Vingt ans après (em português: Vinte anos depois) é um romance histórico escrito por Alexandre Dumas, pai e publicado em formato de folhetim entre abril e agosto de 1845. Escrito em colaboração com Auguste Maquet, o romance é a segunda etapa da Saga dos Mosqueteiros, sendo uma sequência direta dos eventos narrados em Les trois mousquetaires e antecedendo ao último volume da saga literária, Le Vicomte de Bragelonne.
Neste volume, Dumas dá início a um costume que se repete no livro seguinte de narrar várias tramas simultaneamente, aprofundando-se em questões morais e de valores de cada personagem além dos protagonistas. Desta forma, características pessoais e a personalidade dos principais personagens são melhor desenvolvidos neste que no primeiro volume da série. Novos personagens fazem sua aparição, como Raul de Bragelonne, prodigioso filho do mosqueteiro Athos e Mordaunt, filho da falecida Milady de Winter que busca vingança pela morte de sua mãe.
A trama aborda os eventos ocorridos na França após a morte de Luís XIII e a queda do Cardeal Richelieu, apresentando um jovem Luís XIV que ainda não governa em seu próprio nome e cujo reinado é ameaçado por levantes da nobreza. Neste volume, o quarteto de protagonistas (formado por Athos, Porthos, Aramis e d'Artagnan) se envolve em disputas políticas além dos limites territoriais franceses, tendo participação ativa na Guerra Civil Inglesa pela causa de Carlos I.
Enredo Este livro, que é a continuação de Os Três Mosqueteiros, conta as aventuras de quatro bravos homens, outrora mosqueteiros, vinte anos depois de eles se despedirem, numa época difícil, de descontentamento popular, em França, nos meados do século XVII.
A França divide-se em dois partidos: o de Cardeal Jules Mazarin, que controla, em maior parte, a Rainha Ana da Áustria, e o seu filho, o Rei Luís XIV, que ainda não atingiu a maioridade; e o partido popular (La Fronde), com alguns dos mais importantes elementos da nobreza. D'Artagnan, como está ao serviço dos mosqueteiros reais, é obrigado a lutar pelo partido de Mazarin. Este, quando lhe contaram os feitos heróicos da juventude do bravo soldado, decide usá-lo em tarefas especiais, para vencer na disputa política francesa, e manda-lhe encontrar os seus três amigos: Porthos, Athos e Aramis. No entanto, só Porthos é que se junta a d'Artagnan: os outros dois são activos combatentes da Fronde.
Após várias aventuras, d'Artagnan e Porthos são enviados por Mazarino à Inglaterra para entregar correspondências com planos secretos a Oliver Cromwell, que planeja depor o Rei Carlos I. Em solo inglês, os mosqueteiros entregam as cartas e encontram também Athos e Aramis, que estão no país justamente em missão de lutar por Carlos I. O quarteto se une novamente em várias tentativas de salvar o monarca inglês que acaba invariavelmente executado pelo Parlamento.
Após a missão fracassada, os mosqueteiros regressam à França e eliminam pelo caminho, o mortal Mordaunt, filho da outrora assassinada Milady de Winter,pelos seus feitos extraordinariamente maléficos. Por fim, Athos, Porthos e d'Artagnan são presos. Porém, eles fogem, conseguindo ainda raptar Mazarino, que teve que cumprir as vontades do povo, para se libertar. No fim, os quatro amigos voltam a despedir-se.
Sinopse D'Artagnan e Mazarino thumb|esquerda|250px|Gravura do quarto capítulo da edição original do romance retratando uma reunião privada entre Cardeal Mazarino e a Rainha Ana da Áustria. Mazarino é o principal articulador das intrigas políticas que envolvem os mosqueteiros neste volume da trilogia. A ação inicia-se sob a regência de Ana da Áustria e a autoridade de Jules Mazarin, o Cardeal Mazarino. D'Artagnan, que parecia destinado a uma promissora carreira ao final do livro "Os Três Mosqueteiros", vinte anos depois ainda permanece como tenente dos Mosqueteiros, sem grandes esperanças de promoção, apesar de sua ambição e da dívida que a rainha lhe deve. Por sorte, numa época em que o povo francês demonstra detestar o primeiro-ministro e tender a apoiar a Fronda, movimento contrário a Mazarino, d'Artagnan é encarregado pelo cardeal de fazer parte de sua escolta. D'Artagnan é enviado à Bastilha para buscar um prisioneiro, na verdade seu velho amigo e adversário, o Conde de Rochefort.
