Hudson Terminal foi uma estação de metrô e complexo de prédios de escritório no bairro de Radio Row em Lower Manhattan, Nova Iorque. Aberto em 1908 e 1909, foi composto de um terminal para a Hudson & Manhattan Railroad (H&M), e dois arranha-céus de escritório de 22 andares, além de três no subsolo. O complexo ocupava grande parte de um lote de dois quarteirões margeado pelas ruas Greenwich, Cortlandt, Church e Fulton, posteriormente o local do World Trade Center.

O terminal ferroviário era composto por cinco linhas férreas e seis plataformas servindo os trens da H&M de e para Nova Jérsei; esses trens passavam pelos túneis de Downtown Hudson, sob o rio Hudson, com destino a oeste. Os dois arranha-céus de 22 andares acima do terminal, o edifício Fulton ao norte e o edifício Cortlandt ao sul, foram projetados pelo arquiteto James Hollis Wells da firma Clinton and Russel no estilo neorromânico. Os andares subterrâneos incluíam um centro comercial, uma subestação elétrica, e áreas de bagagens. O complexo podia acomodar 687 000 pessoas por dia, mais do que a Pennsylvania Station original em Midtown Manhattan.

Os edifícios foram abertos primeiro, sendo os maiores em área de escritório quando concluídos, enquanto que o terminal foi aberto posteriormente. A H&M foi bem-sucedida até o meio do século XX, quando entrou em falência. A ferrovia e o Hudson Terminal foram adquiridos em 1962 pela Autoridade Portuária de Nova Iorque e Nova Jérsei, que renomeou o sistema como Port Authority Trans-Hudson (PATH). A Autoridade Portuária decidiu demolir o Hudson Terminal para construir o World Trade Center, com a estação sendo fechada em 1971, sendo substituída pela estação World Trade Center da PATH. Embora os edifícios tivessem sido demolidos em 1972, os últimos vestígios da estação foram removidos na década de 2000 como parte da reconstrução do World Trade Center após os ataques de 11 de setembro de 2001.

História

Planejamento e construção Em janeiro de 1905, a Hudson Companies foi criada para concluir a construção dos túneis de Uptown Hudson, um túnel entre Jersey City, Nova Jérsei, e Midtown Manhattan, Nova Iorque, que havia estado em construção intermitentemente desde 1874. A empresa também construiu os túneis de Downtown Hudson, que incluíam uma estação no bairro de Exchange Place em Jersey City, bem como um terminal e um par de prédios de escritórios em Lower Manhattan, que iriam se tornar o Hudson Terminal. Logo em seguida do anúncio da construção dos túneis de Downtown Hudson, cresceu a atividade imobiliária em torno da área da futura estação. A Hudson and Manhattan Railroad Company foi criada em dezembro de 1906 para operar a Hudson & Manhattan Railroad (H&M), um sistema de transporte público presidido por Willian Gibbs McAdoo, e que usaria os túneis. O sistema conectava Hoboken, Pavonia e Exchange Place, três dos cinco grandes terminais ferroviários da costa oeste da orla do rio Hudson. esquerda|miniaturadaimagem|223x223px|Plano original da H&M A aquisição de terras para o terminal começou em dezembro de 1905. A Hudson Companies adquiriu a maioria dos dois quarteirões margeados pelas ruas Greenwich ao oeste, Cortlandt ao sul, Church ao leste, e Fulton ao norte. Alguns edifícios baixos na Cortlandt Street foram comprados para que a vista do Hudson Terminal fosse assegurada. Um dos proprietários—a família Wendel, que eram donos de variadas propriedades em Manhattan—se negou a vender seu lote, avaliado em 75 000 dólares (equivalente a 1 702 273 em 2019), e processaram sem sucesso a H&M, tendo gastado 20 000 dólares (equivalente a 453 939 em 2019) em taxas legais. Em maio de 1906, a H&M já era proprietária da maioria da terra necessária. Os 6 500 m2 adquiridos para que o complexo fosse construído haviam custado uma média de 430 a 480 dólares por m2.

