Francisco de São José, mais conhecido como "Chico Prego", foi um dos líderes da Revolta de Queimado, ocorrida em 1849, no atual município da Serra, sendo posteriormente reconhecido como um dos principais símbolos da resistência negra capixaba. Capturado e condenado à morte por enforcamento em 11 de janeiro de 1850. A Lei do Incentivo Cultural no Espirito Santo tem como apelido "lei Chico Prego" onde sua memória é preservada em iniciativas culturais, educacionais e políticas no Espírito Santo.
Biografia A revolta teria começado 11 meses antes, em 19 de março de 1849, quando o frade católico italiano Gregório José da Bene mentiu sobre a alforria dos escravos que ajudassem a construir a igreja de São José, no atual município da Serra à 25 quilômetros da capital Vitória. Em alguns boatos, Gregório nunca aceitou o trabalho escravo e só conseguiria garantir a liberdade dos escravos com pedidos para os fazendeiros. Pelo menos 300 escravos, incluindo mulheres e crianças, participaram e foram liderados por Chico Prego, Elisiário Rangel e João da Viúva na revolta e foi necessário a mobilização de tropas capixabas e cariocas para conte-la. A revolta foi reprendida em apenas cinco dias pela polícia da província, a maioria dos rebeldes foram brutalmente assassinados e seus corpos foram despejados na Lagoa das Almas e os cinco líderes rebeldes, incluindo Chico Prego e João da Viúva, foram condenados a morte judicialmente, com exceção de Elisiário Rangel que fugiu da cela aberta. Os que sobreviveram se refugiaram para Cariacica, onde fundaram o Quilombo Rosa d’Água. Em 1993, o Sítio do Queimado, cenário foi tombado, no entanto, as suas ruínas passaram a ser restauradas por meio da viabilização de 1,3 milhões de reais pelo Acordo de Cooperação Técnica e Financeira e o Sindicato do Comércio Atacadista e Distribuidor do Espirito Santo (Sincades) e o atual prefeito da Serra, Audifax Barcelos pretende torna-lo um museu a céu aberto.
Legado e memória A memória de Chico Prego permaneceu presente na cultura e na história capixaba como símbolo da resistência afro-brasileira contra a escravidão. No município da Serra, seu nome foi utilizado na criação da chamada Lei Chico Prego A cidade da Serra mantém referências culturais ligadas à memória de Chico Prego., iniciativa pública de incentivo à produção cultural local. Movimentos culturais, pesquisadores, artistas e instituições educacionais vêm retomando sua trajetória por meio de: espetáculos teatrais; produções acadêmicas; projetos educacionais; iniciativas de valorização da memória negra; divulgação histórica em meios digitais e colaborativos. A recuperação da história de Chico Prego também está relacionada ao combate ao apagamento histórico da população negra no Brasil, especialmente de personagens escravizados cujas trajetórias foram pouco registradas oficialmente.
Importância Histórica Chico Prego é considerado uma das figuras mais representativas da resistência negra à escravidão no Espírito Santo. Sua trajetória evidencia as formas de organização e luta da população escravizada em busca de liberdade durante o período imperial brasileiro. Sua memória também contribui para debates contemporâneos sobre: escravidão no Brasil; racismo estrutural; memória social; preservação da história afro-brasileira; resistência negra.
Categoria:Pessoas do Brasil Imperial Categoria:Abolicionistas do Brasil Categoria:Mortes por enforcamento