Rochefort é trazido para uma audiência com Mazarino, sem antes renovar seus votos de amizade com relação ao mosqueteiro e fazer uma promessa de ajudá-lo em sua promoção. Durante a audiência toma conhecimento que a causa de sua prisão fora sua recusa de servir Mazarino em época anterior. No entanto, recorda-se de sua promessa a d'Artagnan e, apesar de oferecer seus serviços ao cardeal, recusa-se a espionar o Duque de Beaufort, à época prisioneiro, e logo descobre que, devido a isso, deve retornar à Bastilha. Isso não o impede de tecer elogios a d'Artagnan e a seus três amigos mosqueteiros.
Descobrindo ser d'Artagnan o homem de quem precisa, Mazarino entra nos aposentos da Rainha para comunicar-lhe ter colocado a seu serviço o homem que tão bem a serviu vinte anos antes. A rainha, sentindo-se culpada por ter esquecido o serviço prestado por d'Artagnan, dá a Mazarino o mesmo anel de diamantes que ela havia dado há muitos anos ao mosqueteiro e que este fora obrigado a vender para custear seus primeiros anos de vida militar, pedindo que o mesmo fosse novamente entregue a d'Artagnan. O avarento cardeal, no entanto, apenas usa o diamante para mostrar a d'Artagnan que este entra novamente a serviço da Rainha e guarda o anel para si. Dá como missão a d'Artagnan de partir em busca de seus três amigos, que Mazarino espera também colocar a seu serviço.
Reunião dos Quatro Mosqueteiros thumb|direita|250px|Gravura retratando o momento em que d'Artagnan reencontra pela primeira vez após mais de uma década Aramis, que ostenta o título de Senhor d'Herblay. D'Artagnan está perdido ; ele perdeu contato completamente com seus amigos, que retomaram seus nomes reais. Athos, o Conde de La Fère, retornou para seus domínios, próximos a Blois; Porthos, Monsieur du Vallon, casou-se com a abonada viúva de um advogado ; e Aramis, o abade d'Herblay, retornara à Igreja. A sorte intervem, entretanto, quando Planchet, antigo criado de d'Artagnan, entra nos aposentos do antigo mestre, procurando fugir da prisão por ter ajudado a fuga de Rochefort. Através de Planchet, d'Artagnan localiza Bazin, antido criado de Aramis, agora bedel na Catedral de Notre Dame. Apesar de Bazin não querer ajudar, d'Artagnan descobre, através de um coroinha, que Bazin faz visitas frequentes a Noisy. D'Artagnan e Planchet dirigem-se para lá, onde são cercados do lado de fora da casa de Madame de Longueville por um grupo que acredita-os partidários da Fronda. Quando o grupo fica satisfeito ao saber que d'Artagnan não é o homem que procuram, Aramis surpreende Planchet ao pular sobre a garupa de seu cavalo de uma árvore onde estava escondido.
Apesar de d'Artagnan achar, através da decoração do quarto de Aramis, que o antigo mosqueteiro que tanto queria ser padre é agora um padre que quer voltar a ser soldado, Aramis não se interessa em entrar para o serviço do Cardeal Mazarino. Quando o momento da partida chega, d'Artagnan aguarda escondido, julgando ser Aramis um homem da Fronda e amante de Madame de Longueville ; a suspeita é confirmada.
A visita a Aramis, entretanto, não foi de todo infrutífera, já que através dela d'Artagnan consegue o endereço de Porthos. Ao chegar às terras de Porthos, d'Artagnan e Planchet são recebidos com grande demonstração de alegria por parte do antigo mosqueteiro. D'Artagnan percebe que Porthos, apesar da boa saúde e da vida gasta à procura de divertimentos, não é feliz. Porthos deseja tornar-se barão e, com esta promessa, d'Artagnan consegue levá-lo para o serviço de Mazarino.
