alt=En kvinna arbetar i köket, en annan kvinna antecknar och klockar tiden (Rålambsvägen 8 och 10 i Stockholm)|miniaturadaimagem| Uma mulher cozinha, supervisionada por um professor, em um instituto de economia doméstica em Estocolmo, Suécia. (1950) Uma carga dupla (também chamada de jornada dupla, segundo turno e dupla jornadaSuzana Smith and Diana Converse. Double Day Work: How Women Cope With Time Demands. University of Florida, IFAS Extension.) é a carga de trabalho das pessoas que trabalham para ganhar dinheiro, mas que também são responsáveis por quantidades significativas de trabalho doméstico e de cuidados não remunerado. Este fenômeno também é conhecido como a Segundo Turno no livro de mesmo nome de Arlie Hochschild.

Em casais em que ambos os parceiros têm empregos remunerados, as mulheres majoritariamente gastam significativamente mais tempo do que os homens em tarefas domésticas e trabalhos de cuidado, como criar filhos ou cuidar de familiares doentes. Esse resultado é determinado, em grande parte, pelos papéis tradicionais de gênero que foram aceitos e perpetuados pela sociedade ao longo do tempo. As restrições do mercado de trabalho também desempenham um papel na determinação de quem faz a maior parte do trabalho não remunerado.

As mudanças do estilo de vida, decorrentes das transformações da Segunda Transição Demográfica, assim como a maior escolaridade alcançada por mulheres, que viabiliza uma maior inserção no mercado de trabalho, corrobora para que as mulheres assumam a maior carga de trabalho (atividade principal remunerada somada às atividades de trabalho e de cuidados não remunerado). . Como principais efeitos dessa dupla jornada, observa-se uma sobrecarga da saúde física e mental das mulheres.

Muitos estudos traçam os efeitos da divisão sexual do trabalho nos domicílios e famílias, nos quais se observa que, geralmente, houve uma expressiva diferença entre o tempo que homens e mulheres contribuem para o trabalho não remunerado.

Cargas de trabalho desiguais em todo o mundo

No mundo industrializado

Pré-Segunda Guerra Mundial O modelo familiar tradicional apresenta papéis de gênero nos quais as mulheres assumem a função de dona de casa e cuidadora, enquanto que ao homem foi delegada a função de principal provedor financeiro da família, sinalizando o modelo de divisão sexual do trabalho vigente no período anterior à Segunda Guerra Mundial. Na virada do século XX, nos Estados Unidos continentais, apenas 18% das mulheres com mais de 15 anos relataram receber renda de emprego não agrícola. Essas mulheres eram tipicamente jovens, solteiras, brancas e nativas. Em contraste, as mulheres casadas na força de trabalho não agrícola eram "predominantemente negras ou imigrantes e muito pobres". As mães trabalhadoras muitas vezes deixavam a força de trabalho quando seus filhos tinham idade suficiente para ganhar dinheiro.

A efusão de oportunidades ocupacionais no início da década de 1920, após o declínio das indústrias, fez emergir vagas de emprego em estabelecimentos como em "⁣cafeterias, creches, lavanderias e outras instalações, parecia libertar as mulheres das tarefas domésticas, para participem plenamente da esfera da produção".

Essa migração de mulheres para a força de trabalho abalou a ideologia tradicional dos papéis de gênero, mas, mais importante, foi catalisador para que o fardo da dupla jornada, outrora invisível, se tornasse perceptível. A década de 1930 "encorajou as mulheres a cumprir o que Stalin chamou 'grande e honroso dever que a natureza lhes deu'." Evidente na União Soviética, "um culto da maternidade oficialmente patrocinado pelo Estado, sustentado pela legislação anti-aborto acompanhado por uma 'depressão dos padrões de vida' levou à imensa demanda da indústria por trabalhadores, que levaram as mulheres ao trabalho industrial, em números sem precedentes".

As mulheres urbanas, assim, se viram assumindo a "dupla jornada" (também conhecida como "turno duplo") do trabalho assalariado, fora de casa e a maior parte do trabalho não remunerado dentro dele.” A Segunda Guerra Mundial é tipicamente vista como catalisadora para o aumento do emprego feminino. Melhor exemplificado pela propaganda de uma trabalhadora eficiente e patriótica, por Rosie the Riveter, a Segunda Guerra Mundial aumentou a demanda por mão de obra feminina para substituir os “16 milhões de homens mobilizados para servir nas Forças Armadas”. Enquanto uma quantidade substancial de mulheres trabalhava em fábricas da indústria bélica, a maioria dos empregos estava no setor de serviços. Isso fez com que as expectativas de gênero para aquela época fossem alteradas e os papéis fossem testados e reatribuídos para as próximas décadas, mas não deixando de atribuir às mulheres serviços ligados ao cuidado e manutenção do “lar”.

O período pós-Segunda Guerra Mundial é marcado por níveis relativamente altos de participação feminina na força de trabalho, principalmente nos países industrializados, como os os Estados Unidos. Embora uma grande proporção de mulheres tenha saído da força de trabalho imediatamente após a Segunda Guerra Mundial, a ideia de mulheres na classe trabalhadora conseguiu se enraizar e se “normalizar”, apesar de ainda enfrentarem pressões sociais para dedicassem apenas ao lar e à família. "Em 2001, 47% dos trabalhadores americanos eram mulheres, e 61% das mulheres com mais de 15 anos estavam na força de trabalho." Além do aumento da demanda de mão de obra feminina, outros fatores contribuíram para o crescimento de sua participação, como mais oportunidades educacionais e idades mais liberais com relação ao casamento e a procriação.

