O Suffren foi um couraçado pré-dreadnought operado pela Marinha Nacional Francesa. Sua construção começou em janeiro de 1899 no Arsenal de Brest e foi lançado ao mar em julho do mesmo ano, porém sua equipagem e finalização foram adiadas pelo atraso de materiais e ele só foi comissionado em fevereiro de 1904. Era armado com uma bateria principal composta por quatro canhões de 305 milímetros montados em duas torres de artilharia duplas, tinha um deslocamento de quase treze mil toneladas e conseguia alcançar uma velocidade máxima de dezessete nós.

O couraçado teve uma carreira em tempos de paz marcada por acidentes e colisões com outros navios. Ele escoltou comboios de tropas do Norte da África quando a Primeira Guerra Mundial começou em 1914 e no ano seguinte foi designado para apoiar a Campanha de Galípoli, participando do bombardeio de fortificações otomanas. Em 1916 foi transferido para a Grécia a fim de impedir que os gregos interferissem na Frente da Macedônia. O Suffren acabou torpedeado e afundado pelo u-boot alemão SM U-52 em 26 de novembro, próximo do litoral de Portugal.

Design e descrição Os três couraçados da classe Charlemagne autorizados em 1893 ainda estavam em construção quando o Ministro da Marinha, (Vice-almirante) Armand Besnard, conseguiu que a Câmara dos Deputados autorizasse o encouraçado Iéna em 1897 como um design melhorado do Charlemagne. A Câmara autorizou outro encouraçado no ano seguinte e Besnard, não desejando atrasar a construção pelo tempo necessário para um projeto inteiramente novo, solicitou uma versão ampliada e melhorada do Iéna.Caresse, p. 10; Jordan & Caresse, p. 74

Pretendia-se que o Suffren tivesse apenas melhorias modestas em armamento e armadura, mas o número de melhorias cresceu à medida que o projeto foi discutido pelo Conseil des travaux de la Marine (Conselho de Construção), de modo que era essencialmente um novo design, mantendo apenas alguns dos elementos de design do Iéna. As maiores mudanças foram que a maior parte do armamento secundário foi montada em torres, em vez das casamatas do Iéna, e o armazenamento de cartuchos para o armamento principal foi aumentado de 45 para sessenta tiros por arma.Caresse, p. 10

Características gerais esquerda|miniaturadaimagem|Planta do Anuário Naval de Brassey de 1912 O Suffren tinha 3,55 metros a mais do que o Iéna, tendo 125,91 metros de comprimento no geral. Ele tinha uma boca de 21,42 metros e um calado de 7,39 metros à proa e 8,22 à popa. Ele deslocava 12 432 toneladas em deslocamento normal e 12 892 em plena carga, cerca de setecentas toneladas a mais que o navio anterior. O Suffren foi equipado com quilhas de popa para reduzir seu rolamento.Caresse, pp. 10–11, 16 Sua tripulação contava com 31 oficiais e 637 homens como navio particular e 42 oficiais e setecentos marinheiros como nau capitânia.Jordan & Caresse, p. 75

Propulsão O Suffren era movido por três motores a vapor verticais de expansão tripla Indret, cada um acionando um eixo de hélice. O eixo central acionava uma hélice helicoidal de três pás e as hélices das bordas do casco eram de quatro pás; cada uma tinha 4,39 metros de diâmetro. Os motores utilizavam vapor fornecido por 24 caldeiras Niclausse a uma pressão de trabalho de 256 psi. Avaliados em um total de 12 100 kiloWatts, os motores foram concebidos para dar ao navio uma velocidade de dezessete nós (31 quilômetros por hora). Durante seus testes no mar em 12 de novembro de 1903, eles produziram 12 534 kiloWatts e proporcionaram uma velocidade máxima de 17,9 nós (33,2 quilômetros por hora). O navio transportava no máximo 1 233 toneladas de carvão que lhe permitia navegar por 5 715 quilômetros a uma velocidade de doze nós (22 quilômetros por hora). O Suffren carregava 52,15 toneladas de óleo combustível a ser pulverizado sobre o carvão para melhorar sua taxa de queima. A energia elétrica de oitenta volts do navio era fornecida por dois dínamos de seiscentos amperes e três de 1 200 amperes.Caresse, pp. 11–12; Jordan & Caresse, p. 84

Armamento Assim como o Iéna, o armamento principal do Suffren consitia em quatro canhões Modèle 1893/96 de 305 milímetros e quarenta calibres em duas torres de canhão duplas, uma à frente e outra à ré da superestrutura. As torres eram giradas por motores elétricos, mas eram elevadas e abaixadas manualmente. Os canhões eram carregados em um ângulo de -5° e tinham uma elevação máxima de +15°. Eles disparavam projéteis perfurantes de 349,4 quilogramas a uma taxa de aproximadamente um tiro por minuto. Eles tinham uma velocidade inicial de 855 metros por segundo que proporcionavam um alcance de doze mil metros na elevação máxima. O Suffren carregava sessenta cartuchos para cada arma, com cada torre contendo suportes prontos para uso para 22 projéteis.Friedman, pp. 211–212; Jordan & Caresse, p. 68

