grande seca que atingiu a região no período (1877-1879).
Transformado em 1938 na Escola Normal Rural Nossa Senhora do Bom Conselho, foi tombado pelo Patrimônio Histórico estadual em 19 de julho de 1999 e incluído em 2005 em uma Zona Especial de Preservação Cultural (ZEP) pelo Plano Diretor de Maceió.
Em fevereiro de 2019 a atual Escola Estadual Nossa Senhora do Bom Conselho foi interditada e seus alunos foram transferidos para outras escolas, sendo fechada em definitivo em outubro de 2020.
Estação Bebedouro