Escavações no local dos edifícios estavam em andamento já no início de 1907, e as primeiras colunas da fundação foram colocadas em maio daquele ano. Por causa da umidade no solo daquela área, e pela proximidade com o rio Hudson ao oeste, um muro de contenção subterrâneo teve de ser construído ao redor do local do Hudson Terminal. De acordo com os escritores de arquitetura Sarah Landau e Carl W. Condit, a estrutura era cinco vezes maior do que qualquer outra construída anteriormente. Na época, havia muitos prédios de escritórios sendo construídos em Lower Manhattan, embora a área testemunhasse uma redução no volume de transações imobiliárias. O complexo foi edificado a um custo de 8 milhões de dólares (equivalente a 165 milhões em 2019). Os edifícios eram propriedade da H&M quando foram concluídos.

Abertura e utilização miniaturadaimagem|Capa de panfleto de cronograma de serviços da H&M Railroad, com uma ilustração do Hudson Terminal Em 4 de abril de 1908, locatários começaram a se mudar para as torres. Originalmente, o edifício norte era chamado de edifício Fulton enquanto que o mais ao sul era chamado de edifício Cortlandt, refletindo as ruas em que estavam. O terminal da H&M foi aberto em 19 de julho de 1909, juntamente com os túneis de Downtown Hudson. A combinação de uma estação ferroviária e edifícios de escritórios foi a primeira de seu tipo no mundo.

O espaço nos edifícios estava com alta demanda, e os escritórios estavam quase totalmente alugados já em 1911. No ano seguinte, McAdoo negou que a H&M iria adquirir os prédios baixos na Greenwich Street para expandir os edifícios. Quando os túneis foram abertos, também eram populares entre moradores de Nova Jérsei que queriam viajar para Nova Iorque. O movimento no Hudson Terminal havia atingido 30 535 500 passageiros por ano em 1914, e em oito anos, esse número quase dobrou para 59 221 354. Várias modificações foram feitas no complexo nos anos posteriores à sua conclusão. Anexos menores foram adicionados aos edifícios em algum ponto após sua abertura, durante o início ou meio do século XX. Uma conexão com a estação Chambers Street do Independent Subway System (IND) foi aberta em 1949.

Os primeiros locatários dos edifícios do Hudson Terminal incluíam empresas da indústria ferroviária; escritórios da U.S. Steel; e alguns departamentos dos correios de Nova Iorque, que já haviam lotado seu prédio anterior. A U.S. Steel, os correios, e seis companhias ferroviárias ocupavam 28 700 m2, cerca de um terço do espaço total nos edifícios. As coberturas de cada prédio eram ocupadas por clubes privados: o Downtown Millionaires Club no topo do edifício Cortlandt e o Machinery Club no topo do edifício Fulton. Com exceção de um curto período entre 1922 e 1923, o correio do terminal operou até que o anexo dos correios no 90 Church Street fosse aberto dois quarteirões ao norte em 1937. Agências do governo federal dos Estados Unidos ocuparam espaços no prédio na década de 1960.

Declínio e demolição Os números de passageiros da H&M caíram consideravelmente de um ápice em 113 milhões de passageiros em 1927 para apenas 26 milhões em 1958, após a abertura de novos túneis e pontes para automóveis que cruzavam o rio Hudson. A companhia entrou em falência em 1954. O estado de Nova Jérsei queria que a Autoridade Portuária de Nova Iorque e Nova Jérsei passasse a operar o sistema, mas a Autoridade Portuária via a ferrovia como um desperdício de dinheiro. Em 1958, a firma de investimentos Koeppel & Koeppel ofereceu 15 milhões de dólares (equivalente a 104 milhões em 2019) pela compra dos edifícios do terminal, durante o processo de falência da companhia.