O armamento secundário do navio consistia em dez canhões Modèle 1893/96 de 164,7 milímetros e 45 calibres. Seis deles foram montados em torres de canhão único em cada lado da superestrutura e os quatro canhões restantes foram posicionados abaixo deles no convés superior em casamatas individuais que foram contrafeitas sobre o costado. As armas disparavam projéteis de 54,9 quilogramas a uma velocidade inicial de novecentos metros por segundo para um alcance máximo de 10 800 metros. Sua cadência teórica de tiro estava entre dois e três tiros por minuto. O Suffren carregava duzentos cartuchos para cada arma. Ele também carregava oito canhões Modèle 1893 de cem milímetros e 45 calibres em montagens blindadas no convés e na superestrutura. Essas armas disparavam projéteis de dezesseis quilogramas em 710 metros por segundo, que podia ser elevado até +20° para um alcance máximo de nove mil metros. Sua cadência máxima de tiro era de quatro tiros por minuto. O navio carregava dois mil cartuchos para essas armas.Friedman, pp. 221, 227; Jordan & Caresse, pp. 47, 76, 78–79

Para defesa contra torpedeiros, o Suffren tinha 22 canhões QF 3-pounder Hotchkiss. Eles foram posicionados nos topos de combate e na superestrutura. Eles disparavam um projétil de 1,5 quilogramas a 650 metros pro segundo até um alcance máximo de cinco mil metros. Sua cadência de tiro máxima teórica era de quinze tiros por minuto, mas apenas sete tiros por minuto se provaram possíveis. O Suffren tinha 16 500 cartuchos para essas armas. Dois Canhões Hotchkiss Modèle 1885 de 37 milímetros também foram montados na ponte superior.Friedman, pp. 120, 228; Jordan & Caresse, pp. 34, 75, 80

O navio estava equipado com quatro tubos de torpedo de 450 milímetros na lateral. Dois deles foram submersos, atrás da torre dianteira, e fixados em um ângulo de 30° lateralmente. Os dois tubos acima da água poderiam percorrer um ângulo de 80°. Normalmente o Suffren carregava doze torpedos Modèle 1892, dos quais quatro eram modelos de treinamento.Caresse, pp. 12–13

Blindagem O Suffren tinha um cinturão na linha d'água completo de armadura Harvey que tinha uma espessura máxima de tezentos milímetros a meia nau e reduzia para 250 na proa e 230 na popa. A borda inferior deste cinto era de 124 milímetros de espessura ao meio do navio e diluía para 113 na proa e cem milímetros na popa. As placas de blindagem tinham 2,5 metros de altura dos quais 1,4 estavam acima da linha d'água e 1,1 abaixo dele. Acima disso havia uma armadura de aço especial que se estendia da proa até a antepara transversal de popa, abaixo da torre do canhão principal de popa. Em espessura variava de setenta milímetros na proa para 110 milímetros no meio do navio. Esta armadura era apoiada por uma ensecadeira altamente subdividida destinada a reduzir inundações causadas por quaisquer golpes penetrantes, já que seus compartimentos eram preenchidos com "tijolos" resistentes à água de algas marinhas Zostera secas (). Os lados externos das casamatas eram protegidos por placas de aço especial 110 milímetros de espessura. As casamatas eram separadas por uma antepara transversal de oitenta milímetros e uma antepara central de cinquenta milímetros que subdividia as casamatas.Jordan & Caresse, pp. 81–83

A blindagem da torre principal era de 290 milímetros de espessura com teto de cinquenta milímetros e as barbetas foram protegidas por 250 milímetros de armadura. A blindagem das torres secundárias variava de 102 milímetros à proa e e 192 milímetros à popa. A torre de comando tinha paredes de 224 a 274 milímetros de espessura e seu tubo de comunicações era protegido por 150 milímetros de armadura. O convés blindado consistia em placas de aço macio de 55 a 60 milímetros colocadas sobre outras duas placas de dez milímetros. O deck de fragmentos abaixo dele compreendia duas camadas de placas de dezenove milímetros.Jordan & Caresse, pp. 82–84

Construção e carreira

Pré-guerra O Suffren, em homenagem ao Pierre André de Suffren de Saint-Tropez,Silverstone, p. 112 foi encomendado em 21 de abril de 1898 ao Arsenal de Brest. Ele foi batido em 5 de janeiro de 1899Campbell, p. 296 e lançado em 25 de julho do mesmo ano. Seu equipamento foi atrasado devido ao atraso na entrega de acessórios e armaduras. O Suffren iniciou seus testes no mar em novembro de 1903, mas não foi comissionado até 3 de fevereiro de 1904. Em 18 de agosto de 1903, ele participou de um teste de artilharia com o pré-dreadnought Masséna, perto de Île Longue. Uma placa de aço macio de 550 milímetros de espessura, medindo 225 por 95 centímetros, foi fixada na lateral da torre dianteira do Suffren para determinar a resistência de uma placa de blindagem a um projétil de grande calibre com seis ovelhas colocadas na torre para simular sua tripulação. O Masséna ancorou a cem metros de distância do Suffren e disparou uma série de projéteis de 305 milímetros contra a placa. Os três primeiros eram projéteis de treinamento que arrancavam lascas da armadura. Os dois últimos projéteis, disparados com carga total, quebraram a placa, mas a torre do Suffren estava totalmente operacional, assim como seu sistema elétrico de controle de fogo Germain, e as ovelhas saíram ilesas. Um estilhaço atingiu o Masséna acima do cinto de armadura e deixou um buraco de quinze centímetros em seu casco. Outro estilhaço de cinquenta quilogramas pousou a poucos metros do Ministro da Marinha, Camille Pelletan, que observava os testes.Caresse, pp. 13–15