A Classe Normandie foi uma classe de couraçados planejada pela Marinha Nacional Francesa, composta pelo Normandie, Flandre, Gascogne, Languedoc e . Suas construções começaram no início da década de 1910; o batimento de quilha das quatro primeiras embarcações ocorreu em 1913, enquanto da quinta foi em 1914, porém nenhuma foi finalizada como originalmente projetada. A classe continuava a expansão naval francesa e os trabalhos de projeto começaram em 1912, parcialmente baseados em um relatório emitido em 1911 pelo Comitê Técnico da Marinha Nacional, no qual a disposição da bateria principal da predecessora Classe Bretagne foi criticada.

Os couraçados da Classe Normandie, como originalmente projetados, seriam armados com doze canhões de 340 milímetros montados em três torres de artilharia quádruplas. Teriam um comprimento de fora a fora de 176 metros, boca de 27 metros, calado de quase nove metros e um deslocamento carregado de 28 mil toneladas. Seus sistemas de propulsão seriam compostos por 21 ou 28 caldeiras mistas de óleo combustível e carvão que alimentariam uma turbina a vapor e dois motores de tripla-expansão, que girariam quatro hélices até uma velocidade máxima de 21 nós (39 quilômetros por hora). Os navios teriam um cinturão principal de blindagem de trezentos milímetros de espessura.

A Primeira Guerra Mundial começou em meados de 1914, o que levou a mudanças nas necessidades de produção e escassez de trabalhadores. Os quatro primeiros navios estavam adiantados o bastante para serem lançados a fim de liberarem espaço para trabalhos de construção mais importantes, enquanto muitas de suas armas foram convertidas para o Exército de Terra Francês. A Marinha Nacional considerou várias propostas após a guerra para completá-los de alguma forma, porém a situação financeira ruim do país fez com que os quatro primeiros fossem desmontados. O Béarn foi convertido em um porta-aviões na década de 1920 e serviu até ser desmontado na década de 1960.

Desenvolvimento O Comitê Técnico da Marinha Nacional Francesa publicou em dezembro de 1911 um relatório que examinava o projeto dos novos couraçados da Classe Bretagne, cujas construções estavam programadas para começar no ano seguinte. Ele concluía que a torre de artilharia de meia-nau era uma escolha insatisfatória baseada em experiências anteriores com danos de couraçados disparando suas próprias armas na década de 1880. Esta avaliação influenciou o desenvolvimento da classe seguinte de couraçados, cujos trabalhos de projeto começaram pouco depois.

A Seção Técnica apresentou em fevereiro de 1912 o primeiro rascunho de um novo projeto. O tamanho das instalações dos estaleiros franceses afetou o projeto. O comprimento foi limitado em 172 metros, a boca em 27,5 metros e o calado em aproximadamente 8,7 metros. Estas dimensões limitava o navio a um deslocamento de por volta de 25 mil toneladas e uma velocidade entre vinte e 21 nós (37 a 39 quilômetros por hora), dependendo do arranjo do armamento.

thumb|esquerda|240px|Ilustração da variante com torres de artilharia duplas e quádruplas A equipe de projeto apresentou três alternativas, todas com um armamento secundário de vinte canhões de 138 milímetros em novas montagens duplas em casamatas no casco. A primeira era para um projeto com os mesmos dez canhões principais de 340 milímetros usados na Classe Bretagne, mas com uma velocidade máxima acima de 21 nós. A segunda era para um navio com doze canhões de 340 milímetros arranjados em duas torres de artilharia duplas sobrepostas a duas torres quádruplas, tendo uma velocidade de vinte nós. A última era para um couraçado armado com dezesseis canhões de 305 milímetros em quatro torres quádruplas e velocidade de vinte nós.

