Aquarelas foi uma coluna que o jovem Machado de Assis, então com 20 anos, manteve na revista semanal dominical de literatura, modas, indústria e artes O Espelho, editada no Rio de Janeiro.Ubiratan Machado, Dicionário de Machado de Assis, Imprensa Oficial do Governo do Estado de São Paulo, 2a edição, 2021, verbete "Espelho (O)". Nessa coluna publicou quatro crônicas (uma delas em duas partes), assinadas como "M-as", com perfis caricaturais de tipos da sociedade carioca (ou seja, reproduzia "em aquarelas as formas grotescas e sui generis do tipo").Machado de Assis, O Espelho, organização, introdução e notas de João Roberto Faria, Editora Unicamp, "Os fanqueiros literários". São elas: "Os Fanqueiros Literários" (11/9/1859), "O Parasita" (18/9 e 9/10), "O Empregado Público Aposentado" (16/10) e "O Folhetinista" (30/10).

"Os Fanqueiros Literários" Em "Os Fanqueiros Literários" o autor caricatura o escritor que faz "do talento uma máquina, e uma máquina de obra grossa movida pelas probabilidades financeiras do resultado". O termo "fanqueiro" significa "mercador que vende lençaria de linho, ou algodão"Dicionário da Língua Portuguesa do padre Bluteau, portanto o "fanqueiro literário" seria um mercador de obras literárias compostas visando mais o "resultado pecuniário" do que por inspiração artística genuína.

"O Parasita" A primeira parte de "O Parasita" descreve o parasita "da mesa", "o mais vulgar", que "vive por toda parte em que há ambiente de porco assado" e "adivinha a duas léguas de distância a qualidade de um bom prato". A segunda parte aborda os demais parasitas sociais: o parasita literário ("vampiro da paciência humana"), da Igreja, da política, da diplomacia. "Extinguir o parasita não é uma operação de dias, mas um trabalho de séculos."

"O Empregado Público Aposentado" O empregado público aposentado" é uma "grande múmia do passado", que rejeita qualquer progresso: "Reforma, é uma palavra que não se diz diante do empregado público aposentado. Há lá nada mais revoltante do que reformar o que está feito! abolir o método! desmoronar a ordem!"

"O Folhetinista" A última crônica aborda a figura do folhetinista, autor dos folhetins dos jornais, naquela época ainda com o sentido de "texto publicado no rodapé dos jornais, na primeira página, geralmente aos domingos" contendo "um resumo de todos os fatos importantes acontecidos ao longo da semana",Machado de Assis, O Espelho, organização, introdução e notas de João Roberto Faria, Editora Unicamp, Nota 1 de "O Folhetinista". onde se misturavam o útil e o fútil, o sério com o frívolo.

"O ponto de vista adotado por Machado é o do observador da vida social, que busca apresentar as características de certos tipos que deslustram a sociedade em que vivem."Machado de Assis, O Espelho, organização, introdução e notas de João Roberto Faria, Editora Unicamp, Introdução. Além, dessa coluna, Machado publicou nessa revista uma outra de crítica teatral ("Revista de Teatros"), além de poesias e artigos diversos.

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