D'Artagnan então continua sua busca, à procura de Athos, a quem encontra completamente mudado, servindo como exemplo para seu filho, Raoul e estacionado em suas terras em Blois. Apesar de Athos não aceitar entrar a serviço de Mazarino, os dois combinam encontrar-se em Paris. Athos deseja levar Raoul para a capital para fazer dele um cavalheiro e também para separá-lo de Louise de La Vallière, por quem o filho é completamente apaixonado. Em Paris, Athos visita Madame de Chevreuse, antiga amante de Aramis, e que, sob o nome de "Maria Michon", muito se comunicara com Aramis e vice-versa. Athos revela a ela, discretamente, que Raoul é fruto de um encontro fortuito entre eles e, através disso, consegue uma carta de recomendação para que Raoul se junte ao exército.
O Duque de Beaufort thumb|direita|250px|O Castelo de Vincennes é retratado na obra como cárcere de inúmeros inimigos políticos da Coroa francesa, incluindo o notório Duque de Beaufort. A cena então muda para enfocar o Duque de Beaufort, prisioneiro de Mazarino em Vincennes, que ganha um novo carcereiro, na verdade o silencioso criado de Athos, Grimaud. Grimaud torna-se instantaneamente desagradável para o Duque, como parte de um plano de fuga. Usando mensagens passadas para Rochefort através de bolas de tênis atiradas por sobre os muros da prisão, combinam uma refeição na Festa de Pentecostes, à qual La Ramée, segundo em comando na prisão, também é convidado. A fuga é um sucesso, mas d'Artagnan e Porthos partem em perseguição aos fugitivos.
Após uma corrida contra o tempo, e tendo vencido diversos adversários pelo caminho, Porthos e d'Artagnan são cercados na escuridão por espadachins tão hábeis quanto eles que se revelam ser, na verdade, seus companheiros Athos e Aramis. Os quatro marcam então um encontro em Paris, à Praça Royale, acreditando terem se tornado inimigos e temendo um confronto em duelo. No entanto, o que acontece é que os quatro amigos reconciliam-se e renovam seus votos de amizade eterna.
Aparece Mordaunt thumb|direita|250px|Acompanhado dos três mosqueteiros, d'Artagnan confronta Mordaunt, o filho da falecida Milady de Winter, por suas tramas contra Carlos I na guerra civil. Enquanto acontecem os fatos narrados acima, Raoul está em viagem para juntar-se ao Exército. No caminho, percebe um jovem cavalheiro aproximadamente de sua idade e procura alcançá-lo. O outro cavalheiro alcança a balsa antes dele mas cai no rio e é salvo por Raoul, que atira-se na água para salvá-lo. Raoul fica sabendo tratar-se do Conde de Guiche e os dois tornam-se amigos. Mais à frente o Conde de Guiche quita sua dívida, salvando Raoul do ataque de soldados espanhóis. Após a luta, os dois encontram um homem à beira da morte que suplica pelos últimos sacramentos. Raoul e de Guiche levam o moribundo até um albergue e encontram um monge em viagem. Apesar de acharem o monge desagradável e do mesmo estar pouco inclinado a fazer seu serviço, os amigos forçam o monge a dirigir-se até o albergue. Lá chegando, o monge escuta a confissão do moribundo. Este revela ser o carrasco da cidade de Béthune e confessa ter tomado parte na execução de Milady de Winter. O monge revela, então, ser o filho de Milady, John Francis de Winter, que adotou o nome de "Mordaunt" após Carlos I tê-lo espoliado de todos os seus títulos. Mordaunt apunhala o carrasco.
Grimaud que, após a fuga do Duque de Beaufort, seguia caminho para juntar-se a Raoul, chega ao albergue no momento em que o assassinato está acontecendo, porém, tarde demais para evitá-lo ou para deter o monge. Depois de ouvir o que aconteceu da boca do moribundo, Grimaud desculpa-se com Raoul e parte para avisar Athos sobre o filho de Milady.
Enquanto isso, d'Artagnan e Porthos ajudam a Rainha Ana d'Áutria, o jovem Luís XIV e Mazarino a escapar de Paris depois dos cidadãos parisienses finalmente começarem uma rebelião. D'Artagnan junta-se ao jovem rei e protege-o de alguns homens da Fronda que, querendo garantir que o rei e a rainha não fujam, penetram nos aposentos reais pedindo para vê-los.