Dois projetos diferentes para o sistema de propulsão também foram elaborados. A primeira opção era para dois conjuntos de turbinas a vapor como havia sido feito na Classe Bretagne, enquanto a segunda era para um sistema híbrido que usaria uma turbina a vapor para girar as duas hélices internas mais dois motores verticais de tripla-expansão para as hélices externas, mas estes apenas quando navegando em velocidades mais baixas. Isto tinha a intenção de reduzir o consumo de carvão em velocidades de cruzeiro, pois as turbinas a vapor eram ineficazes em velocidades baixas para moderadas. Foi planejado que quinto e último navio da Classe Normandie seria equipado com as duas turbinas a vapor para que seu consumo de combustível fossem igual ao da Classe Bretagne.

O Estado-Maior Geral decidiu em março de 1912 manter os mesmos canhões de 340 milímetros da Classe Bretagne e favorecer o projeto com apenas turbinas. Uma torre de artilharia quádrupla foi escolhida e uma preferência pela versão com doze canhões em duas torres quádruplas e duas duplas. Entretanto, no mês seguinte, o Conselho Superior da Marinha não pode chegar a uma decisão sobre a torre quádrupla pois esta ainda estava em desenvolvimento, deixando para revisar a questão uma vez que estivesse mais avançada. O conselho rejeitou as montagens duplas de casamatas para o armamento secundário e propôs uma mistura de dezesseis canhões de 138 milímetros e doze de 100 milímetros. O sistema de propulsão híbrido foi aceito e o esquema de blindagem da Classe Bretagne deveria ser mantido, porém um aumento na espessura do cinturão principal deveria ser implementada se possível. Théophile Delcassé, o Ministro da Marinha, aceitou as recomendações do conselho com a condição de que o arranjo de cinco torres de artilharia duplas da Classe Bretagne, incluindo uma à meian-nau, deveria ser implementado se as torres quádruplas não ficassem prontas em tempo.

A Seção Técnica preparou mais dois novos projetos, um com cinco torres duplas e outro com três torres quádruplas. Este último seria aproximadamente quinhentas toneladas mais leve que o primeiro. A Marinha Nacional aceitou em 6 de abril o projeto de uma torre quádrupla apresentada pela Saint-Chamond. Foi percebido em 22 de maio que a arma de 100 milímetros não ficaria pronta em tempo do início das construções, assim uma bateria composta apenas por canhões de 138 milímetros foi escolhida. Trabalhos adicionais revelaram que canhões extras poderiam ser acomodados, com o Conselho Superior da Marinha aceitando em 8 de julho uma versão com 24 armas de 138 milímetros.

Projeto Características thumb|240px|Desenho da Classe Normandie A Classe Normandie teria 175 metros de comprimento da linha de flutuação e 176,4 metros de comprimento de fora a fora. A boca seria de 27 metros e o calado máximo de 8,84 metros. Foi projetada para ter um deslocamento normal de toneladas e um deslocamento carregado de toneladas. Seria subdividida por anteparas transversais em 21 compartimentos estanques.

Os quatro primeiras embarcações teriam um sistema de propulsão composto por um conjunto de turbina a vapor que girariam as duas hélices internas, que teriam quatro lâminas e 5,2 metros de diâmetro. O Normandie e o Flandre teriam turbinas licenciadas Parsons, o Gascogne teria turbinas Rateau-Bretagne e o Languedoc teria modelos produzidos pela Schneider-Zoelly. Os quatro também teriam dois motores verticais de tripla-expansão com quatro cilindros para navegarem de ré ou em velocidade baixa, cada um girando uma hélice externa com três lâminas e 3,34 a 3,44 metros de diâmetro. O Béarn seria equipado com dois conjuntos de turbinas Parsons, cada um girando duas hélices com três lâminas e 3,34 metros de diâmetro. O Normandie e Gascogne seriam equipados com 21 caldeiras de tubos pequenos Guyot-du Temple-Normand, o Flandre e Languedoc teriam 28 caldeiras de tubos grandes Belleville, enquanto o Béarn recebeu 28 caldeiras Niclausse. Todas as caldeiras operariam a uma pressão de vinte quilogramas-força por centímetro quadrado ( quilopascais).