A Autoridade Portuária acabou por assumir a H&M como parte de um acordo que permitiu a construção do World Trade Center. A PANYNJ havia proposto inicialmente que o complexo fosse construído na orla no rio East, no lado oposto de Lower Manhattan do Hudson Terminal. Como uma agência interestadual, a Autoridade Portuária precisava da aprovação dos governos de ambos os estados, mas Nova Jérsei se opunha ao plano, argumentando que o complexo iria beneficiar majoritariamente Nova Iorque. No final de 1961, o diretor da Autoridade Portuária, Austin J. Tobin, propôs que o complexo fosse construído no local do Hudson Terminal, com a H&M sendo assumida pela PANYNJ em troca do apoio de Nova Jérsei. Em 22 de janeiro de 1962, os dois estados chegaram a um acordo que permitiu que a Autoridade Portuária assumisse a companhia, agora renomeada como Port Authority Trans-Hudson (PATH), e que construísse o World Trade Center na área do Hudson Terminal, visto como obsoleto na época. O projeto do complexo incluía uma nova estação da PATH para substituir o terminal da H&M, bem como uma praça pública no local dos edifícios.

A colocação da pedra fundamental do World Trade Center ocorreu em 1966, e como no Hudson Terminal, um muro de contenção teve de ser construído para impedir que a água do rio Hudson infiltrasse as fundações. Durante a escavação do local e construção das torres, os túneis de Downtown Hudson permaneceram em operação, com a construção continuando ao redor e abaixo deles. O Hudson Terminal foi fechado em 2 de julho de 1971, com a estação World Trade Center original, substituindo o terminal da H&M, começando a operar ao fim de um período de três dias que permitiu que os serviços fossem transferidos para a nova estação. A estação World Trade Center foi aberta em 6 de julho de 1971, a oeste do Hudson Terminal. Logo antes da demolição dos edifícios, no início de 1972, o Corpo de Bombeiros da Cidade de Nova Iorque usaram o então vazio edifício Cortlandt para vários testes de segurança contra incêndios. O complexo do Hudson Terminal já estava demolido no final de 1972.

Após a abertura da estação World Trade Center, a seção dos túneis de Downtown Hudson entre o Hudson Terminal e a nova estação da PATH deixaram de operar e foram transformadas em vias de acesso para o 4 World Trade Center e o 5 World Trade Center. A estação original da PATH foi destruída durante os ataques de 11 de setembro de 2001. O último vestígio do Hudson Terminal foi um túnel de aço fundido na fundação do World Trade Center original perto da Church Street. O túnel ficava acima do nível da estação original da PATH e de sua reconstrução após os ataques. O vestígio foi removido em 2008 durante a reconstrução do complexo.

Estação ferroviária

O terminal era servido por trens da H&M bem como pelos da Pennsylvania Railroad, que também operavam nas linhas da Hudson and Manhattan Railroad. A construção da estação foi supervisionada por Charles H. Jacobs, engenheiro-chefe, e J. Vipond Davies, engenheiro-chefe adjunto. O terminal se localizava a dois andares abaixo do nível da rua e consistia de cinco linhas férreas servidas por quatro plataformas centrais e duas plataformas laterais. As linhas eram numeradas de 1–5, de leste a oeste. O uso de um leiaute em solução espanhola permitiu que cada linha férrea fosse servida por duas plataformas, permitindo portanto que os passageiros saíssem dos trens por um lado e entrassem por outro.

O Hudson Terminal foi construído com um retorno que conectava ambos os túneis de Downtown Hudson, com cada linha em seu próprio túnel com um gabarito ferroviário grande o bastante para um trem, que entravam pelo sul e saíam pelo norte. A estação era perpendicular em relação aos túneis, e em cada extremidade do terminal, haviam curvas fechadas com cada túnel, com um raio mínimo de curva de 27 metros. O túnel leste passava abaixo da Cortlandt Street e o oeste passava abaixo da Fulton Street, dois quarteirões ao norte.

Plataformas e linhas férreas