A ideia da dupla jornada está mais evoluída com os tempos em relação a ambos os sexos e seus novos papéis. O papel de cuidador às vezes é esperado das mulheres, mas à medida que mais mulheres entram na força de trabalho, uma ideologia "independente" parece ter efeito e força algumas mulheres a decidirem entre uma carreira ou uma família. Algumas podem escolher estritamente um ou outro, outras podem optar por carregar o fardo de ambos de manter os estilos de vida. "Alguns homens modernos tendem a acreditar no princípio da divisão igualitária do trabalho doméstico, mas não conseguem realmente viver de acordo com essa crença".

Essas mudanças que parecem ocorrer externas à realidade domiciliar, caracteriza o que Karen Mason denomina de revolução de gênero estagnada. Na qual o constante cabo de guerra entre os papéis de gênero em relação ao uso do tempo, e onde ele poderia ou deveria ser gasto, cria uma dificuldade um pouco maior que as anteriores. Os tempos modernos iluminam o dilema que muitos casais de dupla renda, em sua maioria heterossexuais, enfrentam ao tentar conciliar o trabalho doméstico não remunerado e o emprego remunerado. O fardo de abranger ambas as ideologias, afeta ambos os gêneros nas sociedades atuais.

América latina Devido à globalização nos últimos trinta anos, o poder do trabalhador não qualificado diminuiu e, assim, a economia informal floresceu. Na América Latina, há um número abundante de trabalhadores para contribuir no trabalho doméstico remunerado e, consequentemente, essa mão de obra é barata e majoritariamente desempenhada por mulheres. Diminuindo assim as tensões familiares em torno da questão do trabalho doméstico intrafamiliar, para aquelas que possuem condições financeiras para terceirizar tais atividades da vida diária, como cozinhar, lavar, passar, limpar, e mesmo o cuidado com crianças, idosos e acamados passa a ser terceirizado, mesmo que precariamente. Atualmente, cerca de metade da população ativa está empregada no setor informal, levando ao “desemprego, subemprego e vulnerabilidade social”. Por causa disso, houve um sério atraso no fornecimento de bem-estar para o cuidado de crianças e idosos, porque a pressão para fornecer direitos às famílias trabalhadoras é mínima. Além disso, as trabalhadoras domésticas, muitas vezes deixam seus países para trabalhar no setor informal nos países do norte, de modo a aumentar a renda de suas famílias, obter maior qualidade de vida e segurança, retardando também a pressão para que os governos forneçam ajuda a essas famílias. No entanto, houve uma mudança desde os anos 2000 no pensamento sobre o trabalho não remunerado, devido ao influxo de empregos remunerados para mulheres e à escassez de pessoas disponíveis para realizar o trabalho doméstico.

Embora o aumento de empregos para mulheres tenha trazido benefícios em mudanças de políticas para famílias onde o modelo familiar é de conciliação, quando ambos os cônjuges trabalham e, teoricamente se responsabilizam pela realização das atividades domésticas e de cuidados, tem havido debates sobre as condições dos locais de trabalho. No México, há um afluxo da indústria maquiladora, que produz produtos que serão vendidos nos países desenvolvidos. A força de trabalho, majoritariamente feminina, é muitas vezes explorada por ter condições de trabalho inseguras, e o estresse é uma das principais causas de muitas doenças dessas mulheres.

Outra questão crescente é o impacto dos programas de transferência condicional de renda na América Latina, como o pioneiro Oportunidades (antigo Progresa) no México e o Bolsa Família no Brasil. Embora essas iniciativas tenham como objetivo proporcionar o alívio imediato da pobreza, pesquisadores apontam que as condicionalidades impostas — como a exigência de manter exames médicos e a frequência escolar das crianças em dia — geram uma severa escassez de tempo para o membro da família responsável por cumprir tais agendas. Na esmagadora maioria dos casos, essa responsabilidade recai sobre as mulheres (mães ou cuidadoras), que frequentemente são priorizadas como titulares formais dos cartões do benefício. Esse desenho institucional, se por um lado garante autonomia financeira, por outro reforça o papel da mulher como cuidadora primária e amplia a desigualdade da carga de trabalho doméstico não pago .

Além dos programas condicionais, benefícios de assistência social continuada voltados a vulnerabilidades específicas também se somam a essa dinâmica. No Brasil, o Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda, ilustra como a ausência de uma rede pública de apoio transfere o ônus do cuidado de longo prazo para as famílias. Como o valor do benefício é frequentemente absorvido pelos custos básicos de sobrevivência e saúde do assistido, mulheres dessas famílias muitas vezes se veem obrigadas a abandonar o mercado de trabalho formal para exercer funções de cuidado em tempo integral, configurando uma jornada exaustiva e invisibilizada que intensifica as assimetrias de gênero.

Europa Ocidental Desde a década de 1960, a Europa Ocidental tem sido palco de intensos debates políticos voltados à ampliação dos direitos das mulheres no mercado de trabalho. Nos anos 2000, essa agenda passou por um deslocamento conceitual, direcionando o foco especificamente para os direitos de gestantes e mães. No entanto, a criação de legislações voltadas exclusivamente à maternidade gerou impasses, pois, ao não engajarem os homens na corresponsabilidade, correm o risco de reforçar o viés de gênero tradicional que atribui à mulher o papel de cuidadora primordial dos filhos .