Os motores tinham uma potência indicada de 32 mil cavalos-vapor (23,5 mil quilowatts) e foram projetados para alcançar uma velocidade máxima de 21 nós (39 quilômetros por hora), porém as caldeiras poderiam ser forçadas a aumentar sua produção para 45 mil cavalos-vapor (33 mil quilowatts), o que aumentaria a velocidade máxima para 22,5 nós (41,7 quilômetros por hora). Os navios foram projetados para carregar novecentas toneladas de carvão e trezentos toneladas de óleo combustível, mas até 2,7 mil toneladas de carvão poderiam ser armazenadas no casco. Sua autonomia seria de 6,6 mil milhas náuticas (12,2 mil quilômetros) a uma velocidade de cruzeiro de doze nós (22 quilômetros por hora), porém a dezesseis nós (trinta quilômetros por hora) a autonomia diminuiria para milhas náuticas ( quilômetros) e em velocidade máxima a autonomia ficaria em 1,8 mil milhas náuticas (3,3 mil quilômetros). Suas tripulações seriam de 44 oficiais e marinheiros quando atuando como capitânias.

Armamento A bateria principal seria de doze canhões Modelo 1912M calibre 45 de 340 milímetros montados em três torres de artilharia quádruplas. Uma torre ficaria à vante, uma à meia-nau e outra à ré, todas na linha central. Cada torre pesaria 1,5 mil toneladas e seria girada eletricamente e elevada hidraulicamente. As armas ficariam divididas em pares e seriam movidas juntas em berços duplos, com uma antepara de quarenta milímetros dividindo cada torre ao meio. Cada par de canhões teria seu próprio depósito e guindaste de munição. Poderiam ser disparadas juntas ou independentemente. Caso os navios tivessem sido finalizados, teriam sido os primeiros do mundo com torres quádruplas.

As armas teriam um alcance de dezesseis quilômetros e uma cadência de tiro de dois disparos por minuto. Disparariam projéteis perfurantes de 540 quilogramas a uma velocidade de saída de oitocentos metros por segundo. Cada canhão teria um suprimento de duzentos projéteis. A bateria principal seria controlada por cinco telêmetros de 3,66 metros, dois dos quais ficariam montados na torre de comando e os outros três em cima de cada torre de artilharia. Cada torre também teria estações de controle auxiliares.

A bateria secundária dos couraçados seria de 24 canhões Modelo 1910 calibre 55 de 138,6 milímetros, cada um montado em casamatas próximas das torres de artilharia da bateria principal. Estas armas disparariam projéteis de 36,5 quilogramas a uma velocidade de saída de 830 metros por segundo. Cada canhão teria um suprimento de 275 projéteis. Os navios também teriam uma defesa antiaérea formada por seis canhões Modelo 1902 de 47 milímetros que seriam convertidos de armas de ângulo baixo. Também seriam equipados com seis tubos de torpedo submersos de 450 milímetros, três em cada lateral. Cada couraçado teria um suprimento de 36 torpedos.

Blindagem thumb|esquerda|240px|Uma placa de blindagem do Normandie sendo produzida em 1916 O cinturão principal de blindagem da Classe Normandie seria feito de aço cimentado Krupp e cobriria quase toda a extensão do casco, 170 metros, exceto os cinco metros finais da popa. O cinturão seria formado por duas linhas de placas que ao todo teriam 4,05 metros de altura, dos quais 1,7 metros ficariam acima da linha de flutuação. A parte mais espessa protegeria o casco entre a primeira e terceira barbetas e teria trezentos milímetros. As placas da extremidade superior teriam 240 milímetros de espessura, enquanto aquelas na extremidade inferior teriam cem milímetros. As placas reduziriam de espessura progressivamente da primeira barbeta até a proa de 260 para 160 milímetros; a extremidade superior também reduziria de 190 para 140 milímetros, enquanto a extremidade inferior seria de placas de oitenta milímetros. As placas de blindagem se reduziriam progressivamente à ré da terceira barbeta de 260 para 140 milímetros. Sua extremidade superior se afinaria de 190 para cem milímetros, já a extremidade inferior teria os mesmos oitenta milímetros das equivalentes de vante. O cinturão terminaria à ré em uma antepara transversal de 180 milímetros.